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Veterana alemã das Nações Unidas assume escritório de direitos humanos na América do Sul

Birgit Gerstenberg é a nova representante do ACNUDH na América do Sul. Foto: CEPAL/Carlos Vera

Birgit Gerstenberg é a nova representante do ACNUDH na América do Sul. Foto: CEPAL/Carlos Vera

A alemã Birgit Gerstenberg assume neste mês a chefia do escritório sul-americano do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). Com mais de 20 anos de experiência na ONU, a dirigente traz para a representação regional da agência uma bagagem que inclui passagens por missões de paz e por países como Jamaica, Uganda, Colômbia, Guatemala e El Salvador.

Sobre o trabalho à frente do ACNUDH na América do Sul, a veterana afirmou que espera “manter um diálogo permanente e fortalecer a cooperação com todos os setores da sociedade, incluindo os Estados, sociedade civil e outros atores relevantes, com ênfase naquelas pessoas e grupos que com frequência são discriminados e deixados para trás”.

Birgit representou o organismo das Nações Unidas em Uganda e foi assessora de direitos humanos do Escritório do Coordenador-Residente da ONU na Jamaica. Também coordenou as instalações do ACNUDH em Darfur, monitorando a situação de pessoas forçadamente deslocadas pelo conflito na região. A especialista ocupou cargos técnicos nas missões de paz da ONU em El Salvador e na Guatemala.

Com sede em Santiago, no Chile, o escritório sul-americano da agência da ONU tem a missão de observar, promover e proteger os direitos humanos em nove países — Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

Em São Paulo, ONU Mulheres promove amanhã sua 1ª caça aos livros sobre igualdade de gênero

Atriz Emma Watson esconde livros no metrô de Londres. Imagem de novembro de 2016. Foto: Instagram/Emma Watson

Atriz Emma Watson esconde livros no metrô de Londres. Imagem de novembro de 2016. Foto: Instagram/Emma Watson

A estação Vila Prudente, do metrô de São Paulo, será palco amanhã (25), às 14h, da primeira caça aos livros promovida pela ONU Mulheres no Brasil. Participantes terão uma hora para encontrar uma das 150 cópias do livro “Malala: a menina que queria ir para a escola”, da brasileira Adriana Carranca. Desses volumes, 30 trazem um cupom para a troca por mais uma obra, escolhida e autografada por atrizes e personalidades, como a britânica Emma Watson, embaixadora da Boa Vontade da agência das Nações Unidas.

A ação do organismo internacional visa incentivar a leitura de obras escritas por mulheres e que abordem igualdade de gênero, raça e etnia. A inciativa foi inspirada no clube de leitura online de Watson, chamado “Nossa estante compartilhada” (do inglês, “Our Shared Shelf”). Famosa por interpretar a Hermione da série Harry Potter, a atriz enviou para o Brasil um volume assinado do livro “A Cor Púrpura”, de Alice Walker.

A caça aos livros da agência das Nações Unidas leva o nome do Movimento ElesPorElas (HeForShe, em inglês), criado pela ONU para trazer homens e meninos para a luta pelo fim das desigualdades de gênero. O projeto está aberto para receber apoio de qualquer pessoa, sejam homens ou mulheres. Com o jogo no metrô de São Paulo, o organismo internacional espera envolver mais jovens no movimento.

“Queremos incentivar cada vez mais a leitura de livros sobre mulheres inspiradoras e sobre a igualdade de gênero, em especial entre jovens, pois a leitura é uma fonte poderosa de conhecimento e empoderamento. A literatura feminista é capaz de nos trazer novas perspectivas, de transformar a nossa maneira de pensar, de nos fornecer novas referências de representatividade, e de eliminar preconceitos, de modo a inspirar os leitores e leitoras a se tornarem conscientes de comportamentos preconceituosos e que discriminam e se tornarem agentes da mudança para a igualdade de gênero”, disse Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.

Atrizes e apresentadoras brasileiras também apoiam caça aos livros

As integrantes do elenco do Canal GNT, Astrid Fontenelle, Bela Gil, Fernanda Rodrigues, Gaby Amarantos, Helena Rizzo, Mariana Weickert, Micaela Goes, Mônica Martelli e Pitty também deram sua contribuição para a caça aos livros, selecionando obras para as sortudas e sortudos que acharem os cupons premiados.

Outros títulos foram escolhidos por Camila Pitanga, embaixadora da ONU Mulheres no Brasil, Taís Araújo e Kenia Maria, defensoras dos Direitos das Mulheres Negras da agência das Nações Unidas, e Juliana Paes, defensora para a Prevenção e a Eliminação da Violência contra as Mulheres. A diretora-executiva da Mauricio de Sousa Produções, Mônica Sousa, e a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, também mandaram volumes para a competição.

A Caça aos Livros ElesPorElas HeForShe é realizada em parceria com o Metrô de São Paulo e com o apoio das empresas Atento, Avon, Canal GNT e Heads Propaganda.

Confira abaixo as obras que foram escolhidas e doadas pelas personalidades apoiadoras da ação:

Malala, a menina que queria ir para a escola Adriana Carranca
A cor púrpura Alice Walker
A princesa salva a si mesma neste livro Amanda Lovelace
Um defeito de cor Ana Maria Gonçalves
Mulheres, Raça e Classe Angela Davis
Mônica Força Bianca Pinheiro
Sejamos todos feministas Chimamanda Adichie
Para educar crianças feministas Chimamanda Adichie
A hora da estrela Clarice Lispector
Mulheres que correm com os lobos Clarissa Pinkola Estés
Ponciá Vicêncio Conceição Evaristo
Olhos d’água Conceição Evaristo
A amiga genial Elena Ferrante
Vivendo minha vida Emma Goldman
Histórias de ninar para garotas rebeldes Vol. 1 e 2 Francesca Cavallo e Elena Favilli
Lute como uma garota Laura Barcella e Fernanda Lopes
O Conto da Aia Margaret Atwood
As cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo Rachel Ignotofsky
Fome Roxane Gay
O segundo sexo Simone de Beauvoir
Um teto todo seu Virginia Woolf

 

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Coordenadora do Movimento ElesPorElas HeForShe
ONU Mulheres Brasil
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Impacto da AIDS na força de trabalho custa bilhões em ganhos perdidos, diz OIT

UNAIDS atua na África Central e Ocidental para combater HIV. Foto: UNAIDS

UNAIDS atua na África para lidar com epidemia de HIV. Foto: UNAIDS

Além do sofrimento humano, o HIV e a AIDS causam bilhões de dólares em ganhos perdidos, em grande parte como resultado das mortes de centenas de milhares de trabalhadores que poderiam ser evitadas com tratamento, disse a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em um relatório lançado hoje.

Os ganhos perdidos atribuíveis à AIDS — como resultado de morte ou incapacidade para trabalhar — mostram um declínio substancial a partir de 2005, quando eles totalizaram quase 17 bilhões de dólares, mas ainda projeta-se que eles cheguem a 7,2 bilhões de dólares em 2020.

O relatório “O impacto do HIV e da AIDS no mundo do trabalho: Estimativas globais”, preparado em colaboração com o UNAIDS, examina como a evolução da epidemia do HIV e o aumento na oferta da terapia antirretroviral (TARV) tiveram impacto sobre a força de trabalho global e como estão as projeções para o futuro. Além disso, o documento faz uma avaliação sobre os impactos econômicos e sociais do HIV nos trabalhadores e em suas famílias.

O relatório mostra que as mortes da força de trabalho atribuídas ao HIV e à AIDS devem cair para 425.000 em 2020, de 1,3 milhão em 2005. A maior incidência de mortalidade está entre os trabalhadores na faixa dos 30 anos. “Esta é a idade em que os trabalhadores estão normalmente no auge de sua vida produtiva. Essas mortes são totalmente evitáveis se o tratamento for ampliado e acelerado”, disse Guy Ryder, Diretor-Geral da OIT.

A boa notícia é que o tratamento para o HIV está mantendo os trabalhadores produtivos. O número de trabalhadores que vivem com HIV e que estão total ou parcialmente incapazes de trabalhar diminuiu drasticamente desde 2005, e a projeção é de que esta tendência se mantenha. Estima-se que o número total de pessoas com incapacidade total para trabalhar diminua para cerca de 40.000 em 2020, de um nível de cerca de 350.000 em 2005 — um declínio de 85% para homens e de 93% para mulheres.

O relatório também analisa os “custos ocultos” — o peso dos cuidados ou tarefas adicionais para os membros da família. Em 2020, cerca de 140 mil crianças terão uma carga adicional de trabalho infantil, de acordo com a previsão mediana, enquanto um equivalente adicional de 50 mil trabalhadores em tempo integral realizarão trabalho de cuidados não remunerado.

O número de trabalhadores que vivem com o HIV aumentou de 22,5 milhões em 2005 para 26,6 milhões em 2015. A previsão é de que esse número aumente para cerca de 30 milhões em 2020, mesmo que a oferta do tratamento antirretroviral seja ampliada como projetado.

“A mera ampliação da oferta de tratamento não é suficiente. Testagem e medidas de prevenção do HIV também precisam ser intensificadas se quisermos acabar com a AIDS. Isso faz sentido tanto para as pessoas quanto para a economia”, acrescentou Guy Ryder.

Acesse o relatório na íntegra clicando aqui.

Contatos para a imprensa:

Organização Internacional do Trabalho — OIT
Ana Paula Canestrelli
Telefone: (61) 2106-4625
E-mail: canestrelli@ilo.org
Site: www.oit.org.br

Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS — UNAIDS

Daniel de Castro
Telefone: (61) 3225-0485
E-mail: imprensa@unaids.org / decastrod@unaids.org
Site: www.unaids.org.br

No dia da propriedade intelectual, agência da ONU promove debate com cientista brasileira

A professora e cientista Joana D’Arc Felix de Souza. Foto: Acervo Pessoal

A professora e cientista Joana D’Arc Felix de Souza. Foto: Acervo Pessoal

Para celebrar o Dia Mundial da Propriedade Intelectual (26 de abril), o escritório brasileiro da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), em cooperação com o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET), organizou um debate no Rio de Janeiro para discutir a participação das mulheres na inovação.

Isabella Pimentel, conselheira do escritório da OMPI no Brasil, fez uma apresentação sobre os aspectos básicos da propriedade intelectual e o papel da OMPI para uma audiência formada por professores e alunos de graduação.

A palestra foi seguida de uma apresentação intitulada “Transformando alunos de graduação com educação técnica profissional em produtores de conhecimento”, feita pela química, professora e cientista brasileira Joana D’Arc Felix de Souza.

A professora fez um discurso comovente, no qual falou sobre sua origem pobre em Franca, interior de São Paulo, como filha de empregada doméstica e de um trabalhador de curtume de couro, e sobre sua jornada até obter um doutorado em Harvard. Ela também apresentou seu portfólio de projetos em química, desenvolvidos por seus alunos do ensino médio.

Entre os produtos que ela e sua equipe desenvolveram, estão uma pele humana artificial para transplantes e testes farmacológicos e um tecido ósseo para remodelação, reconstituição e transplante. Ao selecionar os alunos para o laboratório, a cientista prioriza aqueles que vêm de famílias desestruturadas ou que correm o risco de se envolver com tráfico de drogas e prostituição.

Dirigindo-se a uma plateia de jovens, a professora disse que saiu da pobreza devido ao hábito de ler, e aconselhou os alunos a fazerem o mesmo, aprender a interpretar textos e nunca desistir da educação.

Hoje, graças à qualidade do trabalho desenvolvido por seus alunos, ela conseguiu criar uma cooperativa que arrecada fundos para pesquisa, registra patentes e comercializa resultados. A cooperativa está localizada na Escola Técnica Prof. Carmelino Corrêa Júnior, em Franca, onde trabalha há 14 anos.

Mais da metade dos idosos latino-americanos não recebe aposentadoria de sistemas contributivos

CEPAL e OIT destacaram que o trabalho por conta própria é a principal fonte de renda entre as pessoas idosas que continuam trabalhando. Foto: EBC

CEPAL e OIT destacaram que o trabalho por conta própria é a principal fonte de renda entre as pessoas idosas que continuam trabalhando. Foto: EBC

A falta de aposentadoria de um sistema contributivo afeta mais da metade dos homens e, sobretudo, das mulheres com mais de 60 anos na América Latina, principal fator que os mantêm ativos no mercado de trabalho. A conclusão é de nova publicação da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgada na terça-feira (22).

Na edição 18 da publicação “Conjuntura Laboral na América Latina e no Caribe (maio de 2018)“, os dois organismos das Nações Unidas destacaram que, segundo suas projeções, entre 2015 e 2050 a proporção de pessoas com 60 anos ou mais na força de trabalho aumentará de 7,5% para 15%. Contribuem para isso, sobretudo, o envelhecimento da população e, em menor grau, um moderado aumento da participação laboral dos adultos idosos.

Apesar dos avanços recentes na formalização do emprego e na expansão dos sistemas contributivos de aposentadoria, em média, 57,7% das pessoas com idade entre 65 e 69 anos, e 51,8% daquelas com mais de 70 anos não recebem aposentadoria de um sistema contributivo, com taxas ainda mais elevadas para as mulheres. Os dados referem-se a oito países da região.

Essa situação obriga muitas pessoas idosas a trabalhar — a taxa de ocupação para o conjunto das pessoas com 60 anos ou mais alcança 35,4% na região, segundo o estudo. Essa proporção é elevada mesmo em grupos etários que já ultrapassaram a idade legal de aposentadoria: 39,3% no grupo de 65 a 69 anos e 20,4% no de 70 e mais anos. As taxas são mais altas nos países com baixa cobertura dos sistemas contributivos de aposentadorias, de acordo com o relatório.

CEPAL e OIT destacaram que o trabalho por conta própria é a principal fonte de renda entre as pessoas idosas que continuam trabalhando. Isso pode refletir tanto a discriminação que obstrui o acesso a um emprego assalariado, como o desejo de trabalhar de forma independente, aproveitando as qualificações adquiridas ao longo de sua vida laboral para trabalhar em condições que permitam maior flexibilidade. Além disso, o estudo mostrou que uma elevada proporção dos adultos idosos ocupados atua na agricultura, onde a cobertura dos sistemas de aposentadoria costuma ser baixa.

O estudo também indicou que 7,2% das pessoas com 60 anos ou mais estão trabalhando, apesar de receberem uma aposentadoria de um sistema contributivo, o que pode ser atribuído ao baixo montante recebido ou à preferência de permanecer ativos, sobretudo entre pessoas de maior escolaridade.

“É necessário ampliar a cobertura dos sistemas de aposentadorias e complementá-los com aposentadorias não contributivas, a fim de reduzir a pressão sobre os idosos, que se veem obrigados a continuar trabalhando, geralmente em empregos de baixa produtividade, a fim de poder contar com meios mínimos de subsistência em uma idade na qual as sociedades deveriam garantir as condições para desfrutar uma velhice digna”, disseram Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL, e José Manuel Salazar, diretor regional da OIT, no prólogo da publicação.

Eles disseram ainda que, frente ao acelerado processo de envelhecimento pelo qual passam as populações de muitos países latino-americanos, é uma obrigação analisar as condições e o financiamento dos sistemas de aposentadorias, de forma a serem inclusivos e sustentáveis.

Em relação à atual conjuntura laboral geral na América Latina, o relatório CEPAL-OIT explicou que, em 2018, a região está vivendo uma fase de modesta recuperação econômica. A estimativa é de crescimento de 2,2% este ano, frente a 1,3% em 2017.

Nesse contexto, os organismos projetam um leve aumento da taxa de ocupação regional, o que implicaria que, pela primeira vez desde 2014, será registrada uma leve queda da taxa de desemprego urbano para cerca de 9% (depois de registrar 9,3% em 2017, nível mais elevado desde 2005). Essa evolução do emprego, junto coma continuidade do aumento real dos salários de forma moderada, contribuirá para fortalecer o poder de compra dos lares, de forma a estabilizar a retomada econômica.

Banco Mundial e parceiros promovem evento em SP sobre políticas de segurança pública

O Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e o Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Públicas da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (MPGPP), promovem na quinta-feira (24) a conferência “Prevenção da violência e segurança pública: desafios, boas práticas e caminhos para uma gestão mais eficiente”.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, confirmou participação na mesa de abertura do evento, que também contará com a presença do secretário Mágino Alves Barbosa Filho (SSP SP) e da coronel PM Helena Reis (Casa Militar de São Paulo) e com falas de Martin Raiser (Banco Mundial), Hugo Flórez Timorán (BID), Rafael Alcadipani (MPGPP), Luiz Artur Ledur Brito (EAESP-FGV) e Renato Sérgio de Lima (FBSP e FGV).

A conferência terá três painéis para discutir os desafios da segurança pública, políticas de prevenção e o tema da governança e gestão dos gastos públicos na área.

Refugiado hondurenho arrisca sua vida em busca de segurança no México

O refugiado hondurenho Armando* conversa com funcionários em um abrigo para deslocados forçados no México. Foto: ACNUR/Yolanda Azucena Mendez Davila

O refugiado hondurenho Armando* conversa com funcionários em um abrigo para deslocados forçados no México. Foto: ACNUR/Yolanda Azucena Mendez Davila

Motorista de táxi em Honduras, seu país natal, Armando* tinha que passar diariamente por diversas áreas dominadas por gangues de rua, sempre temendo por sua vida.

“Todo dia, ir trabalhar era um desafio. Não sabia se voltaria para minha casa, mas eu não tinha outra escolha – precisava de dinheiro para viver e sustentar minha irmã e minha mãe, com quem eu morava ”, lembra.

Nas cidades hondurenhas, a ocupação de Armando se tornou uma das mais perigosas. De acordo com os últimos números publicados pelo Observatório de Violência, da Universidade Autônoma de Honduras, 1.335 trabalhadores do setor de transportes público foram assassinados de 2010 a 2016. Quase metade das vítimas — 667 — eram motoristas de táxi.

Membros de grupos criminosos conhecidos localmente como maras exigem de condutores de ônibus e de carros particulares o pagamento de “impostos de guerra”. Quem não colabora recebe ameaças de morte.

Incapaz de cumprir as crescentes exigências de extorsão, Armando faltou uma reunião agendada com a gangue e fugiu a pé e de ônibus para o país vizinho, a Guatemala. Depois de atravessar a fronteira para o México, subiu num trem de carga, mais conhecido como “la bestia”, ou “a besta”, rumo ao norte. Mas não sabia que estava novamente correndo perigo mortal. Criminosos atacaram o veículo e jogaram Armando sob as rodas do trem em movimento. Ele teve sua sua perna direita amputada.

Médicos o operaram em um hospital no México. Enquanto se recuperava em um abrigo, o hondurenho completou um pedido de refúgio com o apoio da Comissão Mexicana de Ajuda aos Refugiados.

Desde 2011, mais de 350 mil moradores de Honduras, Guatemala e El Salvador apresentaram solicitações de asilo, após serem forçados a fugir da crescente violência em casa. Só no ano passado, quase 130,5 mil pedidos de refúgio foram registrados, segundo dados do governo. A maioria procura segurança no México, Costa Rica, Nicarágua, Panamá, Belize e Estados Unidos.

Em 2018, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) precisa de 36,2 milhões de dólares para fornecer proteção e assistência a pessoas como Armando. Porém, apenas 12% desse orçamento foi recebido pelo organismo internacional até o momento.

Com os cuidados que recebeu no abrigo, Armando está se recuperando. Ele teve seu status de refugiado reconhecido pelas autoridades mexicanas e encontrou trabalho em uma paróquia local da Igreja Católica, onde é responsável pela atualização de registros, incluindo batismos, casamentos, comunhões e outras cerimônias. Ele também está aguardando uma prótese para a sua perna, que será doada por um programa do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

“Quando cheguei, senti que estava preso em um país que não era meu, mas agradeço ao ACNUR e ao abrigo que me apoiaram o tempo todo em meu processo de refúgio”, diz Armando, que está solicitando residência no México, onde sonha se tornar um produtor musical ou professor de idiomas.

*Nome alterado por motivos de proteção

Em dia internacional, Fundo de População da ONU pede fim da fístula obstétrica

Foto: Marcello Casal/ABr

Foto: Marcello Casal/ABr

No Dia Internacional pelo Fim da Fístula Obstétrica, lembrado nesta quarta-feira (23), a diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Natalia Kanem, disse que a gravidez e o parto deveriam estar entre as ocasiões mais felizes na vida de uma mulher. Infelizmente, este não é o caso para muitas das mulheres mais pobres e marginalizadas do mundo, lembrou.

“A fístula obstétrica, uma lesão causada por trabalhos de partos prolongados e obstruídos sem cuidado médico imediato, está silenciosamente privando milhões de mulheres e garotas de sua saúde, esperança e dignidade. A condição frequentemente deixa a mulher com incontinência urinária crônica e normalmente resulta na morte do bebê”, declarou Natalia em comunicado para a data.

A fístula, que foi virtualmente eliminada em países mais ricos, é uma séria violação de direitos humanos, um reflexo das falhas nos sistemas de saúde e um trágico sinal de injustiça social e desigualdades globais, salientou.

Muitas sobreviventes de fístula, como Amina Mba, de Camarões, são garotas que engravidaram enquanto ainda eram fisicamente imaturas, lembrou Natalia. Depois de ter sido casada ainda criança, engravidou aos 13 anos e desenvolveu fístula devido ao trabalho de parto obstruído. A condição a deixou Amina incontinente e o estigma fez com que ela fosse abandonada por marido e família.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável globais são um apelo audacioso e arrojado para não deixar ninguém para trás, especialmente as pessoas mais marginalizadas, esquecidas e sem voz. O tema deste Dia Internacional pelo Fim da Fístula Obstétrica, “Não deixar ninguém para trás: Vamos nos empenhar em acabar com a fístula obstétrica agora!”, ressalta a dura realidade de que falhar em eliminar a fístula prejudica as chances de alcançar muitos destes objetivos.

“Já percorremos um longo caminho. Desde 2003, o UNFPA, Fundo de População das Nações Unidas, líder global da campanha de combate à fístula obstétrica apoiou, junto a seus parceiros, quase 100 mil operações que mudaram a vida e curaram lesões físicas e psicológicas de sobreviventes. Isso inclui Amina, que foi curada no ano passado após viver com fístula por sete anos. No entanto, mais de 2 milhões de mulheres e garotas no mundo todo ainda sofrem com essa condição”, declarou a diretora-executiva do UNFPA.

“Está na hora de acabar com o sofrimento desnecessário causado pela fístula em consonância com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Vamos nos comprometer em colocar em primeiro lugar a pessoa que está em último e assegurar direitos humanos, bem-estar e dignidade a todas e todos. O UNFPA está comprometido em acabar com a fístula em uma geração e nós convocamos o mundo a se juntar a nós neste ousado esforço.”