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ONU: América Latina e Caribe despejam 30% de seu lixo em locais inadequados

Foto: Flickr/João Guilherme de Carvalho (Creative Commons)

Foto: Flickr/João Guilherme de Carvalho (Creative Commons)

A geração diária de resíduos sólidos urbanos nos países da América Latina e do Caribe atingiu cerca de 540 mil toneladas, e a expectativa é de que, até 2050, o lixo gerado na região alcançará 671 mil toneladas por dia. É o que revelam dados apresentados pela ONU Meio Ambiente em evento realizado esta semana (21) pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), em São Paulo.

O levantamento, que faz parte do Atlas de Resíduos da América Latina, relatório da ONU Meio Ambiente que será lançado em breve, mostra que, em média, a cobertura da coleta na região da América Latina e Caribe supera 90%, mas pode variar de acordo com o país, e diminui sensivelmente nas periferias e áreas rurais.

De acordo com Jordi Pon, coordenador regional de resíduos e químicos da ONU Meio Ambiente e coordenador do estudo, “a região tem apresentado vários avanços na gestão de resíduos sólidos, porém, em relação à disposição final, ainda existe um déficit considerável, com mais de 145 mil toneladas de lixo, cerca de 30% do total, destinados para locais inadequados diariamente.

O tema da poluição, incluindo a causada pelos resíduos, faz parte de uma agenda mundial e é o principal tópico da Terceira Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, que acontecerá em Nairóbi, no Quênia, de 4 a 6 de dezembro. Como fórum decisório mundial de mais alto nível sobre questões ambientais, a assembleia reunirá governos, líderes empresariais, sociedade civil e outras partes interessadas em compartilhar ideias e se comprometer com ações contra a poluição.

Na ocasião, o novo relatório “Rumo a um planeta sem poluição“, do diretor-executivo da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim, que traz um panorama atual de todos os continentes, permitirá examinar o que sabemos sobre a poluição e delinear elementos-chave de um quadro abrangente de ações para combatê-la.

Evento foi organizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), em São Paulo. Foto: ONU Meio Ambiente

Evento foi organizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), em São Paulo. Foto: ONU Meio Ambiente

“Os dados apresentados pela ONU Meio Ambiente mostram que, mesmo com algumas melhorias alcançadas nos últimos anos, cerca de 170 milhões de pessoas ainda estão expostas às consequências desse problema em decorrência dos graves impactos causados ao meio ambiente (solo, ar e água) e à saúde da população”, disse Carlos Silva Filho, diretor-presidente da ABRELPE e membro do Comitê Diretivo do Atlas de Resíduos.

Na apresentação dos dados, Jordi Pon também destacou que o relatório faz uma análise sobre a composição dos resíduos sólidos urbanos. A fração orgânica, por exemplo, representa mais da metade de todo resíduo descartado nas cidades latino-americanas, índice que varia bastante de acordo com a renda do país. “Enquanto em países de baixa renda, 75% do lixo descartado é proveniente de matéria orgânica, em países com renda mais elevada esse índice é de 36%”, comentou Pon.

As informações apresentadas mostram ainda que é comum encontrar resíduos perigosos no lixo doméstico, como baterias, equipamentos elétricos e eletrônicos, remédios vencidos, entre outros. Já a fração restante é composta pelos chamados resíduos secos, como metais, papéis, papelão, plásticos, vidro e têxteis. De modo geral, as iniciativas de reciclagem atingem o índice de 20% em determinadas regiões da América Latina, em grande parte graças à contribuição do setor informal.

Pon também observa que praticamente todos os países da região contam com disposições e normas legais para serem cumpridas pelos geradores e manipuladores de resíduos, bem como penalidades por descumprimento, mas o quadro institucional é fraco. “Isso cria um vácuo de responsabilidades governamentais, com poucas ações de acompanhamento e monitoramento, resultando, entre outras coisas, em uma aplicação deficiente da lei tanto no setor público quanto no privado”, explicou o coordenador da ONU Meio Ambiente.

Outro tópico abordado pelo estudo diz respeito aos níveis de investimento público e privado em gestão de resíduos, apontando que os mesmos não são suficientes para financiar a infraestrutura necessária para mitigar as principais deficiências, como ampliação da cobertura de coleta, baixas taxas de reciclagem e disposição final inadequada.

“O estudo mostra que o financiamento é uma questão fundamental para a melhoria e sustentabilidade dos mecanismos de gestão de resíduos, especialmente na América Latina e no Caribe, onde os modelos financiados por recursos municipais prevalecem e, em muitos casos, os custos dos serviços não são recuperados em sua totalidade”, disse Carlos Silva Filho, concluindo que “ainda não há uma consciência clara do fato de que o custo econômico dos impactos negativos causados pela gestão inadequada dos resíduos (o custo da inação) é maior do que o custo de investimento em um sistema adequado”.

Os dados apresentados fazem parte de um projeto da ONU Meio Ambiente, originado a partir do lançamento do Altas Global de Gestão de Resíduos em 2016, e incluem relatórios sobre a situação dos resíduos sólidos na América Latina e Caribe, Ásia, Ásia Central, África, Regiões Montanhosas e Pequenas Ilhas-estado (SIDS).

Região da América Latina e do Caribe é a mais violenta do mundo para as mulheres, diz ONU

Participantes de ato unificado pelo fim da violência contra a mulher, realizado em São Paulo. Foto: Flickr CC/Mídia Ninja

Participantes de ato unificado pelo fim da violência contra a mulher, realizado em São Paulo. Foto: Flickr CC/Mídia Ninja

Na América Latina e no Caribe, o número de países com políticas nacionais de proteção às mulheres aumentou de 24 em 2013 (74% do total) para 31 em 2016 (94%). No entanto, a região continua sendo a mais violenta do mundo para as mulheres, cenário de partida de um novo relatório sobre o tema produzido por Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e ONU Mulheres, lançado nesta quarta-feira (22) no Parlamento Latino-Americano (Parlatino) com mais de 120 legisladores.

O relatório “Do compromisso à ação: políticas para erradicar a violência contra as mulheres na América Latina e no Caribe” afirma que, apesar de a região ter avançado nos marcos normativos que reconhecem a violência contra as mulheres como um fenômeno social que afeta além das mulheres, suas famílias, comunidades, prejudica o desenvolvimento sustentável e a proteção dos direitos humanos, o problema persiste.

Mesmo diante dos notáveis avanços nos planos de ação nacionais, a região tem as mais altas taxas de violência contra a mulher fora do casamento e a segunda mais alta dentro dele, segundo dados do Observatório sobre Igualdade de Gênero na América Latina e no Caribe, citado no relatório.

O estudo alerta que o número de feminicídios está aumentando, e dois em cada cinco são resultado da violência doméstica. Além disso, cerca de 30% das mulheres foram vítimas de violência por parte de parceiros, e 10,7% sofreram violência sexual fora do casamento, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para enfrentar o problema, o relatório recomenda abordar os problemas de proteção das mulheres em um nível político mais alto, com mais investimentos, enfoque integral e uma maior cooperação para erradicar a violência contra as mulheres e meninas na América Latina e no Caribe.

O estudo também compila as melhores práticas para a erradicação da violência contra a mulher, identifica temas críticos e propõe ações-chave para obter avanços qualitativos e para superar esse flagelo social de proporções epidêmicas na região.

“É muito importante ver o enfoque da violência contra as mulheres como um fator catalizador para a conquista dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2030 em seu conjunto. Além disso, é essencial para a conquista da paz, da produtividade econômica, dos direitos, da justiça e da coesão social”, disse Richard Barathe, diretor do centro regional do PNUD para América Latina e Caribe.

“Esse relatório destaca vários pontos de grande importância: a necessidade de destinar mais recursos, estruturar a resposta e articular melhor o trabalho entre os diferentes atores. Além disso, devemos trabalhar para melhorar a compilação e medição de dados que registram a violência contra mulheres na região”, disse Luiza Carvalho, diretora-regional da ONU Mulheres para América Latina e Caribe.

O documento pede pactos sociais entre os governos, o setor privado e a sociedade civil para envolver todos os atores relevantes; a criação de planos nacionais no nível local e políticas com um enfoque multidimensional; o fortalecimento das ações de reparação às vítimas, especialmente aquelas focadas em seu empoderamento econômico; e o trabalho com os homens, especialmente os jovens, no sentido somá-los como aliados na luta para acabar com a violência contra as mulheres.

O relatório é lançado como parte da campanha “UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres”, que reúne vários organismos das Nações Unidas.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês e espanhol).

Refugiada congolesa participa de disputa no The Voice Brasil

Isabel (centro) se apresenta com o Coral Somos Iguais, ao lado de outras jovens em situação de refúgio no Brasil. Foto: Bruna Treme.

Isabel (centro) se apresenta com o Coral Somos Iguais, ao lado de outras jovens em situação de refúgio no Brasil. Foto: Bruna Treme.

Forçada a deixar a República Democrática do Congo (RDC) com sua família em 2015 devido à guerra, Isabel Antonio, de 16 anos, nunca imaginou que seria a primeira solicitante de refúgio no país a fazer parte de um dos maiores shows de talentos musicais do mundo. Atualmente, ela disputa as etapas finais do The Voice Brasil com o apoio de seu técnico, Carlinhos Brown.

Quem acompanha o programa, exibido pela Rede Globo, reconhece o potencial de Isabel. Com sua voz doce, ela conectou todos à sua história. Na última apresentação, Isabel mais uma vez marcou presença ao cantar “Heal the World”, de Michael Jackson. Segundo ela, essa música representa paz, uma mensagem de um mundo melhor, uma possibilidade de pôr fim aos conflitos, preconceitos e males do planeta.

Dois anos atrás, Isabel, ao lado de sua irmã mais nova, perderam-se de seus pais na trajetória de fuga da violência. Com a ajuda de missionárias que estavam no país, ela e sua irmã chegaram a São Paulo. Os pais foram localizados posteriormente e a família passou a estar completa novamente.

Devido aos conflitos que a RDC enfrenta, Isabel diz querer voltar ao país apenas como turista. De acordo com dados recentes da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), já são mais de 495 mil refugiados congoleses que se concentram em países como Uganda, Ruanda, Tanzânia, Burundi e Quênia,

Foi no Brasil que o potencial e talento musical de Isabel floresceram. No abrigo em que vivia em São Paulo, ela costumava conversar com suas amigas sobre cantores quando então conheceu o coral “Somos Iguais”. O grupo, apoiado pelo ACNUR, é coordenado por Daniela Guimarães e conta com a orientação do maestro João Carlos Martins.

A participação de Isabel no coral foi essencial para que ela fosse aceita no The Voice Brasil. O projeto ficou conhecido em 2016 quando as crianças se apresentaram para o Especial de Natal do Programa Fantástico, também da Rede Globo. Depois disso, cinco crianças foram selecionadas para realizar um teste para o The Voice Brasil e, ao final, Isabel foi a única selecionada.

Isabel descobriu que sua voz pode ser uma forma de conscientizar as pessoas sobre a causa do refúgio, mostrando que refugiados também têm sonhos, necessidades e habilidades como qualquer pessoa. Para ela, a experiência proporcionada pelo coral foi fundamental para atingir o objetivo de avançar no programa e também de se integrar no Brasil.

“Com a música, quero transmitir uma mensagem boa, que toque nos corações das pessoas. Quero que vejam que pessoas refugiadas possuem necessidades, como estudar, mas que nem sempre temos oportunidades. Devemos dividir o que temos”, disse ela.

Isabel contou que, no começo, sua adaptação ao Brasil foi difícil. Ela disse ter enfrentado preconceito e, já participando do coral, conheceu pessoas que a apoiaram e a fizeram se sentir parte da comunidade.

Para Daniela Guimarães, a participação da Isabel no programa é, sobretudo, uma porta que se abre a todas as crianças refugiadas do mundo.

“Como idealizadora do coral, estou muito emocionada com a oportunidade que a Isabel teve. Independentemente do resultado, acho que ela está representando as vozes das crianças do coral, que de alguma forma busca representar em suas mensagens todas as crianças refugiadas que estão espalhadas pelo mundo”, disse Daniela.

O coral “Somos Iguais” é composto por crianças da Angola, da República Democrática do Congo e da Síria. Entre os ensaios de músicas eruditas e clássicas, essas vozes representam vidas e sonhos de milhões de refugiados no mundo. Todos os sábados, cerca de 25 crianças se juntam a Daniela para ensaiar.

Em reunião na FIESP, adolescentes pedem que empresas garantam direitos da infância

Sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Foto: Arte Fora do Museu/Wikimedia Commons (CC)

Sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Foto: Arte Fora do Museu/Wikimedia Commons (CC)

Duas adolescentes da zona leste de São Paulo preparam-se para quebrar a rotina de uma das mais importantes reuniões que acontecem no décimo quarto andar da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) nesta quarta-feira (22).

Kaylane Oliveira, de 15 anos, e Andressa Santos Monteiro, de 14, assumirão o lugar do presidente Paulo Skaf para conversar com cerca de 30 integrantes do Conselho Superior Estratégico da FIESP sobre a importância das empresas na garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes.

“Vai ser um momento incrível, porque geralmente os adultos têm medo de ouvir os jovens. Eles sempre acham que pode sair alguma besteira. Mas a gente tem muito a dizer, e pode ajudar a melhorar as coisas”, disse Kaylane.

A atividade faz parte das celebrações do Dia Mundial da Criança, comemorado em 20 de novembro em todo o mundo, e que no Brasil estende-se por toda a semana.

Batizada no Brasil de #CriançasNoControle, a iniciativa soma-se à estratégia global do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que acontece em vários países e envolve artistas, políticos, atletas, entre outras personalidades, e tem o objetivo de chamar a atenção da sociedade sobre a importância da participação de crianças e adolescentes nas decisões que afetam sua vida.

Em São Paulo, as adolescentes se somarão a outros meninos e meninas e terão a oportunidade de debater sobre os direitos da infância e adolescência com o prefeito João Doria e os secretários municipais de Direitos Humanos, Assistência Social, Saúde e Educação, na quinta-feira (23).

“Serão dias divertidos, de crianças e adolescentes para crianças e adolescente, mas com um propósito bastante sério. São dias que marcam a importância de dar voz a meninos e meninas e garantir que eles sejam protagonistas nas decisões que afetam a sua vida”, explicou Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil.

O grupo de adolescentes que participa das atividades em São Paulo é atendido pelo serviço de proteção básica da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, por meio de convênio com a Obra Social Dom Bosco.

Sobre o Dia Mundial da Criança

Em 1954, a ONU escolheu 20 de novembro como o Dia Mundial da Criança das Nações Unidas, em um esforço para colocar luz sobre os problemas enfrentados por meninas e meninos em diferentes partes do mundo.

Exatamente 35 anos depois, no dia 20 de novembro de 1989, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Convenção sobre os Direitos da Criança, que se tornou o tratado de direitos humanos mais amplamente ratificado na história mundial.

A Convenção tem sido um instrumento fundamental para colocar as crianças – e a garantia de seus direitos – no centro da agenda global de direitos humanos e das pautas de desenvolvimento nacionais.

A partir de 2017, o UNICEF quer fortalecer o dia 20 de novembro, criando um momento único “para crianças, feito por crianças”.

A proposta é aproveitar a data para aumentar a consciência global sobre os desafios da infância e dar a todas as crianças do mundo a oportunidade de se expressar – falar sobre suas preocupações e expor suas ideias, como agentes de mudança, mobilizando novos apoiadores para a causa da infância e para o trabalho do UNICEF no mundo.

No Rio, último comandante da MINUSTAH fala sobre experiência brasileira no Haiti

General Ajax Porto Pinheiro em Porto Príncipe, no Haiti. Foto: MINUSTAH/Igor Rugwiza

General Ajax Porto Pinheiro em Porto Príncipe, no Haiti. Foto: MINUSTAH/Igor Rugwiza

O Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil (UNIC Rio) recebe nesta quinta-feira (23) o último comandante da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), o general Ajax Porto Pinheiro. No encontro, realizado em conjunto com o Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica (IRI-PUC Rio), o Instituto Igarapé e o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), o oficial falará sobre a experiência das tropas brasileiras na ilha caribenha. O evento é aberto à imprensa.

Os 13 anos das tropas brasileiras no Haiti foram repletos de desafios: o combate às gangues de rua do país; graves questões de segurança; emergências humanitárias provocadas por desastres naturais, como furacões e o terremoto de 2010; e três eleições presidenciais.

A Missão foi criada em 30 de abril de 2004 pela Resolução 1542 do Conselho de Segurança da ONU e contou com a atuação de 37,5 mil militares brasileiros. A MINUSTAH foi substituída pela Missão das Nações Unidas para o Apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH, na sigla em francês), que irá apoiar os esforços governamentais de fortalecimento das instituições, no desenvolvimento da Polícia Nacional e no monitoramento, relato e análise da situação dos direitos humanos.

Serviço:
Dia 23 de novembro – 11h
Av. Marechal Floriano, 196 – Palácio Itamaraty – Auditório do UNIC Rio
Credenciamento de imprensa: unic.brazil@unic.org
Informações para a imprensa: (21) 2253.2211 – Roberta Caldo

Compra e venda de migrantes africanos na Líbia revolta comunidade internacional

Migrantes detidos na cidade de Zawiya, na Líbia. Foto: IRIN/Mathieu Galtier

Migrantes detidos na cidade de Zawiya, na Líbia. Foto: IRIN/Mathieu Galtier

Após a divulgação de reportagens e imagens de migrantes africanos sendo vendidos como escravos, na Líbia, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou indignação, na última segunda-feira (20), e solicitou às autoridades que investiguem urgentemente a situação – e levem os responsáveis à justiça.

“A escravidão não tem lugar no mundo. O acontecido na Líbia representa um dos abusos aos direitos humanos mais revoltantes e pode ser considerado um crime contra a humanidade”, disse Guterres aos jornalistas durante coletiva de imprensa na sede da ONU em Nova Iorque.

Guterres informou que todos os agentes da ONU relevantes no assunto foram contatados para investigar o assunto.

Nesta semana, uma rede de televisão estadunidense levou ao ar uma reportagem que mostra imagens gravadas de migrantes africanos sendo vendidos como escravos em um leilão na Líbia. As denúncias de leilões em pelo menos nove cidades líbias foram levadas à Organização Internacional para as Migrações das Nações Unidas (OIM).

O secretário-geral solicitou a todos os países que adotem e apliquem a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, além do protocolo sobre tráfico de pessoas, e pediu à comunidade internacional que se una para lutar contra este mal.

Além disso, ele também solicitou que as instituições competentes abordem a questão dos fluxos migratórios de maneira compreensiva e humana – incluindo por meio da cooperação para o desenvolvimento entre os Estados para atacar as raízes do problema.

Um aumento significativo de oportunidades para a migração legal, o fortalecimento da cooperação internacional para a punição de contrabandistas e traficantes e a proteção dos direitos das vítimas são fatores essenciais, segundo Guterres.

O Protocolo contra o Contrabando de Migrantes por via Terrestre, Marítima e Aérea, que complementa a Convenção, foi adotado pela Assembleia Geral da ONU em novembro de 2000, e entrou em vigor em janeiro de 2004.

O Protocolo constitui um documento legal importante que visa a prevenção e o combate ao contrabando de migrantes, como também a promoção da cooperação entre os países-membros, protegendo os direitos de migrantes contrabandeados.

ONU ilumina cartões-postais brasileiros em campanha pelo fim da violência contra mulheres

Cristo Redentor no Rio de Janeiro será iluminado de laranja no próximo 25 de novembro. Foto: UNIC Rio/Célio Durães

Cristo Redentor no Rio de Janeiro será iluminado de laranja no próximo 25 de novembro. Foto: UNIC Rio/Célio Durães

Cristo Redentor, Elevador Lacerda e Palácio Buriti – cartões-postais do Brasil – se somam à iluminação laranja da campanha global dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Pelo quarto ano consecutivo, a iluminação deixa as marcas em diferentes pontos do mundo em favor dos direitos de mulheres e meninas viverem sem violência. Em 2016, 105 países participaram da ação, coordenada pela ONU Mulheres no âmbito da campanha do secretário-geral da ONU UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres.

Neste ano, a mobilização adotou o lema “Não deixar ninguém para trás: acabar com a violência contra as mulheres e meninas”, em referência aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “A essência do tema de hoje ‘Não deixar ninguém para trás’ é que ninguém deve ser deixada de fora. Isso significa ter mulheres e meninas em pé de igualdade e incluí-las em todos os assuntos que as preocupam e projetar soluções para acabar com a violência junto com aquelas pessoas anteriormente omitidas, relegadas ou marginalizadas. Como comunidade global, podemos acabar com a violência contra mulheres e meninas, transformar instituições e unir os esforços para erradicar a discriminação, restaurar os direitos humanos e a dignidade e não deixar ninguém para trás”, afirma Phumzile Mlambo-Ngcuka, secretária-adjunta da ONU e diretora-executiva da ONU Mulheres.

No Brasil, a mobilização começou na segunda-feira (20/11), Dia da Consciência Negra, o que amplia a campanha dos 16 Dias para o período de 20 de novembro a 10 de dezembro. “A antecipação do Brasil ocorreu por iniciativa da sociedade civil, para destacar o racismo como violência na vida das mulheres negras, ampliando a violação dos seus direitos humanos. Ao levar a cor laranja para as cidades, queremos provocar o debate sobre a violência de gênero, buscar formas de prevenção e incentivar mobilizações locais em favor dos direitos das mulheres e meninas”, considera Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.

Nadine explica a simbologia da cor laranja como referência ao fim da violência de gênero. “A cor laranja é vibrante e otimista e representa um futuro livre de violência. Foi adotada como um símbolo da campanha do secretário-geral das Nações Unidas UNA-SE Pelo Fim da Violência contra as Mulheres e da estratégia do Dia Laranja, celebrado no dia 25 de cada mês. Acabar com a violência contra as mulheres é responsabilidade de todas as pessoas e requer engajamento pessoal, comunitário e político”, completa Nadine Gasman.

Prédios icônicos – Edifícios e monumentos emblemáticos são iluminados de laranja – cor representativa da mobilização pelo fim da violência de gênero – para incentivar cidadãs e cidadãos do mundo a participar em marchas e concentrações, em shows e festivais públicos durante os 16 Dias de Ativismo.

No Brasil, o Cristo Redentor, uma das sete maravilhas do Mundo Moderno, o Elevador Lacerda e o Palácio Buriti, sede do governo do Distrito Federal, farão parte da simbologia em 25 de novembro – Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.

No mundo, estão programadas as iluminações do Fortune Financial Centre, em Pequim (China); dos parlamentos de Bangladesh, Libéria e Marrocos; do Palácio de Belas Artes, na Cidade do México (México); dos monumentos de Gaziantep (Turquia); da prefeitura de Bogotá (Colômbia); do Teatro Nacional de Argel (Argélia) e da Montanha da Mesa, na Cidade do Cabo (África do Sul).

Lançamento de novos dados e relatório da Pesquisa de Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher
Data: 23 de novembro de 2017
Horário: das 14h às 17h
Participantes: Nadine Gasman (representante da ONU Mulheres Brasil); Maria da Penha Maia Fernandes, fundadora do Instituto Maria da Penha; Fátima Pelaes, secretária especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República; José Raimundo, coordenador da pesquisa pela CAEN-UFC; e Daniela Grelin, gerente sênior do Instituto Avon.
Local: Casa da ONU (Casa das Nações Unidas no Brasil – Complexo Sergio Vieira de Mello | Módulo I ) – Brasília/DF

Iluminação do Elevador Lacerda (adesão à campanha global Pinte o Mundo de Laranja pelo Fim da Violência contra as Mulheres)
Data: 25 de novembro de 2017
Horário: à noite
Local: Praça Municipal, s/n – Centro Histórico – Salvador/BA


Iluminação do Cristo Redentor
(adesão à campanha global Pinte o Mundo de Laranja pelo Fim da Violência contra as Mulheres)
Data: 25 de novembro de 2017
Horário: das 19h30 às 20h30
Local: Rua Cosme Velho, 513 -Parque Nacional da Tijuca – Rio de Janeiro/RJ

Iluminação do Palácio Buriti
(adesão à campanha global Pinte o Mundo de Laranja pelo Fim da Violência contra as Mulheres)
Data: 24 de novembro de 2017
Horário: a partir das 20h
Local: Zona Cívico-Administrativa – Praça do Buriti – Brasília/DF

Assessoria de Comunicação da ONU Mulheres Brasil
Isabel Clavelin – 61 3038 9140 | 98175 6315
isabel.clavelin@unwomen.org

OIT: desemprego entre jovens brasileiros deve atingir 30% em 2017, maior taxa desde 1991

Desemprego entre jovens no Brasil tem maior taxa em 27 anos, diz OIT. Foto: EBC

Desemprego entre jovens no Brasil tem maior taxa em 27 anos, diz OIT. Foto: EBC

A região da América Latina e Caribe deve registrar o maior aumento das taxas de desemprego entre jovens no mundo, segundo relatório divulgado na segunda-feira (20) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A taxa de desemprego jovem latino-americana e caribenha deve subir quase 1 ponto percentual entre 2016 e 2017, para 19,6%, maior nível desde 2004 e bem acima do índice de 14,5% registrado em 2013. Isso significa que mais 500 mil jovens ficarão desempregados na região este ano.

Em 2018, a previsão é de que a taxa de desemprego juvenil nos países latino-americanos e caribenhos permaneça estável.

As perspectivas regionais para este ano estão sendo negativamente afetadas pelo fraco desempenho econômico do Brasil, onde a taxa de desemprego entre jovens deve atingir 30%, o maior índice desde 1991, segundo o documento “Tendências Globais de Emprego para a Juventude 2017”.

O desempenho ruim no Brasil será apenas parcialmente compensado pela expectativa de queda das taxas de desemprego juvenil na Argentina e no México, de acordo com a OIT.

Os índices brasileiros e latino-americanos de desemprego entre jovens estão acima das taxas globais. Enquanto em 2016 a taxa global de desemprego juvenil ficou estável em 13%, a expectativa é que ela aumente levemente para 13,1% este ano.

Clique aqui para acessar o relatório completo.

Atriz norte-americana Kristin Davis pede ação urgente por crianças rohingya em Bangladesh

Embaixadora da Boa Vontade do ACNUR, Kristin Davis dialoga com refugiados rohingya em Bangladesh. Foto: ACNUR/Andy Hall

Embaixadora da Boa Vontade do ACNUR, Kristin Davis dialoga com refugiados rohingya em Bangladesh. Foto: ACNUR/Andy Hall

No marco do Dia Mundial da Criança, a atriz norte-americana e Embaixadora da Boa Vontade da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Kristin Davis, pediu na segunda-feira (20) atenção global e recursos financeiros para aumentar a ajuda humanitária a crianças refugiadas rohingya em Bangladesh.

“Para mim, a parte mais chocante da crise de refugiados rohingya é o número de crianças que tiveram que abandonar suas casas. Mais da metade dos refugiados no campo são crianças. Algumas perderam um ou ambos pais e estão sozinhas”, disse Kristin em conversa com o ACNUR após visita ao campo de refugiados de Kutupalong, em Bangladesh.

“Elas precisam de tudo, incluindo as coisas mais básicas como abrigo, água e alimento. Não consigo imaginar passar pelo que essas crianças e suas famílias passaram, muito menos com a força, a resiliência e a bravura extraordinária que elas possuem”, completou.

A atriz lembrou que esta é a crise de refugiados que cresce mais rapidamente no mundo. “Mas há esperança. Testemunhei que o ACNUR, junto com o governo de Bangladesh e seus parceiros, estão trabalhando 24 horas por dia para garantir que os refugiados estejam seguros, abrigados e protegidos”, disse.

A agência da ONU está fornecendo serviços e assistência essenciais para essa população, incluindo água limpa, abrigo, cobertores, conjuntos de cozinha, lonas e utensílios para os locais mais remotos. “Mas há muito mais a ser feito e mais apoio internacional é desesperadamente necessário”, declarou a atriz.

“O fato é que com mais financiamento, mais doações, vidas serão salvas. Governos, setor público e privado, empresas, todos nós precisamos fazer o que podemos para ajudar e doar agora para apoiar os refugiados rohingya”, acrescentou Kristin.

Os rohingya são uma minoria apátrida que vive em Mianmar. Desde que a violência eclodiu em agosto deste ano no estado de Rakhine, mais de 600 mil pessoas foram forçadas a se deslocar para Bangladesh.

O ACNUR precisa arrecadar 83,7 milhões de dólares para responder às necessidades humanitárias em Bangladesh até o final de fevereiro de 2018, a fim de atender as necessidades urgentes de crianças, mulheres e homens que deixaram o conflito. Atualmente, o ACNUR conta com menos da metade desta quantia.

Você pode ajudar os refugiados Rohingya, fazendo doações financeiras por este link: https://goo.gl/GyvGah

OIT pede que mundo ‘envie trabalho infantil para lixeira da história’

Criança trabalha em uma fábrica na Indonésia. Foto: OIT/Asrian Mirza

Criança trabalha em uma fábrica na Indonésia. Foto: OIT/Asrian Mirza

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) pediu mais ações para “enviar o trabalho infantil para a lixeira da história”, em um relatório divulgado para coincidir com a IV Conferência Global sobre a Erradicação Sustentada do Trabalho Infantil, realizada em Buenos Aires na semana passada.

A ONU News conversou com o chefe da agência da ONU em Nova Iorque, Vinícius Pinheiro, que lembrou as últimas estimativas da OIT: em 2016 cerca de 152 milhões de crianças, com idades entre 5 e 17, foram vítimas da prática no mundo.

Quase metade realiza essas atividades de forma perigosa, em condições insalubres.

“É importante ressaltar que o trabalho infantil é ilegal e priva crianças e adolescentes de uma infância normal, impedindo-os, por exemplo, de frequentar a escolar, de estudar normalmente, de desenvolver de uma maneira saudável todas as suas habilidades. O trabalho infantil é uma grave violação dos direitos humanos. É por isso que a OIT tem trabalhado junto com os países e os parceiros, os sindicatos e os empregadores, para erradicar o trabalho infantil”, destacou.

Pinheiro ressaltou que o setor que mais concentra o trabalho infantil é a agricultura, com 71%, seguido do setor de serviços com 17% e o industrial com 12%.

Pinheiro falou ainda sobre os números do trabalho infantil no Brasil. Ele citou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2015 que mostram que ainda há cerca de 2,7 milhões de crianças em situação de trabalho infantil, mas que há uma tendência de redução.

“Entre 1992 e 2015, 5,7 milhões de crianças deixaram de trabalhar no país, o que significou uma redução de 68%. Mas o importante é que, se o Brasil e o resto do mundo quiserem realmente atingir a meta que foi colocada na Agenda 2030, que é de erradicação do trabalho infantil até 2025, todos esses esforços têm que ser redobrados, porque no padrão atual de redução não vamos conseguir atingir a meta. Então, o chamado da OIT nessa conferência em Buenos Aires é precisamente para reforçar os esforços para a erradicação do trabalho infantil”, acrescentou.

Vinícius Pinheiro citou algumas medidas para acabar com o trabalho infantil até 2025, citando investimento em mudanças legais e institucionais e também em trabalhos decentes para as famílias, acesso à proteção social e à educação de qualidade.

Acesse o documento da OIT clicando aqui.