Arquivo da categoria: Sem categoria

Chef Rita Lobo participa de evento sobre alimentação saudável em Brasília

Rita Lobo participou de evento da OPAS/OMS para abordar alimentação saudável. Foto: Divulgação/Editora Panelinha

Rita Lobo participou de evento da OPAS/OMS para abordar alimentação saudável. Foto: Divulgação/Editora Panelinha

A apresentadora e chef de cozinha Rita Lobo participou na sexta-feira (27) de evento realizado por Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e Ministério da Saúde em Brasília com o objetivo de melhorar a qualidade da alimentação no Brasil e no mundo.

Relatório divulgado na semana passada por FAO e OPAS/OMS mostrou que mais da metade (58%) da população adulta latino-americana e caribenha está com excesso de peso. São 360 milhões de pessoas, sendo 50 milhões somente no Brasil.

Na ocasião, Rita buscou desconstruir alguns mitos sobre a alimentação. “Não existe um alimento que possa melhorar radicalmente a vida de ninguém. O importante é a pessoa saber identificar o que é comida e o que é imitação de comida. Se no rótulo aparece edulcorante, aromatizante e outros nominhos estranhos, não é comida de verdade”, explicou.

Segundo Rita, a alimentação é responsabilidade de todos na casa. “Para a minha mãe, cozinhar era algo de mulher desocupada, de submissão. Hoje, essa percepção já mudou. Precisamos estimular todos, pai, mãe, filhos, a serem responsáveis por cozinhar, fazerem as compras na feira, planejarem a marmita. A alimentação é dever de todos na casa”, completou.

Para o representante da OPAS/OMS no país, Joaquín Molina, a “epidemia de obesidade” no Brasil e no mundo está diretamente ligada à má alimentação. “Estamos consumindo produtos cheios de conservantes, gorduras, sal, açúcar. Alimentos ultraprocessados que não lembram em nada a ‘comida da vovó’”, afirmou.

Para dar dicas sobre como identificar “comida de verdade”, Ministério da Saúde e OPAS/OMS e Universidade de São Paulo (USP) lançaram o Guia Alimentar para a População Brasileira. A publicação detalha combinações saudáveis para café da manhã, almoço, jantar e lanches, respeitando as diferenças regionais e sugerindo alimentos e bebidas de fácil acesso para os brasileiros.

Durante o evento em Brasília, o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, apresentou dados do “Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe”, segundo o qual os governos precisam aumentar suas políticas de apoio à alimentação saudável e sustentável nos países da região.

“O crescimento econômico e a globalização diminuíram o consumo de alimentos minimamente processados e aumentou o de produtos adocicados ou de alto teor de gordura, sódio. O que antes só se via nos países desenvolvidos, agora se vê também na América Latina e no Caribe”, disse.

Para o diretor do Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde, Allan Souza, as equipes de saúde da família têm trabalhado com a educação alimentar como forma de promover a saúde. “Temos desenvolvido no Sistema Único de Saúde ações que não estejam vinculadas somente a cuidar da pessoa que está doente. Alimentar-se mal, por exemplo, também gera uma série de complicações no organismo do indivíduo ou piora condições, podendo levar à hipertensão, diabetes”.

Segundo ele, o “Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe” é um instrumento importante para o país. “Relatórios como esse ajudam o governo a pensar, formular programas que vão impactar de maneira importante na vida da população brasileira”.

Com a divulgação do documento, a FAO e OPAS/OMS uniram-se para promover sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis que aliem agricultura, alimentação, nutrição e saúde. Essas duas agências consideram que medidas educativas são necessárias, principalmente para as crianças, que precisam saber desde cedo o que é “comida de verdade”.

Experiências positivas na América Latina e Caribe

Há várias experiências positivas na região. O Brasil, por exemplo, promulgou recentemente uma lei que proíbe a publicidade de substitutos do leite materno e regula a publicidade de outros alimentos voltados para mães e crianças de até dois anos.

Barbados, Dominica e México aprovaram impostos para as bebidas açucaradas. Bolívia, Chile, Peru e Equador contam com leis de alimentação saudável que regulam a publicidade e os rótulos dos alimentos.

Para ajudar os países a continuar alcançando esses avanços, a OPAS/OMS desenvolveu um modelo de perfil nutricional que identifica bebidas e alimentos com excesso de componentes críticos, como açúcares, sal, gorduras totais, gorduras saturadas e gorduras trans. Essa publicação auxilia os países na criação e implementação de estratégias para prevenir e controlar o excesso de peso.

Entre as boas práticas apontadas, estão: o uso de rótulos de alerta na parte frontal das embalagens; a restrição na comercialização de alimentos e bebidas pouco saudáveis para crianças; a regulação de alimentos e bebidas vendidos nas escolas; a definição de políticas fiscais para limitar o consumo de alimentos não saudáveis; a identificação de alimentos a serem fornecidos por programas sociais para grupos vulneráveis; e subsídios para reduzir preços de frutas frescas e vegetais.

A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou no dia 1º de abril a Década de Ação das Nações Unidas sobre Nutrição, de 2016 a 2025. A resolução visa desencadear uma ação intensificada para acabar com a fome e erradicar a desnutrição em todo o mundo, além de assegurar o acesso universal a dietas mais saudáveis e sustentáveis.

Em evento na União Africana, secretário-geral da ONU pede segurança a refugiados

António Guterres e líderes africanos na Cúpula da União Africana. Foto: Antonio Fiorente/ ONU

António Guterres e líderes africanos na Cúpula da União Africana. Foto: Antonio Fiorente/ ONU

Em seu primeiro discurso à União Africana desde que assumiu o cargo, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ressaltou a importância de uma parceria entre as duas organizações para a construção do desenvolvimento sustentável e para avançar na paz e segurança no continente. Ele também lembrou a importância de garantir segurança aos refugiados e disse esperar que as medidas adotadas pelo governo norte-americano sejam apenas temporárias.

Ao discursar em inglês, francês e português em Addis Ababa, na Etiópia, Guterres disse aos líderes africanos que está disposto a “ouvir, aprender e trabalhar junto para as pessoas da África e do mundo”. Ele participou da abertura do 28ª Cúpula da União Africana e agradeceu a participação dos países africanos nas tropas de paz da ONU, além de serem “os anfitriões mais generosos de refugiados, com as fronteiras sempre abertas para aqueles que precisam de proteção, enquanto tantas fronteiras estão sendo fechadas”.

Ele elogiou a iniciativa da União Africana de ter designado 2017 o ano do Aproveitamento do Dividendo Demográfico Através de Investimentos na Juventude. “Atualmente, mais de três em cada cinco africanos têm menos de 35 anos de idade. Para tirarmos partido deste tremendo potencial precisaremos de mais investimento em educação, em formação, em trabalho decente, e teremos também que envolver os jovens na construção do seu próprio futuro. Para isso, podem contar com o total apoio do Sistema das Nações Unidas. Espero também poder trabalhar (…) para que as mulheres possam desempenhar cabalmente o seu papel no desenvolvimento e na paz sustentáveis. (…) Quando empoderamos as mulheres, empoderamos o mundo”, afirmou no trecho do discurso em português.

Depois da abertura do evento, o secretário-geral falou com a imprensa e reforçou que é essencial garantir proteção aos refugiados. E respondeu quando questionado sobre as recentes medidas adotadas pelos Estados Unidos, que proibiu a entrada de refugiados: “os EUA têm uma grande tradição de proteção a refugiados e espero sinceramente que as medidas tomadas sejam apenas temporárias. Espero que a proteção aos refugiados retorne à agenda dos EUA”.

António Guterres na coletiva de imprensa - Foto: ONU

António Guterres durante coletiva de imprensa. Foto: ONU

Afogamento em interrogatórios é tortura, diz relator especial da ONU

O relator especial afirmou que os EUA sempre afirmaram publicamente sua crença no Estado de direito e no respeito à verdade, e pediu que o governo norte-americano siga os padrões que o país estabeleceu para si mesmo e para os demais. Foto: Justin Norman/Flickr (CC)

O relator especial afirmou que os EUA sempre afirmaram publicamente sua crença no Estado de direito e no respeito à verdade, e pediu que o governo norte-americano siga os padrões que o país estabeleceu para si mesmo e para os demais. Foto: Justin Norman/Flickr (CC)

O relator especial da ONU para combate à tortura, Nils Melzer, pediu nesta segunda-feira (30) que o presidente norte-americano, Donald Trump, não considere aceitável o afogamento e outros métodos de tortura muitas vezes utilizados como técnicas de interrogatório de suspeitos.

“Sem dúvida nenhuma, o afogamento representa tortura”, disse o especialista independente encarregado pelo Conselho de Direitos Humanos a monitorar e reportar o uso de tortura e outras formas de punição cruéis, desumanas ou degradantes no mundo.

“Qualquer tolerância, complacência ou aquiescência com tal prática, mesmo que de forma excepcional e bem argumentada, inevitavelmente levará a um declínio rumo à completa arbitrariedade do uso da força bruta”, disse Melzer.

“Eu urgentemente peço ao presidente Trump que considere cuidadosamente não apenas as obrigações legais, doutrinas e tradições dos Estados Unidos, como também a visão consolidada legal e moral de toda a comunidade internacional, antes de autorizar a reintrodução de métodos de interrogatório que são mais associados à barbárie do que à civilização. Permaneço aberto a um diálogo direto e construtivo com o presidente”, disse o especialista da ONU.

O relator especial declarou que os EUA sempre afirmaram publicamente sua crença no Estado de direito e no respeito à verdade, e pediu que o governo norte-americano siga os padrões que o país estabeleceu para si mesmo e para os demais.

“Se a nova administração retomar o uso da tortura, as consequências no mundo todo serão catastróficas”, alertou. “Se o presidente Trump cumprir todas as suas promessas, mais países devem acompanhá-lo e retornarem ao negócio da tortura — o que seria uma desgraça para toda a humanidade.”

“O afogamento é uma forma de tortura e, diferentemente da crença popular, a tortura simplesmente não funciona”, enfatizou Melzer.

“A tortura é conhecida por consistentemente produzir confissões falsas e não confiáveis ou informações enganosas”, completou. “Frente à ameaça iminente de dor excruciante e aflitiva, as vítimas simplesmente dizem qualquer coisa — independentemente de ser verdade ou não — para fazer a dor parar e tentar sobreviver”.

O especialista citou relatório de 2014 do Senado dos EUA segundo o qual o uso de afogamento e outras técnicas de tortura pela agência de inteligência norte-americana não era um meio de adquirir inteligência ou ganhar a cooperação dos presos, uma conclusão ecoada por diversas agências de aplicação da lei e estudos científicos no mundo.

“Mesmo se a tortura funcionasse, isso não a torna legal ou moralmente aceitável”, completou o especialista. “Sejamos claros: se você estiver buscando vantagem militar na guerra, pode argumentar que as armas químicas ‘funcionam’, ou o terrorismo ‘funciona’ também”.

“No entanto, todos os povos civilizados deste mundo se uniram para proibir tais práticas repugnantes porque, como a tortura, elas destroem irreparavelmente a humanidade e a integridade não apenas da vítima, como também do perpetuador, e em última análise da sociedade como um todo”, disse Melzer.

O especialista lembrou ainda que o uso ou incitação à tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes foram proibidos pelos tratados internacionais, pela Convenção contra a Tortura, pelo Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e pelas Convenções de Genebra.

Lembrou ainda que a proibição é absoluta e sua violação representa crime reconhecido internacionalmente e, em conflitos armados, crime de guerra. “O reconhecimento universal da natureza absoluta desta proibição deve também constituir a conquista mais fundamental da humanidade”.

Nils Melzer (Suíça) foi indicado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU como relator especial sobre tortura e outros tratamentos ou punições cruéis, desumanas ou degradantes em novembro de 2016.

Anteriormente, Melzer trabalhou para o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e para o Departamento Federal de Relações Exteriores da Suíça, e atualmente é diretor de direitos humanos da Academia de Direito Internacional Humanitário e Direitos Humanos de Genebra.

Os relatores especiais fazem parte do que é conhecido como Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Os Procedimentos Especiais, maior órgão de especialistas independentes do sistema de direitos humanos da ONU, é o nome genérico para os mecanismos independentes do Conselho que monitoram situações específicas de países ou questões temáticas em todas as partes do mundo.

Os especialistas dos Procedimentos Especiais trabalham em base voluntária; não são funcionários da ONU e não recebem salário por seu trabalho, atuando de forma independente de qualquer governo ou organização.

Agência da ONU manifesta preocupação com suspensão do programa de refugiados dos EUA

Dois refugiados sírios brincam no assentamento informal de Hawch el Refka, no Vale de Bekaa, no Líbano, próximo à fronteira com a Síria. Foto: UNICEF/Halldorsson

Dois refugiados sírios brincam no assentamento informal de Hawch el Refka, no Vale de Bekaa, no Líbano, próximo à fronteira com a Síria. Foto: UNICEF/Halldorsson

O alto comissário da ONU para refugiados, Filippo Grandi, afirmou nesta segunda-feira (30) estar profundamente preocupado com a incerteza enfrentada por milhares de refugiados em todo o mundo que estão em processo de reassentamento nos Estados Unidos.

Somente nesta semana, mais de 800 refugiados que seriam estabelecidos nos EUA foram impedidos de viajar ao país. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) estima que a suspensão do programa de refúgio afetará ao menos 20 mil refugiados durante os 120 dias da suspensão. A estimativa foi feita com base na média mensal de assentados dos últimos 15 anos.

Na sexta-feira (27), o presidente norte-americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que, entre outras coisas, suspende o programa de recebimento de refugiados dos EUA por 120 dias, de acordo com a imprensa, além de barrar a entrada de refugiados de diversos países de maioria muçulmana, entre eles a Síria, até nova ordem.

Os refugiados estão ansiosos e confusos com a suspensão de um processo que já é normalmente longo, alertou a agência da ONU. Segundo o ACNUR, indivíduos e famílias indicados aos governos para o reassentamento são os mais vulneráveis — pessoas que precisam de assistência médica urgente, sobreviventes de tortura e mulheres e meninas em risco. Os novos lares salvam vidas de pessoas que não têm outras opções, alertou a organização.

Segundo o ACNUR, os refugiados aceitos para reassentamento pelos EUA passam por rigoroso processo de triagem, e chegam ao país para reconstruir suas vidas com segurança e dignidade. A agência diz esperar que eles possam fazê-lo o mais rápido possível.

O reassentamento tem sido um efetivo sinal de solidariedade com os refugiados mais vulneráveis do mundo, de acordo com o ACNUR. “É também uma forma importante de governos e comunidades ajudarem a partilhar a responsabilidade com os principais países de acolhimento, que têm suportado o peso da crise de deslocamento nos últimos anos”, afirmou a agência.

“Por décadas, os EUA têm sido um líder global em proteção aos refugiados, uma tradição enraizada na tolerância e generosidade do povo americano. O ACNUR espera que os EUA continuem com seu forte papel de liderança e sua longa história de proteger aqueles que são forçados a deixar suas casas devido a conflitos e perseguições.”

Para o ACNUR, refugiados devem receber tratamento igual de proteção e assistência, assim como oportunidades de reassentamento, independentemente da sua religião, nacionalidade ou raça.

ONU e parceiros pedem cessar-fogo imediato no Sudão do Sul

Famílias deslocadas por combates em curso no Sudão do Sul procuram abrigo no acampamento de proteção a civis da ONU em Wau. Foto: UNICEF/Ohanesian

Famílias deslocadas por combates em curso no Sudão do Sul procuram abrigo no acampamento de proteção a civis da ONU em Wau. Foto: UNICEF/Ohanesian

As Nações Unidas, a União Africana e a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD, na sigla em inglês) reiteraram no domingo (29) seu pedido de cessar-fogo imediato no Sudão do Sul. O apelo foi feito paralelamente à 28ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que ocorre em Juba.

Em comunicado conjunto, as organizações expressaram profunda preocupação com o alastramento da violência e dos confrontos no país, com “o risco de a violência entre comunidades aumentar para atrocidades em massa”. Também citaram a deterioração da situação humanitária na região.

Segundo líderes presentes no encontro, o conflito só poderá ser resolvido através de meios políticos e dentro do contexto do Acordo de 2015 sobre a Resolução do Conflito do Sudão do Sul.

As organizações reafirmaram seu compromisso com a busca por paz, segurança e estabilidade do mais novo país do mundo, e pediram a garantia de um processo político inclusivo.

A reunião, presidida pelo primeiro-ministro da Etiópia e presidente da IGAD, Hailemariam Desalegn, teve a presença do presidente da Comissão da União Africana, Nkosazana Dlamini-Zuma; e do secretário-geral da ONU, António Guterres, além de outras autoridades.

O conflito no Sudão do Sul ocorre entre facções que apoiam o presidente do país, Salva Kiir, e aquelas leais ao ex-vice-presidente Riek Machar. A crise já produziu uma das piores situações de deslocamento do mundo, com imenso sofrimento para os civis.

Em setembro, o Conselho de Segurança da ONU autorizou o envio de uma força de 4 mil homens para Juba com o objetivo de ajudar a promover a estabilidade na região.

ONU reitera apoio ao país

Durante encontro com o presidente do Sudão do Sul em Juba, na semana passada (26), o chefe da Missão da ONU no país (UNMISS), David Shearer, reiterou o compromisso das Nações Unidas em apoiar os esforços de paz no país.

De acordo com o porta-voz da ONU, Shearer disse ao presidente Salva Kiir que a Organização e a UNMISS estão no Sudão do Sul para apoiar o governo e o povo sul-sudanês, e afirmou que o seu trabalho só estará completo quando as condições no mais jovem país do mundo forem favoráveis.

Simpósio em Genebra discute combate ao discurso de ódio contra refugiados

Mulher refugiada na cidade de Gevgelija (Macedônia), próximo à fronteira com a Grécia. Foto: UNICEF/Tomislav Georgiev

Mulher refugiada na cidade de Gevgelija (Macedônia), próximo à fronteira com a Grécia. Foto: UNICEF/Tomislav Georgiev

A Aliança de Civilizações da ONU e a União Europeia promoveram na semana passada (26) um simpósio em Bruxelas, na Bélgica, para abordar o desafio crescente do discurso de ódio contra migrantes e refugiados no mundo todo.

Lançada em 2005 por iniciativa de Espanha e Turquia, e sob os auspícios das Nações Unidas, a Aliança busca promover melhores relações interculturais em todo o mundo.

Em discurso no evento, o alto representante da Aliança, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, afirmou que o êxodo em massa de migrantes que fogem de conflitos e pobreza em Iraque, Síria, Líbia e outros países com destino à Europa alimentou temores, preconceitos e até mesmo ódio contra aqueles que são vistos como “estranhos” pelas populações locais. Tais percepções distorcidas também levaram a reações violentas dentro das sociedades de acolhimento.

Al-Nasser observou que os refugiados estão cada vez mais sendo vistos como um peso para a economia das comunidades de acolhimento, embora os próprios Estados-membros reconheçam sua contribuição positiva para o crescimento inclusivo e sustentável.

Salientando a importância dos meios de comunicação e, especialmente, das mídias sociais — que podem influenciar percepções —, o representante disse que, apesar das políticas progressistas defendidas por alguns líderes europeus, os refugiados continuam sendo retratados como “terroristas potenciais” e “ameaças à segurança nacional”.

“As mídias sociais oferecem uma plataforma ampla e aberta para o discurso de ódio, facilitando a rápida divulgação de narrativas negativas”, acrescentou, observando que este ambiente criou um sentimento de medo e desconfiança nas comunidades de acolhimento, tendo impactos adversos nos direitos e liberdades dessas populações deslocadas.

Al-Nasser pediu à comunidade internacional que reconheça o papel da sociedade civil na formulação de políticas públicas que visam a conter a propagação do discurso de ódio e influenciar atitudes do público em restringir essas percepções nos meios de comunicação, inclusive através de recomendações políticas.

“Faremos o possível para contar as verdadeiras histórias de refugiados, a fim de proteger os interesses das comunidades e proteger os direitos de cada indivíduo. Precisamos encontrar um equilíbrio que proteja a liberdade de expressão, bem como os direitos dos migrantes enquanto seres humanos com direitos humanos”, frisou.

O simpósio foi organizado sob a iniciativa #SpreadNoHate (Não Espalhe o Ódio, em tradução livre). A campanha nas redes sociais tem como objetivo combater o discurso de ódio e as provocações contra migrantes e refugiados na Europa e em outras partes do mundo.

ONU lamenta morte de ex-relator de direitos humanos Nigel Rodley

Nigel Rodley, então presidente do Comitê de Direitos Humanos da ONU, em coletiva de imprensa na sede das Nações Unidas, em Nova York, em 2010. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

Nigel Rodley, então presidente do Comitê de Direitos Humanos da ONU, em coletiva de imprensa na sede das Nações Unidas, em Nova York, em 2010. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

O porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Rupert Colville, lamentou na sexta-feira (27) a morte do ex-relator de direitos humanos da ONU Nigel Rodley, na semana passada (25), aos 75 anos.

Na ocasião, Colville lembrou as importantes contribuições de “um dos mais conhecidos atores públicos” da organização. “Ele falava francamente e diretamente com qualquer um, até com os mais poderosos. Também tratava todos com grande bondade e humanidade”, disse o porta-voz a jornalistas em Genebra.

Além de servir na Comissão de Direitos Humanos por 16 anos entre 2001 e 2016, Rodley também atuou como relator especial das Nações Unidas sobre a tortura e outros atos cruéis, desumanos ou degradantes de 1993 a 2001.

“Para nós do Escritório de Direitos Humanos da ONU, ele era uma pessoa que sempre estava disposta a passar seus conhecimentos e sua experiência para uma geração mais nova”, acrescentou Rupert Colville.

Nigel também foi professor de Direito e presidente do Centro de Direitos Humanos da Universidade de Essex, no Reino Unido. Muitos dos seus alunos estão agora trabalhando no ACNUDH e em outras instituições de direitos humanos do mundo.

OPAS convida profissionais a participar de curso online de liderança em saúde pública

Foto: Flickr/Alex Proimos (Creative Commons)

Profissionais das Américas com experiência de gerenciamento ou direção em saúde pública, relações internacionais ou áreas afins, podem se candidatar até 15 de fevereiro a participar do Programa de Líderes em Saúde Internacional Edmundo Granda Ugalde (PLSI) 2017, realizado pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).

Em quase uma década, o programa formou mais de 350 líderes em saúde da região. A edição de 2017 começará no fim de abril e terá duração de nove meses. Os candidatos selecionados participarão de atividades virtuais de aprendizagem em coordenação com o escritório da OPAS/OMS em seu país de origem, enquanto continuarão trabalhando em suas instituições.

Também haverá uma reunião presencial em Washington (Estados Unidos) com colegas e equipe acadêmica do programa. No encontro, trabalharão sobre seu projeto final, que estará relacionado a uma área prioritária de trabalho na saúde de seu país, sub-região ou região e poderá ser desenvolvido em coordenação com OPAS/OMS, autoridades nacionais e outros organismos. O programa tem vagas limitadas e não há nenhum encargo para o participante.

O cenário atual de um mundo globalizado, somado à Agenda de Saúde das Américas 2008-2017 e à estratégia de saúde universal da OPAS, à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU e a outros acordos regionais e internacionais, requerem ações inter-setoriais e globais, assim como líderes preparados para abordar novos desafios que levem em conta tratados e acordos bilaterais e multilaterais.

O programa impulsionado pela OPAS/OMS tem como objetivo formar recursos humanos para compreender o impacto das forças internacionais na saúde, o que lhes permitirá analisar, definir, advogar e projetar efetivamente os interesses de seu país em saúde, em meio a um complexo contexto global.

Diplomacia em saúde, cooperação internacional, saúde universal, desenvolvimento sustentável, migração, saúde nas fronteiras, tensões e conflitos, acesso a medicamentos e doenças não transmissíveis são alguns dos temas a serem abordados durante o programa deste ano.

No final do curso, os participantes terão incorporado ou fortalecido seus conhecimentos sobre análise do entorno, formulação de políticas e tomada de decisões, negociação e advocacy, gestão de projetos e cooperação, produção e troca de conhecimento e comunicação.

Para mais informações sobre os requisitos e o processo de aplicação, acesse: http://www.paho.org/lideres-salud-internacional.

UNESCO recebe inscrições para premiação mundial sobre liberdade de imprensa

Foto: ONU/Violaine Martin

Foto: ONU/Violaine Martin

Estados-membros da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) já podem indicar candidatos para a edição 2017 do Prêmio Mundial de Liberdade de Imprensa UNESCO-Guillermo Cano. Prazo para envio de candidaturas é 15 de fevereiro.

Para escolher pessoas ou instituições para participar da seleção, governos são convidados pela agência da ONU a consultar comissões nacionais sobre o tema, organismos internacionais, regionais e profissionais, bem como organizações não governamentais.

A premiação da UNESCO foi criada em 1997 pelo organismo das Nações Unidas para homenagear Guillermo Cano, colombiano que morreu enquanto trabalhava como jornalista. O objetivo da iniciativa é reconhecer a cada ano um indivíduo, organização ou instituição que tenha realizado uma contribuição notável para a defesa e/ou promoção da liberdade de imprensa em qualquer lugar do mundo, especialmente em situações de risco.

Celebrado anualmente no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa — 3 de maio —, o Prêmio é marcado por uma cerimônia e o ganhador recebe a quantia de 25 mil dólares. Em 2017, a data será comemorada em Jakarta, na Indonésia. O Prêmio é financiado pela Fundação Cano, da Colômbia, e pela Fundação Helsingin Sanomat, da Finlândia.


Como se candidatar
:

Para fazer indicações ao Prêmio, é necessário preencher o formulário em inglês ou francês e enviá-lo antes do dia 15/02/2017 pelo correio ou por e-mail para:

Communication and Information Sector
Division of Freedom of Expression and Media Development
Section for Freedom of Expression
7 Place de Fontenoy
75007 Paris
France
Tel: +33.1.45.68.42.12
E-mail: s.coudray(at)unesco.org

Acesse o formulário de inscrição aqui.