ONU abre candidaturas para premiação de excelência no serviço público

Foto: ONU/Rick Bajornas

Foto: ONU/Rick Bajornas

Estão abertas as candidaturas para o Prêmio das Nações Unidas para o Serviço Público (UNPSA), o mais prestigioso reconhecimento internacional para a excelência no serviço público.

O UNPSA premia desde 2003 as realizações criativas e contribuições de instituições de serviço público que levam a uma administração pública mais eficiente, inovadora e sensível em países em todo o mundo. Diversas iniciativas brasileiras já foram premiadas em edições anteriores (confira aqui, em ‘Past winners’).

A edição atual conta com três diferentes categorias, relacionadas à implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030: (1) alcançando os mais pobres e mais vulneráveis por meio de serviços inclusivos e parcerias; (2) fazendo instituições inclusivas e garantindo a participação na tomada de decisões; e (3) promovendo serviços públicos que reconheçam a questão de gênero para o alcance dos ODS.

Podem ser nomeadas todas as organizações públicas e agências nos níveis nacional, estadual e municipal. Qualquer organização pode fazer uma nomeação, que não pode ser feita por pessoas físicas. As iniciativas devem ter sido implementadas há pelo menos dois anos, com impactos demonstráveis e devidamente documentados.

A cerimônia de entrega do Prêmio será realizada no Marrocos, em 23 de junho – Dia Internacional do Serviço Público –, no contexto da realização do Fórum da ONU sobre Serviço Público.

As candidaturas devem ser apresentadas online em https://publicadministration.un.org/en/UNPSA até o dia 7 de fevereiro de 2018. Neste mesmo link você encontra todas as respostas e detalhes sobre como enviar candidaturas, bem como o contato para eventuais dúvidas, que devem ser tiradas apenas com os organizadores do evento.

Revisão Periódica Universal da ONU avalia situação de direitos humanos em 14 países

Conselho de Direitos Humanos, em Genebra. Foto: Elma Okic/ONU

Conselho de Direitos Humanos, em Genebra. Foto: Elma Okic/ONU

O grupo de trabalho da Revisão Periódica Universal (RPU) do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, mecanismo responsável por analisar e fazer recomendações sobre a situação dos direitos humanos dos Estados-membros da Organização, realizará sua 29ª sessão de 15 a 26 de janeiro em Genebra, na Suíça.

O próximo grupo de 14 países a serem analisados na próxima sessão são, em ordem de agendamento: França, Tonga, Romênia, Mali, Botswana, Bahamas, Burundi, Luxemburgo, Barbados, Montenegro, Emirados Árabes Unidos, Israel, Lichtenstein e Sérvia. O encontro acontecerá no Palácio das Nações.

Representantes dos países comparecerão perante o grupo de trabalho, que comporta os 47 membros do Conselho, e apresentarão os esforços feitos para cumprir suas obrigações e compromissos de direitos humanos, particularmente, em relação a suas últimas revisões — realizadas há quatro anos e meio —, avaliando tanto avanços como desafios. A agenda completa pode ser acessada aqui.

São 42 Estados revisados a cada ano pelo grupo de trabalho, que se encontra três vezes ao ano. A ordem de revisão é sempre a mesma e o número de Estados avaliados por sessão é de 14.

Durante o encontro, é esperado que os países apresentem as ações tomadas desde a última revisão para implementar as recomendações recebidas, em especial as que contaram com o apoio dos próprios países sob revisão, assim como principais avanços e desafios encontrados durante o processo de acompanhamento. Os documentos-base das revisões podem ser acessados aqui.

A revisão tem um formato de diálogo interativo entre o país sob revisão e o grupo de trabalho. A duração para a apresentação do relatório é de três horas e meia, além de uma meia hora adicional para a adoção de uma posição quanto às recomendações recebidas (se o país as aceita ou não), uma vez que elas geram compromissos perante a ONU e a população do país.

Cada revisão é facilitada por grupos de três membros do Conselho de diferentes grupos regionais, conhecidos como “troikas”, que atuam como relatores. Os “troikas” dos países a serem avaliados durante as três sessões de 2018 foram selecionados por meio de um sorteio na última quarta-feira (10), durante uma reunião do Conselho.

O resultado final da 29ª sessão do grupo de trabalho da RPU será adotado na plenária do Conselho de Direitos Humanos, na sua 38ª sessão ordinária, em junho deste ano.

Revisão Periódica Universal

Criada em 2006 juntamente com o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, a Revisão Periódica Universal é um exame detalhado que realizam os Estados-membros da ONU sobre a situação dos direitos humanos em cada país e as medidas adotadas para protegê-los e promovê-los.

A RPU busca estimular a cooperação e o intercâmbio entre os Estados para fortalecer suas políticas e instituições de direitos humanos em curto e médio prazo.

Em uma sessão do grupo de trabalho da RPU – formado por 47 Estados-membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU – o Estado examinado e os Estados-membros e observadores do Conselho entram num diálogo interativo na sede da ONU em Genebra, na Suíça.

No final de cada reunião, o grupo de trabalho adota um documento de resultado, que deve ser considerado e adotado pelo Conselho. Cada Estado-membro das Nações Unidas é examinado no marco da RPU a cada quatro anos e meio.

O primeiro ciclo da Revisão Periódica Universal foi encerrado em 2011, e contou com a participação dos 193 Estados-membros da ONU. Em novembro de 2016, foi concluído o segundo ciclo de implementação, também com 100% de participação dos Estados.

O terceiro ciclo da RPU começou oficialmente em maio de 2017 e ocorrerá até outubro/novembro de 2021. Confira o calendário do terceiro ciclo da RPU aqui.

O principal objetivo da RPU é a melhora da situação dos direitos humanos em todos os países com consequências significativas para as pessoas em todo o mundo. A RPU foi desenhada para fazer observar, apoiar e expandir a promoção e a proteção dos direitos humanos nos países.

Para alcançar tal objetivo, envolve os Estados (governos) avaliados por meio de relatórios de direitos humanos e alerta para violações onde quer que estas ocorram.

A RPU também aspira a prover assistência técnica aos Estados e melhorar a sua capacidade para lidar eficazmente com os desafios dos direitos humanos e para partilhar as melhores práticas entre Estados e outras partes interessadas.

Relatores da ONU elogiam retomada do fornecimento de energia elétrica em Gaza

Linhas de transmissão de energia na Faixa de Gaza. Foto: Banco Mundial/Natalia Cieslik (arquivo)

Linhas de transmissão de energia na Faixa de Gaza. Foto: Banco Mundial/Natalia Cieslik (arquivo)

Especialistas em direitos humanos das Nações Unidas elogiaram o anúncio de que os cortes de energia elétrica impostos a Gaza nos últimos seis meses foram interrompidos, mas alertaram que muito mais precisa ser feito para aliviar o sofrimento da população do enclave palestino.

A pedido da Autoridade Palestina, Israel voltou a fornecer no domingo (7) 50 megawatts (MW) de energia elétrica para Gaza, o que havia sido suspenso em junho do ano passado.

“Esta retomada dos níveis de eletricidade anteriores a junho de 2017 vão diminuir o sofrimento dos 2 milhões de habitantes de Gaza”, disse o relator especial da ONU para a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados desde 1967, Michael Lynk. “Nos últimos seis meses, a população de Gaza teve acesso à energia elétrica por aproximadamente quatro horas por dia e, frequentemente, por menos do que isso”.

“No entanto, muito mais é preciso ser feito”, disse. “Pedimos que todas as partes responsáveis — Israel, Autoridade Palestina, assim como as autoridades de Gaza — retomem as condições para permitir o total fornecimento de eletricidade para toda a população de Gaza. Também pedimos que Israel, a potência ocupante, interrompa seu bloqueio de uma década a Gaza”.

Os cortes de eletricidade deixaram casas sem energia elétrica para aparelhos básicos; empresas e negócios foram fechados ou reduziram suas horas de trabalho; hospitais foram fechados e serviços de saúde significativamente reduzidos, operando com geradores; a central de esgoto de Gaza também não pôde operar, o que fez com que mais de 100 milhões de litros de esgoto não tratado fosse jogado no Mar Mediterrâneo.

“A privação de eletricidade e outros serviços básicos são essenciais para uma vida com dignidade e bem-estar e viola o direito à moradia”, disse Leilani Farha, relatora especial da ONU para o direito à moradia. “Esta privação de energia representa uma punição coletiva da população de Gaza. Isso é ilegal sob a ótica da lei internacional”.

Os relatores especiais afirmaram que Gaza demanda de 450 a 500 MWs de eletricidade por dia para ter uma economia uma sociedade completamente funcional. Mesmo com o restabelecimento dos níveis de fornecimento anteriores a junho, Gaza só recebe ou gera cerca de 210 MWs de energia diariamente, menos da metade da energia elétrica diária necessária.

ONU digitaliza publicação com documentos oficiais; disponível em seis línguas

Sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Foto: ONU/Rick Bajornas

Sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Foto: ONU/Rick Bajornas

Como parte de seus contínuos esforços para promover o multilinguismo e atender melhor os participantes de reuniões intergovernamentais, o Departamento para Assembleia Geral e Gestão de Conferências das Nações Unidas (DGACM, na sigla em inglês) digitalizou e simplificou sua principal publicação, o Jornal das Nações Unidas.

O jornal estará agora disponível em seis línguas oficiais da ONU, durante todo o ano, por meio do site https://journal.un.org. A página também é compatível com dispositivos móveis, incluindo tablets smartphones.

De acordo com as resoluções da Assembleia Geral 70/305 e 71/323, o departamento implementou um importante projeto de revisão do jornal, liderado pela Divisão de Coordenação e Planejamento Central em parceria com a Divisão de Documentação, a Divisão de Assuntos Econômicos e Sociais e a Assembleia Geral, além da Seção de Tecnologia, Informação e Comunicação, assim como outros atores do Secretariado das Nações Unidas, programas e fundos.

O objetivo desse projeto é permitir a publicação do jornal de uma maneira que atenda, de maneira eficiente em termos de custos, o multilinguismo estipulado pela regra 55 dos procedimentos da Assembleia Geral; atendendo melhor as necessidades de delegados e de outros usuários; superando outros desafios, incluindo um considerável aumento do volume nos últimos anos.

Processos relacionados ao jornal e ao fluxo de trabalho, da submissão à publicação, foram reduzidos e digitalizados. A submissão de conteúdo e o processamento, incluindo revisão, edição, tradução e formatação, são agora feitos por meio de um robusto sistema de gestão de conteúdo, capaz de processar e exibir conteúdo nas seis línguas oficiais da ONU, usando um texto padrão pré-traduzido.

De acordo com a resolução 71/323, todo o conteúdo relacionado a reuniões oficiais, incluindo sínteses, está agora disponível em seis línguas oficiais durante o ano todo, enquanto outras seções do jornal continuarão a ser publicadas em Inglês e Francês apenas. Da mesma forma, a versão impressa da publicação ficará temporariamente disponível em Inglês e Francês. Em fevereiro de 2018, um arquivo PDF estará disponível no site do jornal.

Árabe |Chinês |Inglês |Francês |Russo |Espanhol ]

Mais de 200 refugiados e migrantes morreram ao atravessar Mediterrâneo em 2018

Alguns dos migrantes resgatados pela Guarda Costeira da Líbia. Foto: OIM/Eshaebi/2018

Alguns dos migrantes resgatados pela Guarda Costeira da Líbia. Foto: OIM/Eshaebi/2018

Pouco mais de uma semana depois do Ano Novo, em torno de 200 migrantes e refugiados morreram ou estão desaparecidos no Mar Mediterrâneo. Desse total, mais de 100 desapareceram desde sábado (5), informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM) na quarta-feira (10).

“É muito angustiante que durante os primeiros dez dias de 2018 tenhamos visto cerca de 800 migrantes resgatados ou interceptados na costa da Líbia, com mais vidas perdidas no mar”, disse Othman Belbeisi, chefe da missão da OIM na Líbia.

“É preciso fazer mais para reduzir os deslocamentos irregulares e inseguros de pessoas ao longo da rota do Mediterrâneo Central”, acrescentou.

Em contrapartida, em dezembro, época em que a morte dos migrantes no Mediterrâneo diminuiu acentuadamente, a OIM registrou apenas 26 óbitos nas faixas do Mar Mediterrâneo.

Enquanto em janeiro de 2017 houve cerca de 254 mortes, os relatórios desta semana sugerem que o início de 2018 pode ser ainda mais mortal.

A OIM informou na terça-feira (9) que foram registradas 81 mortes de migrantes ou refugiados no Mar Mediterrâneo nos primeiros oito dias do ano — cinco perto da Espanha e do Marrocos e o restante entre Itália e Líbia.

Após o mais recente e terceiro mais mortal naufrágio no Mediterrâneo desde sábado, a Guarda Costeira da Líbia salvou três embarcações de borracha com 279 migrantes em uma operação que durou ao menos 12 horas.

De acordo com os sobreviventes e um comunicado de imprensa da Guarda Costeira da Líbia, aproximadamente 100 pessoas que estavam a bordo continuam desaparecidas.

A OIM esteve presente no local de desembarque em Trípoli e forneceu comida e água aos sobreviventes.

A agência informou que os barcos partiram das cidades costeiras de Azzawiyah e Al Khums, e a maioria dos sobreviventes provinha de países africanos, incluindo Senegal, Mali e Nigéria.

A agência de migração da ONU continua a prestar apoio e assistência humanitária direta aos sobreviventes da tragédia, muitos dos quais estão agora no centro de detenção de Tajoura, na Líbia.

Protetor solar pode contribuir para destruição dos recifes de coral, alertam especialistas

Recifes de coral ficariam mais vulneráveis ao branqueamento por conta da contaminação das águas por protetor solar. Foto: ONU Meio Ambiente/NOOR/Kadir van Lohuizen

Recifes de coral ficariam mais vulneráveis ao branqueamento por conta da contaminação das águas por protetor solar. Foto: ONU Meio Ambiente/NOOR/Kadir van Lohuizen

Os cientistas têm más notícias para quem costuma frequentar praias: o filtro solar que protege a sua pele enquanto você nada, surfa ou mergulha pode estar matando os recifes de corais e a vida marinha. Muitos protetores solares contêm oxibenzona, uma substância química que ajuda a barrar os raios ultravioletas responsáveis pelo câncer de pele. Infelizmente, pesquisas também indicam que o composto torna os corais mais suscetíveis ao branqueamento.

Esse é mais um exemplo de como os produtos químicos sintéticos podem ter consequências não intencionais, fato que reforça a necessidade de avaliações de risco mais rigorosas antes de aprová-los para uso na indústria. Muitas substâncias novas, incluindo a oxibenzona, passam por estações de tratamento de água sem ser filtradas e acabam nos rios e oceanos.

“Este é um caso para a aplicação do princípio da precaução”, diz Gabriel Grimsditch, especialista em ecossistemas marinhos da ONU Meio Ambiente. “A oxibenzena nos protege contra queimaduras, mas também é um poluente, e precisamos saber o máximo possível sobre ela antes de liberá-la no ambiente. Já existem evidências de que esta substância é prejudicial aos recifes de corais”, completa.

O branqueamento dos recifes ocorre quando os corais expelem as algas que vivem sobre sobre eles mesmos, que ficam brancos, sem o tradicional revestimento colorido. Essas plantas são as fontes primárias de alimento para os corais, com os quais mantêm uma relação de simbiose. O branqueamento pode ser provocado pelo aquecimento da temperatura dos oceanos.

A oxibenzona faz parte da família de produtos químicos frequentemente adicionados aos plásticos — para evitar que se degradem com a luz — e às garrafas de bebidas para proteger seu conteúdo. Ela também preserva as cores e aromas de vários itens, incluindo sprays de cabelo, sabonetes e esmaltes de unha.

Mesmo sem a conexão com a destruição dos corais, muitos países já restringiram o uso da oxibenzona devido à preocupação com a saúde humana, como no caso de alergias de pele. Pesquisadores também estão examinando o impacto da substância nos níveis hormonais.

O recente alerta sobre seu impacto para a vida marinha surgiu de um artigo científico de 2015*, que apontava que até 14 mil toneladas de protetor solar são “lavadas” anualmente da pele de banhistas e mergulhadores perto de recifes de corais em todo o mundo.

Em experimentos laboratoriais, os autores da pesquisa descobriram que a oxibenzena reduziu a forma larval do coral Stylophora pistillata a uma “condição deformada e séssil” — uma consequência direta é o comprometimento do ciclo reprodutivo e, portanto, da renovação das populações de corais. A substância também foi considerada tóxica para outras cinco espécies de corais. A oxibenzona “ameaça a resiliência dos recifes às mudanças climáticas”, advertem os especialistas.

Outras pesquisas indicam que a oxibenzona também pode causar problemas de saúde em peixes, ouriços do mar e mamíferos marinhos.

Governos e indústria se mobilizam pelo meio ambiente

Buscando proteger a indústria do turismo, fundamental para as praias do México, o país permite apenas protetores solares “biodegradáveis” em algumas de suas principais reservas marinhas. Os parlamentares da Europa e do Havaí pressionam por proibições mais amplas. Nos Estados Unidos, o Serviço de Parques Nacionais incentiva os visitantes a usar produtos alternativos ou apenas a se cobrir com chapéus e roupas de banho com mangas longas.

As empresas estão resistentes, apontando outros fatores como motivo da deterioração dos ecossistemas de corais, como a mudança do clima e o despejo de outras substâncias poluentes nos oceanos.

Diversas empresas de cosméticos já estão oferecendo produtos “amigos dos corais”, que usam óxido de zinco ou dióxido de titânio em vez de ingredientes mais controversos.

De acordo com a Consumer Healthcare Products Association, que representa empresas de medicamentos de venda liberada nos Estados Unidos, “não há provas científicas de que, em condições naturais, os ingredientes dos protetores solares, que têm sido utilizados com segurança em todo o mundo há décadas, contribuem para essa questão”.

No entanto, várias empresas de cosméticos já oferecem novas alternativas e grandes meios de comunicação, como o jornal The New York Times e a revista de moda Vogue ajudam a promovê-los.

Então, na próxima vez que você der uma passada na praia, não precisa esperar até que o argumento científico ganhe ou perca. Você pode exercer o princípio da precaução por si mesmo, reduzindo o risco para o meio ambiente sem se expor aos excessos do sol.

*O artigo foi assinado por C. A. Downs, Esti Kramarsky-WinterRoee SegalJohn FauthSean KnutsonOmri BronsteinFrederic R. CinerRina JegerYona LichtenfeldCheryl M. WoodleyPaul PenningtonKelli CadenasAriel KushmaroYossi Loya.

Gerir as migrações é um dos testes mais urgentes para a cooperação internacional, diz Guterres

Secretário-geral durante visita a campo de refugiados do Sudão do Sul no norte de Uganda em junho de 2017. Foto: ONU/Mark Garten

Secretário-geral durante visita a campo de refugiados do Sudão do Sul no norte de Uganda em junho de 2017. Foto: ONU/Mark Garten

“A migração é uma crescente realidade global”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em seu relatório divulgado nesta quinta-feira (11). “A hora para debater a necessidade de cooperação neste campo passou”, e “geri-la é um dos testes mais urgentes e profundos da cooperação internacional de nossos tempos“.

O relatório “Making Migration Work for All” (Fazer a migração funcionar para todos), lançado na Assembleia Geral da ONU, é a contribuição do secretário-geral para o processo de desenvolvimento de um Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular.

O documento oferece a visão do secretário-geral para uma cooperação internacional construtiva, examinando como administrar melhor a migração, para o benefício de todos — dos migrantes em si, de suas comunidades de acolhimento e de suas sociedades de origem.

O secretário-geral enfatiza que “a migração é um motor do crescimento econômico, da inovação e do desenvolvimento sustentável”. Afirma que há uma clara evidência de que, apesar dos reais desafios, a migração seja benéfica tanto para migrantes como para comunidades de acolhimento, em termos econômicos e sociais.

O Pacto Global fornecerá aos Estados-membros a oportunidade de maximizar esses benefícios e enfrentar melhor os desafios de migração.

O relatório indica a existência de 258 milhões de migrantes internacionais, ou 3,4% da população mundial, com expectativa de aumento. Enquanto a maioria dos migrantes se moveu entre países de maneira segura, ordenada e regular, uma significativa minoria enfrenta condições precárias.

O documento nota que cerca de 6 milhões de migrantes estão presos em trabalho forçado, e que recentes movimentos de larga escala de migrantes e refugiados, em regiões incluindo o Sahel e o Sudeste da Ásia, provocaram grandes crises humanitárias. O relatório pede que o Pacto Global inclua uma estratégia especial para enfrentar esse problema.

O relatório lembra os benefícios econômicos da migração. Migrantes gastam 85% de seus ganhos nas comunidades de acolhimento e enviam os demais 15% para seus países de origem. Apenas em 2017, migrantes enviaram para casa aproximadamente 600 bilhões de dólares em remessas, três vezes mais que a assistência oficial que recebem.

As mulheres, que respondem por 48% de todos os migrantes, enviam para seus países de origem um percentual maior de seus ganhos do que os homens, enquanto enfrentam políticas de trabalho mais restritivas, o que, portanto, restringe sua renda econômica e sua contribuição social.

Os Estados-membros devem “promover a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas” como um elemento central do Pacto Global.

O secretário-geral encoraja os governos a trabalhar juntos para estabelecer um sistema migratório global produtivo e humano que melhore, em vez de prejudicar, a soberania.

Se governos abrirem caminhos legais para a migração, baseando-se em análises realistas do mercado de trabalho, há probabilidade de haver menos travessias de fronteiras, menos migrantes trabalhando fora da lei e menos abusos contra indocumentados, de acordo com o relatório.

O secretário-geral avalia que uma nova abordagem para a migração é necessária. “É hora de reunir todas as partes do Sistema ONU, incluindo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), para apoiar os esforços dos Estados-membros em gerenciar a migração”.

Guterres se compromete a trabalhar dentro do Sistema ONU para identificar novas formas de ajudar os Estados-membros a administrar melhor a migração com base no Pacto Global.

Mais informações

Os Estados-membros irão em breve realizar as negociações finais para o Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular. O Pacto Global será finalizado em 2018.

Clique aqui para acessar o relatório (em inglês).

Clique aqui para obter mais informações sobre o Pacto Global.

FAO: preços dos alimentos caem em dezembro, mas sobem em 2017

Alimentos: cereais - Foto: Pixabay

Alimentos: cereais – Foto: Pixabay

Os preços mundiais dos alimentos caíram em dezembro, como consequência das fortes baixas dos óleos vegetais e dos produtos lácteos, segundo o último índice de preços dos alimentos publicado nesta quinta-feira (11) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O índice, uma medida da variação mensal dos preços internacionais de uma cesta de alimentos básicos, ficou em dezembro de 2017 em uma média de 169,8 pontos, o que representa uma queda de 3,3% em relação a novembro.

Apesar do retrocesso no fim do ano, o índice de preços dos alimentos da FAO ficou na média de 174,6 pontos em 2017, alta de 8,2% frente 2016, e alcançou sua média anual mais elevada desde 2014.

O índice de preços dos produtos lácteos da FAO caiu 9,7% em dezembro, já que as abundantes exportações e a baixa demanda pesaram nos preços internacionais de leite desnatado e leite integral em pó, assim como nos preços do queijo e da manteiga. Ainda assim, o subíndice ficou 31,5% acima de 2016.

O índice de preços dos óleos vegetais da FAO caiu 5,6% em relação a novembro, já que os preços do óleo de palma caíram em um contexto de estoques crescentes na Malásia e na Indonésia. Isso, por sua vez, empurrou os preços do óleo de soja. Em 2017, este subíndice foi 3% superior ao do ano anterior.

O índice de preços do açúcar da FAO também caiu, marcando uma baixa de 4,1% desde novembro devido a fatores sazonais e às expectativas de um importante superávit este ano. Os preços do açúcar ficaram 11,2% mais baixos em 2017, devido principalmente a uma abundante colheita no Brasil, o principal produtor mundial.

O índice de preços dos cereais da FAO manteve-se em geral estável pelo terceiro mês consecutivo, com os preços internacionais do trigo fragilizando-se, enquanto os do milho e do arroz se reforçaram. O índice foi em 2017 3,2% mais alto que no ano anterior, apesar de em 2017 estar 37% abaixo a seu pico em 2011.

O índice de preços da carne da FAO caiu levemente em dezembro, diante da abundante oferta que impulsionou os preços internacionais da carne bovina. Em 2017, o subíndice registrou um aumento de 9% em relação a seu nível de 2016.