Com poucos recursos, hospital em campo de refugiados na Tanzânia salva vidas

Tosha e seu bebê, Marian: "a vida está difícil, mas me sinto muito grata pela assistência do ACNUR e dos trabalhadores do centro médico”. Foto: ACNUR/Georgina Goodwin

Tosha e seu bebê, Marian: “a vida está difícil, mas me sinto muito grata pela assistência do ACNUR e dos trabalhadores do centro médico”. Foto: ACNUR/Georgina Goodwin

A pequena Marian tem apenas 30 segundos de vida. Envolvida em um fino xale ao lado da mãe, deitada em uma cama de ferro, ela nasce já enfrentando dificuldades.

Sua mãe, Tosha Sangan, de 32 anos, foi forçada a deixar a violência da República Democrática do Congo (RDC) há 15 anos, encontrando segurança no campo de refugiados improvisado de Nyarugusu, na Tanzânia.

O principal hospital do campo oferece pouco conforto ou privacidade, mas representa uma esperança para centenas de milhares de refugiados como Tosha, bem como para tanzanianos que vivem nos arredores.

Contudo, um severo corte de investimentos significa que o hospital terá que lutar para atender as demandas existentes. Existem apenas 121 camas, dois médicos e cinco assistentes, e o hospital atende mais de 7 mil pacientes por mês — cerca de 6 mil refugiados e 1 mil tanzanianos.

Todas as camas estão ocupadas, em alguns casos com dois pacientes, e há escassez de medicamentos devido às dificuldades de importação. Neste campo de refugiados com população com mais de 150 mil pessoas, das quais 80% são mulheres e crianças, cada dia representa uma luta para salvar vidas.

“Meu filho ficou com febre. Continuava doente e com diarreia. Levei para o hospital, onde fizeram alguns exames e descobriram que tinha malária. Os médicos disseram que a doença tinha atingido o cérebro. Fui com ele para a sala de emergência, onde morreu. Estou devastada”, relatou Susana Kahoto, natural do Burundi.

Jackson John, de 26 anos, trabalha como parteiro há quatro meses. Hoje, ele ajuda a cuidar de um bebê que nasceu com 32 semanas e pesa menos de 2,5 kg. Para a mãe tanzaniana, Verine Shimirimara, este é o hospital mais perto de sua casa e, se não fosse por ele, teria que viajar 30 quilômetros para dar à luz seu filho.

Um aporte financeiro é urgente para que o hospital continue funcionando. “Em certas situações, ficamos sem medicamentos e itens essenciais”, diz Jackson. “O mercado local não pode satisfazer a demanda”.

Jackson aponta para um grande quadrado de papel colado na parede que lista o abastecimento dos equipamentos, abaixo do ideal.

Apenas nesta sala de maternidade, com nove camas ocupadas, ele e outros médicos devem compartilhar uma única máquina de oxigênio, duas camas de parto pequenas, dois pares de fórceps e um estetoscópio. A única máquina de ultrassom do hospital precisa ser consertada.

“Trabalho neste hospital há dez anos”, diz a médica Florence, da Cruz Vermelha da Tanzânia. “Vi o hospital piorar, especialmente depois da chegada de pessoas do Burundi. A malária é nosso maior problema. Temos medicamentos, mas a distribuição é insuficiente. Normalmente, recebemos cerca de 600 pacientes por dia, e quando chove, aumenta para 900 pessoas”.

Além disso, os cortes no número de refeições significam que a desnutrição aguda aumentou de 1% para 2,4% no campo de refugiados de Nyagurusu.

Ebinda Nyota, de 62 anos, chegou a Nyarugusu há 20 anos depois de ser forçada a deixar a RDC devido à guerra, e agora trabalha no hospital como uma parteira tradicional, dando atenção básica para mães de primeira viagem e seus bebês. Ela geralmente vem ao trabalho com fome. “É difícil. Em casa tínhamos peixe e carne vermelha. Aqui temos apenas farinha e milho”, diz.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está trabalhando para melhorar e expandir os serviços médicos do campo de refugiados. Em dezembro, será finalizada a extensão da principal sala de maternidade do hospital que contará com quatro camas extra.

Num hospital que atende não apenas refugiados, mas também a população tanzaniana local, projetos como esses são vitais e fazem parte de um esforço conjunto entre o governo da Tanzânia, o ACNUR e organizações parceiras para implementar uma resposta assertiva aos refugiados, como documentado no Marco de Resposta Integral para os Refugiados.

“O ACNUR está buscando proporcionar serviços de saúde para as comunidades de refugiados e de acolhida”, diz Måns Fellesson, coordenador da iniciativa. “Ao vincular os esforços humanitários e os de desenvolvimento desde o início, buscamos uma resposta sustentável para os desafios comuns”.

Para as mães como Tosha e bebês recém-nascidos como Marian, o hospital de Nyarugusu mudou suas vidas. “Tive todos meus cinco filhos aqui”, diz Tosha, balançando Marian. “É uma vida difícil, mas estou muito grata pela assistência do ACNUR e os trabalhadores do centro médico”.

Com poucos recursos, hospital em campo de refugiados na Tanzânia salva vidas

Tosha e seu bebê, Marian: "a vida está difícil, mas me sinto muito grata pela assistência do ACNUR e dos trabalhadores do centro médico”. Foto: ACNUR/Georgina Goodwin

Tosha e seu bebê, Marian: “a vida está difícil, mas me sinto muito grata pela assistência do ACNUR e dos trabalhadores do centro médico”. Foto: ACNUR/Georgina Goodwin

A pequena Marian tem apenas 30 segundos de vida. Envolvida em um fino xale ao lado da mãe, deitada em uma cama de ferro, ela nasce já enfrentando dificuldades.

Sua mãe, Tosha Sangan, de 32 anos, foi forçada a deixar a violência da República Democrática do Congo (RDC) há 15 anos, encontrando segurança no campo de refugiados improvisado de Nyarugusu, na Tanzânia.

O principal hospital do campo oferece pouco conforto ou privacidade, mas representa uma esperança para centenas de milhares de refugiados como Tosha, bem como para tanzanianos que vivem nos arredores.

Contudo, um severo corte de investimentos significa que o hospital terá que lutar para atender as demandas existentes. Existem apenas 121 camas, dois médicos e cinco assistentes, e o hospital atende mais de 7 mil pacientes por mês — cerca de 6 mil refugiados e 1 mil tanzanianos.

Todas as camas estão ocupadas, em alguns casos com dois pacientes, e há escassez de medicamentos devido às dificuldades de importação. Neste campo de refugiados com população com mais de 150 mil pessoas, das quais 80% são mulheres e crianças, cada dia representa uma luta para salvar vidas.

“Meu filho ficou com febre. Continuava doente e com diarreia. Levei para o hospital, onde fizeram alguns exames e descobriram que tinha malária. Os médicos disseram que a doença tinha atingido o cérebro. Fui com ele para a sala de emergência, onde morreu. Estou devastada”, relatou Susana Kahoto, natural do Burundi.

Jackson John, de 26 anos, trabalha como parteiro há quatro meses. Hoje, ele ajuda a cuidar de um bebê que nasceu com 32 semanas e pesa menos de 2,5 kg. Para a mãe tanzaniana, Verine Shimirimara, este é o hospital mais perto de sua casa e, se não fosse por ele, teria que viajar 30 quilômetros para dar à luz seu filho.

Um aporte financeiro é urgente para que o hospital continue funcionando. “Em certas situações, ficamos sem medicamentos e itens essenciais”, diz Jackson. “O mercado local não pode satisfazer a demanda”.

Jackson aponta para um grande quadrado de papel colado na parede que lista o abastecimento dos equipamentos, abaixo do ideal.

Apenas nesta sala de maternidade, com nove camas ocupadas, ele e outros médicos devem compartilhar uma única máquina de oxigênio, duas camas de parto pequenas, dois pares de fórceps e um estetoscópio. A única máquina de ultrassom do hospital precisa ser consertada.

“Trabalho neste hospital há dez anos”, diz a médica Florence, da Cruz Vermelha da Tanzânia. “Vi o hospital piorar, especialmente depois da chegada de pessoas do Burundi. A malária é nosso maior problema. Temos medicamentos, mas a distribuição é insuficiente. Normalmente, recebemos cerca de 600 pacientes por dia, e quando chove, aumenta para 900 pessoas”.

Além disso, os cortes no número de refeições significam que a desnutrição aguda aumentou de 1% para 2,4% no campo de refugiados de Nyagurusu.

Ebinda Nyota, de 62 anos, chegou a Nyarugusu há 20 anos depois de ser forçada a deixar a RDC devido à guerra, e agora trabalha no hospital como uma parteira tradicional, dando atenção básica para mães de primeira viagem e seus bebês. Ela geralmente vem ao trabalho com fome. “É difícil. Em casa tínhamos peixe e carne vermelha. Aqui temos apenas farinha e milho”, diz.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está trabalhando para melhorar e expandir os serviços médicos do campo de refugiados. Em dezembro, será finalizada a extensão da principal sala de maternidade do hospital que contará com quatro camas extra.

Num hospital que atende não apenas refugiados, mas também a população tanzaniana local, projetos como esses são vitais e fazem parte de um esforço conjunto entre o governo da Tanzânia, o ACNUR e organizações parceiras para implementar uma resposta assertiva aos refugiados, como documentado no Marco de Resposta Integral para os Refugiados.

“O ACNUR está buscando proporcionar serviços de saúde para as comunidades de refugiados e de acolhida”, diz Måns Fellesson, coordenador da iniciativa. “Ao vincular os esforços humanitários e os de desenvolvimento desde o início, buscamos uma resposta sustentável para os desafios comuns”.

Para as mães como Tosha e bebês recém-nascidos como Marian, o hospital de Nyarugusu mudou suas vidas. “Tive todos meus cinco filhos aqui”, diz Tosha, balançando Marian. “É uma vida difícil, mas estou muito grata pela assistência do ACNUR e os trabalhadores do centro médico”.