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Comércio global está ameaçado por medidas unilaterais, diz oficial da ONU

Porto de Salvador, na Bahia. Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

Porto de Salvador, na Bahia. Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

Apesar de uma melhora do cenário econômico, as perspectivas globais enfrentam riscos crescentes, na opinião do chefe de assuntos econômicos e sociais das Nações Unidas, que manifestou na quinta-feira (19) preocupação com medidas unilaterais que estão desafiando o sistema multilateral de comércio.

“São necessários esforços para revitalizar uma parceria global para o desenvolvimento sustentável a fim de construir um sistema comercial multilateral universal, baseado em regras, aberto, não discriminatório e equitativo”, disse Liu Zhenmin, subsecretário-geral para Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, durante diálogo político de alto nível com instituições financeiras e de comércio internacional, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

“O crescimento econômico mais forte por si só não é suficiente para garantir que esses ganhos sejam amplamente compartilhados”, acrescentou.

O diálogo foi organizado pelo Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC) para trocar opiniões sobre as tendências da economia global e do comércio internacional, no contexto do desenvolvimento sustentável.

Representantes de Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio (OMC), Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (DESA) da ONU deram suas projeções sobre crescimento econômico, comércio internacional e outras tendências e desafios.

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e seus 17 objetivos (ODS), adotada em 2015 pelos Estados-membros das Nações Unidas, requer transformações nas esferas econômica, ambiental e social.

“Se continuarmos meramente com um progresso incremental como no passado, muito progresso a curto prazo poderá ocorrer em detrimento da deterioração de longo prazo em outras áreas”, disse Liu.

As projeções mais recentes do DESA indicam que a economia mundial deverá crescer 3,2% tanto em 2018 como em 2019.

“Esta melhora reflete uma revisão para cima das perspectivas de crescimento para as economias desenvolvidas em 2018. É impulsionada pela força do crescimento salarial, condições de investimento amplamente favoráveis ​​e pelo impacto de curto prazo de um pacote de estímulo fiscal nos Estados Unidos”, afirmou o relatório “Situação Econômica Mundial e Perspectivas”.

As condições macroeconômicas positivas criam a base para que os formuladores de políticas adotem medidas que ajudem a progredir significativamente em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) — que visam erradicar a pobreza e a fome e proteger o meio ambiente — e ofereçam uma oportunidade de elevar os padrões de vida, em larga escala, especialmente nas regiões em desenvolvimento.

“No entanto, em paralelo com a melhora no crescimento, temos visto um aumento nos riscos para as perspectivas econômicas”, disse ele, alertando que “cada vez mais as medidas unilaterais estão desafiando o sistema multilateral de comércio”.

Liu também declarou que a recente aceleração no crescimento econômico vem com um custo ambiental e, no ritmo atual, os esforços para combater a mudança climática são insuficientes para cumprir os objetivos do Acordo de Paris de 2015.

No acordo, os países se comprometeram a manter o aumento da temperatura média global em menos de 2° Celsius acima dos níveis industriais e promover esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais até o fim deste século.

ONU alerta para condições ‘críticas’ em cidade portuária do Iêmen

Família aguarda distribuição de suprimentos do UNICEF na cidade de Hodeida, no Iêmen. Foto: UNICEF

Família aguarda distribuição de suprimentos do UNICEF na cidade de Hodeida, no Iêmen. Foto: UNICEF

Funcionários da agência de migração das Nações Unidas no Iêmen disseram nesta sexta-feira (20) que a cidade portuária de Hodeida continua “um ambiente difícil” para a entrega de ajuda humanitária a milhares de pessoas deslocadas por intensos confrontos nesta semana.

“A situação está muito ruim e estamos fazendo o melhor para fornecer abrigo temporário e apoio”, disse o oficial da Organização Internacional para as Migrações (OIM) no Iêmen, Stefano Pes, lembrando que a equipe e os parceiros da agência estão trabalhando em um ambiente difícil para entregar alimentos e itens não alimentares, kits de abrigo e tendas de boa qualidade.

Hodeida — a principal porta de entrada de alimentos e ajuda humanitária para uma população à beira da inanição — tem sido palco de confrontos entre os rebeldes Houthi, que controlam o porto, e as forças governamentais apoiadas por uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita.

As mortes de civis e os deslocamentos em massa continuam aumentando, em meio a intensos combates que começaram em 12 de junho.

Isso causou mais danos aos serviços públicos que estão sendo levados ao limite, afetando o suprimento de água, forçando o fechamento de lojas e resultando em escassez de produtos essenciais. Também complicou a prestação de assistência humanitária e resultou no fechamento de um centro de alimentação temporário em Zabid.

Os poucos civis que estão conseguindo deixar o local viajam para cidades relativamente seguras como Sanaa, Aden e Thamar. No entanto, a maioria da população já esgotou suas reservas, e agora busca qualquer tipo de proteção, disse a agência.

Cerca de 50 funcionários da OIM estão trabalhando em vários locais para ajudar os migrantes e cerca de 50 mil iemenitas recém-deslocados em Hodeida. A OIM também forneceu 7.830 refeições para crianças em três escolas de Hodeida.

A crise no Iêmen tem sua origem nas revoltas da Primavera Árabe de 2011, que varreram o país em meio à insurgência rebelde em curso. Embora os protestos antigoverno tenham levado à destituição do então presidente Ali Abdullah Saleh — no poder havia mais de 30 anos — a transferência de poder para Abd Rabbo Mansur Hadi, seu vice, levou a mais instabilidade e conflito.

Centro da ONU visita Tunísia para preparar próximo fórum global de nutrição infantil

Alunos em escola na Tunísia que tem apoio do PMA para o fornecimento de refeições diárias aos estudantes. Foto: PMA

Alunos em escola na Tunísia que tem apoio do PMA para o fornecimento de refeições diárias aos estudantes. Foto: PMA

Especialistas do Centro de Excelência contra a Fome da ONU concluíram nesta sexta-feira (20) uma viagem à Tunísia para preparar o 20º Fórum Global Anual de Nutrição Infantil, que acontecerá entre 21 e 25 de outubro em Túnis. O evento é a maior conferência internacional dedicada à alimentação escolar. Representantes de mais de 50 países comparecerão ao encontro e são esperadas cerca de 300 pessoas, entre integrantes de governos, ONGs, setor privado e Nações Unidas.

Ao longo desta semana, especialistas da ONU se encontraram com autoridades do país, incluindo o ministério da Educação Hatem Bem Salem, e membros da Global Child Nutrition Foundation, uma das instituições organizadoras do fórum, realizado em parceria com o centro de excelência. O escritório nacional do Programa Mundial de Alimentos (PMA) também participou das atividades.

Durante a missão, os parceiros conheceram alguns centros de ensino para ver de perto o programa de alimentação escolar da Tunísia. A programação do fórum terá visitas de campo para os participantes.

O centro de excelência é fruto de uma parceria entre o governo brasileiro, o PMA e o Reino Unido. Com sede em Brasília, a instituição percorre o mundo e também recebe delegações estrangeiras para divulgar políticas de combate à desnutrição em países em desenvolvimento. O organismo auxilia nações na concepção e implementação de programas de alimentação escolar e agricultura familiar.

As inscrições para fórum estarão disponíveis em breve em: www.gcnf2018.org.

ARTIGO: Como aumentar a eficiência do setor de transporte rodoviário do Brasil?

Sob pressão após a greve de caminhoneiros, o governo federal reagiu determinando, entre outras medidas, um congelamento de curto prazo do preço do diesel na bomba de gasolina. Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo

Sob pressão após a greve de caminhoneiros, o governo federal reagiu determinando, entre outras medidas, um congelamento de curto prazo do preço do diesel na bomba de gasolina. Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo

Por Antonio Nucifora*

O setor de transporte rodoviário no Brasil vem se reorganizando após a greve dos caminhoneiros em maio.

Sob pressão, o governo reagiu determinando, entre outras medidas, um congelamento de curto prazo do preço do diesel na bomba de gasolina, a isenção de pedágio para caminhões vazios e a introdução de uma tabela mínima de frete para os caminhoneiros, medidas que passam agora pela avaliação do Congresso. Com essas medidas, o país está perdendo uma ótima oportunidade de tratar as causas raiz do setor de transporte rodoviário.

O Brasil tem um dos custos logísticos mais altos da América Latina. A consultoria Ilos estima que os custos logísticos representam em média 12,2% do PIB do Brasil.

Nos Estados Unidos, esse custo fica ligeiramente abaixo de 8%. A maior parte deve-se a transporte (6,8% do PIB), seguido por estoque (4,5%), armazenamento (0,9%) e custos administrativos (0,5%). Em 2016, por exemplo, o custo da exportação de soja para Xangai (China) era 33% mais alto saindo de Mato Grosso do que de Illinois (EUA), embora o custo do transporte marítimo fosse mais elevado a partir dos EUA.

A eficiência logística no Brasil é baixa por causa da predominância do transporte rodoviário. O Relatório do Banco Mundial “De Volta ao Planejamento: Como Preencher a Lacuna de Infraestrutura no Brasil em Tempos de Austeridade” ressalta que, no Brasil, a matriz logística permanece dominada pelo transporte rodoviário, com 63-65% da tonelada-quilômetro útil, contra 21% na China e 39% na Índia.

Essa sobrecarga do modal rodoviário ocasiona grandes custos. O Brasil poderia economizar cerca de 0,7% do PIB a cada ano se deslocasse frete do modal rodoviário para o ferroviário e o aquaviário. Além dos custos mais baixos, haveria significativos benefícios ambientais e de segurança nas estradas.

Esse custo é exacerbado por ineficiências significativas do próprio setor.

Primeiro, uma parcela importante do transporte rodoviário é atomizada e carece de profissionalização para ser eficiente. O setor presta seus serviços com uma frota de 2,3 milhões de veículos, cerca de metade dos quais (55%) é de propriedade de empresas transportadoras estabelecidas, ao passo que a outra parte (45%) é composta de caminhoneiros autônomos, segundo dados da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Ou seja, metade do setor é concentrada e relativamente eficiente, enquanto a outra é atomizada, mal organizada e globalmente muito menos eficiente, pois não pode tirar proveito das economias de escala que os grandes volumes de carga proporcionam. Uma empresa média de transporte rodoviário possui cerca de nove veículos, uma cooperativa média tem mais de quarenta, e a maioria dos caminhoneiros autônomos, apenas um.

Em segundo lugar, comparados com os de outros países, os custos operacionais do setor de transporte rodoviário brasileiro são altos e devem-se sobretudo ao elevado consumo de combustível, à idade avançada da frota e à baixa manutenção.

Sem considerar manutenção e depreciação, os gastos com combustível são responsáveis pela maior parte dos custos operacionais (>40%), seguidos por salários (cerca de 30%), seguro e pedágios (que somam 30%). À guisa de comparação, apontemos que, nos EUA, o combustível representa cerca de 36% dos custos operacionais totais, e na Europa, entre 20 e 30%.

No entanto, estes custos são muito mais altos na China (60%). As frotas antigas e a manutenção deficiente também elevam os custos operacionais por causa das panes frequentes. No Brasil, os veículos dos caminhoneiros autônomos têm em média 19 anos de idade, os veículos de cooperativas, 14 anos, e os das transportadoras, 9 anos.

Para tratar dessa questão, é preciso acelerar a substituição da frota brasileira por caminhões mais novos, o que pode melhorar a eficiência energética média da frota e o desempenho do setor em matéria de emissões (de gases). Os EUA e diversos outros países recorreram com sucesso às parcerias com montadoras e vendedores de tecnologia para fazer avançar a fronteira da eficiência energética dos caminhões novos.

As más condições das rodovias são outro importante fator dos altos custos operacionais no Brasil. Apenas 12% das rodovias são pavimentadas e, segundo o mais recente relatório da CNT, só 40% da malha rodoviária pavimentada estão em boas condições.

Entre 2000 e 2013, o investimento em infraestrutura no Brasil foi de meros 2,1% do PIB, contra 8,6% na China, 4,8% na Índia e 4,3% no Chile. Um estudo do Banco Mundial de 2012 estima que mais de 0,7% do PIB é perdido devido à má qualidade das rodovias, à engenharia deficiente da malha e aos congestionamentos das rodovias, o que resulta em perda de tempo e aumento dos custos operacionais dos veículos.

Mas o que precisa mudar para aumentar a rentabilidade e a competitividade do setor de transporte rodoviário?

O diagnóstico é claro. Ao resolver ineficiências operacionais da malha rodoviária federal pavimentada e as ineficiências da matriz dos modais de transporte, o Brasil poderia economizar 1,4% do PIB, o que equivale a 2,2 vezes o atual gasto anual no setor de transporte.

Portanto, ao invés de subsidiar, o que não resolve as causas do baixo desempenho do setor, o governo precisa:

    • Incentivar a profissionalização e facilitar a consolidação de firmas por meio de treinamento e da simplificação da regulamentação;
    • Avançar na direção de uma frota de caminhões mais eficiente e mais verde impondo regulação adequada e facilitando o acesso ao financiamento;
    • Aumentar o investimento em infraestrutura rodoviária e manutenção para reduzir os custos operacionais, reduzindo os gargalos que restringem a participação eficiente do setor privado
    • E, contemplando o longo prazo, tomar medidas destinadas a mudar gradualmente a matriz de modais do setor de forma a aumentar a utilização de transporte ferroviário e aquaviário.

Entretanto, o Congresso parece preferir mais subsídios e controle de preços. Agora é o momento para que os pré-candidatos às eleições deste ano mostrem que são contra paliativos pedindo que o Congresso trate das causas raiz.

*Economista-chefe do Banco Mundial para o Brasil, já trabalhou para a instituição na Europa, na África e no Oriente Médio. Esta coluna foi preparada em colaboração com Grégoire Gauthier, especialista sênior de transportes, do Banco Mundial.

Parlamentares latino-americanos alertam que leis contra a fome podem virar letra morta

Comércio intra-regional é um dos caminhos para combater a fome na América Latina e no Caribe. Foto: ONU

Sem orçamento e sem monitoramento, as leis de combate à desnutrição na América Latina e Caribe não terão efeito. O alerta vem das Frentes Parlamentares regionais contra a Fome, que se reuniram neste mês (12), na Guatemala. Mais de 30 deputados e senadores de 19 países discutiram medidas para evitar que legislações sobre o tema virem letra morta, sobretudo tendo em vista a meta da ONU para acabar com a malnutrição até 2030.

Para o chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na Guatemala, Diego Recalde, além de criar textos constitucionais, “os órgãos legislativos têm uma grande responsabilidade em monitorar as leis e outras ações dos poderes do Estado, garantindo orçamentos adequados e responsabilização”.

Representando as frentes parlamentares, a senadora mexicana e coordenadora-geral dos organismos, Luisa María Calderón, afirmou que a meta do grupo para 2018 será garantir que países ajam em conformidade com as políticas sobre malnutrição já vigentes em cada país.

FAO capacita consultores legislativos

O secretário-geral do Parlamento latino-americano e caribenho (PARLATINO), Pablo González, lembrou a importância dos consultores legislativos, que auxiliam os representantes eleitos na elaboração de propostas de leis. Com isso, garantem que as novas políticas sejam sustentáveis.

A FAO capacitou recentemente mais de 30 consultores legislativos em temas como investimento responsável para a agricultura e sustentabilidade nos sistemas alimentares.

Engajamento de parlamentares ganha apoio dentro e fora da região

Nos dias 29 e 30 de outubro, será realizada a Primeira Cúpula Mundial Parlamentar contra a Fome e a Malnutrição. O evento acontece na Espanha, onde as 19 Frentes Parlamentares latino-americanas e caribenhas apresentarão seus compromissos e iniciativas na área. A expectativa dos participantes é estimular a criação de organismos similares em outras regiões.

O encontro global terá o suporte da FAO, do PARLATINO, da Cooperação Espanhola e do Parlamento Espanhol. A parceria reafirma o apoio de instituições como a ONU e o Ministério das Relações Exteriores da Espanha às frentes contra a fome. A Agência Brasileira de Cooperação e o Programa Fome Zero na Mesoamérica, do governo do México, também apoiam as entidades parlamentares.

A União Europeia e a Secretaria-Geral Ibero-americana já reconheceram as contribuições dos grupos de deputados e senadores empenhados em erradicar a desnutrição.

Comissão reúne-se em Brasília para monitorar implementação nacional dos objetivos globais

VÍDEO: O que é desenvolvimento sustentável?

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável foi estabelecida pelos países-membros da ONU no fim de 2015. Foto: ONU

A Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), formada por organizações do setor público, privado e da sociedade civil brasileira, e representantes da ONU no Brasil reuniram-se na semana passada (13) em Brasília (DF) para monitorar a implementação dos objetivos globais nacionalmente.

O encontro serviu de preparação para a participação da delegação brasileira no Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável, realizado em Nova Iorque esta semana (de 16 a 18).

Durante o encontro, foi anunciada a criação da Câmara Conjunta Brasil-ONU para o monitoramento dos ODS no país. Participaram do encontro Henrique Villa, secretário-executivo da Comissão Nacional dos ODS; e Niky Fabiancic, coordenador-residente da ONU no Brasil.

Também estiveram presentes o embaixador José Antônio de Carvalho, subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia e Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e negociador brasileiro para as mudanças climáticas; e o diretor do Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Daniel Balaban.

As Nações Unidas no Brasil submeteram oficialmente à Comissão Nacional para os ODS os documentos temáticos para os ODS 6, 7, 11, 12 e 15, que correspondem a água potável e saneamento, energia limpa e acessível, cidades e comunidades sustentáveis, consumo responsável e produção e vida terrestre, respectivamente.

O objetivo desses documentos é servir de subsídio para as discussões da comissão e auxiliar na construção de propostas para a implementação da Agenda 2030.

Durante o Fórum de Alto Nível em Nova Iorque, a Presidente do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), Marie Chatardová, disse que se os países quiserem cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030, precisarão acelerar o progresso em direção a um mundo mais justo. “Há progresso, mas geralmente não a uma velocidade suficiente, para conquistar os ODS até 2030”, disse.

ODS e crescimento econômico

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) organizaram uma série de debates econômicos para discutir os desafios conjunturais e estruturais do Brasil, no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A primeira reunião foi realizada na terça-feira (17), com o tema “Perspectivas e Desafios Atuais e Futuros do Brasil e seu Impacto no Progresso da Agenda 2030”.

Denominados “Debates Econômicos dos ODS”, os eventos são realizados trimestralmente e envolvem altos funcionários de governo (Executivo, Legislativos e empresas públicas relevantes), organizações empresariais e organizações internacionais, bem como economistas da Presidência da República. O diretor Daniel Balaban representou o Centro de Excelência contra a Fome no primeiro debate.

AIEA firma parceria com Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear para treinamento de profissionais

O diretor-geral adjunto e chefe do Departamento de Ciências Nucleares e Aplicações da AIEA (à direita), Aldo Malavasi, e o presidente da Sociedade Brasileira de de Medicina Nuclear (SBMN), Juliano Cerci. Foto: AIEA

O diretor-geral adjunto e chefe do Departamento de Ciências Nucleares e Aplicações da AIEA (à direita), Aldo Malavasi, e o presidente da Sociedade Brasileira de de Medicina Nuclear (SBMN), Juliano Cerci. Foto: AIEA

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) assinou nesta semana (18) um acordo de parceria com a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN) que irá aumentar as oportunidades de treinamento para profissionais de medicina nuclear na América Latina e no Caribe, assim como nos países africanos de língua portuguesa.

Enquanto no passado ambas as organizações trabalharam juntas nas áreas de medicina nuclear e imagens moleculares, o acordo — o primeiro do tipo assinado pela AIEA na América Latina — agora definirá e formalizará essa colaboração.

“O Brasil oferece um pano de fundo ideal para o acordo de parceria, pois o país abriga o maior número de centros de medicina nuclear na região da América Latina e Caribe, com várias instalações de última geração relacionadas a todas as áreas da medicina nuclear”, disse a chefe da seção de Medicina Nuclear e Diagnóstico por Imagem da Divisão de Saúde Humana da AIEA, Diana Paez.

“Também oferece uma excelente variedade de programas de treinamento e uma sólida comunidade de especialistas de alto nível”, salientou.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer e as doenças cardiovasculares, ambas classificadas como doenças não transmissíveis (DNTs), estão entre as principais causas de morte no mundo.

De 56,4 milhões de mortes globais em 2015, 17,7 milhões foram atribuídas a doenças cardiovasculares, enquanto 8,8 milhões ocorreram devido ao câncer. Além disso, o número de pacientes afetados está aumentando devido, em parte, ao aumento do tempo de vida, bem como às mudanças no estilo de vida.

A medicina nuclear desempenha um papel importante no cuidado de tais doenças, desde sua detecção precoce, até a fase de tratamento e, posteriormente, no monitoramento das respostas dos pacientes.

A parceria envolverá a colaboração entre as duas organizações na formação complementar de profissionais de medicina nuclear e de imagens moleculares, e aqueles de disciplinas afins, nos Estados-membros da AIEA.

Da esquerda para a direita, Raul Ramirez Garcia, do Departamento de Cooperação Técnica da AIEA; Enrique Estrada-Lobato, da Divisão de Saúde Humana da AIEA; Juliano Cerci, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN); Aldo Malavasi, vice-presidente diretor geral e chefe do Departamento de Ciências Nucleares e Aplicações da AIEA; e Diana Paez, da Divisão de Saúde Humana da AIEA; após a assinatura de um acordo prático formalizando a parceria. Foto: AIEA/D. Calma

Da esquerda para a direita, Raul Ramirez Garcia, do Departamento de Cooperação Técnica da AIEA; Enrique Estrada-Lobato, da Divisão de Saúde Humana da AIEA; Juliano Cerci, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN); Aldo Malavasi, vice-presidente diretor geral e chefe do Departamento de Ciências Nucleares e Aplicações da AIEA; e Diana Paez, da Divisão de Saúde Humana da AIEA; após a assinatura de um acordo prático formalizando a parceria. Foto: AIEA/D. Calma

Em particular, terá como alvo profissionais da região da América Latina e do Caribe, bem como países africanos de língua portuguesa. Como parte de sua cooperação, a AIEA e a SBMN identificarão centros clínicos ou universidades de alto nível para a formação de profissionais e bolsistas de medicina nuclear.

As organizações também fornecerão conhecimentos especializados e outros apoios relacionados ao treinamento, visando aumentar a capacidade nesse campo. Finalmente, ajudarão na identificação de centros clínicos de alto nível adequados para participação em projetos de pesquisa coordenados pela AIEA.

“O acordo vai construir uma ponte oficial para o caminho da colaboração”, disse Juliano Cerci, presidente da SBMN. “Esperamos fortalecer os campos de pesquisa e aprendizado, mas também questões práticas como regulamentação e educação formal”.

Há mais de 50 anos, a SBMN tem sido uma organização líder no campo da imagiologia molecular e medicina nuclear no Brasil, trabalhando para promover e ampliar o conhecimento, uso e acesso à medicina nuclear no país. Sua missão é promover, apoiar e estimular o progresso, a melhoria e a disseminação da medicina nuclear, bem como ciências e disciplinas relacionadas nos campos científico, ético e econômico.

“A AIEA tem o prazer de formalizar nossa colaboração com a SBMN”, disse o diretor-geral adjunto e chefe do Departamento de Ciências Nucleares e Aplicações da AIEA, Aldo Malavasi.

“Esse acordo prático é o primeiro do tipo na América Latina e no Caribe e reunirá o alcance institucional da AIEA e a expertise da SBMN em medicina nuclear, permitindo melhores oportunidades de treinamento e capacitação em toda a região. A cooperação entre a AIEA e organizações profissionais é essencial para expandir apoio ao trabalho, alcance e impacto da agência.”

Centro da ONU recebe delegação de agência de saúde animal e vegetal da Coreia do Sul

Integrantes da missão junto aos profissionais da PANAFTOSA e do LANAGRO/MG. Foto: PANAFTOSA

Integrantes da missão junto aos profissionais da PANAFTOSA e do LANAGRO/MG. Foto: PANAFTOSA

O Laboratório de Referência do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA) e o Laboratório Nacional Agropecuário (LANAGRO/MG) para febre aftosa receberam em julho (de 10 a 12) uma missão de nove profissionais da Agência de Quarentena Animal e Vegetal (APQA, na sigla em inglês), da Coreia do Sul.

Durante a visita, foram apresentados, para conhecimento dos visitantes, aspectos do Plano Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa (PHEFA) e do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa no Brasil (PNEFA), assim como atividades de erradicação da febre aftosa realizadas pelo Serviço Veterinário Estadual (IMA) em Minas Gerais.

A pesquisadora veterinária da Divisão de Febre Aftosa da agência sul-corana, Ku Bok Kyung, apresentou o programa de controle da doença atualmente implementado no país asiático.

A missão visitou também as instalações do laboratório de biocontenção para febre aftosa. Além disso, foram discutidos assuntos relacionados à cooperação técnica entre as instituições para o desenvolvimento e validação de kits para diagnóstico rápido de doenças vesiculares.

Pacto Global da ONU lança relatório de iniciativas das redes locais

Sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Foto: ONU/Manuel Elias

Sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Foto: ONU/Manuel Elias

O Pacto Global da ONU divulgou nesta semana (18) um documento que compila as ações desenvolvidas pelas redes locais em todo o mundo para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A Rede Brasil foi destaque em sessões sobre estratégias ODS, programas anticorrupção e erradicação do trabalho forçado. A publicação “Acelerando a implementação nacional dos ODS – edição 2018“, já disponível digitalmente em inglês, foi lançada durante as atividades do SDG Business Forum, que ocorreu em paralelo ao Fórum Político de Alto Nível da ONU finalizado nesta quarta-feira (18) em Nova Iorque.

Desde setembro de 2015, a Rede Brasil criou um grupo de trabalho focado na estratégias ODS e adotou uma metodologia própria para implementar o SDG Compass, um guia de implementação dos ODS para empresas. Assim, a iniciativa local ajuda empresas a captar oportunidades de negócios ligados aos objetivos globais.

Essa foi uma das ações apontadas pela publicação, que ressaltou as 20 atividades de capacitação e 400 empresas engajadas em um período de um ano. O Pacto Global da ONU também deu destaque à publicação “Integração dos ODS na Estratégia Empresarial“, com contribuições do Comitê Brasileiro do Pacto Global (CBPG) para a Agenda 2030.

Quando reportadas as ações coletivas contra a corrupção e de combate ao trabalho forçado e infantil, a Rede Brasil também foi mencionada. Diante de denúncias de corrupção na construção civil, a iniciativa brasileira identificou uma oportunidade de engajar as quatro maiores companhias do setor em um diálogo para identificar e disseminar boas práticas. O processo resultou na cartilha “Integridade no Setor de Construção – Discutindo Dilemas e Propondo Soluções no Mercado“.

Nas atividades da América Latina para a erradicação do trabalho forçado e infantil, o Brasil foi mencionado como um país cuja rede local coordenou atividades junto à Organização Internacional do Trabalho (OIT) para conscientizar o empresariado sobre esse crime em suas cadeias de fornecedores e parceiros comerciais.

Violência étnica já deslocou 150 mil pessoas desde abril na RD Congo

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No nordeste da República Democrática do Congo, a região de Tchomia transformou-se no palco de mais uma crise de deslocamento forçado, provocada pela violência étnica. O local fica na rota para Uganda e, por isso, virou caminho para os congoleses que precisaram fugir para o país vizinho. Mas ao decidir voltar para seu território de origem, esses refugiados descobriram que os confrontos continuavam.

Desde abril, cerca de 150 mil congoleses voltaram a Tchomia, na província de Ituri. A jovem Esta, de 18 anos, teve fugir de Nizi, sua aldeia natal. Com o marido e os dois filhos pequenos, passou por Tchomia a caminho de Kondo, em Uganda. Eles retornaram a terras congolesas, mas não puderam regressar para a cidade de Esta.

“Gostaríamos de voltar a Nizi, mas apenas quando a paz for totalmente restaurada”, afirma a ex-refugiada. “Não temos uma casa para onde voltar e também não há como alugar.”

Desde dezembro do ano passado, 350 mil pessoas tiveram de deixar seus lares e comunidades na República Democrática do Congo. “Eu costumava coletar madeira e transformar em carvão para a venda”, conta Pascaline, de 59 anos, que deixou o vilarejo de Dese com seus quatro netos em fevereiro.

“Mas eu não teria coragem de trabalhar no campo agora. As pessoas estão sendo esquartejadas em pedaços.”

Pascaline agora vive num campo de deslocados internos em Bunia, a capital de Ituri. “A vida é difícil aqui em Bunia. Às vezes recebemos apenas metade das porções de alimentos. Eu fico muito doente e as crianças também.”

Pela primeira vez em meses, funcionários da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) puderam visitar algumas das áreas por onde as pessoas estão retornando.

“Nossa equipe ouviu numerosos e angustiantes relatos de violência truculenta, incluindo grupos armados atacando civis com armas, flechas e facões, aldeias inteiras dizimadas, fazendas e lojas sendo saqueadas e permanentemente destruídas”, disse na semana passada (13) o porta-voz do organismo internacional, Charlie Yaxley.

Os profissionais do ACNUR relataram que os desafios humanitários eram enormes. Hospitais, escolas e outras infraestruturas tinham sido destruídas. Outra preocupação é o número de crianças que sofrem de desnutrição aguda grave e que necessitam de cuidados médicos urgentes.

Betso, de 70 anos, também vive num dos abrigados improvisados ​​de Bunia com sua esposa e sete filhos. “Há oito de nós espremidos nesta pequena tenda”, conta.

“Estamos dormindo no chão porque não temos colchões. Fica tão frio à noite. Nós não sabemos onde colocar nossos filhos, eles só podem dormir em um pedaço de tecido na tenda. Eu gostaria de voltar, mas onde iríamos morar? Nós literalmente não teríamos teto sobre nossas cabeças. E comer o quê? Não temos mais acesso aos campos. Eu costumava vender óleo no mercado, mas minha loja foi saqueada.”

O ACNUR está fornecendo abrigos de emergência para substituir casas que foram danificadas ou destruídas, mas a falta de fundos dificulta o fornecimento de assistência. A operação da agência recebeu apenas 17% dos 201 milhões de dólares solicitados à comunidade internacional para ajudar a República Democrática do Congo.

“Estou apenas esperando um sinal positivo para retornar”, completa Pascaline. “Eles estão registrando as famílias interessadas em retornar e pode ser que recebamos assistência.”