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Oficiais da ONU reúnem-se com líderes comunitários no Rio para discutir desenvolvimento sustentável

No início de maio (3), líderes comunitários e representantes de associações dos morros da Babilônia e do Chapéu Mangueira reuniram-se com funcionários das Nações Unidas. Foto: UNIC Rio

No início de maio (3), líderes comunitários e representantes de associações dos morros da Babilônia e do Chapéu Mangueira reuniram-se com funcionários das Nações Unidas. Foto: UNIC Rio

No início de maio (3), líderes comunitários e representantes de associações dos morros da Babilônia e do Chapéu Mangueira — situados no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro — organizaram um encontro para promover o desenvolvimento sustentável nas próprias comunidades no marco da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

O diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) Maurizio Giuliano, e Lorenzo Casagrande, do Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Centro Rio+), participaram do encontro, que também teve a presença do cônsul-geral da Bélgica, Jean-Paul Charlier.

Os participantes apresentaram diversas iniciativas em curso nas comunidades para avançar o desenvolvimento sustentável.

Uma delas foi o “Favela Orgânica”, projeto criado por Regina Tchelly que engloba conceitos como consumo consciente, gastronomia alternativa, compostagem caseira e hortas em pequenos espaços. O projeto já levou oficinas e palestras para diversos estados do Brasil, bem como países como França, Itália e Uruguai.

Após lembrar que os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Agenda 2030 pertencem às pessoas e não às organizações internacionais, Casagrande afirmou que “não há maior especialista em ODS que a Sra. Regina”. Para Giuliano, “os ODS serão alcançados por pessoas como vocês, e não nas grandes conferências” internacionais.

Alagoas promove Dia da ONU para debater desenvolvimento urbano, social e econômico

Imagem: Governo de Alagoas/ONU-HABITAT

Imagem: Governo de Alagoas/ONU-HABITAT

O governo de Alagoas e o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT) promovem na próxima semana (5), em Maceió, o evento Dia da ONU: Diálogos sobre desenvolvimento urbano, social e econômico. Encontro reunirá especialistas de sete organismos e agências da ONU. Inscrições são gratuitas e podem ser feitas até 3 de junho.

A palestra de honra que abrirá as atividades será ministrada por Alejandro Echeverri, cofundador e diretor do Centro de Estudos Urbanos e Ambientais da Universidade EAFIT, em Medellín, na Colômbia. Arquiteto e planejador urbano, o pesquisador é considerado um dos maiores responsáveis pelas transformações urbanas na cidade colombiana. Reformas são reconhecidas internacionalmente.

Também participam representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da ONU Mulheres, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), do Fundo de População da ONU (UNFPA), do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC) e do Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Centro Rio+), além de dirigentes do ONU-Habitat.

As palestras acontecem na Sala Ipioca do Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso. Para se inscrever, acesse http://eventos.al.gov.br/evento/dia-da-onu-em-alagoas.

O evento é destinado aos servidores públicos vinculados ao Executivo alagoano, além da sociedade civil e membros de universidades e faculdades de Alagoas.

Programação preliminar

08h00-09h00: Cadastramento | momento networking

09h00-10h00: Abertura

  • Rayne Ferretti Moraes, Oficial Nacional para o Brasil do ONU-Habitat
  • Renata Santos, Secretária Especial do Tesouro Estadual
  • George Santoro, Secretário da Fazenda do Governo do Estado de Alagoas
  • Elkin Velásquez, Diretor Regional para a América Latina e o Caribe do ONU-Habitat
  • Renata Calheiros, Primeira-dama de Alagoas
  • Renan Filho, Governador do Estado de Alagoas

10h00-11h00: Palestra de honra – Experiência de Renovação Urbana e Social de Medellín

Alejandro Echeverri, Cofundador e Diretor do Centro de Estudos Urbanos e Ambientais (URBAM) da Universidade EAFIT (Colômbia/Medellín)

11h00-12h00: Mesa 1 – Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável: Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

  • Sistema das Nações Unidas no Brasil / PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento)
  • ONU-Habitat (Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos)
  • Centro Rio+ (Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável)

12h00-14h00: Almoço

14h00-15h25: Mesa 2 – Segurança urbana e prevenção à violência

  • SEPREV (Secretaria de Estado de Prevenção à Violência)
  • SERIS (Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social)
  • UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes)
  • ONU-Habitat (Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos)

15h25-15h45: Coffee-break | momento networking

15h45-17h00: Mesa 3 – Gênero e Igualdade Racial

  • ONU Mulheres (Entidade da ONU para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres)
  • UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas)

17h00-17h45: Mesa 4 – Educação e primeira infância

  • Programa Estadual de Primeira Infância de Alagoas
  • UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância)

17h45 às 18h00: Encerramento

No Dia do Meio Ambiente, ONU promove atividades para combater a poluição plástica

Ilha de Fuerteventura, nas Ilhas Canárias. Foto: Flickr/Rasande Tyskar (CC)

Ilha de Fuerteventura, nas Ilhas Canárias. Foto: Flickr/Rasande Tyskar (CC)

Desde que foi instituído, em 1974, o Dia Mundial do Meio Ambiente se tornou a principal plataforma global para sensibilizar pessoas, organizações e países sobre a proteção da natureza.

Este ano, com o tema #AcabeComAPoluiçãoPlástica, a data soma esforços à campanha #MaresLimpos da ONU Meio Ambiente para combater o lixo marinho e mobilizar todos os setores da sociedade global no enfrentamento deste problema — que se não for solucionado, poderá resultar em mais plástico do que peixes nos oceanos até 2050.

A poluição plástica é considerada uma das principais causas atuais de danos ao meio ambiente e à saúde. Mesmo assim, os números da produção e descarte incorreto deste material não param de crescer. Mais plástico foi produzido na última década do que em todo o século passado. Por ano, são consumidas até 5 trilhões de sacolas plásticas em todo o planeta.

A cada minuto, são compradas 1 milhão de garrafas plásticas e 90% da água engarrafada contém microplásticos. Metade do plástico consumido pelos humanos é descartável (e evitável) e pelo menos 13 milhões de toneladas vão parar nos oceanos anualmente, prejudicando 600 espécies marinhas, das quais 15% estão ameaçadas de extinção.

Mais de 100 países já se uniram sob o slogan do Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano e se comprometeram com atividades, como mutirões de limpeza de praias e florestas, e anúncios de políticas públicas voltadas ao descarte e consumo responsável do plástico.

Para o diretor-executivo da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim, este é um momento crucial para reverter a maré de poluição global. “Precisamos encontrar soluções melhores e mais rápidas do que nunca. Desistir não é uma opção para nós. Agora é a hora de agir juntos — independentemente da nossa idade — pelo bem do nosso planeta”, alertou.

No Brasil, a ONU Meio Ambiente irá promover e apoiar uma série de ações durante toda a semana, entre os dias 4 e 11 de junho.

Semana de mobilização contra a poluição plástica

Na segunda-feira (4), será assinada a portaria que cria a Comissão Gestora do Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar pelo ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte.

A Comissão, da qual a ONU Meio Ambiente fará parte, terá o prazo de um ano para concluir o Plano Nacional, o qual deverá ser elaborado com a participação de vários setores da sociedade por meio de consulta pública.

Na terça-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, a agência e a National Geographic promoverão uma roda de conversa sobre a poluição plástica, que será realizada a partir das 19h30, no Cubo Itaú, em São Paulo.

A enviada especial da NatGeo, Paulina Chamorro, irá comentar os dados e descobertas da edição internacional de maio da revista, cuja capa contendo a obra do designer mexicano Jorge Gamboa e o provocativo título “Planeta ou Plástico?” viralizou mundialmente.

Foto: Jorge Gamboa

Foto: Jorge Gamboa

Fernanda Daltro, head campaigner da ONU Meio Ambiente, irá falar sobre a campanha Mares Limpos, lançada em 2017.

No mesmo dia (5), a ONU Meio Ambiente e o Sebrae, por meio do Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS), lançarão de forma inédita no país o Portal de Ecoinovação (www.ecoinovação.com.br). A plataforma reunirá informações e conteúdos interativos, como infográficos, publicações e vídeos, para auxiliar o empreendedor brasileiro a embarcar no movimento global da sustentabilidade corporativa.

Na quarta-feira (6), no AquaRio, no Rio de Janeiro, serão anunciados os resultados do Desafio Mares Limpos 2017 com os Escoteiros do Brasil, em que mais de 3 mil escoteiros receberam insígnias Mares Limpos por terem reduzido seu consumo de plásticos descartáveis. Segundo os escoteiros, um dos maiores obstáculos encontrados foi a resistência das próprias famílias em abraçar novos hábitos.

Na ocasião, também serão anunciadas as medidas de redução do plástico descartável nas operações do Grupo Cataratas nos parques nacionais da Tijuca (RJ), Foz do Iguaçu (SC) e Fernando de Noronha (PE). Denise Hamú, representante da ONU Meio Ambiente no Brasil, fará a abertura da exposição “Dá para ser diferente”, em que três tanques do AquaRio terão plástico no lugar dos peixes para demonstrar a atual situação dos oceanos.

Na quinta-feira (7), a digital influencer e defensora #MaresLimpos, Fe Cortez, lançará a websérie “Mares Limpos” no canal do projeto “Menos 1 Lixo” no You Tube (www.youtube.com/menos1lixooficial). Serão dez capítulos, com dez minutos de duração cada, abordando o problema da poluição plástica de forma didática e dinâmica. A narrativa incluirá dados, descobertas e entrevistas com ativistas e cientistas do Brasil e do mundo, como o Capitão Charles Moore, que descobriu a ilha de plástico do Pacífico.

Na sexta-feira (8), a ONU Meio Ambiente estará no estado de Santa Catarina, onde as 11 cidades que compõem a Associação de Municípios da Foz do Rio Itajaí (AMFRI) irão aderir à campanha Mares Limpos, comprometendo-se a desenvolver e implementar um Plano Regional de Combate ao Lixo no Mar com foco no Rio Itajaí.

Na sexta-feira (8) e no sábado (9), a ONU Meio Ambiente promoverá, em parceria com a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e a Secretaria do Meio Ambiente do Governo do Estado do Amazonas (SEMA), o seminário “Dos Rios Limpos e Mares Limpos com os ODS”, em Manaus.

Além de inserir a poluição dos rios interiores na agenda de debates sobre lixo marinho, o evento será palco do lançamento da iniciativa “Rios Limpos para Mares Limpos” e contará com a presença de Denise Hamú e do ministro Edson Duarte.

Como parte do objetivo global de promover o “maior clean up do mundo” neste período, a ONU Meio Ambiente também apoiará ações de limpeza de praias e rios durante toda a semana.

Outras atividades que integram as celebrações incluem: participação na mesa da audiência pública na Câmara Municipal de São Paulo sobre o consumo de canudos plásticos (5 de junho), participação na II Semana do Mar de Fortaleza (11 de junho), apresentação em painel na Semana de Meio Ambiente de Santos (7 de junho) e apoio à 7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, em São Paulo.

O jogo global para que todo mundo #AcabeComAPoluiçãoPlástica

A ONU Meio Ambiente lançou o jogo global #AcabeComAPoluiçãoPlástica para incentivar uma mudança nos hábitos de consumo de plásticos descartáveis.

O desafio começou com influenciadores digitais e celebridades, como o ator Adrian Grenier, postando um vídeo ou foto nas suas redes sociais mostrando a mudança de comportamento que decidiram adotar e que troca algum item de plástico descartável por alternativas mais sustentáveis.

Nesse vídeo ou foto eles marcam três pessoas ou organizações, desafiando-as a mostrar a sua mudança nas próximas 24 horas para combater a poluição plástica e assim por diante, envolvendo cada vez mais pessoas ao redor do mundo.

É rápido e simples participar: decida qual mudança você vai adotar em seu dia a dia para acabar com a poluição plástica, tire uma selfie ou grave um vídeo mostrando sua nova escolha, marque três pessoas/organizações/empresas para desafiá-las e use as hashtags #AcabeComAPoluiçãoPlástica e #DiaMundialdoMeioAmbiente em seus posts. Lembre-se de mencionar a @ONUMeioAmbiente.

ONU pede cautela no uso de fraturamento hidráulico para extrair gás de xisto

Tubulação de gás de xisto na Pennsylvania, nos Estados Unidos. Foto: Flickr/Max Phillips

Tubulação de gás de xisto na Pennsylvania, nos Estados Unidos. Foto: Flickr/Max Phillips

O fraturamento hidráulico para extração de gás de xisto, também conhecido como “fracking”, produz energia mais limpa do que petróleo e carvão, mas não necessariamente traz benefícios aos países mais pobres do mundo, disseram especialistas da ONU na quinta-feira (24).

Um novo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) descreve o gás natural como um “combustível-ponte” útil para os Estados que pretendem avançar para fontes de energia renováveis mais sustentáveis.

Uma das vantagens é que o xisto emite cerca de 40% menos dióxido de carbono por unidade de energia produzida do que o carvão. Também pode ser armazenado e utilizado quando necessário de forma mais eficiente do que a energia gerada através de fontes renováveis, como o vento.

Contudo, o gás natural também possui desvantagens. Seu principal componente, o metano, tem um potencial de aquecimento global 28 vezes maior do que o dióxido de carbono encontrado em outros combustíveis fósseis.

O relatório afirma que o gás deve contribuir para promover uma transição suave entre o atual modelo econômico, baseado em combustíveis fósseis, para uma economia de baixo carbono, com o objetivo de atender o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 em 2030. O ODS 7 prevê o acesso à energia sustentável e moderna para todos.

Segundo a pesquisa, pouco conhecimento geológico e hidrológico e a falta de uma regulamentação adequada podem representar grandes obstáculos à fraturação hidráulica como método de extração do gás de xisto.

Janvier Nkurunziza, chefe da Seção de Pesquisa e Análise de Commodities da UNCTAD, disse que o relatório “não estava dizendo se o fracking é bom ou ruim”.

Segundo ele, isso é algo que somente governos podem dizer, com base em variáveis incluindo sua capacidade de investimento e possível contaminação de fontes de água subterrâneas.

“Se é realmente bom ou ruim, isso depende de vários fatores que analisamos neste relatório. Por exemplo: geologia, fontes de água; se você está aumentando seu estresse hídrico usando muita água, infraestrutura e assim por diante”, disse Nkurunziza.

“Não estamos dizendo que é bom ou ruim, apenas olhe as condições e a região onde você quer explorar este recurso, e então você será capaz de determinar se pode fazer isso ou não”, acrescentou.

Citando dados da Administração de Informação sobre Energia dos Estados Unidos (EIA, sigla em inglês), o relatório da UNCTAD indica que o mundo ainda tem cerca de 60 anos restantes de gás de xisto antes que o recurso esgote.

Cerca de metade dos 215 trilhões de metros cúbicos que esse total representa está em Argélia, Argentina, Canadá, China e Estados Unidos – embora os EUA sejam o maior produtor mundial de gás de xisto, com 87% da produção total.

“Os EUA são uma exceção”, afirmou Nkurunziza, observando que nenhum outro país tem os enormes investimentos necessários para financiar a exploração de gás de xisto em tal escala.

Graças a essa força financeira, o gigante norte-americano também se tornou um exportador líquido de gás natural em julho do ano passado, enquanto o enorme comprometimento do país com as instalações de liquefação também o colocou na posição de terceiro maior estoque de energia do mundo, depois de Austrália e Qatar, entre agora e 2020.

Outros fatores, como a propriedade de terra, também explicam o domínio dos EUA na exploração de gás de xisto, disse Nkurunziza, destacando que nos EUA, “se você quiser usar sua terra para fraturação hidráulica, essa é uma escolha que só depende de você”.

O funcionário da UNCTAD acrescentou que a maior economia do mundo também tem a “tecnologia mais avançada disponível” para que o fracking aconteça, junto com um sistema financeiro altamente flexível, capaz de resistir aos altos e baixos das mudanças nos preços das commodities.

“Nos EUA, às vezes, quando os preços caem, param (de investir) no fraturamento hidráulico, e quando aumentam, voltam a investir na atividade. É muito flexível”, observou.

Chefe da ONU condena assassinato de policiais e civil em Liège, na Bélgica

Secretário-geral da ONU, António Guterres. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Secretário-geral da ONU, António Guterres. Foto: ONU/Eskinder Debebe

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou os ataques que mataram duas policiais e um civil e deixaram outras quatro pessoas feridas na terça-feira (29) na cidade belga de Liège.

Em uma declaração emitida por seu porta-voz, o secretário-geral da ONU estendeu suas condolências às famílias das vítimas, ao povo e ao governo da Bélgica. Guterres também desejou rápida recuperação aos feridos.

“As Nações Unidas são solidárias à Bélgica em sua luta contra o terrorismo e o extremismo violento”, acrescentou o comunicado.

De acordo com relatos da imprensa, o agressor — um homem de 31 anos que saiu recentemente da prisão — também fez uma funcionária refém em uma escola antes de ser morto por policiais. Além disso, ele é apontado como responsável pela morte de outro indivíduo que conheceu na prisão.

Os promotores belgas trabalham com a suspeita de terrorismo.

Relatores elogiam compromisso da FIFA de proteger ativistas e repórteres de direitos humanos

Estádio Rubin em Kazan, na Rússia. Foto: Wikimedia/Эдгар Брещанов

Estádio Rubin em Kazan, na Rússia. Foto: Wikimedia/Эдгар Брещанов

Relatores das Nações Unidas elogiaram nesta quarta-feira (30) o compromisso assumido pela FIFA de proteger ativistas e jornalistas que chamam atenção para violações dos direitos humanos em eventos esportivos da organização. Em declaração divulgada na véspera, a Federação Internacional de Futebol determina a criação de um mecanismo de prestação de queixas para repórteres e militantes que queiram denunciar abusos sofridos durante seu trabalho.

No pronunciamento, a autoridade máxima em governança do futebol também adota as definições e recomendações consagradas em dois marcos da ONU — a Declaração das Nações Unidas sobre Defensores dos Direitos Humanos e os Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos.

“O ‘jogo bonito’ é uma tremenda fonte de inspiração e entretenimento para pessoas em todo o globo”, afirmaram em comunicado conjunto o relator Michel Forst e o Grupo de Trabalho da ONU sobre empresas e direitos humanos.

“Também sabemos que eventos internacionais de futebol, como outros megaeventos esportivos, são muito frequentemente associados a uma variedade de impactos negativos para as pessoas, de despejos forçados a abusos de direitos trabalhistas, mortes de trabalhadores nas obras dos estádios, discriminação dentro e fora do campo e restrições contra protestos.”

Além disso, segundo os especialistas independentes, jornalistas e ativistas que alertam para preocupações com os direitos da população são recorrentemente vítimas de assédio e retaliação.

Entre as medidas concretas para pôr fim a esses problemas, a FIFA afirmou que exigirá compromissos dos países-sede e dos países que desejem acolher suas competições, com vistas ao respeito e à proteção dos direitos humanos de militantes e representantes da mídia.

O organismo internacional também estabeleceu um mecanismo para receber queixas de ativistas e profissionais de comunicação que tiverem seus direitos indevidamente restringidos enquanto realizam trabalho legítimo relacionado às atividades da federação.

“Lamentavelmente, megaeventos esportivos não estão imune à repressão mais ampla dos defensores de direitos humanos globalmente. A declaração da FIFA busca com esforço se alinhar aos Princípios Orientadores da ONU, definindo uma política explícita com expectativas e passos claros para proteger os que se manifestam contra os impactos negativos. Isso oferece um fundamento sólido para a ação. Outros megaorganismos esportivos deveriam seguir esse exemplo”, acrescentou o comunicado.

Descrevendo a decisão da FIFA como “muito positiva”, Forst e o Grupo de Trabalho disseram ainda que os compromissos do pronunciamento devem ser acompanhados por medidas para prevenir, identificar e combater quaisquer ataques contra ativistas de direitos humanos na próxima Copa do Mundo, que tem início em junho, na Rússia.

Michel Forst é o relator especial da ONU sobre a situação dos defensores de direitos humanos.

Agência da ONU participa de reunião em Brasília sobre adesão do Brasil ao Protocolo de Madri

O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcos Jorge de Lima, e a secretária executiva da pasta, Yana Dumaresq, recebem a Binying Wang, José Graça Aranha e Marcus Höpperger, durante visita ao ministério. Foto: MDIC.

O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcos Jorge de Lima, e a secretária executiva da pasta, Yana Dumaresq, recebem a Binying Wang, José Graça Aranha e Marcus Höpperger, durante visita ao ministério. Foto: MDIC.

Representantes da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) participaram no início de maio (9) de reuniões em Brasília (DF) sobre a adesão do Brasil ao Protocolo de Madri.

Criado em 1989, o protocolo oferece aos titulares a possibilidade de terem suas marcas protegidas em vários países, com apenas um depósito junto ao escritório de registro nacional.

O objetivo das reuniões foi apresentar uma visão geral do debate e os antecedentes das discussões realizadas desde que o governo brasileiro manifestou pela primeira vez sua intenção de aderir ao Protocolo de Madri, em 2017, bem como uma apresentação sobre os benefícios do Sistema de Madri.

As autoridades também apresentaram um roteiro com medidas propostas para que o país se prepare para essa adesão até o fim de 2018.

A primeira reunião teve a participação de dois membros do Comitê de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados, Antônio Bulhões e Francisco Francischini.

A segunda reunião teve a participação do ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Jorge de Lima, e da secretária-executiva do MDIC, Yana Dumaresq. Também contou com a presença de funcionários da Assessoria Internacional, Assistência Técnica, Secretaria de Inovação, Subsecretaria de Informação e Gestão Estratégica.

A delegação da OMPI foi composta pela diretora geral adjunta do setor de marcas e desenhos da organização, Binying Wang; pelo diretor do registro de Madri, Marcus Höpperger, e pelo diretor regional do escritório da OMPI no Brasil, José Graça Aranha.

Concurso premia curtas audiovisuais sobre população rural brasileira

Iniciativa busca desenvolver capacidades de trabalhadores rurais para aumentar e qualificar sua produção (agrícola e não agrícola). Foto: Programa Semear

Iniciativa busca desenvolver capacidades de trabalhadores rurais para aumentar e qualificar sua produção (agrícola e não agrícola). Foto: Programa Semear

Estão abertas as inscrições para o Concurso de Curtas Audiovisuais, promovido pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), das Nações Unidas, por meio do Programa Semear Internacional, que distribuirá 1 mil reais para cada um dos dez primeiros colocados.

O primeiro lugar apresentará seu vídeo durante o 12º Fórum Internacional de Desenvolvimento Territorial, que acontecerá em Bogotá, na Colômbia, com todas as despesas pagas. O edital e todas as informações sobre as inscrições para o concurso estão nos links abaixo. As inscrições podem ser feitas até 8 de julho.

O concurso é direcionado a agricultores familiares que residem em comunidades rurais brasileiras, em especial as que são atendidas por algum projeto apoiado pelo FIDA no Brasil. A intenção é reunir boas práticas que mostrem os impactos das ações dos projetos FIDA sob o olhar dos próprios beneficiários.

Além do Semear Internacional, fazem parte da carteira de projetos do FIDA no país os projetos Dom Távora, em Sergipe; Procase, na Paraíba; Paulo Freire, no Ceará; Viva o Semiárido, no Piauí; Pró-Semiárido, na Bahia; e Dom Helder Câmara, que atua em diversos estados brasileiros.

Com o tema “Mulheres e jovens: protagonistas no desenvolvimento do semiárido brasileiro”, o concurso selecionará vídeos que retratem histórias de mulheres ou jovens que, por meio de alguma ação praticada na comunidade que residem, proporcionaram mudanças positivas no cotidiano daquela região.

As pessoas retratadas nos vídeos precisam morar em comunidades rurais atendidas por algum projeto FIDA. Os vídeos deverão incluir narrativa sobre alguns resultados econômicos provenientes da atuação dos projetos apoiados pelo organismo internacional.

Para participar do concurso, o candidato terá que produzir um vídeo entre três e cinco minutos em qualquer tipo de equipamento (câmera de vídeo, câmera de fotos digital, sequências de fotos, câmera de celular, animação etc), com resolução mínima de 720 x 480 pixels e nitidez suficiente que permita uma visão clara. Os vídeos poderão pertencer a qualquer gênero audiovisual (documentário, ficção, animação, jornalístico etc).

O candidato deverá preencher uma ficha de inscrição e os termos de uso de imagem, assinada pela(s) pessoa(s) que está(ão) participando da gravação, e de uso do vídeo assinada pelo autor, e enviar com o link da obra para download ao e-mail concursosemear@gmail.com. Toda a documentação necessária está disponível no site do Semear Internacional.

Semear Internacional

O Semear Internacional é um programa fruto de uma doação do FIDA para o Brasil que trabalha com gestão do conhecimento, monitoramento, avaliação e comunicação junto aos projetos apoiados pelo FIDA na região semiárida do Nordeste do país.

A iniciativa atua por meio de capacitações, intercâmbios e difusão das boas práticas presentes nestes projetos em todo o Brasil e em países da América Latina e África.

Download de documentos

Ficha de Inscrição: ficha de inscrição_concurso
Edital do Concurso: edital_concurso_videos
Termo de Uso de Imagem: autorização de imagens_entrevistas
Termo de Uso de Vídeo: autorização de uso dos vídeos

Programa nacional de voluntariado promove prêmio sobre objetivos da ONU

Iniciativa do governo federal em parceria com o PNUD visa promover o voluntariado em todo o Brasil. Foto: PNUD/Tiago Zenero

Iniciativa do governo federal em parceria com o PNUD visa promover o voluntariado em todo o Brasil. Foto: PNUD/Tiago Zenero

O programa nacional de voluntariado da Presidência da República, também conhecido pelo nome Viva Voluntário, abriu nesta semana (28) inscrições para um prêmio que reconhecerá cidadãos e instituições dedicados a esse tipo de atividade. Entidades e indivíduos devem promover boas ações alinhadas a pelo menos um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS). Prazo para inscrição se encerra em 29 de junho.

A premiação é dividida em quatro categorias — voluntariado nas organizações da sociedade civil, voluntariado no setor público, voluntariado empresarial e líder voluntário. Serão premiadas duas iniciativas por cada categoria. Inscrições serão feitas mediante o preenchimento de formulário eletrônico, disponibilizado no endereço http://www4.planalto.gov.br/vivavoluntario.

Acesse o edital da competição clicando aqui.

O Programa Viva Voluntário é promovido pelo governo federal em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Programa arrecada doações para crianças venezuelanas em Roraima

Também no início da semana (28), o Conselho Gestor do Viva Voluntário realizou sua segunda reunião, para discutir os avanços na implementação do projeto nacional de voluntariado.

Para o próximo mês, está prevista uma campanha de arrecadação de alimentos, roupas e fraldas para crianças venezuelanas com menos de quatro anos em Roraima. Em Brasília, serão espalhadas 50 caixas para a coleta de doações nos ministérios, nas sedes das estatais, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, e na Casa da ONU.

A iniciativa é também da Presidência da República, com apoio do PNUD e do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Viva Voluntário já tem cidades-piloto

A oficial de programa para Paz e Governança do PNUD no Brasil, Moema Freire, falou sobre a chegada do Viva Voluntário a cinco capitais brasileiras, como projeto em fase de teste.

“Foram selecionadas pelo Conselho Gestor as cidades de Salvador, São Paulo, Porto Alegre, Brasília e Boa Vista, como cidades-piloto na primeira fase do programa. As cidades-piloto contarão com ações intensivas de capacitação e mobilização do programa, como forma de potencializar as ações do Viva Voluntário em todas as regiões do país, a partir desses pólos”.

As atividades nesses municípios contará ainda com a parceria do Programa de Voluntariado das Nações Unidas (UNV).

Entre as próximas atividades do Comitê Gestor do Viva Voluntário, programadas para 2018, estão o desenvolvimento da Plataforma Digital do Voluntariado, ferramenta que reunirá as iniciativas e projetos das organizações que precisam de voluntários; o estabelecimento oficial das cinco cidades-piloto em cada uma das regiões do país; a apresentação da proposta do código de ética do voluntário; e o incentivo à participação em atividades voluntárias por parte dos servidores públicos.

OIT e MPT promovem inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho

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“Janelas e portas abrem e se fecham, há cortinas dentro que se mesclam, muitos tecidos que escondem e revelam. Janelas e portas batem e silenciam, há grades dentro e por fora, aberturas e mínimas chances de fuga. Janelas e portas protegem e iludem, vidros são limpos e escuros, há marcas de mãos perto dos trincos.”

O poema acima remete à história de vida de muitas trans e LGBTs no Brasil, que sofrem transfobia e discriminação da sociedade e da família, afirmou Daniela Delli, antes de declamar os versos de Martha Medeiros para uma plateia reunida no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, em São Paulo, numa manhã de maio.

Expulsa de casa aos 17 anos devido à sua sexualidade, hoje ela trabalha como coordenadora da Casa 1, um espaço de cultura e acolhimento LGBT na capital paulista.

Daniela é uma das 16 mulheres travestis e transexuais que participaram da segunda edição do curso de assistente de cozinha realizado pelo projeto “Empregabilidade de Pessoas Trans – Cozinha & Voz”, que promove a inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade no mercado de trabalho formal.

Trata-se de uma ação conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A chef de cozinha Paola Carosella atua como coordenadora do curso, que é realizado na entidade de ensino profissionalizante Faculdade Hotec.

Izabelly Mello, de 31 anos, é apaixonada por culinária e não perdeu nenhuma das nove aulas, que cobriram as aptidões básicas do trabalho em uma cozinha de restaurante, como manipulação de resíduos, estocagem de alimentos, técnicas para o preparo de saladas, peixes, frango, carne e legumes, além de limpeza e postura.

“Gostei muito, foi bastante proveitoso”, disse ela, que deseja trabalhar na área. Ela pretende buscar uma colocação no mercado, com o apoio da equipe do projeto.

Lorelay Claro, de 30 anos, ficou particularmente satisfeita com o aspecto prático do curso. “A gente teve muita experiência na cozinha, experiência de como se portar num local de trabalho, saber como trabalhar com outras pessoas, (…) como trabalhar em conjunto para que um único trabalho seja bem sucedido, e isso é muito importante para qualquer outro lugar onde você vá trabalhar”.

Indicada para participar do projeto pela Casa 1, ela contou que já estudou hotelaria e que sonha em fazer faculdade de gastronomia para trabalhar em restaurantes, ou até mesmo montar seu próprio negócio. “É muito importante para nós, mulheres transexuais, conseguir ter essa oportunidade para mostrar o nosso talento, mostrar que a gente consegue fazer qualquer tipo de coisa”, destacou Lorelay.

O projeto também conta com o apoio da Txai Consultoria e Educação e da Casa Poema, que promoveu uma oficina de poesia com a poeta, atriz e jornalista Elisa Lucinda e a atriz e diretora Geovana Pires, para desenvolver a comunicação interpessoal e a autoconfiança das alunas antes do início do curso. “A poesia ajudou muito quem tem um pouco de dificuldade de falar, de se comunicar, de se expressar”, disse Lindsay Lohanne Lopez, de 39 anos.

Formada em design gráfico, Lindsay trabalhou por muito tempo como cabeleireira, além de ser atriz e blogueira. Para ela, a culinária sempre foi uma paixão pessoal. “Profissionalmente eu nunca trabalhei com cozinha, mas sempre cozinhei todo tipo de comida para minha família e meus amigos. Sempre gostei muito da cozinha em geral, é o lugar onde eu me desestresso”. Segundo ela, o curso despertou várias ideias empreendedoras para tentar montar seu próprio negócio.

Durante a cerimônia de formatura no TRT, onde as alunas realizaram um recital de poesia e receberam certificados, a chef Paola Carosella ressaltou: “estamos construindo um projeto que pode parecer muito pequeno, de pequeno impacto, mas queremos que seja assim, porque está sendo construído com qualidade”.

Impacto pequeno, mas profundo

O projeto Cozinha & Voz realizou a primeira edição do curso de assistente de cozinha no final de 2017 e conseguiu encaminhar para o mercado de trabalho cerca de 70% das mulheres travestis e transexuais e homens transexuais que participaram. A iniciativa conta com uma rede de empresas parceiras, como Sodexo, Avon, Arturito, Fitó e Mangiare, que já contrataram formandas.

Um dos destaques da primeira turma foi Yasmin Bispo, de 40 anos, que foi contratada pelo próprio projeto para selecionar e acompanhar as alunas da segunda edição, realizada em abril deste ano. “Era necessário ter uma trans ou travesti que pudesse ter o mesmo diálogo com essas meninas, e para mim tem sido uma experiência enriquecedora”, declarou.

Formada em artes cênicas, Yasmin sempre trabalhou com teatro e dança. Ela contou que há dois anos conseguiu superar o vício em drogas e que conheceu o projeto através do Centro de Acolhida Florescer, o primeiro equipamento público do tipo no Brasil a atender exclusivamente mulheres transexuais e travestis.

“(O curso) me trouxe um pouco mais de perspectiva para a minha própria vida, de saber que eu sou capaz”, explicou Yasmin. “Me ajudou muito com a minha autoestima, com a minha dignidade, com o interesse de poder crescer na vida, pois a sociedade nos tira esse direito, esquecendo que a gente existe, resiste e sonha todos os dias com a oportunidade de trabalho, de respeito, com a quebra de preconceitos e paradigmas que a sociedade impõe”.

Atualmente, Yasmin continua fazendo seu tratamento no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (CRATOD), e deseja estudar pedagogia ou serviço social para poder avançar no trabalho com o público LGBTQ. “Eu só tenho a agradecer a todas as pessoas e instituições envolvidas no projeto, e também ao projeto Recomeço, ao CRATOD e ao Coletivo Mexa, do qual faço parte. Meu maior objetivo é um dia formar uma ONG para o público LGBTQ”, afirmou ela.

Vanessa Holanda foi uma das colegas de Yasmin na primeira edição do Cozinha & Voz. “Antes do curso, eu não tinha muitas chances de trabalho formal e esperava muito ter uma oportunidade”, disse. Após a formatura, ela foi contratada pela Sodexo, que tem restaurante na Avon. “A resposta da empresa foi extremamente positiva e hoje me sinto muito bem acolhida em meu novo ambiente de trabalho”, salientou.

A presidente da Sodexo no Brasil, Andreia Dutra, ressaltou a contratação de Vanessa por meio do projeto como um indicativo de mudanças na cultura das corporações rumo à maior diversidade. “Acredito que, com mais esta edição (do curso), vamos conseguir sensibilizar outras empresas a aderir ao projeto e se unir na promoção da empregabilidade de uma parcela da população muito talentosa e que ainda é muito excluída”.

Outra formanda da primeira edição, Bia Mattos, foi contratada pelo restaurante Fitó, que só emprega em sua equipe mulheres cis e trans. “Estamos muito contentes em tê-la lá. Dar espaço para a diversidade das formas de ser mulher é fundamental para o Fitó”, afirmou Tomás Foz, um dos sócios do restaurante.

Morena Caymmi, mulher trans, jornalista e fotógrafa, trabalha como anfitriã do Fitó há quatro meses. “Esse é meu primeiro emprego de carteira assinada (…). É muito bom acordar e ir para um lugar onde você não é tratada com outro pronome que não seja ‘ela’, ou outro artigo que não seja ‘a’. Não existe outro nome senão o meu nome social que eu escolhi”.

Olhando para o futuro

Para a chef Paola Carosella, o Cozinha & Voz possui um enorme potencial para se expandir e atender diferentes grupos de pessoas, de diferentes formas, para inseri-las no mercado de trabalho.

“Esse projeto precisa crescer e continuar”, disse. Na formatura da segunda turma do curso, a coordenadora nacional da Coordenadoria Nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidade e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade) do MPT, Valdirene de Assis, explicou que o Cozinha & Voz é parte de um projeto nacional de empregabilidade para a população LGBTQ e deve ser levado em breve para outros estados e públicos, como os jovens negras e negros.

Participando da mesa de abertura da formatura, o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, lembrou que a iniciativa atinge um grupo “extremamente excluído e discriminado” da população. Já o diretor da OIT no Brasil, Martin Hanh, destacou a grande visão, determinação e criatividade da iniciativa para abordar o problema da exclusão de pessoas travestis e transexuais do mercado de trabalho devido à discriminação.

“A OIT tem como mandato a promoção do trabalho decente, que é o trabalho em condições de igualdade, liberdade e dignidade humana. Como uma agência da ONU, estamos ligados à Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, que tem a missão de não deixar ninguém para trás”, afirmou Hahn. “Isso nos dá uma responsabilidade fundamental de lutar contra todos os preconceitos que excluem grande parte da população dos direitos fundamentais, como o direito de ser”.