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Nações Unidas lançam novo portal global em português e outros sete idiomas

O Departamento de Informação Pública das Nações Unidas anunciou seu novo portal multimídia: ONU News. A nova plataforma agrega todas as notícias, fotos, análises e vídeos em português. As mudanças realizadas foram o resultado de uma consulta sobre as formas de uso e as demandas de nossos usuários.

A nova página conta com uma audioteca, todas as edições do Jornal da ONU (áudio) e do “Destaque ONU News” (vídeo), entrevistas em destaque e notícias diárias dos principais acontecimentos das Nações Unidas no mundo, incluindo informações exclusivas sobre os países de língua portuguesa.

Conteúdos em outros sete idiomas estão disponíveis: inglês, espanhol, francês, russo, árabe, mandarim e suaíli.

A página oferece ainda um serviço de assinaturas completo, em que é possível receber conteúdos de determinados temas – como ajuda humanitária, cultura e educação e direitos humanos, entre outros – ou por produto específico (alertas instantâneos, notícias diárias ou uma seleção semanal).

Também é possível fazer o download do aplicativo ONU News para dispositivos iOS e Android para acompanhar as notícias, podcasts, reuniões ao vivo ou vídeos. A ferramenta permite salvar as informações de modo organizado para ler mais tarde, ou ainda criar uma lista de reprodução para organizar o conteúdo de áudio para um fluxo diário.

Por meio de um mecanismo de busca, é possível resgatar textos antigos e de acordo com o tema desejado.

Acesse o novo portal: https://news.un.org/pt.

Acesse também as redes sociais: Facebook, Twitter, Instagram, YouTube, SoundCloud e iTunes.

ONU elogia esforços de Uganda para impedir corrupção nos programas de refugiados

Um funcionário do ACNUR registra uma mulher e suas duas filhas. Para evitar múltiplas inscrições, o sistema identifica os refugiados através das suas impressões digitais. Foto: ACNUR/Frederic Noy (novembro de 2012)

Um funcionário do ACNUR registra uma mulher e suas duas filhas. Para evitar múltiplas inscrições, o sistema identifica os refugiados através das suas impressões digitais. Foto: ACNUR/Frederic Noy (novembro de 2012)

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) elogiou em fevereiro (9) as medidas tomadas pelo governo de Uganda para investigar alegações de irregularidades nos programas de refugiados do governo.

O primeiro-ministro de Uganda, Ruhakana Rugunda, iniciou a investigação após relatórios recebidos pelo ACNUR e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) denunciarem funcionários envolvidos em assistência aos refugiados por corrupção e má conduta.

As alegações incluem a falsificação de documentos sobre a entrega de assistência alimentar e a exigência de suborno para fornecer serviços que deveriam ser gratuitos para os refugiados.

“O ACNUR leva muito a sério todas as alegações de corrupção, fraude e má conduta. A conduta desonesta ou fraudulenta dos envolvidos na resposta aos refugiados causa grande prejuízo às pessoas que protegemos e corroem a confiança do público e dos doadores”, disse Valentin Tapsoba, diretor do Escritório Regional do ACNUR para a África.

Uganda opera uma política de fronteira aberta e permite que os refugiados desfrutem de direitos semelhantes aos que gozam seus próprios cidadãos, proporcionam acesso a serviços sociais e alocam terras para abrigo e agricultura.

Em Uganda, o gabinete do primeiro-ministro lidera a resposta geral dos refugiados em parceria com o ACNUR, coordenando a resposta com outras agências da ONU, ONGs locais e internacionais.

O ACNUR está apoiando o governo para tomar medidas imediatas para abordar a situação. Funcionários da agência da ONU foram disponibilizados para auxiliar o processo de registro dos refugiados que chegam ao país, a fim de fortalecer a integridade dos dados de refúgio.

Junto ao governo, o ACNUR também está revisando e fortalecendo procedimentos e o monitoramento das operações para reduzir as oportunidades de corrupção e exploração de refugiados que vivem em Uganda e garantir que os refugiados vulneráveis, particularmente as mulheres e as meninas, estejam bem protegidos.

“A prioridade do ACNUR é proteger os refugiados e garantir que os recursos fornecidos pelos governos e doadores sejam gerenciados de forma responsável”, acrescentou Tapsoba.

“Desejamos ressaltar que os atos corruptos dos indivíduos não devem ser generalizados, já que os [trabalhadores humanitários] estão fornecendo um serviço valioso para a humanidade.”

Secretário-geral da ONU destaca importância de serviços públicos para desenvolvimento sustentável

Secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa na Conferência de Taza Koom sobre serviços públicos, em Bishkek, Quirguistão. Foto: ONU/ Vyacheslav Oseledko

Secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa na Conferência de Taza Koom sobre serviços públicos, em Bishkek, Quirguistão. Foto: ONU/ Vyacheslav Oseledko

Serviços públicos mais adequados, eficientes e colaborativos. Foi o que pediu o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, no último domingo (11), durante a Conferência de Taza Koom, em Bishkek, no Quirguistão. Ele ressaltou a importância de uma governança responsável e inclusiva para alcançar os objetivos da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável.

“O serviço público é um componente crítico para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (…) precisamos explorar novas abordagens, trabalhar de forma diferente, correr riscos e inovar”, afirmou o chefe das Nações Unidas.

O Taza Koom é um projeto que busca transformar tecnologias digitais e governança para melhorar não apenas a forma como o Estado e a administração funcionam, mas também o modo como a população pode se beneficiar com as novas tecnologias e o impacto que elas têm em suas vidas.

Guterres destacou ainda a importância de lutar contra a corrupção para garantir serviços públicos efetivos, além da necessidade de mecanismos que incluam pessoas em situação de pobreza e vulnerabilidade, para que sejam capazes não apenas de definir suas necessidades, mas também de fazer parte dos esforços de maneira a enfrentar os desafios.

“Precisamos de uma governança que seja capaz de entregar resultados e ganhar a confiança do público; uma governança que é inclusiva e que ouça todos os cidadãos do país; uma governança que defenda os direitos humanos e não exclua ninguém”, afirmou o secretário-geral.

Guterres se reuniu também com o presidente do Quirguistão, Almazbek Atambaev. Em comunicado à imprensa, o chefe das Nações Unidas saudou os esforços do país pela democracia, o Estado de Direito e os direitos humanos, além de uma sociedade civil ativa e vibrante.

“Tenho certeza que o Quirguistão terá um papel muito importante no que espero que sejam futuros desenvolvimentos na Ásia Central, obtendo, assim, melhor cooperação e integração entre os diferentes países e povos para garantir sua prosperidade e desenvolvimento”, disse.

Especialistas pedem que Canadá endureça medidas contra violações de direitos cometidas por empresas

Estátua indígena no Canadá. Foto: Alex Guibord/Flickr/CC

Estátua indígena no Canadá. Foto: Alex Guibord/Flickr/CC

O Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre direitos humanos e empresas pediu no início de junho às autoridades canadenses a intensificação dos esforços para prevenir e enfrentar os impactos prejudiciais aos direitos humanos nas atividades empresariais, tanto dentro do país como no exterior.

Em sua primeira visita oficial, de 10 dias, os especialistas também chamaram a atenção para a integração da população indígena na sociedade.

“Se o Canadá busca avançar na tarefa monumental de reconciliação com as comunidades indígenas, criando uma relação baseada em respeito e dignidade, o governo e as empresas precisam incluir os direitos dessas populações em suas políticas e práticas relacionadas à exploração de recursos naturais”, afirmou Surya Deva, vice-presidente do grupo.

O especialista independente ressaltou, ainda, padrões internacionais que precisam ser respeitados, incluindo os princípios de consentimento informado, livre e esclarecido estabelecidos na Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, bem como a concepção de respeito aos direitos humanos previstos nos Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos.

A delegação também destacou que os defensores de direitos humanos e ambientalistas devem ser protegidos de perseguição e da violência, não apenas no Canadá, mas também em países onde as empresas canadenses operam.

“É imprescindível que tanto o governo quanto as empresas canadenses demonstrem liderança e afirmem de forma clara que ataques contra indivíduos e comunidades não serão tolerados”, disse Anita Ramasastry, especialista que integra a delegação. “As novas diretrizes do governo canadense para apoiar defensores de direitos humanos [a iniciativa ‘Voices at Risk’, ou Vozes em risco] é um primeiro passo em direção a isso.”

Os especialistas também observaram medidas positivas para promover a igualdade de gênero. “Nos animamos ao ver que há um forte empenho em promover o papel das mulheres na sociedade em todo o Canadá e no setor privado”, disse Ramasastry.

Durante a visita, o grupo se reuniu com representantes de diversos setores, incluindo o Conselho de Responsabilidade Social Corporativa e o Ponto de Contato Nacional (PCN) para discutir formas de garantir que vítimas de violações de direitos humanos tenham acesso suficiente a sistemas que atendam suas necessidades.

“Reconhecemos os esforços do governo para oferecer soluções, mas entendemos que ainda há lacunas a serem preenchidas, já que as vítimas desses abusos de direito ainda lutam para acessá-las de forma rápida e adequada”, disse Deva.

O Grupo de Trabalho também realizou consultas com representantes do governo federal das províncias de Ontário, Alberta e Colúmbia Britânica, bem como com representantes de povos indígenas, organizações da sociedade civil, sindicatos e empresas.

O grupo foi estabelecido em 2011 pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU e integra o sistema de procedimentos especiais do órgão sediado em Genebra. Seus membros são especialistas independentes e não são, portanto, funcionários das Nações Unidas, atuando em suas capacidades individuais.

Acesse aqui a declaração final da visita de 10 dias do grupo.

ONU alerta para ‘sinais claros’ do aumento da violência na República Centro-Africana

Pessoas desalojadas carregam seus pertences pelo campo do aeroporto de M’Poko, em Bangui, capital da República Centro-Africana. Foto: OCHA/Phil Moore

Pessoas desalojadas carregam seus pertences pelo campo do aeroporto de M’Poko, em Bangui, capital da República Centro-Africana. Foto: OCHA/Phil Moore

Falando a representantes de governos no início de junho, na sede da ONU em Genebra, a chefe humanitária das Nações Unidas na República Centro-Africana, Najat Rochdi, afirmou que a frequência e a brutalidade dos ataques nas cidades de Bangassou, Bria, Arlindao e outras localidades atingiram os maiores níveis desde agosto de 2014.

“Nas últimas duas semanas, os sinais foram claros: a violência na República Centro-Africana atingiu uma nova escala crescente de conflito e a situação está se deteriorando rapidamente”, disse Rochdi. “Mais de cem mil pessoas foram recentemente deslocadas, famílias fugindo para sobreviver, deixando tudo para trás”, relatou.

Os conflitos entre a coalizão rebelde Séléka, majoritariamente muçulmana, e a milícia anti-Balaka, de maioria cristã, mergulharam o país de 4,5 milhões de pessoas em um conflito civil desde 2013.

Agentes humanitários enfrentam desafios de segurança e logísticos para alcançar as pessoas em necessidade, além da escassez de financiamento. A ONU pediu cerca de 400 milhões de dólares em nome da comunidade humanitária para atender as necessidades do país. Por enquanto, apenas cerca de 25% foi recebido, de acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

A porta-voz afirmou ainda que, sem os recursos suficientes, as pessoas em situação de vulnerabilidade não receberão mais ajuda, enquanto áreas inteiras do país pode ser abandonadas. “Esse não é o momento de desapontar a população centro-africana. Esse não é o momento de desistir da paz”, disse Rochdi.

Já o secretário-geral assistente da ONU para os Direitos Humanos, Andrew Gilmour, disse que ficou impressionado com as melhorias na capital, Bangui, com “mercados movimentados e sinais de crescente vida econômica”, bem como “polícia, justiça e instituições de responsabilização começando a se formar”.

Ele também advertiu, no entanto, que os grupos armados estão se unindo e continuam a cometer “ataques atrozes” contra mulheres e crianças, bem como contra as forças de paz.

“Este é um momento de liderança, parcerias reforçadas e uma abordagem coordenada que coloque os direitos humanos dos centro-africanos em primeiro lugar”, disse Gilmour, referindo-se à iniciativa da ONU para prevenir e responder antecipadamente a violações em massa dos direitos humanos.

“Os sinais de alerta estão surgindo e não devem ser ignorados”, ressaltou Gilmour.

ACNUR faz apelo urgente para refugiados

Para auxiliar a população desalojada, o ACNUR – a Agência da ONU para Refugiados – fez um apelo urgente para o financiamento de pouco mais de 209 milhões de dólares. Apenas 6% dos fundos foram arrecadados.

Desde que os conflitos entre os rebeldes se intensificaram, em maio, mais de 68 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas na República Centro-Africana. Dessas, 20 mil solicitaram refúgio na República Democrática do Congo.

Nas últimas semanas, ataques de grupos armados resultaram em deslocamentos nas províncias de Bria, Bangassou e Basse-Kotto. Muitas dessas pessoas estão desabrigadas ou instaladas em alojamentos improvisados. Apenas em Bria, mais de 41 mil se deslocaram e, segundo relatos, centenas de civis foram mortos.

Os moradores de Bria buscam refúgio contra a violência na República Centro-Africana. Foto: ACNUR / Cassandra Vinograd

Os moradores de Bria buscam refúgio contra a violência na República Centro-Africana. Foto: ACNUR / Cassandra Vinograd

Devido a situação da segurança, o acesso humanitário em várias dessas áreas continua extremamente restrito. Entretanto, o ACNUR conseguiu oferecer, por meio de uma resposta entre agências, itens de auxílio para os novos deslocados em Bria. O ACNUR planeja oferecer mais assistência, inclusive tendas, esteiras e cobertores para as famílias em situação de maior vulnerabilidade.

O recente surto de violência também está forçando pessoas a cruzarem a fronteira para as províncias Bas Uele e Ubangi, na República Democrática do Congo. Aproximadamente 20,5 mil centro-africanos se deslocaram entre as últimas duas semanas, de acordo com as estimativas. As equipes do ACNUR atenderam uma parte dos recém-chegados, enquanto os outros foram assistidos pelas autoridades locais.

Existem 503 mil deslocados internos na República Centro-Africana. Antes do último fluxo, existiam pouco mais de 102 mil refugiados centro-africanos registrados na República Democrática do Congo.

Treze anos de violência e impunidade

Homicídios em massa e outras graves violações de direitos humanos foram documentados pela ONU em um mapeamento que cobre múltiplos conflitos na República Centro-Africana entre 2003 e 2015.

Muitas dessas violações podem ser consideradas crimes de guerra e crimes contra a humanidade, afirma o relatório da ONU lançado no final de maio. O documento também propõe uma estratégia para combater a impunidade no país.

O mapeamento, realizado pelo Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas (ACNUDH) e pela missão da ONU na República Centro-Africana (MINUSCA), identificou padrões de violações feitas por forças governamentais, grupos armados locais e estrangeiros, bem como forças de defesas internacionais.

Foram reunidos 620 incidentes, como aldeias inteiras queimadas em ataques de represália, estupros coletivos de mulheres e meninas a partir de cinco anos de idade, mortes após tortura ou ainda maus-tratos em centros de detenção, violência étnica e religiosa, recrutamento de milhares de crianças por grupos armados e ataques contra forças de paz.

“O relatório da República Centro-Africana expõe o sofrimento desconcertante da população desse país rico em minério, mas que está entre os países em maior situação de pobreza do mundo”, afirmou o alto-comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.

Reconhecendo a desafiadora situação de segurança no país, o relatório recomenda alguns passos a serem iniciados imediatamente para um processo de justiça transitória, incluindo uma estratégia de responsabilização no Tribunal Penal Especial para a RCA, o desenvolvimento de uma abordagem nacional para os direitos humanos nas forças de defesa, a necessidade de uma perspectiva de gênero em todo o processo de transição e a criação de uma comissão da verdade e da reconciliação.

“Conflitos sucessivos geraram vários processos de paz, mas, enquanto a impunidade reinar, essa terrível trajetória – com cada grupo armado cometendo atos de violência terríveis – pode continuar”, disse Parfait Onanga-Anyanga, representante da ONU na República Centro-Africana e chefe do MINUSCA.

“Ao documentar as violações e abusos no passado, esperamos estimular esforços nacionais e internacionais para proteger e trazer justiça às vítimas desses crimes”, afirmou Onanga-Anyanga.

ONU: o plástico está cobrindo e destruindo nosso planeta

No início de junho de 2017, a ONU realizou a Conferência sobre os Oceanos com o objetivo de apoiar a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14: conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, os mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável; saiba como foi e acompanhe o tema em http://nacoesunidas.org/tema/ods14, #SaveOurOcean e #MaresLimpos.

Piauí fecha parceria com PNUD para alinhar políticas públicas aos objetivos globais

Teresina, capital do estado do Piauí. Foto: EBC

Teresina, capital do estado do Piauí. Foto: EBC

O governo do estado do Piauí, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), lançou oficialmente na quarta-feira (15) em Brasília a “Estratégia Piauí ODS” para representantes do setor privado que possuem investimentos no estado.

Participaram do evento de lançamento mais de 20 empresas com negócios no Piauí em áreas como energia solar e eólica, mineração, infraestrutura, agronegócio e turismo.

O compromisso do governo do estado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) se concretizou por meio de projeto de cooperação técnica, pelo qual o estado se comprometeu a promover diálogos envolvendo setores público e privado, sociedade civil e movimentos sociais; fortalecer a política de desenvolvimento territorial e de participação social; monitorar a implementação dos ODS; e criar espaço para alinhamento das estratégias e planejamento do estado à Agenda 2030.

O projeto conta com o engajamento do setor privado, que participou ativamente da formulação da Agenda 2030 e que deve continuar desempenhando papel importante na implementação dos ODS — uma vez que o cumprimento dos objetivos até 2030 exigirá cooperação sem precedentes e colaboração entre governos, organizações não governamentais, academia, parceiros de desenvolvimento, comunidades, setor privado.

Em sua fala, o governador Wellington Dias (PT) destacou a importância do setor privado para o alcance dos ODS no estado, não somente contribuindo para o desenvolvimento econômico, mas também com o equilíbrio social e ambiental nos territórios onde atuam.

Sobre o projeto, o governador destacou sua expectativa com relação ao Fundo de Desenvolvimento Sustentável previsto na parceria com o PNUD, “que financiará projetos inovadores com alta integração institucional, com alinhamento estratégico com políticas estaduais e nacionais de desenvolvimento sustentável e com resultados que terão impacto territorial e nacional”.

A representante assistente adjunta do PNUD no Brasil, Maristela Baioni, ressaltou que, para o PNUD, o gesto do governo se harmoniza com a recomendação das Nações Unidas para que os Estados nacionais implementem os objetivos globais em seus territórios, com o compromisso de melhorar os indicadores e, com isso, garantir a melhoria real nas vidas das pessoas.

Por isso, “acreditamos que a implementação da estratégia contribuirá para a redução das desigualdades territoriais, fortalecerá a gestão estadual, a governança colaborativa e incrementará o IDHM do Estado”, acrescentou.

A presidente da empresa do setor elétrico Contour Global, Alessandra Marinheiro, destacou a parceria da empresa com o governo do Estado e o PNUD para a implementação do projeto como um ganho para empresa em termos de sustentabilidade, em razão do alinhamento do projeto com o plano de desenvolvimento do Estado e com uma agenda global, assim como o ganho em termos de parceria com um organismo internacional transparente como o PNUD.

Angelina Jolie: ‘se líderes não mantêm internacionalismo vivo, somos nós que devemos fazê-lo’

Angelina Jolie participou da conferência anual em memória a Sérgio Vieira de Mello. Foto: ACNUR/Mark Henley

Angelina Jolie participou da conferência anual em memória a Sérgio Vieira de Mello. Foto: ACNUR/Mark Henley

Em evento na quarta-feira (15) em Genebra, na sede da ONU, para lembrar a memória do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, a atriz Angelina Jolie defendeu o trabalho das Nações Unidas e criticou líderes que se apoiam num “nacionalismo estreito”, conseguindo se eleger em parte porque ignoram instituições e acordos globais.

“Eu sou uma norte-americana orgulhosa e a eu sou uma internacionalista”, afirmou a artista. Jolie disse que “uma nação forte, como uma pessoa forte, ajuda as outras a se erguer e ser independente”.

Para a intérprete, o internacionalismo significa “ver o mundo com um senso de justiça e humildade e reconhecer a nossa própria humanidade nas dificuldades dos outros”. “Inclui a visão de que o sucesso não equivale a ser melhor ou maior que os outros, mas sim, a encontrar o seu lugar num mundo onde os outros também são bem-sucedidos”, acrescentou.

Temos que desafiar a ideia
de que os líderes mais fortes
são os mais dispostos a ignorar
os direitos humanos em
favor do interesse nacional.

A atriz afirmou que o contexto atual “parece mais perturbador e incerto do que qualquer outro momento de sua vida”. O conflito na Síria acaba de completar seis anos, o mundo testemunha a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial e 20 milhões de pessoas estão à beira da morte por causa da fome no Iêmen, na Somália, Sudão do Sul e nordeste da Nigéria, lembrou Jolie.

Ao mesmo tempo, “vemos a re-emergência de políticas encorajando o medo e o ódio dos outros”. “Qual é a nossa resposta como cidadãos? Vamos nos retirar do mundo em que, antes, sentíamos uma responsabilidade de ser parte das soluções?”, questionou a atriz.

Para Jolie, a resposta às crises do presente é clara. “Se governos e líderes não estão mantendo acesa a chama do internacionalismo hoje, então nós, como cidadãos, devemos (fazê-lo)”, disse. “Temos que desafiar a ideia de que os líderes mais fortes são os mais dispostos a ignorar os direitos humanos em favor do interesse nacional.”

Ajuda humanitária gravemente subfinanciada

A atriz, que é também enviada especial da Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), cobrou que a comunidade internacional reconheça as consequências dramáticas do enfraquecimento da ONU.

Muitas vezes, os mecanismos da Organização são usados seletivamente, penalizando algumas nações e não outras. Noutras, países confiam à assistência humanitária o trabalho que deveria ser da diplomacia. O resultado é a atribuição de tarefas impossíveis ao organismo internacional que, logo em seguida, são subfinanciadas.

“Por exemplo, hoje, não há um único apelo humanitário em qualquer parte do mundo que esteja financiado ao menos pela metade do que é exigido. Na verdade, a situação é pior do que isso. Apelos para países à beira da fome receberam, por exemplo, 17%, 7% e 5% de financiamento”, explicou Jolie.

A artista reconheceu que a ajuda emergencial não é a resposta adequada para o longo prazo. “Mas sejamos claros, a assistência de emergência tem que continuar porque muitos Estados não podem ou não vão proteger os direitos dos cidadãos do mundo. É o que gastamos em países onde não temos diplomacia ou onde nossa diplomacia não está funcionando”, alertou.

 

 

Segundo a enviada do ACNUR, “um mundo no qual viramos as costas para as responsabilidades globais será um mundo que produz mais insegurança, violência e perigo para nós e para nossas crianças”.