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OMS faz balanço de um ano da declaração de emergência internacional sobre zika

Maior parte dos casos de microcefalia está concentrada no Nordeste do país. Foto: EBC

No Brasil, a maior parte dos casos de microcefalia está concentrada no Nordeste. Foto: EBC

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, fez nesta quarta-feira (1) um balanço do que foi feito e descoberto um ano após declaração de emergência internacional sobre o zika e suas consequências associadas.

Cerca de 70 países e territórios das Américas, África, Ásia e Pacífico Ocidental têm relatado casos de infecção pelo vírus desde 2015.

“A OMS e os países afetados precisam manejar o zika não em uma situação de emergência, mas da mesma forma continuada em que respondemos a outros patógenos propensos a epidemias, como dengue e chikungunya, que vem e vão, em ondas recorrentes de infecção”, disse Chan.

A diretora-geral da OMS anunciou que a organização está criando um mecanismo com outras entidades para fornecer orientações continuadas a intervenções eficazes e apoio às famílias, comunidades e países com circulação do vírus zika.

“No início de 2016, quase todos haviam visto imagens de partir o coração que mostravam bebês nascidos no Brasil com cabeças minúsculas. Todos nós ouvimos as histórias trágicas de mães preocupadas e as perspectivas sombrias projetadas para seus bebês”, declarou Chan no comunicado.

Ela lembrou que, na ocasião, especialistas do comitê de emergência puderam se basear em evidências e em uma investigação retrospectiva do surto ocorrido na Polinésia Francesa, que trouxe à luz a ligação entre a infecção por zika durante a gravidez e o aparecimento de microcefalia em recém-nascidos.

“Dentro de meses, os cientistas puderam provar que a infecção por zika causa microcefalia e desencadeia a Síndrome de Guillain-Barré”, lembrou a diretora-geral da OMS.

Segundo Chan, o trabalho sobre as vacinas começou imediatamente e avançou, beneficiando-se de diretrizes de pesquisa e desenvolvimento simplificadas (R&D blueprint) da OMS, que reduzem drasticamente o tempo necessário para desenvolver e fabricar produtos candidatos.

“Como todos os outros surtos explosivos, o zika revelou falhas na preparação coletiva do mundo. O acesso deficiente aos serviços de planeamento familiar foi um deles. O desmantelamento de programas nacionais de controle de mosquitos foi outro”, disse Chan.

“Um ano depois, (…) a propagação internacional continuou, enquanto a vigilância melhorou”, declarou. As consequências documentadas para recém-nascidos têm crescido para uma longa lista de distúrbios conhecida como “Síndrome Congênita do Vírus Zika”. “Sabemos que o vírus pode ser transmitido por relações sexuais, acrescentando mais recomendações preventivas para as mulheres em idade fértil”, disse.

De acordo com as recomendações da OMS, algumas abordagens inovadoras para o controle dos mosquitos estão sendo experimentadas de maneira piloto em vários países, com resultados promissores. Cerca de 40 vacinas candidatas estão em preparação. Enquanto alguns avançaram para ensaios clínicos, uma vacina julgada segura o
suficiente para uso em mulheres em idade fértil poderá ser licenciada a partir de 2020.

Em novembro de 2016, a OMS declarou que o zika não era mais uma emergência de saúde pública internacional, com base no parecer do comitê de especialistas. “Algumas incertezas permanecem, mas muitas questões fundamentais foram respondidas”.

Pode ou não pode? – Intimidar os empregados

 
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(Qui, 02 Fev 2017 14:49:00)

NARRADORA: Imagine a seguinte situação: você é um assistente terceirizado que presta serviços administrativos para uma operadora de telefonia móvel. Até aí, dentro da normalidade. Mas, diariamente, você é obrigado a ouvir coisas do tipo:

“Ignorante! Deixa de preguiça! Quanta burrice!"

NARRADORA: O pior é que essas coisas são ditas pelo supervisor. Como se não fosse o bastante, ele ainda surpreende a todos com... Sim, é isso mesmo. Por mais absurdo que pareça, o supervisor tem como hábito bater com um chicote nas mesas, sendo que os colegas observam tudo.

Essa história poderia fazer parte de um filme, mas aconteceu mesmo, no Rio Grande do Sul. Diante das humilhações, o trabalhador entrou com ação trabalhista. Vamos saber como o caso foi julgado com a repórter Liamara Mendes. 

REPÓRTER: A Justiça do Trabalho considerou que o comportamento do supervisor “atentou contra a dignidade e a honra do indivíduo, uma vez que expôs o empregado a situação vexatória, sendo humilhado e diminuído perante os colegas de trabalho". Por isso foi determinado o pagamento de indenização por danos morais de R$ 5 mil ao trabalhador terceirizado autor da ação. 

NARRADORA: Ofender o trabalhador com xingamentos ou tentar intimidar os empregados com objetos como um chicote é assédio moral... 

“Não pode!”

Roteiro: Mírian Lucena        
Narração: Priscilla Peixoto

 

O programa Trabalho e Justiça vai ao ar na Rádio Justiça de segunda a sexta, às 10h50.
 
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ONU condena ataque contra equipe de monitoramento da fronteira entre Nigéria e Camarões

Refugiados nigerianos no campo de Minawao na região do norte de Camarões. Foto: ACNUR/D. Mbaiorem

Condenando fortemente o ataque terrorista que atingiu a equipe de monitoramento das Nações Unidas perto da fronteira da Nigéria com Camarões, o enviado especial da ONU para a África Ocidental e região do Sahel, Mohamed Ibn Chambas, pediu na quarta-feira (1) às autoridades dos dois países que levassem os responsáveis pelos atos à Justiça.

De acordo com informações preliminares, o atentado, que ocorreu terça-feira (31) à tarde, resultou na morte de cinco pessoas, sendo um contratado independente da ONU, um nigeriano e um camaronês, deixando muitas outras pessoas feridas.

A equipe da ONU estava realizando uma missão de campo nas proximidades de Hosere Jongbi, perto de Kontcha, nos Camarões, a cerca de 700 quilômetros ao norte da capital do país, como parte do mandato da Comissão Mista Camarões-Nigéria.

Em comunicado à imprensa, Chambas reiterou o papel crucial da Comissão na realização da demarcação de fronteiras; no cumprimento do acórdão do Tribunal Internacional de Justiça; e na promoção da segurança e estabilidade da região.

Ele também ofereceu suas condolências aos familiares das vítimas e desejou rápida recuperação aos feridos.

A Comissão Mista Camarões-Nigéria foi criada, em 2002, pelo secretário-geral das Nações Unidas a pedido dos presidentes dos Camarões e da Nigéria, para resolver questões fronteiriças entre os dois países vizinhos.

ONU libera US$100 mi para operações humanitárias em 9 países

Em Diffa, no Níger, família deslocada de Malam Fatouri, Nigéria, pelo Boko Haram se abriga em campo de refugiados em agosto de 2016. Foto: UNICEF/Sam Phelps

Em Diffa, no Níger, família deslocada de Malam Fatouri, Nigéria, pelo Boko Haram se abriga em campo de refugiados em agosto de 2016. Foto: UNICEF/Sam Phelps

O secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou na segunda-feira (30) que o Fundo Central de Resposta de Emergência (CERF, na sigla em inglês) liberou 100 milhões de dólares para apoiar operações humanitárias em nove países com crises negligenciadas no mundo.

A ideia é ajudar mais de 6 milhões de pessoas de Camarões, Coreia do Norte, Líbia, Madagascar, Mali, Níger, Nigéria, Somália e Uganda.

“O CERF é um recurso essencial para pessoas que vivem em países em crises que acabam não saindo nas manchetes dos jornais. Mas, nessas nações, a ajuda é necessária com urgência”, disse Guterres em um comunicado à imprensa .

“Esse financiamento é crucial para que a ONU e os parceiros possam continuar a ajudar as pessoas que precisam de nossa assistência desesperadamente”, acrescentou.

Boa parte dos 100 milhões de dólares vai para pessoas afetadas por deslocamentos. Segundo a ONU, trata-se de um dos grandes desafios humanitários da atualidade, já que mais de 65 milhões de pessoas abandonaram suas casas.

O financiamento garantirá que milhões de pessoas que fugiram da violência e do conflito relacionados ao Boko Haram na Nigéria, no Níger e nos Camarões recebam cuidados de saúde, assistência alimentar e abrigo.

Além disso, vai trazer alívio para as pessoas deslocadas internamente, bem como refugiados de países vizinhos na Somália, Uganda e Líbia.

Um apoio urgente igualmente chegará aos que sofrem de desnutrição e insegurança alimentar em Madagascar, Mali e Coreia do Norte.

“O CERF é uma das formas mais rápidas de fornecer ajuda urgente. A parcela aprovada hoje salvará vidas em todos os nove países”, destacou o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien.

As Nações Unidas lembram que a Assembleia Geral apoia a ideia de se dobrar o balanço anual do CERF para 1 bilhão de dólares até 2018. O dinheiro é vital para alcançar as populações de países em crise.

Após visita à Etiópia, Guterres destaca cooperação da ONU com União Africana

O secretário-geral da ONU, António Guterres (direita) reúne-se com Salva Kiir, presidente do Sudão do Sul, na 28ª Cúpula da União Africana em Addis Ababa, Etiópia. Foto: ONU/Antonio Fiorente

O secretário-geral da ONU, António Guterres (direita) reúne-se com Salva Kiir, presidente do Sudão do Sul, na 28ª Cúpula da União Africana em Addis Ababa, Etiópia. Foto: ONU/Antonio Fiorente

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse na quarta-feira (1) que “atingiu claramente os objetivos” que o levaram a participar da 28ª Cúpula da União Africana em Adis Abeba, na Etiópia, e destacou a cooperação reforçada da Organização com o bloco regional.

“Concordamos que a Agenda 2063 [da União Africana] e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável estão alinhadas”, disse Guterres a jornalistas na sede da ONU, em Nova York.

“Haverá uma total cooperação entre as Nações Unidas e a União Africana em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e à implementação do Acordo de Paris para as mudanças climáticas nos próximos anos”, acrescentou, observando o estabelecimento de interações regulares e de alto nível entre as organizações.

O dirigente máximo da ONU também informou sobre a criação de um mecanismo de cooperação entre a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD, na sigla em inglês), a União Africana e a ONU, cujo o objetivo é evitar a deterioração da situação humanitária no Sudão do Sul e estabelecer a paz na região.

“Estaremos trabalhando juntos com a mesma voz, a fim de garantir que um diálogo nacional verdadeiramente inclusivo seja lançado no país, compreendendo todos os elementos-chave da oposição”, frisou.

O secretário-geral também falou sobre o seu encontro com os chefes de Estado de Mali, Chade, Mauritânia, Burkina Faso e Níger para fazer avançar o processo político e enfrentar os complexos desafios de segurança e terrorismo, e demonstrou esperança em relação à situação no Burundi.

“Quando as organizações sub-regionais e a União Africana estão unidas é possível que o Conselho de Segurança decida e tome medidas; é possível defender a democracia, os direitos humanos e as liberdades do povo”, disse, citando o exemplo da solução da crise pós-eleitoral da Gâmbia.

Em visita à Síria, chefe do ACNUR pede investimentos para assistência humanitária

Em Aleppo, Grandi conheceu crianças que moram no abrigo de Jibreen, que atualmente é o lar de mais de 5 mil pessoas deslocadas pela violência na cidade. Foto: ACNUR / Firas Al-Khateeb

Em Aleppo, Grandi conheceu crianças que moram no abrigo de Jibreen, que atualmente é o lar de mais de 5 mil pessoas deslocadas pela violência na cidade. Foto: ACNUR / Firas Al-Khateeb

O alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, testemunhou em primeira mão a devastação provocada pela guerra na Síria. Após visitar Homs no início da semana (30) e Aleppo na quarta (1), o dirigente alertou que “é urgente que a paz se estabeleça para que a reconstrução (do país) recomece”.

“O nível de destruição é muito maior do que eu pensava. Eu não imaginava que ela estaria por todo lado. Você dirige por milhas e milhas e continua vendo casas de civis destruídas, escolas destruídas, hospitais destruídos. Tudo foi deixado em ruínas”, lamentou o chefe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) a respeito da conjuntura em Aleppo.

Grandi frisou que alguns sírios vivendo na cidade precisam receber assistência imediatamente. “Eles estão com frio, estão com fome, precisam trabalhar para conseguir algum dinheiro. Eles precisam das coisas mais básicas para viver”, enfatizou o alto-comissário.

O mundo tem que voltar à solidariedade,
tem que pensar novamente nessas pessoas
— não com medo, não com suspeitas,
mas com braços abertos, com uma mente aberta,
com um coração aberto.

O dirigente acrescentou que o ACNUR e outros organismos humanitários precisam de recursos, “independentemente de todas as questões políticas em torno desta guerra”. “Isso é absolutamente necessário e urgente para milhões de pessoas na Síria. Nós vimos isso em Damasco, em Homs, em Aleppo. Todo o povo sírio precisa de ajuda”, acrescentou.

O chefe da agência fez um apelo à comunidade internacional e pediu mais compaixão pelos refugiados e vítimas de guerras, perseguições e violência.

“O mundo tem que voltar à solidariedade, tem que pensar novamente nessas pessoas — não com medo, não com suspeitas, mas com braços abertos, com uma mente aberta, com um coração aberto. Eles precisam de ajuda, eles precisam de proteção enquanto a guerra continua. Um dia, eles voltarão para cá e reconstruirão essas cidades. Mas agora, na hora da necessidade, não podemos esquecer seu sofrimento, precisamos ajudá-los”, afirmou.

Alto-comissário conheceu sírios deslocados pela guerra em Homs

Em Homs, cidade devastada pela guerra em abril de 2016, alguns antigos moradores já estão retornando para reerguer o que foi arrasado pelas hostilidades. Grandi conheceu dois projetos voltados especificamente para esse público e que recebem apoio do ACNUR.

Um deles, o El-Birr Social Welfare Centre, oferece treinamento vocacional e cursos educacionais para pessoas deslocadas, além de oferecer assistência para crianças.

A outra iniciativa é um abrigo que dá moradia para retornados que tiveram suas casas destruídas. Criado e mantido pela Child Care Society No local —, o local é um dos três abrigos que operam em Homs e serve de residência para 34 famílias. Os moradores do edifício dizem que as condições de vida são melhores do que nas escolas onde eles foram forçados a se abrigar em um primeiro momento.

“Eu perdi tudo. Não tenho condições de comprar ou alugar nada, por enquanto estou bem aqui”, foi assim que Rabii, um senhor de idade, descreveu sua situação para Grandi.

Em Homs, Grandi visitou projetos apoiados pelo ACNUR, como abrigos e centros de ensino profissionalizante. Foto: ACNUR / Bassam Diab

Em Homs, Grandi visitou projetos apoiados pelo ACNUR, como abrigos e centros de ensino profissionalizante. Foto: ACNUR / Bassam Diab

Assim como Rabii, Baraá, de 28 anos, explicou que teve de deixar Homs quando a crise teve início. O rapaz disse ao alto-comissário que teve de se mudar diversas vezes antes de finalmente chegar ao abrigo.

A visita de Grandi à Síria acontece em meio a uma crescente discussão sobre a criação de ‘zonas de segurança’ no país. “Os governos devem se concentrar em reestabelecer a paz e então iniciar a reconstrução”, enfatizou o chefe do ACNUR. Para ele, é isso que garantirá o retorno de deslocados forçados aos seus lares, cidades e regiões de origem.

O ACNUR está na Síria prestando apoio à população forçada a deixar suas casas. As necessidade são imensas e urgentes. Para doações, clique aqui.

Juliana Paes apoia campanha de doações para Instituto Maria da Penha

A atriz Juliana Paes participou da campanha de mobilização de recursos (crowfunding) para o Instituto Maria da Penha. Foto: Reprodução

A atriz Juliana Paes participou da campanha de mobilização de recursos (crowfunding) para o Instituto Maria da Penha. Foto: Reprodução

Ao completar 14 meses de voluntariado na ONU Mulheres Brasil como defensora para a Prevenção e a Eliminação da Violência contra as Mulheres, a atriz Juliana Paes participou da campanha de mobilização de recursos (“crowfunding”) para o Instituto Maria da Penha.

A cada dia, a iniciativa ganha a adesão de artistas e personalidades públicas, para incentivar doações para projetos de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres, geridos pelo Instituto Maria da Penha.

Em vídeo postado nas redes sociais, a defensora da ONU Mulheres Brasil incentiva o público a fazer doações: “sou contra a violência doméstica e familiar contra a mulher e estou apoiando o Instituto Maria da Penha nesta campanha”.

“Contribua você também clicando em kickante.com.br/mariadapenha. Faça sua doação e compartilhe essa ideia! Juntos somos uma multidão!”, disse Juliana no Dia Laranja pelo fim da violência contra as mulheres, 25 de janeiro.

Um ano de voluntariado

Juliana Paes foi nomeada defensora para a Prevenção e Eliminação da Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres Brasil em novembro de 2015, durante as atividades dos 16 Dias de Ativismo.

De lá para cá, a atriz se engajou, via redes sociais, com a promoção do Dia Laranja, marcado por atividades mensais a cada dia 25 em solidariedade às vítimas da violência machista e para a sensibilização global para o fim da violência de gênero.

Assista ao vídeo:

A campanha também foi apoiada pela atriz Camila Pitanga:

E pelo ator Marcos Pasquim:

ONU e Fiocruz debatem nova pesquisa sobre impacto socioeconômico da epidemia de zika

Estudos estabeleceram relação entre microcefalia e zika. Foto: EBC

Estudos estabeleceram relação entre microcefalia e zika. Foto: EBC

Em Recife, a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) Pernambuco promoveu em sua sede, nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro, o workshop “Impactos Sociais e Zika”. Com a participação da ONU Mulheres, o encontro debateu os aspectos de uma nova pesquisa que abordará o custo humano da epidemia, associada a um aumento no número de casos de microcefalia e outras malformações congênitas.

O evento reuniu especialistas da FIOCRUZ, da London School, da Universidade Federal de Pernambuco e do Instituto Fernandes Figueira, que puderam discutir as questões do novo estudo com representantes de organizações não governamentais e de movimentos sociais.

A Fundação Oswaldo Cruz aponta que, embora os casos da síndrome congênita do zika (SCZ) não se restrinjam a determinada classe social, pessoas que vivem na extrema pobreza são as mais atingidas pela epidemia, com 70% dos casos de microcefalia registrados nesta camada da população.

No Brasil, de acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 35 milhões de brasileiros não têm água encanada, mais de 100 milhões não têm acesso a redes de esgoto e mais de 8 milhões de moradores de zonas urbanas não contam com coleta de lixo regular.

A FIOCRUZ assinala ainda que, devido à velocidade, amplitude e gravidade dos casos de SCZ, a maior parte dos estudos sobre zika desenvolvidos ao longo de 2016 concentraram suas investigações nos aspectos clínicos e epidemiológicos da doença.

O objetivo do novo estudo — chamado “Impactos sociais e econômicos do vírus zika no Brasil” — é melhorar estratégias de prevenção e cuidado, bem como contribuir para a elaboração de políticas públicas culturalmente adequadas.

Financiada pela fundação do Reino Unido Wellcome Trust, a pesquisa terá duração de um ano, contado a partir do workshop, e será realizada em Recife e no Rio Janeiro.

ONU realiza maratona hacker pelos objetivos globais em SP

Após a abertura oficial da 10º edição da Campus Party Brasil, na terça-feira (31), teve início a maratona The Big Hackathon. Ao longo de 100 horas, equipes de programadores, desenvolvedores e designers trabalharão para promover soluções tecnológicas que ajudem a comunidade internacional a atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

As três melhores soluções, que apresentem viabilidade financeira, criatividade e alinhamento com a Agenda 2030, serão chanceladas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e os vencedores da maratona poderão viabilizar financiamentos as iniciativas tanto com o setor privado quanto com o setor público.

Até sábado (4), os 1 mil participantes da hackathon serão acompanhados por 252 mentores. Com o apoio do SEBRAE, Instituto Campus Party e PNUD, os programadores e desenvolvedores terão suporte técnico para alinhar as soluções tecnológicas com a Agenda 2030.

O presidente do Instituto Campus Party, Francesco Farrugia, afirmou que a parceria com o PNUD é fundamental para acelerar iniciativas que colaboram com o desenvolvimento sustentável no mundo. “A Campus Party já mudou a vida de muitas pessoas. Daqui saíram diversos projetos que ajudam a melhorar o mundo. E com o PNUD e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável temos uma enorme oportunidade de continuarmos esse trabalho”, disse.

Foram apresentados aos participantes da hackathon os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e os principais desafios para a implementação da Agenda 2030.

“Sem o desenvolvimento de novas tecnologias não será possível alcançarmos os ODS. A Campus Party traz uma excelente oportunidade de unirmos a Agenda 2030 com pessoas que têm esse interesse de desenvolver novos produtos e apresentar novas soluções, de maneira eficaz e em consonância com os desafios do planeta”, afirmou o assessor sênior do PNUD, Haroldo Machado Filho.

No sábado, a partir das 14 horas, os participantes de The Big Hackathon apresentarão suas soluções a um grupo de jurados, com representantes do setores público e privado e da sociedade civil, que escolherão as melhores iniciativas. Os vencedores receberão uma menção honrosa do PNUD, que reconhece a solução como ferramenta para o cumprimento dos ODS.

Capacitação

Após a abertura oficial da Campus Party, cinco workshops, baseados nos cinco eixos da Agenda 2030 — Paz, Pessoas, Planeta, Prosperidade e Parcerias — foram promovidos, por PNUD, SEBRAE e Campus Party, para o público. No eixo Prosperidade, os “campuseiros”, como são conhecidos os frequentadores da feira, participaram de uma conversa com a gerente de parcerias para o setor privado do PNUD e o com o diretor do Google Campus em São Paulo, Andre Barrence.

“Trabalhamos alavancando ecossistemas empreendedores pelo mundo afora. A nossa razão de ser é justamente a de desenvolver negócios e usar a tecnologia para aquelas que podem solucionar grandes problemas na humanidade. Identificamos ecossistemas empreendedores que estão nascendo. Ter clareza de qual o propósito de um produto é essencial para um empreendedor. Além da viabilidade financeira, temos que procurar o impacto social, como mobilidade urbana, educação, saúde e acesso a recursos hídricos. Assim, o empreendedor agrega valor e tem mais chance de ter sucesso”, disse Barrence.

UNAIDS divulga recomendações sobre uso de remédios para prevenção do HIV

Profilaxia pré-exposição é mais uma arma na luta contra a transmissão do HIV. Foto: UNAIDS

Profilaxia pré-exposição é mais uma arma na luta contra a transmissão do HIV. Foto: UNAIDS

Em meio ao debate nacional sobre a oferta da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) no Brasil, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) destaca as recomendações para a utilização da PrEP reunidas na publicação “Profilaxia Pré-exposição Oral: contextualizando uma nova opção de escolha”, produzida em colaboração entre o UNAIDS, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a organização não governamental Global Advocacy for HIV Prevention (AVAC).

O documento complementa as recomendações da OMS e oferece subsídios à utilização da PrEP oral na proteção de indivíduos e na contribuição para o fim da epidemia de AIDS.

A PrEP é o mais novo insumo entre os esforços de expansão das opções de prevenção combinada para pessoas sob alto risco de infecção pelo HIV. Os números e a cobertura da PrEP estão aumentando globalmente, mas com escala e cobertura ainda limitadas fora dos Estados Unidos. Em outubro de 2016, cerca de 100 mil pessoas estavam tomando PrEP, a maioria no país norte-americano.

Um número significativo, mas não quantificável de pessoas, tem acesso à PrEP através de meios menos regulados, como compras pela internet. Segundo o UNAIDS, a implementação rápida de programas de PrEP regulamentados por governos irá melhorar o monitoramento e a avaliação do uso da profilaxia, bem como do seu impacto na epidemia.

A agência da ONU considera que será necessário um esforço adicional considerável para atingir os novos objetivos globais sobre HIV/AIDS. As metas incluem o fornecimento da PrEP para 3 milhões de pessoas com risco substancial de infecção pelo HIV até 2020.

PrEP é a utilização de medicamentos antirretrovirais por pessoas HIV negativas para evitar que contraiam o vírus. A OMS recomenda o uso da PrEP oral por todos os grupos populacionais sob risco substancial de infecção pelo HIV. Esses grupos são caracterizados por terem uma incidência do HIV de aproximadamente três em cada 100 pessoas ao ano ou mais.

A PrEP oral é altamente efetiva quando o medicamento é tomado regularmente. Pesquisas sobre outras formas de uso da PrEP estão em andamento. A publicação do UNAIDS e seus parceiros apresenta, entre outras informações, quatro princípios essenciais sobre esse tipo de profilaxia:

PrEP tem efetividade

A PrEP tem efetividade na prevenção da transmissão do HIV, e não foram encontradas diferenças significativas em termos de sexo, idade ou meio de transmissão sexual. A PrEP oral foi avaliada entre gays e outros homens que fazem sexo com homens, mulheres trans, homens e mulheres heterossexuais e pessoas que usam drogas injetáveis. Em cada um desses contextos, os dados são claros: a PrEP funciona quando tomada corretamente e de forma constante.

PrEP deve fazer parte da resposta geral ao HIV

Para pôr fim à epidemia do HIV, é necessária sinergia em torno dos três zeros: zero nova infecção por HIV, zero discriminação e zero morte relacionada à AIDS. A implementação da PrEP deve aprimorar os programas de HIV, inclusive os serviços de testagem e de tratamento.

A disponibilização da profilaxia pré-exposição deve sempre fazer parte de uma abordagem baseada em prevenção combinada. A PrEP complementa outras abordagens de prevenção informadas por evidências científicas, incluindo programas de preservativos e fortalecimento de capacidades para profissionais do sexo, redução de danos para pessoas que usam drogas injetáveis e esforços para mudar o contexto jurídico e social que aumenta, para muitas pessoas, o risco de contrair o HIV.

PrEP é uma escolha de prevenção

A decisão de utilizar a PrEP é do indivíduo. Quando apresentada junto com outras opções de prevenção do HIV em um ambiente livre de estigma, os indivíduos podem escolher a estratégia de prevenção mais apropriada para eles.

PrEP não é para todo mundo: é para pessoas com risco substancial de contrair o HIV

A oferta da PrEP é uma decisão que deve levar em consideração as necessidades e os benefícios — como a prevenção do HIV — por um lado e, por outro, danos, como os possíveis efeitos adversos, custos e viabilidade. As pessoas com risco substancial de contrair o HIV seriam as mais beneficiadas ao poder ter acesso à PrEP enquanto escolha adicional no leque de opções de prevenção.

A publicação completa está disponível em inglês no site do UNAIDS. Acesse aqui. Em breve, o documento estará disponível na versão traduzida para o português.