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ONU mobiliza setor privado em prol da biodiversidade no México, América Central e República Dominicana

Espécie de lagarto encontrada na Reserva de Vida Silvestre Texiguat, em Honduras. Foto: Flickr (CC)/Joe Townsend

Espécie de lagarto encontrada na Reserva de Vida Silvestre Texiguat, em Honduras. Foto: Flickr (CC)/Joe Townsend

A ONU Meio Ambiente e a Aliança Meso-Americana pela Biodiversidade firmaram uma parceria neste mês (9) para mobilizar o setor privado em prol da conservação da natureza. Cooperação visa prevenir a perda de flora e fauna silvestres no México, Guatemala, Belize, República Dominicana, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica e Panamá. Países concentram 7% de toda a diversidade biológica do planeta.

Desde 1960, essa região subcontinental perdeu 25% de suas florestas, segundo o levantamento mais recente da Plataforma Inver-governamental Científico-Normativa sobre Diversidade Biológica (IPBES). Esse ritmo de devastação ameaça a oferta de recursos naturais, como água e solos férteis, e também espécies em perigo, como a onça e a anta.

Ainda de acordo com o IPBES, sem uma resposta efetiva no presente, a região das Américas verá 40% de sua biodiversidade desaparecer até 2050. Entre os problemas identificados na Meso-América, estão a fragmentação dos habitats naturais — devido ao crescimento da população —, os crimes ambientais e práticas produtivas irresponsáveis.

“Na Meso-américa, uma região que possui mais de 7% da biodiversidade mundial, precisamos das empresas para garantir o uso sustentável dos recursos e para desestimular as práticas que degradam o meio ambiente, como a exploração madeireira ilegal ou o tráfico ilegal de espécies. Por isso, é prioritário ajudar o setor privado a integrar a conservação em seus sistemas de gestão”, afirmou o presidente da Aliança, George Jaksch, em cerimônia no Panamá para formalizar a parceria com as Nações Unidas.

A cooperação defenderá a inclusão do tema da biodiversidade e seu uso sustentável nas cadeias produtivas, além de mobilizar fontes de financiamento para empresas que desenvolvam práticas benéficas para os ecossistemas. Outra frente de atuação será o incentivo a novas parcerias entre Estados, setor privado e ONGs ambientais.

“Governos, cientistas, cidadãos e empresas não podem trabalhar isoladamente para responder às ameaças globais contra a biodiversidade, como as mudanças climáticas, a poluição ou o tráfico ilícito da vida silvestre. Precismos unir todos os atores e impulsionar as iniciativas privadas para protegerem efetivamente a biodiversidade”, afirmou o diretor da ONU Meio Ambiente para a América Latina e o Caribe, Leo Heileman.

“Da mesma forma, devemos entender o valor dos ecossistemas no fornecimento de serviços vitais, dos quais as empresas (também) se beneficiam”, completou o especialista.

Conhecida pela sigla BPM, do inglês, a Aliança Meso-Americana pela Biodiversidade é formada por instituições públicas e privadas, da indústria e dos meios científico e turístico. Com atividades voltadas para a América Central, República Dominicana e México, a entidade conta com mais de 20 sócios — entre eles, as companhias e órgãos Dole Food Company, Chiquita Brands International, o Centro Agronômico Tropical de Pesquisa e Ensino (CATIE) e a Comissão Nacional para o Conhecimento e Uso da Biodiversidade (CONABIO), do México.

UNICEF pede fim da ‘guerra contra crianças’ na Síria e no Iêmen

A escalada das hostilidades no sudoeste da Síria representa um perigo para cerca de 750 mil pessoas — quase metade das quais são crianças. Foto: UNICEF/Al-Faqir

A escalada das hostilidades no sudoeste da Síria representa um perigo para cerca de 750 mil pessoas — quase metade das quais são crianças. Foto: UNICEF/Al-Faqir

Os ataques contra crianças em meio aos conflitos em andamento na Síria e no Iêmen devem ser imediatamente interrompidos, pediu na segunda-feira (13) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Em comunicado com palavras firmes, o UNICEF apontou que, desde domingo (12), 28 crianças foram assassinadas em Idlib e no oeste de Alepo, no norte da Síria. O número de mortos inclui uma família de sete pessoas.

Além disso, três centros de saúde apoiados pelo UNICEF também foram atacados, dois dos quais estão agora fora de serviço.

“A guerra contra as crianças na Síria está colocando pelo menos 1 milhão delas em risco apenas em Idlib”, disse o comunicado, atribuível a Geert Cappelaere, diretor regional do UNICEF para o Oriente Médio e Norte da África.

Estes últimos incidentes ocorrem após a morte de 21 crianças no Iêmen na semana passada, quando um ônibus escolar foi atingido durante um ataque aéreo.

Para Juliet Touma, chefe de comunicação do UNICEF na região, esses atos representam uma escalada dos ataques contra crianças no país.

“Há obviamente uma guerra contra as crianças”, disse ela ao UN News, explicando que o conflito em curso significa que as crianças dos dois países estão sendo privadas de direitos básicos, como o acesso à saúde e à educação.

A crise na Síria começou há quase oito anos, com os civis continuando a “suportar o peso de um conflito marcado por um sofrimento incomparável, destruição e desrespeito pela vida humana”, segundo o escritório de assuntos humanitários da ONU, OCHA.

O UNICEF informou que mais de 5 milhões de crianças precisam de assistência humanitária, sendo quase metade obrigada a fugir de suas casas.

Enquanto isso, o escritório de assuntos humanitários da ONU disse que três anos de guerra no Iêmen fizeram com que quase dois terços da população do país passasse a demandar algum tipo de auxílio ou proteção para sobreviver.

“Em toda a região, há cerca de 30 milhões de crianças que precisam de assistência humanitária”, disse Touma, referindo-se também à situação em locais como Líbia, Sudão e Território Palestino Ocupado.

“Então, as crianças estão sob ataque. Isso precisa acabar.”

Milícias forçam deslocamento de 2 mil pessoas na capital da Líbia

Após receber ameaças e muitas casas terem sido demolidas por uma milícia local, a população da cidade líbia de Tawergha deixou para trás o acampamento de Triz al Matar. Foto: ACNUR/Tarik Argaz

Após receber ameaças e muitas casas terem sido demolidas por uma milícia local, a população da cidade líbia de Tawergha deixou para trás o acampamento de Triz al Matar. Foto: ACNUR/Tarik Argaz

As milícias líbias forçaram quase 2 mil pessoas de uma minoria étnica provavelmente visada por supostas ligações com ex-ditador Muammar Kadafi a fugir de abrigos há muito estabelecidos na capital, Trípoli, informou a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) nesta terça-feira (14).

Em um apelo para que os direitos humanos das famílias com origem na cidade de Tawergha sejam respeitados, o porta-voz do ACNUR, William Spindler, disse que o deslocamento aconteceu na semana passada, após ataques perpetuados por grupos não identificados.

“Segundo os moradores, uma milícia local forçou toda a população da Triq Al Matar a fugir de suas casas na semana passada, após três noites de ataques indiscriminados e a prisão arbitrária de 94 moradores, 12 dos quais permanecem detidos pela milícia em péssimas condições.”

Até os ataques, Triq Al Matar era o maior assentamento para deslocados internos em Trípoli e lar de cerca de 370 famílias. Eles eram originalmente da cidade de Tawergha, no norte, mas fugiram de suas casas em 2011, depois que a batalha por Misrata terminou, buscando refúgio em assentamentos informais ao redor de Trípoli ou Benghazi.

Depois de serem alvo na capital líbia, as vítimas buscaram abrigo com parentes ou outros assentamentos para pessoas deslocadas, segundo o ACNUR.

Famílias que têm carros “agora estão dormindo neles”, disse Spindler, observando que 40 mil pessoas deslocadas de Tawergha estão esperando para voltar para casa “após um acordo das partes envolvidas” no conflito.

“Tudo o que posso dizer é que eles foram alvo de perseguição e discriminação, e até agora foram impedidos” de retornar à sua cidade de origem, acrescentou Spindler. “Há movimentos que parecem estar abrindo um caminho para eles voltarem, e esperamos que seja esse o caso em breve”.

Os deslocamentos em massa ocorrem em meio a um conflito entre facções na Líbia, instabilidade generalizada e uma crise humanitária e econômica, apesar dos esforços da comunidade internacional para fornecer uma plataforma para acordos de reconciliação entre as partes.

“O problema na Líbia é que há um número de autoridades em disputa, bem como milícias, com diferentes alianças”, disse Spindler. “Isso complica a questão e torna a proteção dos deslocados internos e de outros muito difícil”.

Na Líbia, cerca de 192 mil pessoas deslocadas vivem em péssimas condições há anos, segundo o ACNUR. A agência pede soluções urgentes para acabar com o sofrimento e permitir que essas pessoas voltem para casa de maneira voluntária, segura e digna.

Pacto Global divulga plataforma para o setor privado sobre adaptação às mudanças climáticas

Mudanças climáticas causadas pelos humanos podem ser irreversíveis. Foto: Banco Mundial/L. Aliu

Projeto em Minas Gerais visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa do setor de ferro e aço no estado. Foto: Banco Mundial/L. Aliu

Em evento que reuniu lideranças empresariais e gestores de sustentabilidade na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), a Rede Brasil do Pacto Global da ONU apresentou neste mês (10) a Plataforma AdaptaClima. O projeto do Ministério do Meio Ambiente difunde informações sobre o combate às mudanças climáticas, conscientizando sobre riscos aos negócios e novas oportunidades produtivas.

No Plano Nacional de Adaptação (PNA), lançado em 2016 pela pasta federal, o governo define estratégias em diversos eixos da sociedade — Agricultura, Cidades, Zonas Costeiras, Saúde —, com base em previsões científicas para as próximas décadas. A alteração gradual e permanente no regime de chuvas, por exemplo, poderá provocar mudanças nos ecossistemas, bem como desastres naturais, incluindo inundações. Consequências poderão variar da sobrecarga do sistema público de saúde até migrações forçadas.

“Os estudos que reconhecem as regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas são importantes na alocação dos recursos federais”, afirmou a coordenadora-geral substituta da Secretaria de Mudança do Clima do Ministério, Nelcilandia de Oliveira Kamber.

A Plataforma AdaptaClima funciona como um canal para o setor privado, que sofre com problemas no acesso a dados e também com a falta de articulação com outros empresários e gestores públicos. As orientações disponíveis no site permitem às companhias traçar seu próprio plano de adaptação.

“Com o nosso mapeamento da realidade brasileira, percebemos que os dados não chegavam àqueles que tomam decisões, limitando o alcance das ações ou até levando-as a se sobrepor”, avalia Mariana Nicolletti, pesquisadora no Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP).

A especialista integra a Iniciativa Empresarial em Clima (IEC), uma coalizão de redes empresariais que promove webinars e palestras sobre mudanças climáticas. A secretaria executiva do organismo, que promoveu o evento em São Paulo, é da Rede Brasil do Pacto Global.

Empresas preparadas para um clima em transformação

Entre as signatárias do Pacto Global da ONU, a EDP Brasil, do setor de geração e distribuição de energia, já deus os primeiros passos para adaptar seus negócios às mudanças climáticas. Preocupada com o aumento na frequência e na intensidade de tempestades, a empresa desenvolveu um sistema de monitoramento que incorpora dados meteorológicos em tempo real. O projeto foi executado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Conhecendo as previsões para 2030 de que haverá um aumento médio de 30% na incidência de raios na região coberta pela companhia, a EDP está preparando equipes e veículos de manutenção. A instituição também planeja ajustes de escalas de trabalho e elabora informes para os consumidores.

Outra integrante da Rede Brasil do Pacto Global, a Braskem investiu 150 mil reais para identificar a curto, médio e longo prazo potenciais oportunidades e riscos em suas usinas. Com estimativas para 2040, a avaliação analisou futuros impactos físicos, regulatórios, reputacionais e na cadeia de valor para todas as 36 instalações da empresa no Brasil, Estados Unidos e Alemanha.

De acordo com o levantamento, o maior risco físico nos Estados Unidos está associado ao provável aumento da intensidade de furacões. Na Alemanha, as chuvas com potencial de inundação são o maior fator de preocupação. No Brasil, a maior frequência de secas severas é a principal vulnerabilidade para as operações. Para cada situação, o plano da Braskem aponta recomendações que vão de projetos de engenharia a campanhas de conscientização.

Mais informações sobre ambas as empresas estão no Caderno do Pacto: Clima – O Brasil Rumo à Economia de Baixo Carbono, lançado pela Rede Brasil do Pacto Global em 2015. Acesse a publicação clicando aqui.

UNICEF: 6 em cada 10 crianças e adolescentes brasileiros vivem na pobreza

Criança e avó no interior do Rio Grande do Norte. Foto: Mariana Ceratti/Banco Mundial

Criança e avó no interior do Rio Grande do Norte. Foto: Mariana Ceratti/Banco Mundial

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou nesta terça-feira (14) a pesquisa “Pobreza na Infância e na Adolescência” com um alerta: 61% das crianças e dos adolescentes brasileiros são afetados pela pobreza, em suas múltiplas dimensões. O estudo mostra que a pobreza na infância e na adolescência vai além da renda. Além de a pobreza monetária, é preciso observar o conjunto de privações de direitos a que meninas e meninos são submetidos.

“Incluir a privação de direitos como uma das faces da pobreza não é comum nas análises tradicionais sobre o tema, mas é essencial para dar destaque ao conjunto dos problemas graves que afetam as possibilidades de meninas e meninos desenvolverem o seu potencial e garantir o seu bem-estar”, explica Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil.

Nesse estudo, foram analisados a renda familiar de crianças e adolescentes e o acesso deles a seis direitos: educação, informação, proteção contra o trabalho infantil, moradia, água e saneamento. A ausência de um ou mais desses seis direitos coloca meninas e meninos em situação de privação. Os direitos de crianças e adolescentes são indivisíveis e têm que ser garantidos em conjunto.

Os resultados mostram que, no Brasil, 32 milhões de meninas e meninos (61%) vivem na pobreza, em suas múltiplas dimensões. Desses, 6 milhões são afetados somente pela pobreza monetária, ou seja, vivem em famílias monetariamente pobres, mas têm os seis direitos analisados pelo estudo garantidos.

Outros 12 milhões, além de viver na pobreza monetária, têm um ou mais direitos negados, estando em uma situação de privação múltipla. E há ainda 14 milhões de meninas e meninos que, embora não sejam monetariamente pobres, têm um ou mais direitos negados. Somando esses dois últimos grupos, o país conta com quase 27 milhões de crianças e adolescentes (49,7% do total) com um ou mais direitos negados, em situação de privação.

No conjunto de aspectos analisados, o saneamento é a privação que afeta o maior número de crianças e adolescentes (13,3 milhões), seguido por educação (8,8 milhões), água (7,6 milhões), informação (6,8 milhões), moradia (5,9 milhões) e trabalho infantil (2,5 milhões).

As privações de direito também afetam de forma diferente cada grupo de meninas e meninos brasileiros. Os adolescentes têm mais direitos negados (58% para o grupo de 11 a 13 anos, e 59,9% para os de 14 a 17 anos) que as crianças mais jovens (39,7% para o grupo de até 5 anos e 45,5% para as crianças de 6 a 10 anos).

Moradores da zona rural são mais afetados de privações do que aqueles da zona urbana. Crianças e adolescentes negros sofrem mais violações do que meninas e meninos brancos, reflexo da discriminação racial e exclusão que muitas crianças e muitos adolescentes sofrem no Brasil. Moradores das regiões Norte e Nordeste enfrentam mais privações do que os do Sul e Sudeste.

E, conforme crescem, crianças e adolescentes vão experimentando um número maior de privações. Muitas meninas e muitos meninos estão expostos a mais de uma privação simultaneamente, a uma média de 1,7. Há 14,7 milhões de meninas e meninos com apenas uma, 7,3 milhões com duas e 4,5 milhões com três ou mais privações. Neste último grupo, existem 13,9 mil crianças e adolescentes que não têm acesso a nenhum dos seis direitos analisados pelo estudo, estão completamente à margem de políticas públicas.

Compreender cada uma dessas dimensões é essencial para desenhar políticas públicas capazes de reverter a pobreza na infância e na adolescência. O UNICEF convida gestores públicos da União, dos Estados e dos municípios a utilizar esse estudo como uma ferramenta para pensar respostas precisas e oportunas para crianças e adolescentes no Brasil. E espera que ele sirva de inspiração para que outras análises sejam realizadas no país.

Entre os próximos passos, o UNICEF sugere:

Crianças e adolescentes como prioridade — Incluir as crianças e os adolescentes como prioridade absoluta no Plano Plurianual (PPA) 2020-2023, contribuindo para o alinhamento das metas do país com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), entendida como uma boa oportunidade para avançar no alcance dos ODS relacionados à infância e à adolescência até o ano de 2030.

Institucionalizar o monitoramento das privações — Incluir as privações múltiplas sofridas por crianças e adolescentes nas medições oficiais realizadas pelos órgãos estatais oficiais, de modo a ter um monitoramento periódico da pobreza na infância e na adolescência no país.

Usar esse estudo para políticas e orçamentos — Utilizar a análise das privações múltiplas na infância e na adolescência para monitorar a situação de meninas e meninos brasileiros. Com base nos dados, elaborar planos de desenvolvimento capazes de garantir que políticas e programas sejam apropriados para os diferentes públicos-alvo, de acordo com as necessidades de cada grupo de meninas e meninos, nas diferentes áreas e regiões do país. Com base nas informações, planejar melhor as necessidades financeiras dos programas e políticas voltados a crianças e adolescentes, de modo que os recursos públicos sejam alocados de maneira apropriada nos orçamentos federal, estadual e municipal.

Clique aqui para acessar o estudo “Pobreza na Infância e na Adolescência”.

Agência da ONU divulga guias para profissionais de saúde tratarem hemorragias no pós-parto

Centro de atenção materna em La Paz, Honduras. Foto: OPAS

Centro de atenção materna em La Paz, Honduras. Foto: OPAS

Nas Américas, a hemorragia no pós-parto é uma das maiores causas de mortalidade materna. No Brasil, a taxa chega a 300 óbitos de gestantes para cada 100 mil nascidos vivos. Para diminuir o número de falecimentos entre as mães de recém-nascidos, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) lançou recentemente dois guias para gestores e profissionais de saúde, com orientações sobre sangramentos após o nascimento dos bebês.

“As hemorragias podem acontecer de uma maneira imprevista durante um parto, uma cesárea. Mas há muitos recursos que podem ser usados para evitar isso”, destaca Suzanne Serruya, diretora do Centro Latino-Americano para Perinatologia – Saúde das Mulheres e Reprodutiva (CLAP/SMR).

Entre as técnicas para contornar a perda de sangue, está o uso do TAN (Traje Anti Choque Não Pneumático). A ferramenta é um dos temas do Manual de orientação para o curso de prevenção e manejo obstétrico da hemorragia: Zero Morte Materna por Hemorragia, elaborado pela OPAS em parceria com o Ministério da Saúde. O TAN permite controlar o sangramento temporariamente, o que ajuda a aumentar a sobrevida das mulheres enquanto aguardam procedimentos ou transferência para uma unidade de saúde de referência.

A segunda publicação da OPAS — Recomendações assistenciais para a prevenção, diagnóstico e tratamento da hemorragia obstétrica — defende a necessidade de empoderar as mulheres para que elas tenham seus direitos e preferências respeitados.

Segundo Haydee Padilla, coordenadora de Família, Gênero e Curso de Vida da OPAS no Brasil, uma das principais frentes de atuação contra a hemorragia pós-parto deve ser a capacitação dos profissionais. Com a formação adequada, é possível controlar as emergências obstétricas.

“Complicações graves requerem a atenção de profissionais bem treinados e, para atingir esse objetivo, apoiamos o fortalecimento dos serviços de saúde, a eliminação das barreiras ao acesso e a garantia de disponibilidade de medicamentos essenciais e sangue seguro para transfusões”, acrescenta a especialista do organismo das Nações Unidas.

Desde 2015, a OPAS e o Ministério implementam a estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia. O projeto já realizou uma série de treinamentos para clínicos em sete estados — Tocantins, Maranhão, São Paulo, Pará, Minas Gerais, Ceará e Bahia.

Nas Américas, a taxa de mortalidade materna diminuiu significativamente em anos recentes — de 62,4 para cada 100 mil nascidos vivos em 2007 para 46,8 para cada 100 mil nascidos vivos em 2016. Além do Brasil, a OPAS desenvolve a estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia na Bolívia, Guatemala, Haiti, Peru e República Dominicana.

Acesse o Manual de orientação para o curso de prevenção e manejo obstétrico da hemorragia: Zero Morte Materna por Hemorragia clicando aqui.

Acesse a publicação Recomendações assistenciais para a prevenção, diagnóstico e tratamento da hemorragia obstétrica clicando aqui.

ONU e União Europeia ajudam Panamá a adotar meios de transporte elétricos

Cidade do Panamá. Foto: Flickr (CC)/Matthew Straubmuller

Cidade do Panamá. Foto: Flickr (CC)/Matthew Straubmuller

A ONU Meio Ambiente, a União Europeia e o governo do Panamá lançaram neste mês (9) uma parceria para tornar mais verdes e sustentáveis os meios de transporte do país centro-americano. Projeto visa popularizar a mobilidade elétrica. Segundo estimativas das Nações Unidas, se a atual frota de ônibus e táxis da Cidade do Panamá fosse substituída por veículos elétricos, seria possível impedir a liberação de 8,5 milhões de toneladas de CO2 até 2030.

A adaptação também traria uma economia de 500 milhões de dólares em combustível para os próximos 13 anos e permitiria evitar a morte precoce de mais de 400 pessoas, devido a doenças respiratórias associadas à qualidade do ar. O programa de cooperação entre o Panamá e o bloco europeu faz parte da estratégia da UE para implementar o Acordo de Paris, a Euroclima+.

“Incorporar a mobilidade elétrica é crucial para que os países cumpram com seus compromissos climáticos registrados no Acordo de Paris, mas, além disso, nos ajudará a limpar o ar, reduzir as mortes causadas pela contaminação e oferecer cidades saudáveis a milhões de pessoas”, afirmou o diretor regional da ONU Meio Ambiente na América Latina e Caribe, Leo Heileman, durante uma cúpula realizada na Cidade do Panamá para apresentar a parceria.

“No Ministério de Energia, garantiremos que os usuários encontrem alternativas para se deslocar de maneira sustentável e incentivaremos a instalação de estações de recarga elétrica em pontos estratégicos do país”, disse no evento o ministro de Energia do Panamá, Víctor Urrutia.

O encontro na capital teve a participação de empresas estatais de transporte público, de organizações da sociedade civil e do setor privado, de distribuidoras de energia e de concessionárias de veículos elétricos.

Com ajuda da ONU, adolescente sírio reencontra a família na Alemanha

Numeir (na extrema direita) reencontra os parentes no aeroporto. Foto: ACNUR/Chris Melzer

Numeir (na extrema direita) reencontra os parentes no aeroporto. Foto: ACNUR/Chris Melzer

Com medo de ser recrutado pelo exército, Numeir fugiu da Síria, seu país de origem, quando tinha apenas 15 anos. “Dizer adeus foi terrível”, conta o jovem sobre o momento de se despedir dos pais e irmãos, incluindo a caçula da família, Anmar, de apenas quatro anos à época. Vivendo na Alemanha desde 2015, o sírio conseguiu trazer os parentes para o país europeu em maio último, com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

“Anmar me implorou para não ir, dizendo ‘irmão, não vá’. Mas eu não tive escolha”, conta Numeir sobre a partida para a Europa. Depois de passar pela Turquia, Grécia e a região dos Bálcãs, o jovem chegou à Alemanha em 2015, com 15 anos. O plano era encontrar um tio que já morava lá.

Como era menor de idade, Numeir foi levado pelas autoridades para um albergue em Lensahn, uma pequena cidade localizada no norte da Alemanha. O município fica a poucos minutos de carro do Mar Báltico e tem menos de cinco mil habitantes.

“Aqui é muito bonito”, diz o sírio. “Tão verde, tão quieto, tão pacífico.”

Durante três anos, ele teve apenas um desejo: “Quero compartilhar a beleza deste lugar com as pessoas mais importantes do mundo para mim – minha família”.

O ACNUR ajudou Numeir a reencontrar os parentes. Seu pai Ismain, a mãe Fada, e seus três irmãos fugiram para a Turquia, depois para a Grécia, antes de finalmente saberem que a solicitação do organismo internacional e do jovem havia sido aprovada. Em uma quinta-feira de maio, os cinco se prepararam para desembarcar no Aeroporto Fuhlsbüttel, em Hamburgo.

Muitas pessoas no saguão de desembarque aguardavam o mesmo voo, mas ninguém parecia tão animado quanto Numeir. O avião pousou com segurança? Tudo daria certo na chegada? De repente, sua família estava lá e Numeir pôde abraçar sua mãe novamente.

Numeir reencontra a mãe, Fada, no aeroporto, em Hamburgo. Foto: ACNUR/Chris Melzer

Numeir reencontra a mãe, Fada, no aeroporto, em Hamburgo. Foto: ACNUR/Chris Melzer

Fada afirma que sentiu-se como na primeira vez em que abraçou seu primogênito, 18 anos atrás. “Foi exatamente assim, como da primeira vez”, diz, feliz.

A família ficou espantada quando chegou em Lensahn e saiu do carro. Todos tinham visto fotos, mas agora podiam sentir o cheiro das árvores, sentir a grama e tocar a parede de tijolos da antiga casa de fazenda onde todos iriam morar. “Aqui é lindo”, disse Ismain.

“É ótimo ver uma família tão feliz”, afirma o representante do ACNUR na Alemanha, Dominik Bartsch. “É por isso que a reunião familiar é tão importante. Durante anos, Numeir ficou doente de preocupação com seus familiares. Agora, seus medos desapareceram e a família pode reconstruir suas vidas aqui na Alemanha.”

“Já vimos ataques de gás, vimos bombas”, conta Ismain. “Para um pai, isso significa nunca ter a certeza de que sua esposa e filhos ainda estarão vivos quando ele voltar para casa à noite. Aqui, quando vejo as crianças rindo e correndo no jardim, sei que todos estão seguros.”

“Eu gostaria de agradecer ao povo alemão que me deu a oportunidade de ver meu filho novamente. Eles o acolheram, seguraram-no em seus braços e nos reuniram”, completa o pai de Numeir.