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Desafio de inovação na Campus Party Brasília promove inclusão de refugiados no mercado de trabalho

Três projetos para conectar refugiados com empregadores foram apresentados na Campus Party Brasília. Foto: Victoria Hugueney/ACNUR

Três projetos para conectar refugiados com empregadores foram apresentados na Campus Party Brasília. Foto: Victoria Hugueney/ACNUR

Estudantes, desenvolvedores e programadores de software se reuniram, durante a Campus Party Brasília, entre os dias 15 e 16 deste mês para o ‘Datathon’, desafio para gerar dados que possam conectar refugiados que vivem no Brasil com empregadores.

Promovido pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o desafio reuniu três equipes que, ao longo de 24 horas, trabalharam para fortalecer a inserção de pessoas em situação de refúgio no mercado de trabalho nacional, por meio de inovações tecnológicas.

Durante o Datathon, as equipes foram incentivadas a também promover, de acordo com seus conhecimentos e habilidades, a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 8 – “Trabalho decente e crescimento econômico”. No fim do desafio, três projetos foram apresentados.

Com foco na recepção aos refugiados, a estudante de Relações Internacionais Marie Santana desenvolveu o projeto “Natividade”, para a criação de uma organização não governamental, que promoveria o cadastro e o apadrinhamento aos solicitantes de refúgio recém-chegados no país, fornecendo atividades de coaching profissional e atendimento psicológico, com o auxílio de refugiados que já estão no Brasil.

“A minha ideia teve como ponto principal a empatia, fortalecendo a conexão com aqueles que passaram pela mesma dificuldade. Dessa forma, quem já está estabelecido no país pode colaborar ativamente com a inclusão dessas pessoas em nossa sociedade”, afirmou a estudante.

Os estudantes de Engenharia Gilberto Araújo Filho e Ian Pereira desenvolveram o projeto de uma rede social que conectaria os refugiados e promoveria a troca de informações profissionais entre eles. A plataforma online, batizada de “Ubuntu”, também possibilitaria que empregadores possam anunciar vagas.

“Ao longo do projeto, ocorreram excelentes trocas de ideias. Aprendi que temos que ser muito mais abertos e buscar novas ideias para atendermos as necessidades dos refugiados. Acreditamos que essa plataforma poderia conectá-los com potenciais empregadores, de acordo com a experiência profissional”, disse Gilberto Araújo.

O projeto “Welcome”, da psicóloga Aline Carvalho, foi apresentado no Datathon com o objetivo de criar uma central nacional com o perfil dos refugiados. Assim que chegassem ao Brasil, segundo o projeto, seriam encaminhados a um centro de cadastro, que promoveria o contato com empregadores.

Na avaliação de um dos monitores do Datathon, André Eloy, o desafio foi fundamental para a compreensão das necessidades dos refugiados e, também, para integrá-los à sociedade, de acordo com as experiências de cada um.

“O grande aprendizado que eu tiro dessa experiência é pensar que as possibilidades são diversas e podemos ir muito além. E eu não nunca tinha parado para pensar que um refugiado tem um perfil específico. E isso mudou. Eu saio daqui percebendo que refugiados são muitas pessoas, cada uma com uma história diferente. Eles devem continuar tendo oportunidades, dentro de suas áreas de formação, continuar correndo atrás dos sonhos. No Datathon, construímos três soluções que se complementam. Cada uma contribuiu em um ponto para tornar esse sonho possível”, disse André Eloy.

Segundo Diego Nardi, Assistente de Meios de Vida do ACNUR, inovação é uma palavra central dentro dos projetos e no dia a dia das operações da agência.

“Para nós, inovação é garantir processos de criação onde pessoas refugiadas estejam em primeiro lugar e que suas necessidades orientem nossos trabalhos, conectando atores e somando esforços. É justamente isso que estamos fazendo na Campus Party: trata-se de um dos maiores eventos de tecnologia e inovação do mundo, e há uma multidão de jovens talentosos ansiosos para colocar seus conhecimentos em prática, e contribuir para a integração dessas pessoas”, acrescentou.

Na opinião da assistente de desenvolvimento sustentável do PNUD, Beatriz Santos, a participação da juventude é ferramenta essencial para a inclusão de todas e todos no mercado de trabalho.

“Ao considerar a migração e o refúgio enquanto integrantes dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a Agenda 2030 marca uma nova era para o tema da migração internacional e refúgio nas Nações Unidas. Contar com o engajamento da juventude no alcance da Agenda 2030 e na integração das pessoas em situação de refúgio no mercado de trabalho do Brasil é essencial para construirmos coletivamente o futuro que queremos”, disse.

Evento no Museu Nacional de Brasília promove intercâmbio cultural em celebração ao Dia Mundial do Refugiado

Aisha, refugiada de Uganda, ensina uma das participantes como se coloca um turbante. Foto: ACNUR/Mariana Lyrio

Aisha, refugiada de Uganda, ensina uma das participantes como se coloca um turbante. Foto: ACNUR/Mariana Lyrio

Brasileiros, migrantes e refugiados de diversos países se reuniram no sábado ensolarado do dia 17 de junho para celebrar o Dia Mundial do Refugiado no MigrArte. O evento contou com uma série de atividades cujo charme centrou-se na integração dos refugiados e migrantes com a população local.

O paquistanês Zeeshan, que há dois anos transita por Brasília compartilhando os pratos típicos de seu país, participou da feira gastronômica do evento, que aconteceu no Museu Nacional.

Ele contou, animado, que sua solicitação de refúgio foi aprovada há duas semanas, e agora ele quer trazer o resto da sua família, que permanece no país de origem. Sobre a adaptação no Brasil, Zeeshan afirma estar bem integrado e feliz com a cultura. “Eu amo morar aqui”, enfatizou.

Uma mistura de cheiros, cores e sabores caracterizou a feira gastronômica, uma das principais atrações, onde os participantes tinham à sua disposição um cardápio amplo de pratos doces e salgados de diversos países, como Síria, Paquistão, República Democrática do Congo, Cuba, Colômbia, Venezuela, Índia, Senegal, Gana e Filipinas.

Zeeshan prepara um dos pratos típicos do Paquistão. Foto: ACNUR/Flávia Faria

Zeeshan prepara um dos pratos típicos do Paquistão. Foto: ACNUR/Flávia Faria

Aisha, refugiada de Uganda, ministrou um workshop de turbantes. Ela mora há quase três anos do Brasil e diz gostar muito do país, onde se adaptou bem. Na feira, ela ensinou às participantes como se amarra, tradicionalmente, um turbante.

Já no Espaço Criativo, a arte e os tecidos com estampas vívidas e grafismos também cativaram o público. Os expositores vendiam artesanato e artigos de moda de onze países diferentes.

Havia roupas do Senegal, colares e bijuterias de El Salvador e vestimentas típicas de Gana, entre outros. Mutiya, de Gana, vendia vestidos e turbantes. Ela está no Brasil há cerca de um ano e gosta muito do país, mas contou que sua maior dificuldade é a língua, que ainda não conseguiu aprender.

O objetivo do evento foi promover a celebração da paz e dos direitos humanos por meio do intercâmbio cultural, além de destacar a realidade dos imigrantes e refugiados. Estima-se que cerca de mil pessoas passaram pelo Museu da República durante o evento, que celebrava a sua terceira edição.

Olhares sobre o refúgio

O MigrArte também acolheu a mostra de filmes internacionais “Olhares sobre o Refúgio”. A abertura foi conduzida por Nanã Mattos e compreendeu uma ampla seleção de apresentações artísticas do pianista e ativista social Gabriel Piernes, de 14 anos, e seus amigos. As atrações musicais começaram com exibições de dança e violino e seguiram com diversas interpretações do bandolinista Ian Coury.

Os jovens integrantes do grupo Batucar impressionaram utilizando apenas o seu próprio corpo como instrumento musical. Por mais variadas que fossem as suas apresentações, os jovens que integraram o show de abertura têm algo em comum: todos são voluntários em causas sociais no Distrito Federal.

Irmã Rosita Milesi, diretora do IMDH, emocionou a plateia quando, em seu discurso, lembrou da importância da solidariedade para a causa dos refugiados. Além disso, representantes da Defensoria Pública da União, da Embaixada do Canadá, do Governo de Brasília e do ACNUR ressaltaram que a ajuda ao refugiado deve partir de todos os seguimentos da sociedade, desde o governo até o cidadão comum.

A entrada do Museu Nacional acolheu a feira cultural do MigrArte. Foto: ACNUR/Victoria Hugueney.

A entrada do Museu Nacional acolheu a feira cultural do MigrArte. Foto: ACNUR/Victoria Hugueney.

O ACNUR apresentou um vídeo da campanha do Crianças em Fuga, que procura ajudar as crianças que são obrigadas a fugir dos países do Triângulo Norte da América Central (TNAC) – Guatemala, Honduras e El Salvador – devido à violência de gangues na região.

O vídeo foi seguido da exibição do filme “Bem-vindo ao Canadá”, o primeiro da mostra “Olhares sobre o Refúgio”, cujo intuito é trazer diferentes perspectivas sobre a temática a partir de produções nacionais e estrangeiras.

A mostra já passou por Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro e seguirá para São Paulo no dia 22/06. A mostra de filmes internacionais projetou, ainda, o documentário ficcional “Era o Hotel Cambridge” e a produção ítalo-palestina “Estou com a Noiva” e encerrou-se com o documentário “Exodus: de onde eu vim não existe mais”.

A mostra teve como objetivo honrar o Dia Mundial do Refugiado, que é celebrado em todo o mundo no dia 20 de junho, é uma homenagem à resistência e perseverança de milhões de pessoas que foram forçadas a deixar seus locais de origem por causa de guerras e perseguições, buscando em outro país a proteção necessária para reconstruir suas vidas.

Em todo o mundo, existem mais de 65 milhões de pessoas forçadas a se deslocar por diferentes tipos de conflitos, sendo que 21,3 milhões são reconhecidas como refugiados.

O evento, que recebeu apoio do Museu Nacional, foi uma organização conjunta entre a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o Coletivo Bambuo, o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH) e a campanha Mais Pontes Menos Muros.

(Por Mariana Lyrio, Monika Bundscherer e Victoria Hugueney, de Brasília, para o ACNUR)

Em SP, Pacto Global da ONU debate boas práticas em ações coletivas contra a corrupção

O evento deixou clara a importância da participação de todos os atores envolvidos para que as medidas anticorrupção sejam frutíferas. Foto: Fellipe Abreu/Rede Brasil do Pacto Global

O evento deixou clara a importância da participação de todos os atores envolvidos para que as medidas anticorrupção sejam frutíferas. Foto: Fellipe Abreu/Rede Brasil do Pacto Global

No último dia 13 de junho, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) sediou em São Paulo um workshop para debater boas práticas e aprendizados em ações coletivas de combate à corrupção, realizado pela Rede Brasil do Pacto Global.

Parte do projeto “Ações coletivas de combate à corrupção no setor privado” – cujo primeiro encontro foi em março –, o evento deu início às conversas para a formação de parcerias e contou com presença maciça do setor privado.

“Nós trabalhamos sempre com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável [ODS] da ONU e há uma meta específica, a 16.5, que fala em reduzir substancialmente a corrupção e o suborno em todas as suas formas”, lembrou Vanessa Tarantini, assessora de Direitos Humanos e Anticorrupção da Rede Brasil do Pacto Global, na abertura do evento.

A superintendente da Área de Controladoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Vania Maria da Costa Borgerth, explicou quais são as exigências do órgão para financiamentos, principalmente para assegurar que tudo será feito de acordo com a lei.

“Temos uma consciência muito grande de que trabalhamos com dinheiro público e temos a obrigação de sermos, na medida do possível, transparentes”, afirmou. Segundo ela, por conta da operação Lava-Jato, em maio de 2016, os empréstimos a 25 empresas investigadas foram interrompidos.

Vania explicou como funciona a complexa estrutura do BNDES. Para operações indiretas, o banco deve seguir todas as exigências do órgão antes de aprovar o financiamento. Já em operações diretas, os trâmites são ainda mais minuciosos, passando por especialistas de cada setor da economia, além de uma equipe técnica multidisciplinar, superintendentes e chefes de departamentos, até o relatório chegar à avaliação da diretoria, que tem a palavra final sobre os processos.

“Pode parecer burocrático para o meio externo, mas nos dá tranquilidade de saber que seria muito difícil alguém conseguir burlar todo o esquema de segurança”, disse.

Ela ainda foi bastante questionada sobre o sigilo bancário da instituição, e principalmente se os cidadãos não teriam direito de saber se seu dinheiro está sendo investido em empresas envolvidas em escândalos recentes. Ao responder, lembrou que o BNDES ainda é um banco e não pode divulgar o saldo devedor dos clientes. “Estamos abertos a mudanças da lei, mas enquanto isso não ocorre nós precisamos seguir o que está determinado”, finalizou.

Representante da própria FGV, a professora Ligia Maura Costa, titular da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, apresentou uma pesquisa inédita que realizou para o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

O objetivo era descobrir o que é ensinado no mundo sobre corrupção, crime organizado, tráfico de seres humanos, armas de fogo, crimes cibernéticos, terrorismo, justiça criminal e ética e integridade. Para isso, ela contatou 612 acadêmicos de instituições internacionais, cobrindo cerca de 700 programas.

O estudo levantou algumas questões importantes. Primeiro, sobre a barreira do idioma. Metade dos cursos que incentivam o combate à corrupção é dada em inglês. Para a docente, facilitaria o acesso à informação se a aula fosse na língua de cada país. Ligia também destacou o grande número de cursos a distância, o que evidencia o uso de métodos inovadores e ajuda na absorção do conhecimento, com a proposta de jogos interativos e tarefas práticas.

É preciso ainda, afirma, capacitar mais professores e, nesse ponto, as empresas têm grande participação, treinando funcionários para falar sobre o assunto. “Como posso esperar que um país brigue contra a corrupção se não se investiu antes em educação sobre o tema?”, desafiou.

Confira a cobertura completa do evento clicando aqui.

Agências da ONU lançam cartilha sobre proteção refugiados e solicitantes de refúgio LGBTI

Parada do Orgulho LGBT em São Paulo, 2015. Foto: Leo Pinheiro / Fotos Públicas

Parada do Orgulho LGBT em São Paulo, 2015. Foto: Leo Pinheiro / Fotos Públicas

No marco da campanha Livres & Iguais, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) lançarão a Cartilha Informativa sobre a Proteção de Pessoas Refugiadas e Solicitantes de Refúgio LGBTI na terça-feira (27) a partir das 9h30, na Sala Jardel Filho do Centro Cultural São Paulo, na capital paulista.

O evento, que recebe o apoio da Prefeitura de São Paulo por meio da sua Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania, contará com a participação de refugiados, representantes da sociedade civil engajados com a temática do refúgio e populações LGBTI, além de representantes de universidades, governo local e das Nações Unidas.

Na ocasião, também será realizada cerimônia de premiação do Concurso de Artes da Campanha Livres & Iguais e um workshop sobre direitos LGBTI voltado a parceiros do ACNUR, da campanha Livres & Iguais e refugiados.

Os principais objetivos com o lançamento da cartilha são garantir que pessoas refugiadas LGBTI conheçam seus direitos e saibam onde buscar apoio, além de informar a sociedade brasileira sobre quem são essas pessoas, quais são suas trajetórias, quais são seus direitos e quais são suas necessidades de proteção específicas.

Pessoas refugiadas com orientação sexual, identidade de gênero e/ou status sexual diversos enfrentam uma série de riscos, ameaças e vulnerabilidade ao longo de todas as etapas de seu deslocamento. O Brasil já processou mais de 250 solicitações de refúgio de indivíduos fugindo de perseguições baseadas em questões ligadas a orientação sexual e/ou identidade gênero dos mais diversos países.

Em todo o mundo, mais de setenta países criminalizam pessoas LGBTI. A cartilha é uma das primeiras publicações das Nações Unidas que aborda o tema de forma compreensiva e em variados idiomas. Segundo Diego Nardi, assistente de meios de vida do ACNUR, “por meio da campanha Livres & Iguais, a ONU tem se emprenhado em garantir que essas pessoas vivam livremente e sem medo”.

Para mais informações sobre a Campanha Livres & Iguais, acesse www.unfe.org.

O endereço do evento no Facebook é o www.facebook.com/events/689347667919158.

Mudanças climáticas devem intensificar deslocamentos forçados, dizem especialistas

As mudanças globais do clima são uma ameaça à segurança humana e comprometem a cultura e identidade de populações inteiras. O alerta foi feito por especialistas que discutiram nesta semana os deslocamentos causados por questões climáticas durante o seminário ‘Vozes do Refúgio’, no Museu do Amanhã, no Rio, para marcar o Dia Mundial do Refugiado (20).

Durante o encontro, os participantes pediram comprometimento com os acordos climáticos e a criação de políticas de proteção para populações em maior situação de vulnerabilidade. O evento e a exposição são uma parceria do Museu com o ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) e a Agence France-Presse (AFP).

Atualmente, já ocorrem deslocamentos por desastres climáticos – e eles não são poucos: cerca de 25 milhões de pessoas são forçadas a deixar seus países a cada ano devido a problemas ambientais como secas, inundações, tempestades e incêndios florestais.

Segundo estimativas do Centro de Monitoramento de Deslocamento Interno (IDMC), até 2050 esse número chegará a 1 bilhão de pessoas.

A situação se agrava porque o deslocado ambiental não é considerado tecnicamente como um refugiado. A fundadora da Rede Sul-Americana para as Migrações Ambientais (Resama), Érika Pires Ramos, explica que a Convenção das Nações Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados, tratado de 1951 que estabelece as normas para a proteção de refugiados, não prevê causas ambientais para a concessão do refúgio, já que elas não são consideradas como “perseguição” ou outras motivações de segurança previstas no tratado internacional.

“O não reconhecimento deixa essas populações expostas a graves violações de direitos humanos. Quando elas migram especialmente entre fronteiras internacionais, são consideradas migrantes irregulares, o que pode dar margem ao aliciamento por traficantes de pessoas”, disse a especialista.

Ela alerta para a necessidade de produção de dados confiáveis e pesquisas empíricas para identificar onde os grandes deslocamentos ocorrem, ressaltando também que é preciso criar uma estrutura de governança para atender uma nova categoria migratória e evitar a potencialização de conflitos.

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Nesse sentido, Érika considera o Acordo de Paris como um grande avanço na busca pelos direitos dessas populações. É a primeira iniciativa formal que coloca o deslocamento em razão de mudanças climáticas em questão, recomendando aos países signatários a criação de uma força-tarefa para tratar das migrações, explica a pesquisadora.

“É uma iniciativa muito importante porque está dentro de um regime obrigatório. Estamos com uma grande expectativa para ver se o Acordo de Paris vai ser cumprido, para que essa força tarefa trabalhe livremente e as populações possam ficar menos expostas e menos vulneráveis nesse contexto de desastres e mudanças do clima”, afirmou.

Um novo olhar sobre o Refúgio

Como parte das celebrações do Dia Mundial do Refugiado, além do Seminário ‘Vozes do Refúgio’, o Museu do Amanhã inaugurou nesta semana, em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Agence France-Presse (AFP), a mostra ‘Vidas Deslocadas’, que trata também do tema do deslocamento forçado causado por mudanças climáticas.

Para a representante do ACNUR no Brasil, Isabel Marquez, a exposição propõe chamar atenção a uma causa que ainda tem pouca visibilidade na esfera internacional. “Essa mostra é uma iniciativa pioneira. Ela permite sensibilizar a população sobre a necessidade de estabelecer legislações e políticas públicas que ajudem a reduzir os riscos e prevenir os impactos negativos que as catástrofes naturais podem ter”, disse Isabel.

Vidas deslocadas fica em cartaz de 21 de junho a 10 de setembro de 2017, no Museu do Amanhã.

Serviço

Museu do Amanhã – Praça Mauá 1, Centro
Tel.: (21) 3812-1800
Período: De 21 de junho a 10 de setembro
Funcionamento: De terça-feira a domingo, das 10h às 18h (com encerramento da bilheteria às 17h)
Ingressos: Inteira R$ 20,00; Meia-entrada R$ 10,00.
Site: www.museudoamanha.org.br

Com apoio da ONU Brasil, Caravana Siga Bem encerra atividades com milhares de ações pelo país

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Foram encerradas nessa semana, durante cerimônia em São Bernardo do Campo, as atividades do ciclo de viagens da Caravana Siga Bem.

O objetivo da iniciativa – promovida pelo Grupo Cobram (Companhia Brasileira de Marketing) com o apoio da ONU Brasil – foi divulgar mensagens sobre direitos humanos e promover serviços sociais, com foco nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A Caravana Siga Bem levou os ODS a mais de 100 cidades em 22 estados brasileiros e no Distrito Federal.

Entre agosto de 2016 e maio de 2017, o projeto itinerante de responsabilidade social promoveu ações conjuntas com diversas secretarias municipais nas áreas da saúde, educação, igualdade de gênero, erradicação da pobreza e redução das desigualdades. A Caravana Siga Bem é patrocinada pela Petrobras Distribuidora S/A e pela Mercedes-Benz do Brasil.

“A Agenda 2030 nos recorda de nosso papel de tornar o desenvolvimento inclusivo e sustentável, em que ninguém fique para trás. Durante os últimos meses, milhares de meninas e meninos, de brasileiras e brasileiros, tiveram a oportunidade de se envolver nessa missão graças aos esforços da Caravana Siga Bem e sua rede de apoiadores”, destacou Niky Fabiancic, coordenador-residente do Sistema Nações Unidas no Brasil e representante-residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

“Convidamos toda a rede de apoiadores da Caravana Siga Bem a renovar seu compromisso com este significativo projeto que reafirma a certeza e a confiança da ONU Brasil na Caravana Siga Bem como agente extremamente relevante no país para avançarmos na construção do mundo que queremos para as próximas gerações”, acrescentou Niky.

Nesta décima edição, foram envolvidos centenas de conselhos tutelares e gestoras com mandato de políticas públicas para mulheres nas palestras da Caravana Siga Bem. Cerca de 10,8 mil crianças de 863 projetos sociais, ONGs e escolas públicas espalhadas pelo Brasil tiveram contato com o jogo da memória dos 17 ODS, que estimula a memorização dos objetivos e da Agenda 2030 da ONU sobre desenvolvimento sustentável.

No total, mais de 5 mil pessoas participaram de debates sobre a importância de proteger todas as crianças contra a exploração sexual e de lutar pela igualdade de gênero.

Na área da saúde, a Caravana Siga Bem realizou 6,3 mil aferições de pressão arterial, 4,3 mil testes de glicemia e 3,4 mil vacinações contra febre amarela, tétano e hepatites virais. Além desses serviços, também foram feitas medidas da circunferência abdominal, orientações sobre ergonomia e uso indiscriminado de álcool e drogas sintéticas.

Também foram realizados 1.952 testes rápidos de HIV/Aids e sífilis, além da distribuição de milhares de preservativos e folhetos explicativos sobre os 17 ODS.

Na quinta-feira (18), o Grupo Cobram recebeu Nadine Gasman e Amanda Lemos, da ONU Mulheres no Brasil, e Haroldo Machado Filho, assessor sênior do PNUD, onde foi apresentado um relatório das atividades.

Alexandre Corte, CEO do grupo, apresentou a plataforma de comunicação integrada pelos programas de TV e Rádio “Brasil Caminhoneiro”, criado em 2004. Durante a conversa, o empresário falou sobre o compromisso firmado com o WEPs – em português, os Princípios de Empoderamento das Mulheres –, iniciativa da ONU Mulheres e do Pacto Global da ONU para o empoderamento feminino no ambiente de negócios e no combate a violência doméstica contra a mulher.

Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil, ressaltou a importância da parceria com a Caravana Siga Bem em suas últimas edições na promoção da equidade de gênero e na proteção dos direitos humanos de mulheres e meninas nas estradas brasileiras. Haroldo Machado Filho, do PNUD, destacou o grande alcance da divulgação da Agenda 2030 no Brasil através da Caravana Siga Bem.

Em 2017, a Cobram se tornou signatária da Rede Brasil do Pacto Global – fundada em 2003 e que representa a quarta maior rede local, com mais de 700 signatários.

Apesar de baixa fertilidade, mundo terá 9,8 bilhões de pessoas em 2050

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A população mundial tem atualmente quase 7,6 bilhões, em comparação com as 7,4 bilhões em 2015. Esse número é estimulado pelas taxas de fertilidade relativamente altas nos países em desenvolvimento – apesar de uma queda geral no número do nascimento de crianças em todo o mundo.

A informação consta em um relatório divulgado pelas Nações Unidas nessa quarta-feira (21).

A concentração do crescimento da população mundial está nos países mais pobres, segundo o relatório “Perspectivas da População Mundial: Revisão de 2017”, o que representa um desafio enquanto a comunidade internacional busca implementar a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, cujo objetivo é acabar com a pobreza e preservar o planeta.

“Com quase 83 milhões de pessoas que a população mundial aumenta a cada ano, espera-se que a tendência ascendente em tamanho da população continue, inclusive supondo que as taxas de fertilidade continuarão diminuindo”, afirmaram os autores do relatório produzido pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU.

Nesse ritmo, espera-se que a população mundial chegue a 8,6 bilhões em 2030, 9,8 bilhões em 2050 e que supere os 11,2 bilhões em 2100.

Espera-se que o crescimento venha, em parte, dos 47 países menos desenvolvidos, onde a taxa de fertilidade é em torno de 4,3 nascimentos por mulher, e onde se espera que a população chegue a 1,9 bilhão em 2050 em comparação ao atual estimado de um bilhão.

Além disso, populações de 26 países africanos são propensas a “pelo menos dobrar” até 2050, segundo o relatório.

Essa tendência surge apesar das baixas taxas de fertilidade em quase todas as regiões do mundo, incluindo a África, onde as taxas caíram de 5,1 nascimentos por mulher de 2000 a 2005 a 4,7 nascimentos de 2010 a 2015.

Em contraste, a taxa de natalidade em Europa era de 1,6 nascimento por mulher entre 2010 e 2015, em comparação aos 1,4 entre 2000 e 2005.

“Entre 2010 e 2015, a fertilidade esteve abaixo do nível de substituição em 83 países, compreendendo 46% da população mundial”, afirma o relatório.

As baixas taxas de fertilidade estão resultando em um envelhecimento da população, com a expectativa de que o número de pessoas com 60 anos ou mais podendo duplicar (ou mais que duplicar) em 2050, e triplicar 2100, dos atuais 962 milhões a 3,1 bilhões.

É projetado que a África, que detém a distribuição mais jovem que qualquer outra região, passe por um envelhecimento rápido de sua população, aponta o relatório.

“Embora a população africana se mantenha relativamente jovem durante várias décadas mais, é esperado que a porcentagem da população com 60 anos ou mais aumente de 5% em 2017 a cerca de 9% em 2050, e a quase 20% até o final do século”, escrevem os autores.

Entre outras tendências populacionais retratadas no relatório, a população da Índia, que atualmente aparece no ranking como o segundo país mais populoso do mundo com 1,3 bilhão de habitantes, superará os 1,4 bilhão de cidadãos chineses em 2024.

Em 2050, o terceiro país mais populoso será a Nigéria, que aparece hoje no sétimo lugar e que deve ocupar o lugar dos Estados Unidos.

O relatório também aponta para o impacto dos fluxos de imigrantes e refugiados entre países, particularmente o impacto da crise de refugiados da Síria e da saída estimada de 4,2 milhões de pessoas entre 2010 e 2015.

O documento diz ainda que, embora a migração internacional nos níveis atuais ou aproximados seja insuficiente para compensar totalmente a perda esperada de população ligada aos baixos níveis de fertilidade, especialmente na região europeia, “o deslocamento de pessoas entre países pode ajudar a atenuar algumas das consequências adversas do envelhecimento populacional”, escrevem os autores.

Acesse o relatório clicando aqui.

Setor têxtil certifica empresas para eliminar trabalho escravo de cadeias produtivas

 certificação contribui para estruturar a cadeia têxtil, gerando oportunidades de negócios e favorecendo a oferta de boas condições de trabalho. Foto: Elói Corrêa/ AGECOM

Certificação contribui para estruturar a cadeia têxtil, gerando oportunidades de negócios e favorecendo a oferta de boas condições de trabalho. Foto: Elói Corrêa/ AGECOM

A garantia de direitos trabalhistas e a eliminação do trabalho escravo são os principais objetivos do Programa de Monitoramento de Cadeia Produtiva do Vestuário e Calçados, uma iniciativa desenvolvida pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX), com empresas do segmento em todo o país.

Atualmente, o programa é implementado através de vistorias, que são realizadas pelo menos uma vez por ano em 4.112 empresas monitoradas, distribuídas por mais de 600 cidades em 17 estados do Brasil, além do Distrito Federal. A certificação contribui para estruturar a cadeia têxtil, gerando oportunidades de negócios e favorecendo a oferta de boas condições de trabalho.

O diretor-executivo da ABVTEX, Edmundo Lima, apresentou os dados em maio no lançamento da campanha “50 For Freedom” da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que promove a ratificação do Protocolo sobre trabalho forçado, adotado pela Conferência Internacional do Trabalho em 2014. O tratado internacional, que já foi ratificado por 17 países, prevê medidas educativas e informativas para evitar que empregadores se envolvam na violação de direitos dos trabalhadores.

Segundo Lima, o programa de monitoramento da ABVTEX tem o papel de assegurar “segurança e saúde ao trabalhador, além da formalização das oficinas de costura e empresas de produção de vestuário”. As vistorias previnem o trabalho infantil, o abuso, o assédio e o emprego irregular de estrangeiros, garantindo o cumprimento da legislação trabalhista.

Para receber a certificação, cada unidade da empresa passa por uma auditoria realizada por organismos credenciados pela ABVTEX. O auditor verifica a adequação às exigências e a unidade precisa obter uma pontuação mínima para receber a certificação. O local passa também por auditorias de manutenção e de “recertificação”.

A diretora-executiva do Instituto C&A, Giuliana Ortega, enfatiza a necessidade de colaboração entre as empresas, as organizações da sociedade civil e o governo para a divulgação de dados e a conscientização sobre esse tema tão pouco discutido. “A gente acredita que, por meio da transparência, os consumidores e a sociedade vão poder fazer melhores escolhas”.

O Protocolo da OIT de combate ao trabalho forçado prevê o fortalecimento da fiscalização do trabalho e a implementação de programas educativos, além de medidas para prevenir a escravidão e compensar os egressos do trabalho forçado. Segundo Ortega, o instrumento é fundamental “para a garantia de uma vida digna para as pessoas”.

Para o coordenador do programa de combate ao trabalho forçado da OIT no Brasil, Antônio Carlos de Mello, “ações como esta desenvolvidas pelo setor privado são fundamentais para o fortalecimento dos esforços para erradicar o trabalho escravo moderno e oferecer condições dignas para os trabalhadores”.

Ele destaca também que o setor privado é capaz de romper o ciclo de vulnerabilidades dos trabalhadores explorados e conscientizar a sociedade sobre as boas práticas e a responsabilidade social.

Grupo Bom Futuro

O Grupo Bom Futuro, que atua principalmente no setor de agronegócio, oferece cursos de qualificação para trabalhadores vulneráveis ou resgatados do trabalho forçado no estado do Mato Grosso.

A iniciativa é uma parceria entre entidades como o Ministério Público do Trabalho, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego e a Universidade Federal de Mato Grosso, entre outros.

Os cursos incluem módulos sobre cidadania, ética e direitos trabalhistas para a formação de profissionais integrados. A coordenadora de desenvolvimento organizacional do Grupo Bom Futuro, Simone Veras, explica que o objetivo é “atrelar o comportamento à técnica”, de modo que os alunos sejam incentivados a nunca mais aceitar trabalhar em condições degradantes.

50 For Freedom

A campanha global da OIT, realizada em parceria com a Confederação Sindical Internacional e a Organização Internacional de Empregadores, pede que pelo menos 50 países ratifiquem o Protocolo sobre trabalho forçado de 2014, que complementa a Convenção nº 29 da OIT, de 1930. Desde a adoção desta Convenção histórica, surgiram formas de escravidão moderna ainda mais complexas e difíceis de combater. O Protocolo oferece subsídios para a prevenção e o combate contra novas práticas.

De acordo com a diretora-executiva do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo (InPacto), Mércia Silva, o Brasil, ao assinar o Protocolo, apenas formaliza um trabalho que já desenvolve.

“O desafio é grande de trazer o setor empresarial para discutir este tema porque há a cultura de não dialogar sobre o mundo do trabalho. Mas eu trago uma mensagem positiva: muitas empresas e setores estão atuando coletivamente, abertos para dialogar, implementando ações como a da ABVTEX. […] A gente tem que dialogar com a real intenção de entender qual é a pergunta, para a gente avançar e não subir barreiras”, afirma Mércia.