Agências da ONU vacinarão mais de 475 mil crianças contra difteria em Bangladesh

Agências da ONU intensificaram esforços de imunização para conter avanço da difteria em campos de refugiado em Bangladesh. Foto: UNICEF/Brown

Agências da ONU intensificaram esforços de imunização para conter avanço da difteria em campos de refugiado em Bangladesh. Foto: UNICEF/Brown

Em resposta a um surto de difteria em regiões de Bangladesh, agências das Nações Unidas estão trabalhando para vacinar mais de 475 mil crianças vivendo em campos de refugiados rohingya, em assentamentos temporários e em áreas vizinhas à cidade de Cox’s Bazar. De novembro de 2017 a janeiro de 2018, cerca de 31 mortes e 4 mil casos suspeitos da doença foram notificados no município.

A difteria é uma doença infecciosa causada por uma bactéria que ataca principalmente a garganta e as vias aéreas superiores, produzindo uma toxina que faz mal a outros órgãos do corpo humano. A enfermidade é transmitida pelo contato físico direto ou pela respiração das secreções de tosse ou espirros de indivíduos doentes.

Cerca de 10,6 mil pessoas que entraram em contato com os indivíduos com casos suspeitos em Cox’s Bazar foram colocadas em medicação preventiva de difteria.

A OMS, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e outros parceiros de saúde estão trabalhando com o Ministério da Saúde e Bem-Estar da Família para estabelecer centros de imunização fixos nos campos de rohingyas.

“Todos os esforços estão sendo feitos para impedir a disseminação da difteria. A vacinação de crianças nos campos de rohingyas e nas áreas próximas demonstra o compromisso do setor de saúde em proteger as pessoas, particularmente as crianças, contra doenças mortais “, afirmou o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Bangladesh, Bardan Jung Rana.

Cerca de 215 mil crianças entre seis semanas e 17 anos de idade receberam algum tipo de vacina contra a difteria em dezembro de 2017. Mais duas rodadas de vacinação, em intervalos de um mês, estão planejadas para proteger completamente as crianças em campos e áreas adjacentes.

“As crianças são particularmente vulneráveis ​​à difteria. Os voluntários estão fazendo visitas porta-a-porta nos assentamentos de rohingyas para garantir que todas recebam vacinação”, disse o representante do UNICEF no país, Edouard Beigbeder.

Para limitar a propagação da enfermidade pelas comunidades próximas aos acampamentos, cerca de 160 mil crianças em 499 escolas dos subdistritos de Teknaf e Ukhiya também estão sendo vacinadas.

A OMS destinou 1,5 milhão de dólares do seu Fundo de Contingência para Emergências para fortalecer a resposta à difteria entre os rohingyas de Cox’s Bazar pelos próximos seis meses.

A verba será utilizada para apoiar a imunização; fornecer medicamentos e suprimentos essenciais; melhorar as capacidades de testes laboratoriais, gestão de casos e rastreamento de infecções; e promover ações de engajamento com as comunidades.

Países latino-americanos aprovam medidas para promover direitos das mulheres indígenas

Fórum regional terminou com compromisso pela participação política das mulheres indígenas em iniciativas de combate à fome e à pobreza. Foto: FAO

Fórum regional terminou com compromisso pela participação política das mulheres indígenas em iniciativas de combate à fome e à pobreza. Foto: FAO

Representantes da ONU e de 13 países da América Latina e Caribe divulgaram no sábado (13) uma declaração conjunta que prevê a inclusão de uma perspectiva intercultural e de gênero em programas para erradicar a fome. Reunidas na Cidade do México para o Fórum regional sobre Mulheres Indígenas, delegações acordaram série de recomendações para pôr fim à marginalização enfrentada por esse grupo. Evento foi apoiado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O documento final indica que mulheres indígenas, organizações e comunidades desenvolverão uma agenda colaborativa com governos nacionais e locais. Cooperação terá, por objetivo, a implementação do Plano de Segurança Alimentar e Nutricional da Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe (SAN-CELAC), tendo em vista os desafios particulares enfrentados pela população indígena do sexo feminino.

Os governos recomendaram que as organizações de mulheres indígenas continuem contribuindo com seu conhecimento ancestral e com seu engajamento comunitário na luta contra a pobreza e a desnutrição. Participaram do fórum delegações da Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai e Peru.

Outro apelo foi para que as mulheres promovam — junto com autoridades e vários atores políticos, sociais e acadêmicos que fazem parte das sociedades latino-americanas — a transformação dos sistemas alimentares. Mudanças devem torná-los mais sustentáveis, justos, inclusivos e saudáveis.

Já as mulheres indígenas aconselharam governantes e o Sistema das Nações Unidas a adotar medidas para garantir sua plena participação em processes decisórios. Ações devem respeitar tanto a diversidade cultural, quanto a ordem natural de vida. O objetivo dessa orientação é garantir que as mulheres tenham a oportunidade de elaborar o processo de desenvolvimento sustentável necessário para erradicar a pobreza que as afeta.

Mulheres também cobraram iniciativas em prol do desenvolvimento rural, incluindo por meio das explorações agrícolas em pequena escala. O papel das mulheres agricultoras para o desenvolvimento sustentável e para o bem-estar econômico de seus povos, famílias e comunidades também foi reconhecido e defendido pelas recomendações das indígenas.

Em participação no fórum, o representante da FAO no México, Crispim Moreira, reafirmou o compromisso da organização internacional com as deliberações do encontro. “A FAO tomará a declaração deste fórum como um guia. Buscaremos os governos com os quais, felizmente, temos um diálogo fluido para agir a curto e médio prazo.”

“Neste Fórum, conseguimos estabelecer uma agenda, uma pauta para orientar a política pública dos países da América Latina e do Caribe, com o objetivo de reconhecer o papel da mulher indígena para ter nossos territórios sem pobreza e sem fome”, completou o dirigente.

Participaram do fórum delegações da Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai e Peru.

Ataques a civis na Síria podem ser crimes de guerra, alerta chefe de direitos humanos da ONU

Família deixa bairro da Ghouta Oriental por causa de conflitos na região. Foto: UNICEF/Amer Al Shami

Família deixa bairro da Ghouta Oriental por causa de conflitos na região. Foto: UNICEF/Amer Al Shami

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, condenou neste mês o aumento dos ataques a civis na Síria. Desde 31 de dezembro de 2017 até 10 de janeiro, pelo menos 85 civis morreram na Ghouta Oriental, zona que é palco de uma investida por ar e por terra conduzida pelo governo de Bashar al-Assad e seus aliados.

“O sofrimento do povo da Síria não sabe o que é fim”, afirmou Zeid, frisando que zonas residenciais da Ghouta Oriental — região nos arredores de Damasco, capital do país — são atingidas noite e dia por operações militares. Com medo, moradores se escondem nos porões de suas casas para se proteger.

Dos mortos nos últimos ataques, 21 eram mulheres e 30 eram crianças. Pelo menos 183 sírios ficaram feridos. A Ghouta Oriental é o lar de 390 mil civis, que vivem sob cerco há quatro anos. Desde o final do ano passado, duas instalações médicas foram confirmadamente atingidas por operações aéreas. O resultado foi a morte de um profissional de saúde e a paralisação das atividades de atendimento em um dos centros.

Zeid também alertou para a situação da província de Idlib, onde vivem 2 milhões de sírios. Confrontos entre forças do governo, junto com aliados, e a aliança de oposição Hay’at Tahrir Al-Sham já teriam deslocado dezenas de milhares de civis. Muitos desses já haviam sido forçados a fugir das províncias de Alepo e Hama. A ofensiva das autoridades sírias tem avançado com rapidez. Em 7 de janeiro, uma explosão teria deixado 28 civis mortos.

No dia 9 de janeiro, ofensivas por ar e por terrar atingiram uma área residencial de Hamourya, sob controle da oposição. A tnvestida teria matado 13 civis, segundo relatos. Na véspera, outros 12 teriam morrido em meio a ataques a uma zona residencial da cidade de Duma, também sob domínio dos rebeldes.

Grupos armados contra o governo de Assad também têm disparado mísseis em locais de moradia de civis. Em 4 de janeiro, um foguete atingiu o entorno de uma padaria na Cidade Velha de Damasco, matando uma mulher e ferindo outras 13 pessoas.

“O cumprimento do direito internacional exige que as partes de um conflito façam todo o possível para proteger civis. Isso inclui distinguir, em todas as ocasiões, entre alvos militares e civis. Os relatos que vêm da Ghouta Oriental, sobre ferimentos e mortes de civis como resultado de ataques aéreos, sugerem que forças de ataque podem estar falhando em respeitar os princípios do direito internacional humanitário de distinção, proporcionalidade e precauções, o que levanta preocupações de que crimes de guerra podem ter sido cometidos”, afirmou Zeid.

“O disparo de mísseis em áreas povoadas de Damasco em aparente resposta (às operações) parece não ter qualquer propósito militar e cria terror entre a população civil.”

O pronunciamento do alto-comissário lembrou ainda que pacientes médicos em situação grave não foram evacuados da Ghouta Oriental, o que viola as obrigações sob o direito internacional de fornecer cuidado e evacuar os doentes e feridos.

Tanto Idlib quanto a Ghouta Oriental são consideradas áreas de “desescalada” das tensões, segundo o processo de Astana, negociado por Irã, Russia, Turquia e as partes do conflito. Acordo previa suspensão da violência e melhorias na situação humanitária.

“Repito meu apelo às partes para garantir a adesão estrita ao direito internacional, incluindo por meio da garantia da proteção dos civis dos efeitos das hostilidades, e para permitir o acesso irrestrito a agências humanitárias para o fornecimento de assistência altamente necessária”, completou o alto-comissário.

ONU pede US$ 430 mi para prestar assistência humanitária no Afeganistão

Civis afetados por conflitos armados no Afeganistão recebem assistência humanitária em Kunduz. Foto: UNAMA

Civis afetados por conflitos armados no Afeganistão recebem assistência humanitária em Kunduz. Foto: UNAMA

As Nações Unidas e instituições humanitárias parceiras solicitaram nesta segunda-feira (15) 430 milhões de dólares para prestar assistência à população do Afeganistão. Soma será utilizada para para levar ajuda a 2,8 milhões de pessoas vulneráveis — entre elas, indivíduos afetados por conflitos e desastres naturais e grupos de expatriados que viviam no Irã e no Paquistão, mas estão retornando ao país.

“Em muitas partes do Afeganistão, a violência não dá trégua e as pessoas precisam de apoio mais do que nunca”, explicou o coordenador humanitário da ONU no país, Toby Lanzer. O apelo do organismo prevê um plano de ação que envolve mais de 150 organizações internacionais e nacionais de assistência humanitária.

Entre os desafios, está o recrudescimento dos conflitos armados. Em 2017, foi registrado o número mais alto de confrontos dos últimos dez anos. A quantidade de pessoas mortas e feridas também atingiu níveis próximos aos recordes. Embates afetaram diretamente 2 milhões de pessoas, das quais 500 mil eram deslocadas internas.

Também no ano passado, cerca de 500 mil afegãos regressaram ao seu país de origem, depois de buscar refúgio no Irã, Paquistão e outras nações.

O Plano Humanitário de Resposta para 2018 prevê assistência emergencial, como o fornecimento de comida e abrigo, tratamento médico e intervenções no campo da nutrição, sobretudo para crianças e vítimas de desastres atuais ou recentes.

Além dos 2,8 milhões de afegãos beneficiados pela estratégia, a ONU também espera mobilizar recursos para outras 8,7 milhões de pessoas que passam necessidades agudas, devido a problemas como desemprego e falta de meios de subsistência, deslocamento prolongado, efeitos das mudanças climáticas e subfinanciamento do sistema de saúde.

“A assistência de emergência humanitária não pode trazer uma solução para necessidades tão crônicas, tais como terrenos para habitação ou empregos e treinamento vocacional para tirar as pessoas da pobreza e de (situações de) fragilidade”, acrescentou Lanzer.

ACNUR: mais de 5 mil refugiados da República Centro-Africana chegam ao Chade

Oficial do ACNUR registra os refugiados recém-chegados da República Centro-Africana em Odoumian, no Chade. A maioria é de mulheres e crianças que foram forçadas a deixar suas casas por conta da recente escalada de violência no noroeste do país. Foto: ACNUR/Ezzat Habib Chami

Oficial do ACNUR registra os refugiados recém-chegados da República Centro-Africana em Odoumian, no Chade. A maioria é de mulheres e crianças que foram forçadas a deixar suas casas por conta da recente escalada de violência no noroeste do país. Foto: ACNUR/Ezzat Habib Chami

Desde o final de dezembro, mais de 5 mil refugiados da República Centro-Africana chegaram ao sul do Chade. A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está na linha de frente da crise, prestando assistência humanitária e ajudado as autoridades do país de acolhimento a contabilizar os cruzamentos na fronteira. Onda de deslocamento forçado foi motivada por escalada de violência no noroeste do território centro-africano.

Os que chegaram ao Chade vêm da cidade Paoua, palco de confrontos recentes entre o Movimento Nacional pela Liberação da Centro-África e o grupo Revolução e Justiça. Outros 20 mil habitantes do local fugiram da violência, mas permaneceram dentro da República Centro-Africana, segundo estimativas coletadas pelo ACNUR.

Em conjunto com parceiros do governo chadiano, o ACNUR identificou, até o início de janeiro, cerca de 2,3 mil novos refugiados na aldeia de Odoumian, localizada a cerca de 15 quilômetros da fronteira com o território centro-africano.

Muitos deles caminharam a pé para deixar o país e ir até os departamentos de Montañas Nya-Pende e Lam, no Chade. As autoridades locais dizem que aproximadamente 5,6 mil refugiados desde 27 de dezembro de 2017, quando começaram os últimos enfrentamentos entre as entidades armadas. Outras fontes também indicam que mais de mil refugiados chegaram a acampamentos para deslocados centro-africanos. Campos já existiam e estão localizados perto da cidade de Goré.

Trata-se do maior deslocamento de refugiados oriundos da República Centro-Africana, superando o total de 2017, ano em que cerca de 2 mil centro-africanos fugiram para o Chade. Muitos deles denunciaram violações generalizadas de direitos humanas cometidas por grupos armados nas aldeias fronteiriça.

A fronteira com a República Centro-Africana está oficialmente fechada. O ACNUR elogia o gesto humanitário das autoridades do Chade em permitir a entrada de refugiados que buscam proteção internacional, apesar do fechamento do perímetro territorial. Com o apoio de organizações parceiras, o organismo da ONU também garante assistência médica para muitos refugiados que chegam com problemas de saúde — alguns incapazes até mesmo de caminhar.

O Chade acolhe mais de 75 mil refugiados da República Centro-Africana – de um total de 538 mil vivendo em países vizinhos. Durante o segundo semestre de 2017, a situação da nação em crise se deteriorou seriamente. A violência armada e os ataques contra trabalhadores humanitários e agentes de paz provocaram um aumento de 50% no número de deslocados internos, que já somam 600 mil indivíduos. Em maio do ano passado, o número era de 400 mil.

O atual volume de refugiados e deslocados internos é o maior já registrado para a República Centro-Africana — quase um quarto da população de aproximadamente 4,6 milhões de pessoas.

Idosos ajudam refugiados a se integrar na Hungria

Radwa Al Nazer de Damasco (à esquerda) e Rita Joy Osazee da Nigéria (ao centro), com Ilona Karpati, 93 anos, na casa de idosos de Albert Schweitzer, em Budapeste. Foto: ACNUR/Bela Szandelszky

Radwa Al Nazer de Damasco (à esquerda) e Rita Joy Osazee da Nigéria (ao centro), com Ilona Karpati, 93 anos, na casa de idosos de Albert Schweitzer, em Budapeste. Foto: ACNUR/Bela Szandelszky

Rita empurra um idoso em uma cadeira de rodas até seu quarto. Radwa coloca a mesa para o almoço. As duas refugiadas trabalham em uma casa de repouso na Hungria. A rotina tem fortalecido os vínculos entre as estrangeiras e a comunidade que as acolheu. No país europeu, o histórico no acolhimento de refugiados nem sempre foi positivo.

“Eu gosto desse trabalho”, conta Radwa Al Nazer, de Damasco, na Síria. “Requer muita paciência e bondade, mas às vezes eu tenho vontade de chorar quando vejo que fiz um paciente feliz.”

A síria e sua colega nigeriana Rita estão em treinamento no lar para idosos Albert Schweitzer, em Budapeste. O curso é organizado pela MigHelp, uma organização não governamental que ajuda refugiados e migrantes a conseguir empregos por meio de capacitação.

A instituição foi cofundada por James Peter, um ex-refugiado da África que ficou chocado com a violência no antigo centro de recepção de Bicske. O local agora se encontra fechado.

“Muçulmanos e cristãos brigavam”, lembra James. “Eu entendi que não era realmente por causa da religião, mas por causa do tédio.”

James começou juntando equipamentos de computação antigos e organizando cursos de informática. A MigHelp agora também oferece cursos de idiomas, direção de automóveis, cuidado para idosos e crianças. O objetivo é aumentar as chances dos refugiados de arranjar um trabalho.

O curso de cuidados para idosos envolve 110 horas de palestras e prática. Radwa já completou 40 horas e conheceu pessoalmente muitos dos húngaros que vivem na casa de repouso.

“Deixe-me apresentá-la à Ilona”, diz a síria, trazendo Ilona Karpati, de 93 anos.

A moradora da casa chega impecável, com um vestido rosa. Ela fala inglês fluentemente. “Eu vivi por 46 anos no Canadá, perto das Cataratas do Niágara. Sinto falta do Canadá, mas voltei para casa porque meu coração está na Hungria.”

Ilona está feliz em ter a ajuda das refugiadas. “Eles são muito agradáveis, adoráveis e sorridentes.”

Ao cuidar dos outros, os refugiados começam a deixar para trás os traumas que os forçaram a fugir de suas casas.

Radwa e sua família deixaram a Síria por causa da guerra, mas não vieram para a Europa no grande influxo de refugiados de 2015. Eles se mudaram para a Hungria há quatro anos porque o pai de Radwa, Anas Al Nazer, havia estudado medicina no país europeu, nos tempos comunistas, e falava húngaro. Radwa, que estudou psicologia na Universidade de Damasco, deu aulas de árabe e fez algumas obras de arte. Atualmente, ela está casada e espera um bebê.

Rita, do estado nigeriano de Edo, veio para a Hungria com outros refugiados em 2015. Ela agora trabalha em um restaurante, mas espera se tornar cuidadora.

“É gratificante trabalhar com pessoas”, avalia. “Eu faço o café da manhã das pessoas idosas e dou comida. Se eles não falam inglês, usamos linguagem corporal. Quando eles aceitam a comida que você oferece, significa que eles o aceitaram.”

Outras mulheres africanas que terminaram seu treinamento na casa de cuidados estão à disposição para dar conselhos a Rita e Radwa. Vindo de culturas onde os idosos são quase sempre acolhidos e ajudados por suas famílias, ambas ficaram surpresas com o modo europeu de cuidar da população na terceira idade. “Trabalhar aqui pode ser bastante emocionante”, afirma Mercy Asizu, de Uganda. “Às vezes, os idosos choram.”

Tamas Szebenyovszky, um cuidador que trabalhou em casa de repouso por três anos, elogia a contribuição dos refugiados, mas defende que, se eles esperam fazer carreira em tempo integral na profissão, a comunicação será crucial. “O meu melhor conselho é que eles façam curso de húngaro.”

Barreiras à parte, Gezane Fekete parece satisfeita com a atenção que recebe dos refugiados. Essa bisavó viúva, de 97 anos, é quase cega e sua audição é pouca. Ela não pode mais ir à reunião da igreja, mas escuta a transmissão do culto por um pequeno rádio em seu quarto.

“Não tenho queixas sobre os refugiados”, diz. “Eles estão sempre circulando por aí, fazendo suas tarefas muito bem. Uma delas me ajudou até no banheiro. Ela fez isso rápido. Só posso dizer coisas boas sobre eles.”

Quase 70% dos sírios vivem em extrema pobreza, diz chefe humanitário da ONU

Mark Lowcock conversa com um menino em uma escola em Homs, na Síria. Foto: OCHA/Ghalia Seifo

Mark Lowcock conversa com um menino em uma escola em Homs, na Síria. Foto: OCHA/Ghalia Seifo

As Nações Unidas querem finalizar um plano de resposta humanitária à Síria para este ano e um acordo de evacuação de doentes em estado crítico no país.

As medidas foram anunciadas pelo subsecretário-geral da ONU para assuntos humanitários, Mark Lowcock, que afirmou que cerca de 70% dos sírios estão vivendo em extrema pobreza.

Ele encerrou nesta sexta-feira (12) uma visita ao país para ver de perto a situação de milhões de pessoas que vivem as consequências de um conflito que já dura sete anos.

Lowcock visitou a cidade de Homs, uma das mais afetadas pela guerra, no segundo dia da viagem. Ao conversar com deslocados internos em Palmira, ele disse que os sírios afirmaram que somente queriam voltar para suas casas e acabar com o trauma que estão sofrendo desde o início dos combates.

Na quinta-feira (11), Lowcock chegou à capital Damasco para se reunir com autoridades, representantes da sociedade civil e agentes humanitários. O subsecretário-geral contou que centenas de milhares de pessoas morreram, um sem número de sírios estão desaparecidos ou presos e 5 milhões de pessoas foram obrigadas a fugir de suas casas.

A guerra também afetou a economia síria. O Produto Interno Bruto (PIB) do país chegou a menos da metade da quantia vigente em 2011, e somente para reparar as casas e os prédios danificados serão precisos centenas de bilhões de dólares.

Lowcock reconheceu os esforços e o trabalho de milhares de agentes humanitários que implementam os programas de socorro e apoio aos sírios. Segundo o subsecretário-geral, muitos desses trabalhadores nasceram no país e atuam como voluntários de organizações humanitárias.

O subsecretário-geral informou que o Plano de Resposta Humanitária busca 3,5 bilhões de dólares para socorrer mais de 13 milhões de pessoas em toda a Síria.

Uma outra medida é a retirada de doentes críticos que estão sob cerco no Leste de Ghouta, perto da capital Damasco.

Lowcock contou ainda que está tentando mais acesso para comboios de ajuda humanitária de Damasco até Rukhban, no sudeste da Síria.

(Da ONU News em Nova Iorque)