OIT pede que mundo ‘envie trabalho infantil para lixeira da história’

Criança trabalha em uma fábrica na Indonésia. Foto: OIT/Asrian Mirza

Criança trabalha em uma fábrica na Indonésia. Foto: OIT/Asrian Mirza

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) pediu mais ações para “enviar o trabalho infantil para a lixeira da história”, em um relatório divulgado para coincidir com a IV Conferência Global sobre a Erradicação Sustentada do Trabalho Infantil, realizada em Buenos Aires na semana passada.

A ONU News conversou com o chefe da agência da ONU em Nova Iorque, Vinícius Pinheiro, que lembrou as últimas estimativas da OIT: em 2016 cerca de 152 milhões de crianças, com idades entre 5 e 17, foram vítimas da prática no mundo.

Quase metade realiza essas atividades de forma perigosa, em condições insalubres.

“É importante ressaltar que o trabalho infantil é ilegal e priva crianças e adolescentes de uma infância normal, impedindo-os, por exemplo, de frequentar a escolar, de estudar normalmente, de desenvolver de uma maneira saudável todas as suas habilidades. O trabalho infantil é uma grave violação dos direitos humanos. É por isso que a OIT tem trabalhado junto com os países e os parceiros, os sindicatos e os empregadores, para erradicar o trabalho infantil”, destacou.

Pinheiro ressaltou que o setor que mais concentra o trabalho infantil é a agricultura, com 71%, seguido do setor de serviços com 17% e o industrial com 12%.

Pinheiro falou ainda sobre os números do trabalho infantil no Brasil. Ele citou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2015 que mostram que ainda há cerca de 2,7 milhões de crianças em situação de trabalho infantil, mas que há uma tendência de redução.

“Entre 1992 e 2015, 5,7 milhões de crianças deixaram de trabalhar no país, o que significou uma redução de 68%. Mas o importante é que, se o Brasil e o resto do mundo quiserem realmente atingir a meta que foi colocada na Agenda 2030, que é de erradicação do trabalho infantil até 2025, todos esses esforços têm que ser redobrados, porque no padrão atual de redução não vamos conseguir atingir a meta. Então, o chamado da OIT nessa conferência em Buenos Aires é precisamente para reforçar os esforços para a erradicação do trabalho infantil”, acrescentou.

Vinícius Pinheiro citou algumas medidas para acabar com o trabalho infantil até 2025, citando investimento em mudanças legais e institucionais e também em trabalhos decentes para as famílias, acesso à proteção social e à educação de qualidade.

Acesse o documento da OIT clicando aqui.