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Brasil fica em 167º lugar em ranking de participação de mulheres no Executivo, alerta ONU

No que diz respeito à participação das mulheres no Poder Legislativo, Brasil ficou atrás de países como Turquia, Gabão, Paraguai e China. Foto: Senado Federal

No que diz respeito à participação das mulheres no Poder Legislativo, Brasil ficou atrás de países como Turquia, Gabão, Paraguai e China. Foto: Senado Federal

A ONU Mulheres, em parceria com União Interparlamentar (UIP), lançou na quarta-feira (15) um panorama sobre a participação política das mulheres no mundo. Com apenas uma ministra, o Brasil ficou na 167ª posição no ranking mundial de participação de mulheres no Executivo, que analisou 174 países.

Em relação ao ranking da participação das mulheres no Congresso, o país ficou na 154ª posição, com 55 das 513 cadeiras da Câmara ocupadas por mulheres (10,7%), e 12 dos 81 assentos do Senado preenchidos por representantes femininas (14,8%).

A Bulgária, a França e a Nicarágua lideram o ranking mundial das mulheres com cargos ministeriais, com mais de 50% de representantes femininas. Países como Ruanda, Dinamarca e a África do Sul também se destacaram, ficando, respectivamente, em sétima, oitava e nona posições.

Já na lista de mulheres atuando no Congresso, a Ruanda ocupou o primeiro lugar, com 61,3 % de representantes na Câmara e 38,5 % no Senado. A Bolívia ficou em segundo lugar e Cuba, em terceiro.

De acordo com o “Mapa das Mulheres na Política”, o número de mulheres chefes de Estado ou chefes de governo caiu de 19 para 17 desde 2015, e o processo de representação das mulheres no Parlamento continua lento.

Regionalmente, o Mapa apontou que a representação feminina nos parlamentos das Américas teve os ganhos mais significativos, aumentando para atuais 25%. Em 2015, o contingente era de 22,4%.

No entanto, a região registra uma queda nos cargos de chefes de Estado, com a saídas das presidentes de Brasil e Argentina.

Na África, houve um declínio nos números de representantes mulheres no Executivo após anos de crescimento constante. Somente 19,7% dos postos ministeriais da região são ocupados por mulheres.

Já na Ásia, as mulheres ocupam 11% dos cargos ministeriais, com a Indonésia liderando o quadro, cujo governo é composto por 25,7% de mulheres.

Entre os Estados Árabes, 9,7 % dos cargos executivos são ocupados por mulheres, com a Tunísia e os Emirados Árabes Unidos liderando o cenário, com 23,1% e 26,7%, respectivamente.

Na Europa, a porcentagem total ficou em 22,5 %. A surpresa veio dos países nórdicos, que tradicionalmente lideraram a cena política global, mas cujo número de ministras caiu consideravelmente.

“O que é democracia? É gente para o povo ou homens para o povo?”, indagou a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, que falou ao lado do secretário-geral da UIP, Martin Chungong.

“As campanhas políticas são caras”, destacou Mlambo-Ngcuka, identificando alguns desafios enfrentados por mulheres que se candidatam aos governos. ‘’Os partidos políticos são dominados pelos homens. Quando não há nenhuma medida específica em vigor, as mulheres caem. Os homens tendem a escolher aqueles que são feitos à sua própria imagem”.

Ela observou ainda que algumas mulheres também experimentam rejeição por parte dos homens, incluindo violência física, provocações e bullying.

“Em 2016, vimos a confirmação de uma tendência: quando se trata de representação de mulheres no Parlamento, há progresso, mas este é extremamente lento. Nesse sentido, serão necessários 50 anos para atingirmos a paridade 50-50”, frisou.

“Este é um sinal de aviso; temos de fazer algo sobre isso”, continuou.

O panorama das mulheres em cargos políticos foi lançado à margem da 61ª Comissão sobre o Status da Mulher, conhecida como o maior fórum intergovernamental sobre direitos da mulher e igualdade de gênero. O tema deste ano é o empoderamento econômico das mulheres na mudança do mundo do trabalho.

Um assunto comum em toda a Comissão foi a disparidade salarial entre homens e mulheres. As mulheres ganham apenas 77 centavos para cada dólar recebido pelos homens.

Clique aqui para acessar o ranking (em inglês).

Maratona tecnológica da ONU no Rio seleciona projeto para reduzir desigualdades

Empreendedores,e  desenvolvedores reuniram-se no no Rio de Janeiro para participar da maratona tecnológica Hackaton Global, promovida pelas Nações Unidas. Foto: Centro RIO+

Empreendedores,e desenvolvedores reuniram-se no no Rio de Janeiro para participar da maratona tecnológica Hackaton Global, promovida pelas Nações Unidas. Foto: Centro RIO+

Mais de 1 mil empreendedores, desenvolvedores e designers reuniram-se no último fim de semana em nove cidades do mundo, entre elas Rio de Janeiro, para participar da maratona tecnológica Hackaton Global, promovida pelas Nações Unidas.

Organizado pela UNInfluxtrust, comunidade global cujo objetivo é melhorar o engajamento entre a ONU e a sociedade civil por meio da tecnologia, e pela campanha SDG Action Campaign, o evento tinha como meta criar ferramentas tecnológicas que ajudem a atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas com atores do mercado digital e empreendedores.

Além do Rio, a maratona ocorreu em Manama, Bali, Chandigarh, Genebra, Lagos, Lisboa, Londres e Nova Iorque, discutindo soluções para três ODS. O objetivo trabalhado no Rio e em Londres foi o #ODS10 — redução de desigualdades. Assim, as quatro equipes que disputaram a etapa brasileira tiveram que apresentar uma proposta de aplicativo ou plataforma digital que se destinasse a cumprir esse propósito.

Para tal, foram convidadas quatro casas colaborativas da cidade, que ficaram responsáveis pela montagem das equipes. Um dos desafios propostos foi a criação de equipes diversificadas com atores que pertencessem a diferentes contextos, contribuindo para que o evento fosse participativo e inclusivo, e ao mesmo tempo dentro do perfil técnico exigido aos participantes.

Os parceiros locais para a realização da etapa no Brasil, as organizações AbeLLHa e COORTE, trabalharam como produtores para que o evento tivesse forte apelo criativo e inovador.

Para tanto, o Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável – Centro RIO+ teve papel de apoiador das Nações Unidas para intermediação de contatos com movimentos sociais, aconselhamento e soma de expertise na temática do desenvolvimento sustentável durante a competição.

A vice-diretora do Centro RIO+, Layla Saad, foi uma das juradas responsáveis por avaliar o impacto social das medidas propostas pelos participantes. “Os problemas de desigualdades causam influência direta no desenvolvimento de uma nação e tratar desses problemas diretamente com a sociedade civil, nesse núcleo de efervescência empresarial que vimos aqui hoje, faz parte do mandato do Centro RIO+ e nos proporciona, claramente, reflexos positivos na discussão da Agenda 2030, que é uma agenda de todos”.

A proposta vencedora, do grupo Jardim Digital, apresentou o design de uma plataforma com objetivo de auxiliar na desburocratização para integração cultural e econômica de refugiados.

Gustavo Junqueira, idealizador do projeto, afirmou que o grupo conseguiu “de forma colaborativa e criativa o engajamento de pessoas de diferentes backgrounds em torno de um objetivo único, a redução das desigualdades”. “Foi um grande desafio trabalhar com um problema global, mas estamos todos muito satisfeitos com o resultado”, declarou.

Com o objetivo de estimular o conhecimento e o debate sobre a Agenda 2030, o Hackathon Global almeja a concepção e a geração de uma série de empreendimentos sociais, com replicabilidade global, versando sobre a temática dos 17 ODS.

Segundo, Ana Júlia Ghirello, fundadora do ecossistema de apoio ao empreendedorismo social e colaborativo AbeLLha e uma das mentoras das equipes participantes do evento. “Ideatons ou Hackatons são muito mais poderosos do que somente as ideias que surgem no dia. Esses eventos têm papel fundamental na reflexão sobre o problema, seu impacto social e transformação disso em um negócio”, declarou

Na próxima fase de competição, a proposta brasileira concorrerá com a proposta britânica, ambas sobre o ODS10 – redução das desigualdades. A vencedora será convidada a apresentar o projeto no Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação, em Nova York entre os dias 15 e 17 de maio.

Projeto de orçamento do governo dos EUA: ONU pede apoio a sistema multilateral ‘forte e eficaz’

Foto: Matt H. Wade/Wikipedia/CC

Foto: Matt H. Wade/Wikipedia/CC

O porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas, Stéphane Dujarric, emitiu uma nota nesta quinta-feira (16) informando ter tomado conhecimento do projeto de orçamento de 2018 enviado pelo governo dos Estados Unidos ao Parlamento norte-americano. A proposta ainda passará por um longo processo orçamentário até ser aprovado, observou o comunicado da ONU.

“O secretário-geral [António Guterres] agradece o apoio que os Estados Unidos deram às Nações Unidas ao longo dos anos como o maior contribuinte financeiro da Organização”, diz o comunicado.

“O secretário-geral está totalmente empenhado em reformar as Nações Unidas e garantir que a Organização esteja adequada para seus fins e para a entrega de resultados da forma mais eficiente e eficaz em termos de custos. No entanto, cortes abruptos de financiamento podem forçar a adoção de medidas ad hoc [com finalidades específicas] que minarão o impacto dos esforços de reforma no longo prazo”, acrescentou o comunicado da ONU.

O secretário-geral afirmou estar “pronto para discutir com os Estados Unidos e com qualquer outro Estado-membro a melhor forma de criar uma organização mais eficaz em termos de custos para prosseguir os nossos objetivos e valores comuns”.

“O secretário-geral subscreve plenamente a necessidade de combater eficazmente o terrorismo, mas acredita que isso exige mais do que despesas militares. É também necessário abordar os fatores subjacentes ao terrorismo através de investimentos contínuos na prevenção de conflitos, na resolução de conflitos, na luta contra o extremismo violento, na manutenção da paz, na construção da paz, no desenvolvimento sustentável e inclusivo, no reforço e no respeito dos direitos humanos, bem como nas respostas em tempo ágil para as crises humanitárias.”

“A comunidade internacional enfrenta enormes desafios globais que só podem ser enfrentados por um sistema multilateral forte e eficaz, do qual as Nações Unidas continuam a ser o pilar fundamental”, conclui o comunicado.

Acesse este comunicado na íntegra, em inglês, em http://bit.ly/2mwPpvP.

CEPAL promove em Brasília negociação de acordo regional sobre direito ambiental

CEPAL e governo brasileiro promovem em Brasília negociações com vistas a um acordo regional sobre direito à informação, participação e justiça em temas ambientais. Foto: PNUMA

CEPAL e governo brasileiro promovem em Brasília negociações com vistas a um acordo regional sobre direito à informação, participação e justiça em temas ambientais. Foto: PNUMA

Delegados dos países de América Latina e Caribe que aderem à iniciativa regional para a aplicação do Princípio 10 da Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento na região — que trata do acesso a informação, participação e Justiça ambiental — se reunirão em Brasília de 20 a 24 de março para dar andamento às negociações para um acordo regional nesse tema.

Autoridades, funcionários governamentais, representantes da sociedade civil e especialistas de órgãos internacionais participarão da Sexta Reunião do Comitê de Negociação do Acordo Regional sobre o Acesso à Informação, à Participação Pública e o Acesso à Justiça em Assuntos Ambientais na América Latina e no Caribe (Princípio 10), encontro organizado pela CEPAL e pelo governo brasileiro.

O evento será aberto na segunda-feira (20) às 14h30 por Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL, e Aloysio Nunes Ferreira, ministro das Relações Exteriores do país (ou seu representante), e terá a presença de José Sarney Filho, ministro do Meio Ambiente; Torquato Jardim, ministro da Transparência, Fiscalização e Controladoria Geral; Herman Benjamin, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ); Rômulo Paes, diretor do Centro Rio+; Karetta Crooks e Joara Marchezini, representantes da sociedade civil.

O encontro dará andamento à negociação sobre os aspectos substanciais do acordo regional a partir da quinta versão do texto compilado pela Mesa Diretora— cuja secretaria técnica é exercida pela CEPAL. O documento integra as propostas entregues pelos países durante a Quinta Reunião do Comitê de Negociação, realizada em Santiago do Chile em novembro do ano passado.

A Sexta Reunião seguirá com a negociação dos artigos 9 e 25 do texto compilado. Serão examinados os assuntos pendentes em modalidades flexíveis de trabalho, e será apresentado o relatório da secretaria sobre as possíveis implicações administrativas, financeiras e orçamentárias do acordo.

A sexta reunião também trará um debate sobre Justiça ambiental, organizado em conjunto com o STJ. Além disso, está previsto o lançamento online do “Observatório do Princípio 10 na América Latina e no Caribe”, ferramenta que tem como objetivo acompanhar leis, políticas, tratados e jurisprudência que garantam os direitos das pessoas a informação, participação e Justiça em assuntos ambientais.

O encontro será transmitido pela Internet. (http://negociacionp10.cepal.org/6/es)

Serviço:

Sexta Reunião do Comitê de Negociação do Acordo Regional sobre o Princípio 10
Local: Ministério das Relações Exteriores. Esplanada dos Ministérios H Palácio do Itamaraty. Zona Cívico-Administrativa, Brasilia – DF, DF 70.170-900, Brasil.

Comissão sobre Narcóticos da ONU discute paz e desenvolvimento sustentável

A sessão da Comissão sobre Narcóticos reúne cerca de 1,5 mil delegados, representando Estados-membros, organizações intergovernamentais e sociedade civil para uma discussão sobre o problema mundial das drogas. Foto: ONU

A sessão da Comissão sobre Narcóticos reúne cerca de 1,5 mil delegados, representando Estados-membros, organizações intergovernamentais e sociedade civil para uma discussão sobre o problema mundial das drogas. Foto: ONU

A Comissão sobre Narcóticos da ONU iniciou a sua 60ª sessão na segunda-feira (13) em Viena, na Áustria, com o foco nos esforços de paz, segurança e desenvolvimento sustentável.

O encontro internacional é o primeiro desde a sessão especial da ONU sobre o tema, em abril de 2016, quando foi adotado um novo quadro que coloca as pessoas no centro das políticas globais de controle de entorpecentes.

Em mensagem sobre o evento, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que “o painel é rico e orientado para o futuro”, e pediu aos governos que aproveitem o impulso com uma ação conjunta para honrar seus compromissos.

O dirigente máximo da ONU elogiou o acompanhamento intensivo, inclusivo e abrangente da sessão atual com o Acordo de Abril, e solicitou que as discussões sejam feitas nos campos de aplicação da lei, prevenção, saúde, direitos humanos e desenvolvimento.

Em seu discurso, o diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov, descreveu como a agência está trabalhando com os governos e outros parceiros para combater as drogas ilícitas.

“Também estamos ajudando a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e promovendo a paz e a segurança através do desenvolvimento alternativo nos países mais afetados pelo cultivo de plantações ilícitas”, disse.

Ele afirmou que o desenvolvimento alternativo visa não só a reduzir o cultivo de coca, papoula e cannabis, mas também melhorar as condições socioeconômicas das comunidades agrícolas marginalizadas.

O alto funcionário da ONU observou que o relatório Mundial sobre as Drogas deste ano — que será lançado provavelmente em junho — terá como foco o nexo entre drogas e crime organizado transnacional, corrupção, fluxos ilícitos financeiros e de armas e terrorismo, que são preocupações crescentes da comunidade internacional.

Entre os projetos empreendidos pelo UNODC, Fedotov destacou a ajuda a países para responsabilizar grandes traficantes, promover a cooperação nos setores de saúde e Justiça e o apoio do escritório para penas alternativas em caso de ofensas menores.

O chefe do UNODC afirmou ainda que o órgão está cooperando com a Organização Mundial da Saúde (OMS) em diversas atividades, incluindo no tratamento de distúrbios causados pelo uso de drogas e resposta ao HIV/Aids.

A sessão da Comissão sobre Narcóticos reúne cerca de 1,5 mil delegados, representando Estados-membros, organizações intergovernamentais e sociedade civil para uma discussão sobre o problema mundial das drogas.

No dia em que guerra na Síria completa seis anos, ataque terrorista atinge capital Damasco

Em East Ghouta, Damasco Rural, na Síria, um brinquedo de pelúcia nos escombros de um edifício destruído. Crédito: UNICEF/Al Shami

Em East Ghouta, Damasco Rural, na Síria, um brinquedo de pelúcia nos escombros de um edifício destruído (foto de arquivo). Crédito: UNICEF/Al Shami

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, condenou os atentados terroristas em Damasco, capital do país, ocorridos nessa quarta-feira (15). Os ataques ocorrem no mesmo dia em que são marcados os seis anos do conflito sírio.

Nos atentados, pelo menos 31 pessoas foram mortas, com outras 102 feridas.

“Esses ataques tiraram vidas de civis inocentes. Também são claramente concebidos para atrapalhar as tentativas de manter o diálogo político”, disse Mistura.

O enviado especial pediu o fim de todos os ataques contra civis em qualquer parte da Síria e reiterou seu apelo ao pleno respeito do cessar-fogo, desafiado por violações frequentes. “No rescaldo da última reunião de Astana e, antes, em Genebra, não podemos permitir que as ações para minar o caminho político sejam bem-sucedidas.”

Artistas brasileiros e crianças refugiadas pedem paz na Síria em apresentação musical no Cristo Redentor

Cerca de 50 crianças refugiadas uniram suas vozes a de cantores e mais de 20 artistas brasileiros para pedir o fim da guerra na Síria, que completa seis anos nesta quarta-feira (15). Em apresentação no Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, um coral de meninos e meninas de 12 países encantou o público do ponto turístico ao lado dos músicos Tiago Iorc, Maria Gadu e Elba Ramalho. O ato pela paz foi organizado pelo “Amor Sem Fronteiras”, movimento liderado por Daniele Suzuki.

“Devemos nos lembrar daqueles que mais sofrem por causa desta calamidade: os 4,9 milhões de refugiados, os 6,3 milhões de deslocados internos e outras milhões de pessoas dentro da Síria que vivem um medo diário por causa desta guerra e da desumanidade que ela tem criado”, afirmou a representante da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Isabel Marquez, em pronunciamento durante a cerimônia.

Atualmente, o Brasil é o lar de 2,5 mil sírios já oficialmente reconhecidos como refugiados pelo governo. No país, vivem outros 25 mil indivíduos de diferentes nacionalidades que aguardam o processamento de seu pedido de asilo. Os dados são do Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE).

Entre as crianças que se apresentaram na capital fluminense, estavam não apenas jovens sírios, mas também refugiados do Iêmen, Irã, Sudão do Sul, República Democrática do Congo e outros países em crise.

Com interpretações de “O Sol”, de Milton Nascimento, e “Aquarela”, de Toquinho, os cantores mirins alegraram a manhã de turistas e cariocas, mas também transmitiram uma mensagem de alerta: o medo de estrangeiros que fogem da guerra não leva a nada.

Para o ator Murilo Rosa, ajudar vítimas de guerra “é uma responsabilidade de todos”. “Cabe a cada um de nós garantir que não haja mais barreiras que impeçam um ser humano de tentar salvar a própria vida”, disse.

“Milhares de crianças sírias estão nos arredores de fronteiras que permanecem fechadas. Elas estão vivendo expostas às mais graves e terríveis violências, enfrentando graves ameaças. São crianças que precisam de proteção e compaixão, e não podem viver abandonadas dessa forma”, lamentou a atriz Malu Mader.

Clique para exibir o slide.

Daniele Suzuki ressaltou que mais da metade dos refugiados sírios espalhados pelo mundo são crianças. “É uma realidade que nos faz questionar a humanidade”, afirmou. A atriz decidiu fundar o “Amor sem fronteiras” por perceber que muitos brasileiros não tinham consciência de que o mundo enfrenta “uma das piores tragédias humanitárias dos últimos tempos”. Com a iniciativa, ela conheceu o trabalho do ACNUR e outras instituições de acolhimento.

O objetivo do movimento é tanto prestar assistências aos refugiados vivendo no Brasil, quanto mobilizar a classe artística para difundir os desafios enfrentados pela população deslocada. Hoje, a iniciativa já conta com o apoio de mais de 150 artistas. Alguns deles compareceram ao ato pela paz e levaram seus filhos para cantar junto com as crianças refugiadas.

“A gente precisa aumentar o volume de chegada dessas pessoas (os refugiados) e, com a participação da iniciativa privada, acho que isso vai acontecer”, afirmou o ator Thiago Fragoso.

O Brasil acolhe 9 mil pessoas que já tiveram o refúgio formalmente concedido pelas autoridades e mais de 20 mil estrangeiros que aguardam deliberação sobre seu pedido de asilo. Os números podem parecer significativos, mas são bem inferiores aos de países que também não estão próximos geograficamente de nações em crise.

Os Estados Unidos, por exemplo, possuía um robusto programa de reassentamento que trazia, anualmente, milhares de refugiados de países africanos e do Oriente Médio para recomeçar a vida no território norte-americano. Em 2016, a nação recebeu 85 mil refugiados.

Os meninos e meninas refugiados que participaram do ato fazem parte do Coral Coração Jolie, uma iniciativa da organização não governamental “I Know My Rights” (IKMR), parceira da agência das Nações Unidas.

Refugiada síria no Brasil sonha com a paz

“Só o Brasil abre as portas para a gente”. É a impressão de Asmaa Al-Syouf, refugiada da Síria que teve de deixar o país em 2012 por causa da guerra. Há quase três anos em terras brasileiras, ela chegou aqui com o marido e os três filhos. As crianças estavam entre os jovens do Coração Jolie.

“Os brasileiros não perguntam ‘por que vocês vieram para o meu país, por que vocês estão aqui?’, eles dizem ‘bem-vindos!'”, comentou a refugiada sobre a recepção calorosa que recebeu quando veio para o Brasil.

Asmaa conseguiu reconstruir a vida por aqui e abriu um restaurante de comida árabe com o marido, em Mogi das Cruzes. Seu sonho, porém, é voltar ao país onde nasceu e onde ainda vive parte da família. “Eu só quero que a Síria volte a ser o que era antes.”

Isabel Marquez elogiou as políticas do Brasil para acolher refugiados sírios. “Um projeto não muito conhecido, mas muito significativo e único e que há poucos países que fazem, é o programa de vistos humanitários. Desde 2013, 2,5 mil refugiados sírios chegaram (ao Brasil), portanto, salvaram suas vidas”, afirmou.

Segundo a representante nacional do ACNUR, governo e ONU planejam reassentar outros 3 mil sírios, incluindo crianças. As Nações Unidas, o Estado brasileiro e parceiros da sociedade civil estão avaliando qual seria a melhor maneira de trazer esses refugiados para o Brasil.

Somália: chefe da missão da ONU condena ataque com bombas em Mogadíscio

Ataque com explosivos em Mogadíscio, na Somália (arquivo). Foto: UNSOM

Ataque com explosivos em Mogadíscio, na Somália (arquivo). Foto: UNSOM

O chefe da Missão de Assistência Especial da ONU na Somália (UNSOM), Michael Keating, condenou fortemente as explosões com bombas ocorridas na manhã de ontem (13) em Mogadíscio, capital do país. Vários civis foram mortos devido aos atentados.

“Esses últimos ataques ocorreram em uma época em que a solidariedade entre os somalis, e não a violência, é muito necessária”, afirmou Keating.

“O país está lutando contra uma seca severa que já custou a vida de centenas de pessoas. O momento e o sofrimento causados pelas explosões são alarmantes. Esse extremismo violento não pode ser justificado”, acrescentou.

De acordo com o comunicado, a primeira explosão aconteceu perto da instalação de treinamento de Dhagabadan, pertencente ao Exército Nacional Somali, e os relatos iniciais indicam que apenas o suicida que estava dirigindo um ônibus carregado de explosivos morreu na ocasião.

O segundo ataque também foi realizado por um homem-bomba, que conduzia um veículo cheio de explosivos e atacou o portão do Hotel Weheliye, situado em uma das principais ruas da capital somali, Makka al-Mukarama.

O grupo islâmico Al-Shabaab reivindicou a responsabilidade pela explosão do hotel.

“Expressamos nossas sinceras condolências às famílias das vítimas e aos amigos dos falecidos, e desejamos uma recuperação completa e rápida para aqueles que sofreram lesões devido aos ataques”, disse Keating.

Especialistas da ONU pedem medidas eficazes contra abuso online de gênero

Foto: ilouque/Flickr/CC

Foto: ilouque/Flickr/CC

Atenção urgente, criatividade e cooperação são necessárias para conter o abuso sexual baseado em gênero na Internet, mas as autoridades dos países precisam ser cuidadosas para não criar medidas que restrinjam a liberdade de expressão.

O alerta foi dado na semana passada (8) pelo relator especial da ONU sobre o direito à liberdade de opinião e de expressão, David Kaye, e pela especialista sobre a violência contra as mulheres, Dubravka Simonovic.

“A violência sexual online baseada em gênero é inegavelmente um flagelo, e os governos e companhias precisam tomar medidas contra isso”, ressaltou David Kaye em comunicado à imprensa.

Ele afirmou, no entanto, que leis mal formuladas que proíbem a nudez ou a obscenidade podem ter um impacto negativo nas conversas sobre gênero, sexualidade e saúde reprodutiva.

“As censuras e as restrições indevidas sobre o conteúdo podem minar os direitos das mesmas mulheres para quem os governos e atores corporativos estão trabalhando”, destacou.

Segundo o relator, muitos dos ataques que as mulheres sofrem online incluem chantagem, intimidação, perseguição e divulgação de conteúdo íntimo sem consentimento.

“As mulheres vítimas e sobreviventes precisam de respostas transparentes e rápidas e de medidas eficazes que só podem ser alcançadas se os Estados e os atores privados trabalharem juntos e exercerem a devida diligência para eliminar a violência contra as mulheres”, acrescentou Dubravka Simonovic.

Os dois especialistas da ONU pediram que os governos e atores privados forneçam treinamento nos casos em que os delitos se relacionarem a abusos e violência na internet, e pediram uma maior transparência no setor privado no que se refere aos relatos de abusos e às medidas adotadas para resolvê-los.

Eles destacaram que é ainda necessário uma pesquisa mais aprofundada sobre os casos, as manifestações e os impactos dos abusos, bem como uma ênfase reforçada na proteção da privacidade por plataformas online.

“Garantir uma internet livre da violência baseada em gênero aumenta a liberdade de expressão, assim como permite que as mulheres participem plenamente de todas as áreas da vida, sendo parte integrante do empoderamento delas”, continuou Simonovic.

ACNUR lança campanha digital para ajudar vítimas da guerra da Síria

Crianças jogam bola em Baba Amr, Homs, Síria. Foto: ACNUR/Andrew McConnell

Crianças jogam bola em Baba Amr, Homs, Síria. Foto: ACNUR/Andrew McConnell

Para marcar os seis anos do conflito na Síria, iniciado em 15 de março de 2011, o ACNUR, Agência da ONU para Refugiados, lança uma campanha digital de captação de doações a fim de amenizar o contínuo sofrimento que afeta milhões de civis inocentes no país. Para doar qualquer quantia em reais basta acessar https://doar.acnur.org/acnur/siria.html.

O mundo vive a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial e, à medida que as vulnerabilidades aumentam com o tempo, o financiamento ficam aquém das necessidades. Em declaração, o alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, explica a importância dos recursos: “O financiamento não vai acabar com o sofrimento. Mas é uma das coisas que podemos fazer à medida que a pobreza e a miséria se intensificam. Os recursos atualmente disponíveis simplesmente não cobrem todos os desafios”.

A Síria tem hoje 13,5 milhões de pessoas precisando de ajuda humanitária, incluindo 3 milhões de crianças que crescem sem saber como é viver num país livre de conflitos. Mais de 4,9 milhões de sírios – a maioria crianças e mulheres – refugiaram-se em países vizinhos.

Em 2017, a ONU necessita de 8 bilhões de dólares para atender as necessidades dos sírios que continuaram no país e dos que foram forçados a se deslocar. Em 2016, mais de um milhão de sírios receberam assistência do ACNUR e parceiros no inverno e mais de 4 milhões de pessoas receberam itens básicos como comida, remédios, roupas de cama e outros utensílios.

Desde 2013, o Brasil adota um modelo desburocratizado de vistos de entrada para sírios e cidadãos de outras nacionalidades afetados pelo conflito na Síria e que queiram buscar refúgio no Brasil. Desde então, o país já reconheceu mais de 2.500 sírios como refugiados. Outros 4,9 milhões de sírios vivem como refugiados em países vizinhos, principalmente Turquia (2,9 milhões), Líbano (mais de 01 milhão), Jordânia (656 mil), Iraque (233 mil) e Egito (177 mil) – além de outros 29 mil refugiados sírios no Norte da África.