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No dia dos museus, UNESCO lança versão em português de orientações sobre diversidade dessas instituições

Museu do Louvre, em Paris. Foto: Flickr (CC)/John Weiss

Museu do Louvre, em Paris. Foto: Flickr (CC)/John Weiss

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) disponibiliza neste 18 de maio, Dia Internacional dos Museus, a versão em português de suas recomendações sobre a proteção e promoção dessas instituições. Publicação aborda diversidade de acervos e o papel desses equipamentos culturais na sociedade. Documento está disponível gratuitamente em meio online.

Manual aborda temas como promoção e proteção do patrimônio, diversidade cultural, conhecimento científico, políticas educacionais, educação continuada, coesão social, indústrias criativas e economia do turismo.

As orientações da UNESCO foram aprovadas durante a 38ª sessão da Conferência Geral do organismo das Nações Unidas, em novembro de 2015. Acesse a tradução clicando aqui.

Brasil sobe duas posições e passa a ter 7ª maior taxa de homicídios das Américas, diz OMS

Jovens grafiteiros do DF criam um painel com o tema Juventude Negra e a Paz, em comemoração ao Dia Internacional da Juventude, nos muros do Complexo Sergio Vieira de Mello, na Casa da ONU. Foto: EBC/José Cruz

Jovens grafiteiros do DF criam um painel com o tema Juventude Negra e a Paz, em comemoração ao Dia Internacional da Juventude, nos muros do Complexo Sergio Vieira de Mello, na Casa da ONU (José Cruz/Agência Brasil)

O Brasil subiu duas posições entre 2015 e 2016 e passou a ter a sétima maior taxa de homicídio da região das Américas, com um indicador de 31,3 mortes para cada 100 mil habitantes, de acordo com relatório publicado nesta sexta-feira (18) pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo a publicação “World Statistics 2018”, que apresenta as mais recentes estatísticas mundiais de saúde, o país das Américas com maiores índices de homicídios é Honduras, com uma taxa de 55,5 mortes para cada 100 mil habitantes. Em seguida está a Venezuela (49,2), que passou para a segunda posição antes ocupada por El Salvador (46), atualmente em terceiro lugar.

Os demais países das Américas com altos índices de homicídio são Colômbia (quarto lugar), com 43,1 assassinatos para cada 100 mil habitantes; Trinidad e Tobago (quinto lugar), com 42,2; e Jamaica (sexto lugar), com índice de 39,1.

Dois países que estavam à frente do Brasil no ranking do ano passado — Belize e Guatemala — passaram para a nona e a décima primeira posição, respectivamente, após melhora em seus índices de homicídios, mostrou o documento. Em média, as taxas de assassinato na região das Américas são superiores às demais regiões do globo, de acordo com o relatório.

Em documentos anteriores, a OMS já havia afirmado que um dos principais impulsionadores das taxas de assassinato no mundo é o acesso a armas, com aproximadamente metade de todos os homicídios cometidos com armas de fogo.

A OMS estima que 477 mil assassinatos ocorreram globalmente em 2016, sendo que quatro quintos de todas as vítimas de homicídio eram homens. Na região das Américas, os homens registraram as maiores taxas de homicídios, de 31,8 mortes para cada 100 mil habitantes, uma queda frente ao índice de 33,5 em 2000.

Estima-se que, em 2016, 100 mil pessoas tenham sido mortas em guerras e conflitos, não incluindo mortes devido a efeitos indiretos de guerras e conflitos, como a disseminação de doenças, a desnutrição e o colapso de serviços de saúde.

Em cinco anos (2012-2016), a taxa média de mortes provocadas por conflitos foi de 2,5 para cada 100 mil pessoas, mais do que o dobro da taxa média no período de cinco anos imediatamente anterior (2007-2011).

Relatório

O relatório lançado pela OMS inclui dados globais e estimativas relacionadas à mortalidade, morbidade, fatores de risco, cobertura de serviços de saúde e sistemas de saúde.

A nova edição destaca progressos notáveis em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em algumas áreas. No entanto, outras continuam com progresso estagnado e algumas conquistas realizadas pelos países e regiões podem ser facilmente perdidas.

Os dados do relatório destacam, entre outros pontos, que menos da metade da população mundial recebe atualmente todos os serviços de saúde essenciais. Em 2010, por exemplo, quase 100 milhões de pessoas foram levadas à pobreza extrema por terem que pagar pelos serviços de saúde com dinheiro do próprio bolso.

Estima-se também que 13 milhões de pessoas morrem todos os anos antes dos 70 anos por doenças cardiovasculares, doenças respiratórias crônicas, diabetes e câncer — a maioria delas em países de baixa e média renda; e que, em 2016, morreram por dia 15 mil crianças menores de cinco anos.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês).

Com apoio do PNUD, Virada Sustentável chega ao Rio de Janeiro em junho

Piquenique no Parque Villa Lobos, em São Paulo, durante a Virada Sustentável de 2015. Foto: Instituto Virada Sustentável/Maisa Perejjo

Piquenique no Parque Villa Lobos, em São Paulo, durante a Virada Sustentável de 2015. Foto: Instituto Virada Sustentável/Maisa Perejjo

Com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a próxima edição da Virada Sustentável acontece no Rio de Janeiro entre 7 e 10 de junho. Festival terá atrações culturais, apresentações musicais, atividades infantis, oficinas, performances e rodas de conversa, além de 11 debates com especialistas. Atividades estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, os ODS.

A iniciativa ocupará diversas regiões da cidade e também de outros municípios do Grande Rio. Pontos estratégicos como a Praça dos Arcos da Lapa, o Parque das Figueiras na Lagoa, o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu do Meio Ambiente no Jardim Botânico e o Parque Madureira serão alguns dos cenários da Virada Sustentável 2018, com programação para todas as idades.

Assim como em sua primeira edição, todas as atividades têm entrada gratuita. Em 2017, foram mais de 400 atrações em 39 bairros do Rio de Janeiro.

Os projetos que fazem parte da edição de 2018 — selecionados via chamada pública — têm seu conteúdo alinhado a pelo menos um dos 17 ODS. Os painéis com especialistas reunirão representantes de governos, setor privado e sociedade civil.

Acesse a programação na íntegra clicando aqui.

A Virada Sustentável teve sua primeira edição realizada em 2011, em São Paulo. Desde então, o evento vem ampliando sua atuação, promovendo festivais em outras cidades — Sinop, Manaus, Salvador, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Em agosto de 2016, a sexta edição da iniciativa na capital paulista reuniu cerca de 1,2 milhão de pessoas em mais de 800 atividades e atrações gratuitas, espalhadas por mais de 130 lugares da cidade.

Em junho de 2017, o PNUD firmou uma parceria com o Instituto Virada Sustentável. No termo de cooperação, estão previstas atividades para a disseminação da Agenda 2030 da ONU e dos ODS.

Em dia mundial, UNAIDS pede ampliação das pesquisas da vacina contra o HIV

UNAIDS vê avanços nas pesquisas da vacina contra o HIV, mas pede mais investimentos para tornar imunização uma realidade. Foto: UNAIDS

UNAIDS vê avanços nas pesquisas da vacina contra o HIV, mas pede mais investimentos para tornar imunização uma realidade. Foto: UNAIDS

No Dia da Conscientização da Vacina contra o HIV, lembrado neste 18 de maio, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) pede mais pesquisas e investimentos para encontrar uma método de imunização eficaz na proteção contra o vírus e na prevenção de novas infecções. Em 2016, cerca de 1,8 milhão de pessoas foram infectadas pelo HIV. Comunidade internacional tem meta de diminuir para menos de 500 mil os novos casos até 2020.

“Atualmente, existem 36,7 milhões de pessoas vivendo com HIV, todas necessitando de tratamento caro para a vida toda, o que será difícil de sustentar a longo prazo. Para realmente acabar com a AIDS, é essencial encontrar uma vacina eficaz contra o HIV e uma cura”, disse o diretor-executivo do UNAIDS, Michel Sidibé, em pronunciamento para a data.

Em meados de 2017, mais da metade (20,9 milhões) de todos os indivíduos vivendo com HIV tiveram acesso aos medicamentos antirretrovirais, capazes de mantê-los vivos e saudáveis.

Na década passada, os recursos para a descoberta de uma vacina permaneceram estáveis, em torno de 900 milhões de dólares por ano, o que representa menos de 5% do total de fundos necessários para a resposta à AIDS. Aumentando os investimentos em pesquisa, diversificando o financiamento e atraindo os melhores cientistas de todo o mundo, o UNAIDS acredita que a vacina para o HIV pode se tornar realidade.

O programa da ONU lembra que passos promissores foram dados nos últimos anos. Quatro testes de grande escala estão em andamento. Abordagens inovadoras para a imunização estão mostrando resultados favoráveis em modelos animais.

Além disso, foi descoberta uma variedade cada vez maior de anticorpos neutralizantes amplamente potentes. Esses agentes protetores podem ser desenvolvidos para sobreviver no corpo humano e, um dia, evitar a infecção pelo HIV com uma injeção por ano.

Vacinas seguras e eficazes podem mudar o mundo. Algumas infecções que eram comuns mataram milhões e deixaram inúmeras pessoas com deficiências, mas hoje se tornaram raras. A varíola foi erradicada, apenas 17 pessoas desenvolveram pólio em 2017 e, em 2016, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) declarou que o sarampo havia sido eliminado da região das Américas.

Brasil apresenta modelo de máquina frigorífica que promove eficiência energética e sustentabilidade

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Um modelo de máquina frigorífica (“chiller”) com alta capacidade de refrigeração, eficiência energética e ambientalmente adequado, produzido por uma empresa brasileira, foi apresentado ao setor supermercadista durante a feira APAS Show 2018, que reuniu 738 expositores de 19 países, no início de maio, em São Paulo.

A iniciativa é parte do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH) para o setor de manufatura de equipamentos de refrigeração e ar-condicionado, projeto implementado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), em parceria com a Eletrofrio.

“Estamos apresentando nosso primeiro equipamento fabricado para o mercado brasileiro e sul-americano capaz de atender a sistemas de média e baixa temperatura. Um projeto com fluidos 100% naturais. O propano circula exclusivamente dentro dos módulos específicos, em pequeno volume, sendo condensado pela água proveniente de um Dry-Cooler. O glicol e o CO2 são os fluidos que circulam pelos expositores e câmaras de média e baixa temperatura”, explicou o representante da Eletrofrio, Rogério Rodrigues.

O propano é um fluido natural de baixo custo e com características termodinâmicas muito próximas do HCFC-22, uma substância destruidora da camada de ozônio utilizada atualmente como fluido refrigerante pelo setor produtivo brasileiro. Além de não degradar a camada de ozônio, o propano apresenta baixo potencial de aquecimento global, ou seja, seu uso em substituição aos HCFCs auxilia na mitigação da mudança do clima. Contudo, por ser uma substância inflamável, seu manuseio requer alguns cuidados.

“Apesar de o uso dos hidrocarbonetos como fluidos refrigerantes introduzir ao sistema de refrigeração o risco da inflamabilidade, este risco pode ser reduzido com a implantação de cuidados simples, porém relevantes, como, por exemplo, utilização de baixas cargas de fluido refrigerante, sistema resistente e estanque a vazamentos, com eliminação de fontes de ignição ou uso de componentes elétricos à prova de explosão. É ainda indispensável treinamento para manusear, manter e operar sistemas com fluidos inflamáveis”, lembrou o assessor técnico da UNIDO, Edgard Soares.

O chefe do setor do Protocolo de Montreal da UNIDO em Viena e especialista em refrigeração, Ole Nielsen, que esteve presente na APAS Show, relatou que o protótipo em desenvolvimento “representa um enorme avanço tecnológico para o setor brasileiro”.

O PBH visa à substituição dos HCFCs nos setores de refrigeração e ar condicionado e de espumas de poliuretano, por meio de apoio técnico e financeiro a empresas fabricantes de produtos desses setores. Dessa forma, o desenvolvimento do novo chiller se insere no conjunto de ações nacionais para o cumprimento das metas do Protocolo de Montreal.

“O chiller apresentado pela Eletrofrio na Feira da APAS demonstra o esforço do Brasil na busca de alternativas ambientalmente adequadas para o setor de refrigeração no processo de eliminação dos HCFCs. A parceria entre Governo Brasileiro, agência implementadora e setor privado na implementação do Protocolo de Montreal continuará a trazer benefícios tecnológicos ao país, com inovação e em sintonia com os novos rumos da refrigeração mundial”, afirmou a analista ambiental do MMA, Gabriela Lira.

Dirigente palestina denuncia cumplicidade dos EUA com ocupação israelense

Hanan Ashrawi é integrante do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina, conhecida pela sigla OLP. Foto: ONU/Evan Schneider

Hanan Ashrawi é integrante do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina, conhecida pela sigla OLP. Foto: ONU/Evan Schneider

Em visita à sede da ONU, em Nova Iorque, a dirigente palestina Hanan Ashrawi denunciou na quarta-feira (16) o que descreveu como um “massacre” de seus compatriotas na Faixa de Gaza, onde manifestações eclodiram na segunda-feira (14) contra a ocupação israelense e contra a decisão dos EUA de transferir sua embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Em entrevista às Nações Unidas, a política descreveu a manobra do governo Trump como um ato que faz do país norte-americano “cúmplice” da ocupação.

De acordo com a imprensa internacional, ao menos 60 pessoas, incluindo seis crianças, foram assassinadas por forças israelenses e mais de 1,3 mil ficaram feridas no início da semana.

Questionada sobre seu posicionamento a respeito dos apelos de oficiais da ONU, que pediram que o Hamas parasse de incitar a violência na fronteira de Gaza, Ashrawi afirmou que o grupo está sendo usado como “um conveniente bode expiatório” por Estados-membros. Isso é feito com o objetivo de não responsabilizar Israel pelos “massacres horrendos, pelos assassinatos intencionais e deliberados de inocentes”.

Os protestos chamados de “Grande Marcha do Retorno” começaram em 30 de março e se intensificaram na terça-feira (15) devido ao “Al-Nakba” ou “A Catástrofe”, como os palestinos lembram o êxodo em massa durante a guerra de 1948-1949, que envolveu a criação do Estado de Israel.

“Não é o Hamas que é responsável pelos campos de morte que Israel criou em Gaza. As pessoas que estão nessa marcha para retornar, os protestos civis desarmados contra a transferência da embaixada norte-americana, contra o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel, contra o cerco contínuo, essas são expressões da vontade do povo palestino, que estão protestando, se manifestando em suas próprias terras”, afirmou a política.

Segundo Ashrawi, “palestinos estão mandando um recado não apenas para Israel, mas para o resto do mundo, de que somos um povo que está vivo e queremos viver”. “E queremos nossa liberdade e queremos nossos direitos. Isso não é um tipo de incitação ou instigação do Hamas”, completou.

Passado e futuro das negociações

A dirigente, que integra o comitê executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), acrescentou que a “Nakba” é um “processo contínuo, a negação de uma nação inteira, a manutenção de uma nação em um estado de cativeiro e escravidão, (é) a sensação de que Israel tem o direito pleno de fazer o que quer com os palestinos e se livrar (da culpa) disso”.

“O que vimos desde que começamos as negociações em 1991 foi um entrincheiramento da ocupação, um unilateralismo crescente, uma rejeição total dos imperativos do paz. Na verdade, (o que vimos) foi um sistemático desmanche e destruição dos componentes da paz: a expansão dos assentamentos, a anexação de Jerusalém, a limpeza étnica ocorrendo na Palestina. Tudo isso são medidas que tornam a paz impossível”, avaliou Ashrawi.

A política acrescentou que os Estados Unidos “certamente se uniram à Israel como parceiros no crime, se uniram à Israel ao violar o direito internacional e as resoluções do Conselho de Segurança sobre Jerusalém”.

Na sua avaliação, para combater violações de direitos e garantir a efetivação da paz, é necessário “um novo mecanismo multilateral, um novo engajamento internacional”.

Ashrawi também foi perguntada sobre a viabilidade da solução de dois Estados. “Isso está sob muita dúvida, é muito questionável. A menos que haja vontade em se engajar, para intervir efetivamente, não apenas para acabar com as atividades de assentamento, mas para começar a desmontar os assentamentos, Israel terá tido sucesso em sobrepor a Grande Israel sobre toda a Palestina histórica.”

Pesquisa da OMS indica que obesos têm mais chance de serem fumantes

Consumo de tabaco custa US$33 bilhões para os sistemas de saúde da América Latina, o equivalente a 0,5% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Foto: EBC

Consumo de tabaco custa US$33 bilhões para os sistemas de saúde da América Latina, o equivalente a 0,5% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Foto: EBC

Nova pesquisa indica que pessoas que têm tendência genética ao sobrepeso têm mais chances de começar a fumar e de fumar mais do que a média, de acordo com estudo publicado pelas Nações Unidas nesta quinta-feira (17).

De acordo com o pesquisador Paul Brennan, da Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (IARC, na sigla em inglês), cerca de 70 genes foram identificados pela primeira vez e podem explicar esse comportamento. A agência pertence à Organização Mundial da Saúde (OMS), e tem o mandato de conduzir pesquisas sobre as causas e prevenção do câncer.

O estudo, publicado na revista British Medical Journal e financiada pelo Cancer Research UK, concluiu que o aumento do índice de massa corporal (IMC), percentual de gordura corporal e até da circunferência da cintura foi associado a um risco maior de ser fumante e de ter maior intensidade de tabagismo, medida pelo número de cigarros fumados por dia.

“Baseado em marcadores genéticos da obesidade, o estudo nos permite entender melhor a relação complexa entre obesidade e hábitos de fumo importantes”, disse Brennan, especialista em epidemiologia genética da IARC e um dos autores do estudo.

Ele acrescentou que a pesquisa mostrou a relação entre massa corporal e tabagismo, e também sugeriu que havia possivelmente uma “base biológica comum para comportamentos aditivos, como a dependência de nicotina e o maior consumo de energia”.

Brennan também observou que, ao entender melhor o vínculo, o estudo também pode ser uma ferramenta útil para ajudar as pessoas a pararem de fumar — um hábito que mata mais de 7 milhões de pessoas a cada ano, de acordo com a OMS.

É conhecido o fato de que os fumantes têm um peso corporal menor em média do que os não fumantes, possivelmente devido à redução do apetite, mas muitos ganham peso depois de pararem de fumar.

“No entanto, entre os fumantes, aqueles que fumam mais intensamente tendem a pesar mais”, disse o estudo.

O diretor da IARC, Christopher Wild, disse que “a prevenção do tabagismo é fundamental para reduzir a carga global de câncer e outras doenças crônicas, como doenças cardiovasculares e diabetes”.

Ele acrescentou que a obesidade estava entre as causas evitáveis ​​mais importantes dessas doenças crônicas. “Estes novos resultados fornecem intrigantes descobertas sobre os benefícios potenciais de abordar conjuntamente esses fatores de risco”.

Em Brasília, agência da ONU apoia festival de cinema e gastronomia sobre movimentos migratórios

Festival tem apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Imagem: Mais Pontes Menos Muros

Festival tem apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Imagem: Mais Pontes Menos Muros

Chega a Brasília neste final de semana (19) o festival Cine MigrArte Mais Cinema Menos Muros, que promoverá exibições de curtas-metragens, debates sobre audiovisual e trocas gastronômicas. Filmes produzidos no Distrito Federal e fora do Brasil serão apresentados em diferentes localidades, em sessões mensais até agosto, sempre aos sábados das 16h às 22h. Evento tem o apoio institucional da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

A primeira sessão será no dia 19 de maio, na Praça das Artes Teodoro Freire, em Sobradinho. O evento segue nos próximos meses para o Guará, Taguatinga Sul, Fercal e Asa Sul — essas sessões estão com programação aberta a contribuições de diretores que quiserem enviar seus filmes para o festival.

O tema que reúne todos os curtas-metragens da mostra é Celebração Intercultural, Refúgio e Migrações. Após as exibições, migrantes e pessoas em situação de refúgio, cineastas locais e outros profissionais de Cinema serão convidados para discutir particularidades dos filmes, como os aspectos técnicos e as problemáticas abordadas. A inciativa também terá a praça de alimentação Sabores do Mundo, com gastronomia estrangeira feita por migrantes e refugiados.

Envie seu filme

Para a sessão de Sobradinho, o prazo para o envio de curtas já está encerrado. Para as demais sessões, os prazos para a submissão serão divulgados posteriormente. A curadoria é realizada pela Interakt Films e vai selecionar dez curtas-metragens, sendo sete filmes de produções do DF e três filmes de países estrangeiros.

O Cine MigrArte é uma realização da Interakt Films e do Coletivo Bambuo, com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).

O cineclube é inspirado no MigrArte, evento anual que terá sua quarta edição no Memorial dos Povos Indígenas, no Eixo Monumental, no dia 23 de junho, em atividade para marcar o Dia Mundial do Refugiado, celebrado em 20 de junho. Nesta data, haverá a exibição do documentário “Zaatari, memórias do labirinto”, uma coprodução entre Brasil e Alemanha.

O MigrArte faz parte da campanha Mais Pontes Menos Muros, que tem como objetivo tornar conhecida a realidade de migrantes e refugiados no Distrito Federal, promovendo trocas culturais e o respeito ao direito de migrar.

Serviços
Exibição dos filmes:
Sempre das 16h às 22h

19/05: Praça das Artes Teodoro Freire (Sobradinho)
16/06: Teatro de Arena do Cave (Guará)
21/07: Mercado Sul VIVE (Taguatinga Sul)
04/08: Casa da Árvore (Espaço Socio-Cultural – Asa Sul)

Contato:
interaktfilms@gmail.com
coletivobambuo@gmail.com

Pacto Global debate papel de empresas, governos, ONGs e universidades no combate à corrupção

Representantes de empresas contribuíram para o debate sobre anticorrupção. Foto: Pacto Global/Ricardo Jayme

Representantes de empresas contribuíram para o debate sobre anticorrupção. Foto: Pacto Global/Ricardo Jayme

O combate à corrupção é uma responsabilidade da sociedade como um todo e, por isso, governos, empresas, universidades e ONGs devem se unir para buscar soluções ao problema. Essa foi a tônica do painel “Combate à Corrupção nas Empresas”, que reuniu representantes desses setores durante o Fórum Pacto Global – 15 anos da Rede Brasil, realizado na quarta-feira (16) no Museu de Arte de São Paulo (MASP).

O painel foi mediado pela jornalista Andrea Sadi, comentarista da GloboNews. Para Sadi, acostumada a cobrir os bastidores do poder em Brasília, a corrupção sistêmica é o grande problema da política nacional e deverá ser a principal temática da próxima eleição.

“Vivemos um momento de crise ética. O Brasil se tornou monotemático em relação à corrupção”, disse, ao abrir o debate. “Estamos discutindo mudanças, buscando um desfecho”, completou.

A jornalista ressaltou o papel da mídia de fiscalizar o poder e lembrou que, em 2017, o Brasil caiu 17 posições no ranking de percepção de corrupção da organização Transparência Internacional. Mas disse que acredita que há uma transformação em curso: “não sou dessa turma que acha que o Brasil não está mudando”. “Acho que já mudou, mas a mudança ainda não terminou”.

O ministro Wagner Rosário, do Ministério da Transparência e Controladoria Geral da União (CGU), também afirmou que o Brasil passa por um ponto de virada, um momento de crise que vai culminar em transformações estruturais.

Isso significa, em primeiro lugar, identificar as fraudes; em seguida, impor sanções, como prisões e multas, para que não se instale um clima de impunidade; e, por último, agir preventivamente, criando mecanismos para evitar a repetição de casos, produzir materiais de educação para a ética e a cidadania e criar planos de integridade não só para a União, mas também para os municípios.

Segundo ele, além das consequências materiais para os cofres públicos, a corrupção generalizada provoca a descrença da população nos governantes.

“Os políticos nada mais são do que um extrato da sociedade. Como mudar a realidade de um país se as pessoas não têm muito arraigado o que vem a ser o interesse público?”, questionou. “O governo sozinho não faz nada. Não tem como mudar o cenário se não tiver a participação da sociedade”, concluiu.

Documento anticorrupção nas construtoras

Diretor de compliance da Siemens e coordenador do Grupo de Trabalho Anticorrupção da Rede Brasil do Pacto Global, Reynaldo Goto abordou as prisões recentes de empresários ligados a casos de suborno e afirmou que, nos últimos anos, tem havido um esforço maior das empresas na prevenção à corrupção.

Goto apresentou a iniciativa da Rede Brasil do Pacto Global para combater a corrupção no setor de construção, um dos protagonistas de escândalos no país. “Abrimos as portas para as maiores construtoras brasileiras, que vieram dizer ‘nós erramos’ e falar abertamente quais eram os típicos problemas de corrupção que enfrentavam”, explicou.

A iniciativa gerou a publicação “Integridade no Setor de Construção: Discutindo os Dilemas e Propondo Soluções para o Mercado”, que foi lançada no painel e está disponível online.

O documento, elaborado com a colaboração das quatro maiores construtoras do país, traz 13 exemplos fictícios de desafios éticos que podem ser enfrentados por funcionários do setor, além de dicas preventivas e de solução para cada problema.

A ideia é que o material sirva como uma ferramenta de treinamento. “Se nós, empresários, somos parte desse processo, temos a responsabilidade de pará-lo”, disse Goto.

Também palestrante do painel, Heloísa Bendicks, superintendente geral do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), destacou a importância de as políticas de integridade das empresas não ficarem apenas no papel.

“Se analisarmos as empresas envolvidas na Lava Jato, antes de a operação começar, elas já tinham compliance. Mas isso era apenas a aparência, faltava a essência”, afirmou. Bendicks lembrou ainda que essas práticas têm que estar disseminadas por toda a empresa.

O papel da academia também foi discutido no painel, por meio da fala de Ricardo Siqueira Campos, diretor de sustentabilidade e projetos sociais da Fundação Dom Cabral.

Segundo Campos, as universidades e escolas de negócios atualmente estão empenhadas em mostrar ao executivo sua responsabilidade social à frente das organizações. “A discussão sobre ética é tema de MBAs, de cursos de negócios. E estamos colhendo frutos, há uma mudança na postura do executivo: ele pensa duas vezes nas suas atitudes, quer deixar um legado”, afirmou.

Para Campos, não existem soluções fora da política. “Nós, como cidadãos, gestores de grandes empresas, temos que ser agentes transformadores. Não vamos mudar a política de Brasília se não mudarmos nossa consciência”, afirmou.