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Seminário da ONU debate como erradicar febre aftosa na América do Sul até 2020

Seminário na Bolívia discutiu estratégias para eliminar febre aftosa na América do Sul até 2020. Foto: OPAS

Seminário na Bolívia discutiu estratégias para eliminar febre aftosa na América do Sul até 2020. Foto: OPAS

Para discutir estratégias de saúde animal que levem à eliminação da febre aftosa na América do Sul, o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA), instituição de pesquisa das Nações Unidas, reuniu para um seminário na Bolívia cerca de 240 especialistas de mais de 20 países. Cientistas, gestores e produtores agrícolas têm a expectativa de ver a doença erradicada na região até 2020.

Realizado em Santa Cruz de la Sierra, o encontro debateu medidas de controle que permitam tanto acabar com a enfermidade em locais onde a patologia já foi identificada, quanto evitar que ela apareça ou ressurja em regiões onde animais não foram vacinados.

“É importante o intercâmbio sobre experiências positivas e sobre os desafios entre os países interessados em erradicar a febre aftosa”, afirmou Ottorino Cosivi, diretor do centro da ONU, durante o seminário, que aconteceu nos dias 16 e 17 de abril. Evento teve a participação de pesquisadores da Argentina, Brasil, Canadá, Reino Unido, EUA, Colômbia, Bolívia, Chile e outros países.

Para o chefe da autoridade veterinária boliviana, Javier Suárez, a conferência foi especialmente relevante para o setor da pecuária. O dirigente defendeu a importância de “revisar, melhorar e fortalecer nossos programas relacionados” à febre aftosa. Segundo o gestor, a Bolívia busca atualmente realizar a transição de país livre da doença com vacinação para o status de nação “livre sem vacinação” — quando a enfermidade não é encontrada nem mesmo em regiões nas quais os animais não foram imunizados.

Cumprimento da Agenda 2030 deve ser política de Estado, afirmam autoridades reunidas na CEPAL

Fórum dos Países de América Latina e Caribe sobre o Desenvolvimento Sustentável - Foto: Carlos Vera/CEPAL

Fórum dos Países de América Latina e Caribe sobre o Desenvolvimento Sustentável – Foto: Carlos Vera/CEPAL

O cumprimento da Agenda 2030 para Desenvolvimento Sustentável deve ser política de Estado e sua implementação deve integrar os programas dos novos governos que estão chegando na região, afirmaram autoridades presentes na segunda reunião do Fórum de países da América Latina e Caribe sobre Desenvolvimento Sustentável, que termina nesta sexta-feira (20) na sede da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL) em Santiago, no Chile.

Na segunda etapa do Fórum, autoridades discutiram a continuidade da implementação da Agenda 2030 e os novos desafios ante a mudança de governos na região. A sessão foi liderada pelo Subsecretário para Assuntos Multilaterais e Direitos Humanos da Secretaria de Relações Exteriores do México, Miguel Ruiz Cabañas, e pela secretária executiva da CEPAL, Alicia Bárcena.

O ministro do Desenvolvimento Social do Chile, Alfredo Moreno, afirmou que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são uma responsabilidade de Estado e não de governo, o que implica que se deve dar continuidade ao que já está em andamento. Ele ressaltou a importância do ODS 17, com a revitalização da Aliança Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, o que “gera vínculos com outros atores, como a sociedade civil e o setor privado”.

O secretário nacional de Articulação Social da Secretaria de Governo da Presidência do Brasil, Enrique Villa da Costa, reforçou que a internacionalização da Agenda 2030 deve ser um esforço de Estado e não de governo, destacando que a ideia é reproduzir um modelo de governança nacional nos estados e municípios. Ele afirmou que é importante formar alianças “não apenas internacionais mas também dentro do mesmo país”.

Já a ministra de Planejamento e Política Econômica da Costa Rica, Olga Marta Sánchez, reforçou que os estados não são os únicos responsáveis por levar adiante a Agenda, sendo necessário incorporar a participação de governo, setor privado e sociedade civil.

Para o coordenador da Unidade de Assuntos Ambientais do Ministério de relações Exteriores do Paraguai, Raúl Montiel, o desenvolvimento sustentável não é possível sem a participação justa de todas as mulheres.

O Fórum dos Países de América Latina e Caribe sobre o Desenvolvimento Sustentável termina em 20 de abril com diálogos sobre a transformação em direção a sociedades sustentáveis e resilientes e uma sessão informativa sobre os avanços regionais rumo ao Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular.

Na Rússia, ONU realiza torneio de futebol pelo fim da AIDS e da discriminação

Jogadores russos e internacionais jogaram a primeira partida da Copa do Mundo UNAIDS pelo Fim da AIDS e da Discriminação. Foto: UNAIDS

Jogadores russos e internacionais jogaram a primeira partida da Copa do Mundo UNAIDS pelo Fim da AIDS e da Discriminação. Foto: UNAIDS

Teve início nesta semana (17), em Moscou, um torneio de futebol que promete jogar para escanteio o preconceito sofrido por pessoas vivendo com HIV. Realizada pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), a Copa do Mundo pelo Fim da AIDS e da Discriminação reuniu em sua primeira partida lendas do futebol russo e internacional, como Alexey Smertin e o camaronês Samuel Eto’o. Competição tem o apoio da FIFA.

O jogo inaugural do campeonato aconteceu na véspera da abertura da 6ª Conferência de AIDS da Europa Oriental e Ásia Central. A peleja teve a participação também de futebolistas russos que vivem com HIV. Ao longo dos próximos dois meses, a FIFA e o organismo da ONU promoverão jogos em outros países, em preparação para a Copa do Mundo de 2018.

“O simples fato de que jogadores internacionais russos, junto com jogadores russos que vivem com HIV, optaram por jogar nesta partida, mostra claramente que estamos unidos no trabalho para alcançar a zero discriminação, independentemente de raça, cor, fé, gênero ou estado sorológico para o HIV”, afirmou Smertin, ex-atleta do inglês Chelsea e oficial de Combate à Discriminação da FIFA para a Copa do Mundo de 2018.

Da direita para esquerda, Michel Sidibé, chefe do UNAIDS; Arkady Dvorkovich, vice-primeiro-ministro da Rússia; e Alexey Smertin, ex-jogador russo. Foto: UNAIDS

Da direita para esquerda, Michel Sidibé, chefe do UNAIDS; Arkady Dvorkovich, vice-primeiro-ministro da Rússia; e Alexey Smertin, ex-jogador russo. Foto: UNAIDS

Para o veterano dos campos, o futebol “traz sentimentos muito importantes de respeito, fraternidade e união para as nossas vidas”.

Na partida em Moscou, Smertin integrou a equipe Rosich, liderada por Arkady Dvorkovich, que é vice-primeiro-ministro e presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2018. Os ex-jogadores Dmitry Bulykin, Roman Shirokov, Evgeny Aldonin, Dmitry Sennikov, Oleg Kornaukhov, Marat Makhmutov, Vladimir Leonchenko e Roman Berezovsky também estavam entre os atletas escalados.

Do outro lado do gramado, estava o time Red Ribbon, do UNAIDS, que foi capitaneado por Samuel Eto’o. Apoiando o programa da ONU, estavam o senegalês Abdoulaye Diagne-Faye, o franco-martiniquense Julien Faubert, o francês Florent Sinama-Pongolle, o nigeriano Peter Odemwingie, o marroquino Jaouad Zairi, o búlgaro Marcelo da Costa, Alister Veerasamy, de Madagascar, e a palestina e oficial da FIFA, Honey Thalidjieh.

“O futebol é mais do que apenas um jogo. É um veículo para conectar pessoas e construir um movimento social ousado para a mudança”, afirmou Michel Sidibé, diretor-executivo do organismo da ONU e treinador do Red Ribbon.

Com apoio da ONU, Brasil e Guiné-Bissau se unem para promover alimentação escolar

Parceria entre ONU, Brasil e Guiné-Bissau busca melhorar fornecimento de refeições em centros de ensino do país africano. Foto: PMA/Agostinho Cabral

Parceria entre ONU, Brasil e Guiné-Bissau busca melhorar fornecimento de refeições em centros de ensino do país africano. Foto: PMA/Agostinho Cabral

O Centro de Excelência contra a Fome da ONU e os governos do Brasil e da Guiné-Bissau firmaram neste mês (12) um novo acordo para aprimorar o fornecimento de refeições em centros de ensino do país africano. Ao longo de dois anos, a parceria fortalecerá o Programa de Cantinas Escolares guineense, além de garantir mais participação dos agricultores locais no abastecimento dos colégios.

De acordo com o organismo das Nações Unidas, a cooperação realizará capacitações de técnicos do Ministério da Educação e Ensino Superior e também da pasta da Agricultura, Floresta e Pecuária. O Centro de Excelência e especialistas brasileiros também darão assistência na elaboração de documentos estratégicos setoriais, para ampliar a compra de alimentos produzidos localmente.

Parceria retomada

Assinado após visita oficial de consultores brasileiros e da ONU à Guiné-Bissau, o acordo representa uma retomada do apoio técnico prestado pelo país sul-americano ao seu parceiro na África. A cooperação entre as duas nações foi interrompida em 2012.

Com a formalização da colaboração, também foi instituído o primeiro Comitê de Acompanhamento, para monitorar e avaliar as ações que serão implementadas conjuntamente pelas Nações Unidas, Brasil e Guiné-Bissau.

Relatores da ONU condenam assassinato de manifestantes palestinos por forças israelenses

 

Família caminha em ruínas em Gaza. Foto: UNRWA

Família caminha em ruínas em Gaza. Foto: UNRWA

Especialistas em direitos humanos da ONU condenaram na terça-feira (17) as Forças de Defesa de Israel (FDI) pelo uso contínuo de armas de fogo e munição real contra manifestantes majoritariamente desarmados e jornalistas na terceira semana seguida de protestos palestinos em Gaza, próximo à fronteira com Israel. Pelo menos 28 palestinos foram mortos e mais de 1,6 mil ficaram feridos.

As Nações Unidas e seus especialistas em direitos humanos, juntamente com o Tribunal Penal Internacional (TPI), expressaram grave preocupação a respeito da reação agressiva das forças armadas de Israel aos protestos e pediram a interrupção da violência. Em resposta, Israel se comprometeu a conduzir uma investigação sobre as ações do exército israelense.

“Apesar de Israel ter se comprometido a investigar os eventos das últimas semanas, as tropas israelenses continuam usando munição real e balas de borracha contra manifestantes majoritariamente desarmados, matando e ferindo dezenas de mulheres, homens e crianças”, disseram os especialistas da ONU.

“Expressamos nossa indignação a respeito desses ataques que podem ter resultado em assassinatos ilegais e em um número absurdamente alto de pessoas feridas”, declararam.

Ao menos 28 palestinos foram assassinados e mais de 1,6 mil ficaram feridos pelas forças de segurança de Israel durante uma série de protestos que começaram em 30 de março e que devem continuar até o dia 15 de maio.

Os manifestantes protestam contra as retiradas forçadas e deslocamentos aos quais são alvo desde a criação do Estado de Israel, em 1948, e pedem o fim do bloqueio econômico a Gaza, que já dura 11 anos. Entre os mortos, estavam três crianças e um jornalista que estava usando identificação de imprensa. Seis outros jornalistas ficaram feridos.

Os especialistas reiteraram que Israel, como potência ocupante, tem a obrigação de cumprir a lei de direitos humanos e a lei humanitária internacional, enfatizando que no contexto da aplicação dessas leis, as forças de segurança só podem utilizar armas letais quando estiveram frente a ameaça iminente à vida ou risco de ferimentos graves.

“Não existe nenhuma evidência de que tais situações ocorreram para que o uso de força letal durante os protestos fosse legal”, declararam.

“A liberdade de associação, reunião e expressão são direitos fundamentais resguardados pela lei internacional de direitos humanos. Esses direitos devem ser amplamente protegidos, e só podem ser restringidos em circunstâncias limitadas e excepcionais. Israel deve observar totalmente esses direitos e garantir que suas abordagens durante manifestações estejam em conformidade com a lei internacional”, completaram.

Referindo-se a uma declaração recente emitida pela procuradora-chefe do TPI, Fatou Bensouda, os especialistas da ONU disseram que a ação violenta do exército israelense contra os manifestantes palestinos poderia constituir crimes sob o Estatuto de Roma.

Os especialistas da ONU indicaram que os assassinatos cometidos desde 30 de março pelas forças de segurança de Israel podem se constituir uma violação do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (1966), dos Princípios Básicos sobre a Utilização da Força e de Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei (1990) e das proibições da Quarta Convenção de Genebra (1949) contra assassinatos intencionais e ataques graves contra a população civil.

Os especialistas reiteraram seu apelo à comunidade internacional, por meio das Nações Unidas, para estabelecer uma comissão independente, visando investigar os eventos das últimas três semanas.

“Embora apreciemos o anúncio de Israel de que uma apuração será feita, estamos preocupados que talvez a investigação a ser realizada não tenha a imparcialidade e a eficácia exigidas pelo direito internacional”, disseram. “Diante de informações segundo as quais alguns oficiais israelenses teriam sugerido que o propósito das investigações seriam evitar escrutínio da comunidade internacional e do TPI, acreditamos que uma averiguação independente seja a única forma de realmente lidar com o que ocorreu em Gaza, e evitar que aconteça novamente”.

“É extremamente importante que o governo israelense preste contas diante de uma situação em que as suas Forças de Defesa utilizaram munição real contra manifestantes”, pontuaram os especialistas. “Se Israel não tomar medidas confiáveis e eficazes para investigar os fatos, então, a comunidade internacional irá agir para garantir que o direito internacional seja respeitado”.

“Por fim, pedimos o fim imediato do bloqueio de 11 anos a Gaza, que está impondo um sofrimento incalculável à população. Não podemos continuar ignorando essa punição coletiva que o povo de Gaza tem sofrido, nem os impactos inegáveis desse bloqueio sobre os direitos humanos”, acrescentaram os especialistas. “A punição coletiva é considerada crime de acordo com o direito internacional e, portanto, deve haver uma responsabilização por tais ações.”

ONU usa drones para combater Aedes aegypti no Brasil

Drone utilizado pela AIEA para transportar mosquitos tornados estéreis pelo uso de radiação. Foto: AIEA/N. Culbert

Drone utilizado pela AIEA para transportar mosquitos tornados estéreis pelo uso de radiação. Foto: AIEA/N. Culbert

O combate ao zika e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti tem um novo aliado — os drones. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciou nesta quinta-feira (19) a conclusão bem-sucedida de testes para usar as aeronaves em estratégias de controle dos mosquitos. Os veículos aéreos transportam insetos tornados estéreis por meio de radiação e os liberam no meio ambiente para conter sua proliferação.

Um obstáculo ao uso dessa estratégia é a fragilidade do Aedes aegypti. Quando liberado em um ecossistema a partir de aviões, que voam em altitudes elevadas, o mosquito de zika, dengue e chikungunya pode ter suas asas e pernas destruídas ou machucadas. Isso inviabiliza sua inserção na região visada.

A técnica do inseto estéril, conhecida pela sigla SIT, em inglês, envolve a criação em cativeiro de machos do Aedes aegypti, que perdem sua capacidade de reprodução ao serem expostos à radiação gama. O enxame é, então, disseminado na natureza, para acasalar com fêmeas do inseto. Como os parceiros são estéreis, a cópula não gera novos mosquitos — o que reduz ao longo do tempo a presença da espécie em determinado local.

Com o drone, podemos
tratar 20 hectares
em cinco minutos.

Ao longo de todo o ano passado, a agência da ONU trabalhou com o grupo suíço-americano WeRobotics e com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para desenvolver um protótipo de aeronave capaz de transportar em segurança os Aedes modificados. Durante o deslocamento, os mosquitos também precisavam suportar temperaturas mais frias.

“O mecanismo de liberação de mosquitos havia sido até agora o gargalo na aplicação da SIT”, explica o entomologista médico da Divisão Conjunta da FAO e da AIEA de Técnicas Nucleares na Alimentação e Agricultura, Jeremy Bouyer. “Estamos satisfeitos com os testes iniciais, que mostram (uma taxa de) menos de 10% de mortalidade ao longo de todo o processo de resfriamento, transporte e liberação aérea”.

Segundo o especialista, anteriormente, os insetos radioativamente alterados eram disseminados por via terrestre, o que demandava mais tempo e esforço. “Com o drone, podemos tratar 20 hectares em cinco minutos”, ressalta o cientista. Pesando menos de dez quilos, essas aeronaves podem carregar 50 mil mosquitos estéreis por voo. O preço do veículo — 10 mil euros — também permite reduzir pela metade o custo com a aplicação da SIT.

Com o sucesso dos primeiros experimentos com drones, o Brasil planeja usar as aeronaves a partir de janeiro do próximo ano, tanto em zonas urbanas quanto rurais. A ideia é aplicar a técnica do inseto estéril durante o pico do verão e da estação de mosquitos.

A AIEA busca atualmente reduzir o peso dos veículos e aumentar sua capacidade, para que cada drone possa transportar até 150 mil mosquitos por voo. O desenvolvimento do veículo aéreo teve o apoio financeiro da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

A SIT é usada há mais de 50 anos para enfrentar pestes na produção agrícola, mas apenas recentemente foi adaptada para controlar espécies de mosquitos transmissores de doenças.

Informações para a imprensa aqui: https://www.iaea.org/contact

Agências da ONU, Estados-membros e parceiros lançam plano para apoiar deslocados internos

Faiza (centro), de 31 anos, da aldeia de Manono na província de Tanganyika, faz parte de um grupo de mulheres congolesas que criou um espaço para deslocados internos na escola primária EP Moni, em Kalemie. Foto: ACNUR/Colin Delfosse

Faiza (centro), de 31 anos, da aldeia de Manono na província de Tanganyika, faz parte de um grupo de mulheres congolesas que criou um espaço para deslocados internos na escola primária EP Moni, em Kalemie. Foto: ACNUR/Colin Delfosse

À medida que as crises se multiplicam em todo o mundo e milhões de pessoas são deslocadas dentro das fronteiras de seus países por conflitos armados, violência generalizada ou violações de direitos humanos, um grupo de Estados, agências da ONU e parceiros renovou seu compromisso para trabalhar de forma colaborativa.

Nesse sentido, foi lançado na terça-feira (17), durante reunião em Genebra, na Suíça, um Plano de Ação para Avanço da Prevenção, Proteção e Soluções para Deslocados Internos (2018-2020). A reunião marcou o 20º aniversário do Guia sobre Deslocamento Interno — amplamente aceito como padrão global para proteger e assistir deslocados internos.

O deslocamento interno tem sido reconhecido como uma questão de preocupação global desde o início dos anos 1990, mas a dinâmica para enfrentá-lo tem sido insuficiente, apesar de todos os esforços. Enquanto isso, o número de deslocados internos vem aumentando.

“Passos ousados e ambiciosos são necessários para enfrentar esse desafio complexo de direitos humanos, humanitários e de desenvolvimento”, disse a relatora especial sobre os direitos humanos dos deslocados internos, Cecilia Jimenez-Damary.

“O Plano de Ação busca propor um diálogo estratégico, uma ação combinada e recursos adequados para enfrentar o sofrimento dos deslocados internos, ao mesmo tempo em que os engajam nas decisões que os afetam”, completou.

Ao final de 2016, mais de 40 milhões de pessoas foram forçadas a se deslocar dentro de seus próprios países por conflitos armados, violência generalizada ou violações de direitos humanos. Número quatro vezes maior do que a população de Londres ou Nova Iorque.

Somente em 2016, desastres geraram mais 24 milhões de deslocamentos internos. Todos os anos, cerca de 15 milhões de pessoas também são deslocadas por projetos de desenvolvimento. Além disso, sabe-se que milhões de outros deslocamentos não são sistematicamente registrados, inclusive aqueles causados por grilagem de terras, violência criminal ou seca.

“Enfrentar as necessidades de proteção dos deslocados à força e buscar soluções para suas dificuldades contribui para uma maior estabilidade de países e regiões inteiras”, disse o alto-comissário da ONU para refugiados, Filippo Grandi.

“Semelhante aos refugiados, os deslocados internos frequentemente enfrentam grande incerteza. Eles podem ser desalojados mais de uma vez à medida que buscam oportunidades para recomeçar suas vidas, e correm o risco de serem marginalizados nas sociedades em que vivem. As consequências do nosso fracasso em resolver o deslocamento interno podem ser devastadoras.”

Mark Lowcock, subsecretário-geral para assuntos humanitários e coordenador de ajuda de emergência da ONU, lembrou que a comunidade internacional se comprometeu em 2015 a “não deixar ninguém para trás” na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

“Essa promessa deve se estender aos milhões de deslocados internos por conflitos armados, violência e desastres. Continuaremos a trabalhar com os governos afetados e com os próprios deslocados internos para garantir que suas necessidades sejam atendidas”, disse.

Elaborado sob a liderança da relatora especial, da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), o Plano de Ação envolve múltiplas fases e pede a todos os atores relevantes que intensifiquem os esforços para prevenir, responder e resolver o deslocamento interno.

Para isso, propõe ações concretas para facilitar e fortalecer a participação dos deslocados internos nas decisões que lhes dizem respeito e ampliar as leis e políticas nacionais sobre deslocamento interno.

Recomenda também ações para melhorar a coleta e a análise de dados sobre situações de deslocamento globalmente e ampliar o engajamento a fim de encontrar soluções duradouras para os deslocados internos.

ONU no Brasil recomenda que MP sobre acolhimento de migrantes siga princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Coordenador Residente do Sistema ONU no Brasil, Niky Fabiancic, participa de audiência pública no Senado. Foto: ©ACNUR / Luiz Fernando Godinho

O Coordenador Residente do Sistema ONU no Brasil, Niky Fabiancic, participou de audiência pública na Comissão Mista do Senado que analisa a Medida Provisória 820/2018, que trata de medidas de assistência emergencial para acolhimento a pessoas em situação de vulnerabilidade decorrente de fluxo migratório provocado por crise humanitária.

O dirigente pediu que, no curso dos debates para transformar a MP em lei, os parlamentares utilizem como referência “os princípios e direitos consagrados na Carta da ONU e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, como não-discriminação, o direito à liberdade de locomoção e residência dentro do território, direito universal à educação, à saúde e ao trabalho e o direito de buscar e gozar de asilo em outros países”. A Declaração celebra 70 anos em 10 de dezembro de 2018.

“Não acreditamos em fechar fronteiras, acreditamos em construir pontes. Pontes para um futuro melhor para todas e todos. Pontes entre seres humanos, particularmente com aqueles que têm necessidades e que vivem momento difíceis”, afirmou Fabiancic.

A MP, de 16 de fevereiro de 2018, tramita no Congresso Nacional em regime de urgência.

Para ler a íntegra do discurso do Coordenador Residente do Sistema ONU, clique aqui.

Oficina em Brasília lembra importância da alimentação baseada em afeto, tradições e direito

Atividade realizada em Brasília (DF) teve o objetivo de refletir e incentivar a cidadania alimentar com base no afeto, nas tradições e no direito. Foto: PEXELS

Atividade realizada em Brasília (DF) teve o objetivo de refletir e incentivar a cidadania alimentar com base no afeto, nas tradições e no direito. Foto: PEXELS

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e o Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (OPSAN) organizaram na quarta-feira (18), como parte do 25º Congresso Brasileiro de Nutrição (CONBRAN), a oficina “Por uma comida que seja nossa!”.

A atividade, que aconteceu no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF), teve o objetivo de gerar reflexões e promover a cidadania alimentar com base no afeto, nas tradições e no direito.

“Estamos vivendo um momento fundamental em que a alimentação e a nutrição despontam com metas audaciosas no âmbito da Década de Ação das Nações Unidas sobre Nutrição e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, afirmou Alice Medeiros, consultora de Nutrição e Alimentação da OPAS/OMS no Brasil.

No entanto, ela lembrou a importância das políticas públicas, “que devem ser construídas coletivamente na luta por sistemas alimentares mais justos, equitativos e saudáveis para todas as pessoas”.

Medeiros declarou que ainda existem muitos obstáculos e desafios a serem superados para que o direito humano à alimentação adequada e saudável e o direito à saúde se tornem uma realidade para a população brasileira. “Juntos, vamos ressignificar a comida e perceber que comer é um ato político”.

A oficina, que foi realizada dividida em três momentos, contou com a participação de mulheres quilombolas, de religiões de matriz africana e terreiros, indígenas e agricultoras, que representaram a diversidade da alimentação nos mais diversos cantos e culturas do país.

Os participantes se reuniram em grupos para discutir aspectos relacionados à alimentação: afeto, tradição e direito. “A comida é poderosa. É mais do que nutrientes; é carinho. É mais que os ingredientes de uma receita; é afeto, e está presente em nossas vidas o tempo todo”, ressaltou Maína Castro, do OPSAN.

A mãe de terreiro Marcele de Xangô, afirmou que, nas religiões de matriz africana e terreiros, a alimentação não é apenas fundamental para a nutrição, mas também é considerada de forma simbólica, como parte dessa cultura tradicional.

“O alimento para gente é sagrado, rezado. É importante que as pessoas conheçam essa tradição. Não podemos deixar que nossa comida tradicional se perca com o tempo. Temos que resgatar as receitas de nossos avós e bisavós”, defendeu.

ONU lança campanha pela autonomia das mulheres rurais na América Latina e Caribe

Campanha #MulheresRurais chega a sua terceira edição com ações pelos direitos das mulheres indígenas. Imagem: FAO

Campanha #MulheresRurais chega a sua terceira edição com ações pelos direitos das mulheres indígenas. Imagem: FAO

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançou nesta semana a terceira edição da sua campanha #MulheresRurais, mulheres com direitos, iniciativa que defende o empoderamento das latino-americanas e caribenhas vivendo no campo. Com o projeto, a agência da ONU acompanhará processos decisórios nos países da região para garantir igualdade de gênero em estratégias de desenvolvimento agrícola.

Em 2018, o programa da FAO criará o Mapa de aliados das mulheres rurais, uma ferramenta interativa que permitirá encontrar instituições com experiências positivas e inovadoras, voltadas para a autonomia das agricultoras, mulheres indígenas e afrodescendentes. A campanha também retomará ações de conscientização nas redes sociais.

No Brasil, a campanha será implementada em nível nacional pela Secretaria Especial da Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário (SEAD). As iniciativas da pasta serão realizadas com o selo Aqui Tem Mulher Rural. A rotulação distingue produtos da agricultura familiar que têm a participação das mulheres em seu processo de fabricação.

Mobilização regional e protagonismo indígena

A Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar (REAF), do MERCOSUL, promoverá um concurso de pesquisas, ensaios acadêmicos e experiências de organizações sobre eliminação da violência de gênero no mundo rural.

Também como parte da campanha, a FAO realizará um concurso de receitas ancestrais e saudáveis, que serão publicadas em um livro de forma participativa, por mulheres de diferentes países.

O organismo internacional trabalhará com lideranças indígenas das Américas Central e do Sul para dar visibilidade às suas perspectivas do que é desenvolvimento rural sustentável.

A ONU Mulheres incluíra a campanha em suas atividades e a difundirá em diversos espaços de diálogo. A decisão da instituição vem após o encontro anual da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CSW), que teve como tema, em 2018, os desafios vividos pelas mulheres e meninas no meio rural.

Em fevereiro, 29 países da América Latina e Caribe se reuniram em evento preparatório para a congregação da comissão. Nessa ocasião, aprovaram a Declaração de Santo Domingo, documento em que as nações da região assumem compromissos pelo fim da violência de gênero no campo.

A ONU Mulheres divulgará a campanha na IV Cúpula Ibero-Americana de Agendas Locais de Gênero, que ocorrerá em maio, no Equador. O encontro terá uma oficina para elaborar estratégias de participação política das mulheres indígenas.

Como participar da campanha?

Qualquer pessoa, instituição ou organização pode apoiar a campanha usando o selo #MulheresRurais, mulheres com direitos e difundir #HistóriasQueEmpoderam em suas redes sociais. O selo está disponível para aplicação em materiais de divulgação que mencionam a iniciativa ou declaram apoio à estratégia da FAO — acesse clicando aqui.

A iniciativa tem uma proposta aberta e participativa: é fácil adaptar as artes existentes e inclusive criar novos layouts, usando como base o manual gráfico da campanha. Para acessar o manual, clique aqui.

As instituições interessadas em contribuir com a difusão da campanha ou em organizar conversas e atividades em comunidades rurais poderão registrar-se como colaboradoras, tornando-se parte do Mapa de aliados das mulheres rurais.

Qualquer organização ou centro de pesquisa também pode apoiar a #MulheresRurais, compartilhando publicações, vídeos, estudos e documentos. Para enviar conteúdos, clique aqui. As análises encaminhadas serão incluídas no Repositório de Conhecimentos sobre Mulheres Rurais da FAO. Informações servirão de base para a produção de novos materiais de conscientização durante todo o ano.