ONU pede apoio global para levar assistência a 430 mil refugiados do Burundi

Refugiados burundeses coletam água em campo na região de Kivu do Sul, na República Democrática do Congo. Foto: ACNUR/Colin Delfosse

Refugiados burundeses coletam água em campo na região de Kivu do Sul, na República Democrática do Congo. Foto: ACNUR/Colin Delfosse

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e instituições parceiras lançaram em fevereiro (6) um apelo humanitário de 391 milhões de dólares para levar assistência às vítimas da crise do Burundi. Desde 2015, mais de 400 mil refugiados e solicitantes de refúgio deixaram esse pequeno país do centro da África, fugindo de abusos de direitos humanos, instabilidade política e emergências humanitárias.

Cerca de 253 mil deslocados forçados do Burundi — 60% do total — estão na Tanzânia e outros milhares estão espalhados por Ruanda, República Democrática do Congo e Uganda. Com a continuidade das tensões em território burundês, o número de refugiados poderá chegar a 450 mil até o final de 2018, segundo previsões da ONU.

Com o orçamento solicitado à comunidade internacional, o ACNUR e organizações de ajuda humanitária conseguirão levar assistência para 430 mil burundeses deslocados. A maior parte desse contingente — 85% — vive em campos de refugiados. A resposta emergencial visa garantir que todos os moradores desses assentamentos tenham comida, abrigo, educação e proteção contra a violência sexual e baseada em gênero.

“Porções de comida foram reduzidas em muitos dos países vizinhos”, alertou o alto-comissário da ONU para refugiados, Filippo Grandi. O dirigente lembrou que mulheres que já foram vítimas de violência não estão recebendo o devido apoio.

“Por ora, as condições ainda estão frágeis, de modo que a ajuda aos países de acolhimento continua a ser uma prioridade que eu espero que o mundo não esqueça”, defendeu Grandi.

Parte da verba também será utilizada na oferta de meios de subsistência, na emissão de documentos e no treinamento de funcionários públicos que trabalham com a avaliação do status de populações deslocadas, definindo se elas devem ou não ser consideradas refugiadas.

ACNUR não encoraja retornos

Segundo o ACNUR, alguns refugiados burundeses retornaram ao país de origem, mas enfrentaram — e continuam enfrentando — pressões econômicas consideráveis e insegurança alimentar. “Atualmente, o ACNUR e parceiros não estão promovendo ou encorajando o retorno de refugiados ao Burundi”, afirmou o coordenadora regional da agência da ONU para a situação da nação africana, Catherine Wiesner.

A especialista acrescentou que o organismo internacional tem trabalhado com governos para orientar os burundeses que decidirem regressar, a fim de garantir que suas decisões sejam informadas e voluntárias.

“Também estamos reiterando nosso apelo aos vizinhos do Burundi para que continuem a cumprir com suas responsabilidades e compromissos internacionais em receber requerentes de asilo nas suas fronteiras e em oferecer proteção a quem precisa”, completou Catherine.