Lamachia e Ricardo Breier, presidente da OAB-RS, são recepcionados pela advocacia de Tapejara

Porto Alegre (RS) - A advocacia Tapejarense esteve reunida na manhã desta sexta-feira (17), recepcionando o presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, o presidente da OAB-RS, Ricardo Breier, e o vice-presidente da OAB-RS, Luiz Eduardo Amaro Pellizzer, na subseção local.

Lamachia destacou a obra coletiva construída na OAB-RS a partir de 2007, que gerou muitas conquistas para a advocacia. “A partir dessa união conquistamos as férias, a contagem de prazos em dias úteis, o fim da compensação da verba honorária, o simples para advocacia, entre outros marcos para os advogados de todo o País”, enfatizou.

Ele lembrou que ainda falta um grande compromisso a ser consagrado: a criminalização da violação às prerrogativas, projeto que está sob análise da Câmara dos Deputados. “Só queremos que seja cumprido aquilo que diz a lei, no artigo 7º da Lei 8.906. Só queremos que seja respeitada a lei!”, ressaltou.

O presidente da seccional gaúcha fez um paralelo sobre as recentes ações da entidade em prol da advocacia, como a Lei das Custas, o combate a publicidade irregular na advocacia e com a assinatura da migração do sistema E-Themis para o e-Proc no Judiciário gaúcho.

“É uma vitória para a advocacia. Recebemos na Ordem queixas diárias de problemas técnicos com o atual processo eletrônico do TJRS. Este será um avanço significativo, valorizando e qualificando o trabalho dos advogados. Isso só foi possível, com a importante contribuição das nossas 106 subseções”, registrou.

O anfitrião, presidente Odimar Eduardo Iaskievick, falou da honra em receber os dirigentes na subseção. “Estamos nessa manhã unidos para esse encontro marcante para a nossa OAB”, destacou.

Pela Assessoria de Imprensa da OAB-RS, com adaptações

Detenção de migrantes na Líbia é um ‘ultraje à consciência da humanidade’, diz ONU

Na Líbia, dezenas de migrantes dormem em cela de centro de detenção em Trípoli. Foto: ACNUR

Na Líbia, dezenas de migrantes dormem em cela de centro de detenção em Trípoli. Foto: ACNUR

O apoio da União Europeia (UE) à guarda costeira da Líbia, o que resultou na detenção de milhares de migrantes em condições “degradantes”, é “desumano”, disse na terça-feria (14) o alto-comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, Zeid Ra’ad al Hussein.

O alerta foi feito depois de uma investigação feita por monitores da ONU que visitaram migrantes detidos em centros de detenção estatais na Líbia no início do mês.

De 1º a 6 de novembro, monitores em direitos humanos da ONU visitaram quatro unidades de detenção em Trípoli, onde entrevistaram pessoas detidas que fugiam de conflitos, perseguições e pobreza extrema de Estados na África e na Ásia, de acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

“Os relatores ficaram chocados com o que testemunharam: milhares de homens, mulheres e crianças definhando, traumatizados e empilhados uns nos outros, trancados em hangares sem acesso às necessidades básicas e despojados de sua dignidade humana”, disse um porta-voz do ACNUDH em uma coletiva de imprensa em Genebra.

Os detidos disseram ser frequentemente espancados ou cutucados com varas elétricas quando pedem por alimentos e remédios. Não há banheiros funcionando nas instalações e os detidos consideram difícil sobreviver em meio ao cheiro de urina e fezes. Segundo relatos, os casos de violências sexuais são frequentes.

A UE está fornecendo assistência à guarda costeira da Líbia para interceptar embarcações migratórias no Mediterrâneo. Isso inclui águas internacionais, apesar das preocupações levantadas por grupos de direitos humanos, segundo as quais isso pode acarretar em mais detenções arbitrárias e indefinidas de migrantes, expondo-os ao trabalho forçado ou à extorsão. De acordo com o ACNUDH, os detidos não têm possibilidade de contestar a legalidade de sua prisão e não têm acesso a assistência jurídica.

Aproximadamente 20 mil pessoas estão em custódia atualmente, frente a 7 mil em meados de setembro. O aumento ocorreu depois que as autoridades detiveram milhares de migrantes na sequência de confrontos em Sabratha, um centro de tráfico de pessoas a cerca de 80 km de Trípoli.

“Não podemos ser testemunhas silenciosas da escravidão moderna, de estupro e outras violações sexuais e homicídios em nome do controle da migração e de evitar que pessoas desesperadas e traumatizadas cheguem às praias europeias”, disse o alto-comissário.

O ACNUDH pediu que todas as autoridades líbias colocassem um fim às violações dos direitos humanos em centros de detenção sob seu controle. Além disso, a agência da ONU fez um apelo para que a comunidade internacional não feche os olhos para os “horrores inimagináveis” sofridos pelos migrantes na Líbia.

Meio ambiente também é vítima de guerras e conflitos, diz chefe da ONU

Membro das forças de paz da ONU planta árvore em El Fasher, no Sudão. Foto: ONU/Albert Gonzalez Farran

Membro das forças de paz da ONU planta árvore em El Fasher, no Sudão. Foto: ONU/Albert Gonzalez Farran

Lembrando o Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente em Tempos de Guerra e Conflito Armado, 6 de novembro, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ressaltou a necessidade de reconhecer que o meio ambiente também é vítima das guerras.

“Seja por confrontos ou por queda de governos, os danos causados ao meio ambiente têm consequências devastadoras à saúde e ao bem-estar das pessoas (…) não é um problema novo, mas é um que pode ainda durar décadas”, disse Guterres em sua mensagem para a data.

“Áreas da Europa ainda são afetadas por contaminação por metais pesados de munições utilizadas durante a Primeira Guerra Mundial”, completou.

Em sua mensagem, o secretário-geral também destacou a importância de um ambiente saudável para que as pessoas reconstruam suas vidas com o fim dos conflitos. Ele observou também que o gerenciamento compartilhado dos recursos naturais pode manter ou melhorar relações sociais.

Dada a importância do meio ambiente e dos recursos naturais para o desenvolvimento sustentável, o chefe da ONU pediu medidas para reduzir os danos colaterais causados pelos conflitos.

“A ONU está empenhada em proteger o meio ambiente como um pilar essencial da paz, segurança e desenvolvimento sustentável”, ressaltou.

De acordo com a ONU Meio Ambiente, os conflitos por recursos naturais estão entre os maiores desafios do mundo de hoje, com graves ameaças à segurança humana.

Além disso, pelo menos 40% de todos os conflitos armados internos nos últimos 65 anos tiveram uma importante dimensão de disputa por recursos naturais. Desde 1989, mais de 35 importantes conflitos armados foram financiados por receitas de recursos em disputa, e há temores de que, nos próximos anos, eventos climáticos extremos possam duplicar o risco de conflitos violentos.

No entanto, apesar desses riscos, há também “oportunidades significativas” que ligam o meio ambiente e a construção da paz, acrescentou a ONU Meio Ambiente.

“Não esqueçamos o poder da cooperação ambiental para impulsionar a paz e a prosperidade”, disse o diretor-executivo da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim.

Brasileiro irá liderar revisão de mortos e feridos em missões de paz da ONU

O general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz durante missão próximo a Goma, cidade retomada pela ONU na República Democrática do Congo (RDC). Foto MONUSCO/Sylvain Liechti

O general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz durante missão próximo a Goma, cidade retomada pela ONU na República Democrática do Congo (RDC). Foto MONUSCO/Sylvain Liechti

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, anunciou nesta sexta-feira (17) a nomeação do brasileiro general-de-divisão da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz para liderar a revisão de alto nível de mortos e feridos em missões de paz em razão de atos violentos. A revisão irá submeter recomendações de curto e longo prazo ao secretário-geral, com medidas para reduzir os números de vítimas.

Atualmente secretário nacional de segurança pública, o general-de-divisão tem mais de 40 anos de experiência militar em segurança pública nacional e internacional, incluindo comando e experiência com pessoal.

Anteriormente, foi comandante da Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo, a MONUSCO (2013-2015), assessor especial do Ministério de Assuntos Estratégicos da Presidência da República do Brasil (2013), comandante adjunto de operações terrestres do Exército Brasileiro (2011-2013) e comandante da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti, a MINUSTAH (2007-2009), entre outras atuações.

Engenheiro civil pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, é graduado pela Academia Militar de Agulhas Negras em Resende. Nascido no Brasil em 1952, é casado e tem três filhos.

Concentração de dióxido de carbono na atmosfera atinge novos recordes em 2016, alerta ONU

Poluição do ar causada por usina de carvão em Kosovo. Foto: Banco Mundial/Lundrim Aliu

Poluição do ar causada por usina de carvão em Kosovo. Foto: Banco Mundial/Lundrim Aliu

A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera aumentou em “velocidade recorde” para novos níveis em 2016, de acordo com relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgado no fim de outubro (30).

O secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, publicou o alerta em Genebra, durante lançamento do boletim de gases de efeito estufa da organização.

O relatório indica que as concentrações de dióxido de carbono atingiram 403.3 partes por milhão em 2016, em comparação com 400 ppm em 2015.

“Nunca vimos um crescimento tão grande em um ano como visto em 2016 na concentração de dióxido de carbono”, disse Taalas, dizendo a jornalistas que é hora de os governos cumprirem as promessas que fizeram no Acordo de Paris para o clima em 2015 para tomar medidas de combate ao aquecimento global.

Enfatizando que os novos números revelam que “não estamos nos movendo na direção certa”, ele acrescentou que “de fato, estamos realmente nos movendo na direção errada quando pensamos na implementação do Acordo de Paris, e isso demonstra que existe uma necessidade urgente de aumentar a ambição, se estivermos levando a sério a meta de manter o aumento da temperatura global entre 1,5 e 2 graus Celsius”.

O crescimento populacional, as práticas intensivas de agricultura, o crescente uso da terra e do desmatamento, a industrialização e o uso associado de energia a partir de fontes de combustíveis fósseis contribuíram para aumentar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera desde a era industrial, a partir de 1750.

Segundo a chefe da divisão de pesquisa em meio ambiente atmosférico da OMM, Oksana Tarasova, os elevados níveis de CO2 do ano passado ocorreram devido a uma combinação de atividades humanos e uma forte ocorrência do El Nino.

O fenômeno climático está associado a temperaturas mais elevadas no mar, o que é apontado como desencadeador de secas em regiões tropicais, bem como furacões e incêndios florestais sem precedentes em todo o mundo.

No entanto, em 3.3 ppm, o aumento de 2016 dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera foi significativamente maior que um pico influenciado pelo El Niño em 1998, que foi medido em 2.7 ppm.

Para colocar isso em perspectiva, a OMM diz que, antes da era industrial, uma mudança de CO2 de 10 ppm levou entre 100 e 200 anos para acontecer.

“O que estamos fazendo agora com a atmosfera é 10 a 20 vezes mais rápido do que jamais foi observado na história do planeta”, disse Tarasova.

De acordo com o relatório, que cobre todas as emissões atmosféricas, as concentrações de CO2 estão agora em 145% dos níveis pré-industriais.

Depois do dióxido de carbono, o segundo gás de efeito estufa mais importante é o metano, cujos níveis elevaram-se no ano passado, porém levemente menos quando comparado a 2014. O óxido nitroso, o terceiro mais perigoso, teve uma desaceleração no ano passado na comparação com a última década.

A divulgação do relatório da OMM coincide com o Relatório “Emissions Gap” da ONU Meio Ambiente, que acompanha a forma como os governos estão tomando medidas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Brasil ocupa 66o lugar em ranking da ONU de tecnologia de informação e comunicação

Na aldeia de Takalafiya-Lapai, no estado de Niger, na Nigéria, menino fala ao celular; ele é um dos beneficiários de um projeto do Banco Mundial. Foto: Arne Hoel/Banco Mundial

Na aldeia de Takalafiya-Lapai, no estado de Niger, na Nigéria, menino fala ao celular; ele é um dos beneficiários de um projeto do Banco Mundial. Foto: Arne Hoel/Banco Mundial

A nona edição do relatório anual ‘Medindo a Sociedade da Informação’ foi lançada nesta semana pela União Internacional das Telecomunicações (UIT), a agência das Nações Unidas especializada na área das tecnologias da informação e comunicação.

O documento deste ano conclui que avanços na internet, análise de ‘big data’, computação em nuvem e inteligência artificial vão permitir “enormes inovações” e transformar “de forma fundamental” negócios, governos e sociedades, servindo para melhorar os meios de subsistência em todo o mundo.

Segundo o relatório, essa “revolução vai se desenrolar nas próximas décadas com oportunidades, desafios e implicações ainda não plenamente conhecidos”.

Para colher esses benefícios, o documento defende que os países terão que “adotar políticas que sejam propícias à experimentação e inovação, ao mesmo tempo que mitiguem possíveis riscos à segurança, privacidade e emprego”.

Índice global

A Islândia lidera o Índice de Desenvolvimento de Tecnologia da Informação e Comunicação (IDI) da UIT em 2017. O país ocupava a segunda posição no ano passado. Coreia do Sul, Suíça, Dinamarca e Reino Unido completam as primeiras colocações da lista este ano.

O país lusófono melhor colocado no IDI 2017 é Portugal, na 44ª posição, a mesma do ano passado, seguido do Brasil em 66º e Cabo Verde em 93º. Em 122º lugar está Timor-Leste. São Tomé e Príncipe aparece em 132º, Moçambique em 150º, Angola em 160º e a Guiné-Bissau na 173ª posição. A região de Macau, na China, aparece em 26º no índice.

Há “diferenças consideráveis” entre as regiões do mundo no que diz respeito aos índices de desenvolvimento na área de tecnologia da informação e comunicação.

Segundo o documento da UIT, há também grandes diferenças entre os países de cada região e estas são associadas principalmente aos níveis de desenvolvimento econômico.

Américas

Os Estados Unidos e o Canadá lideram o Índice de Desenvolvimento de tecnologia da informação e comunicação na região das Américas.

No ranking regional das Américas, o Brasil está apenas em décimo lugar, atrás de países como Barbados, Bahamas, Argentina e Chile.

Segundo o relatório, no entanto, o Brasil é um dos maiores mercados de telecomunicações da região. A expectativa é que a qualidade e a cobertura dos serviços melhorem “significativamente” nos próximos anos.

África e Europa

Entre as regiões do mundo, a Europa tem a média mais alta no IDI 2017. As maiores melhorias no índice foram registradas em Chipre e na Turquia. Segundo o documento, o mercado de telecomunicação em Portugal tem visto um “desenvolvimento positivo”.

Na 72ª posição, as Ilhas Maurício são o país africano melhor colocado no índice. O continente também abriga dois dos países com as “melhoras mais dinâmicas” nos valores de seus IDI durante o ano: Namíbia e Gabão.

O chefe da UIT, Houlin Zhao, afirmou que as tecnologias de informação e comunicação (TIC) têm o “potencial de fazer do mundo um lugar melhor e contribuir imensamente para o desenvolvimento sustentável”. No entanto, ele afirmou que, apesar do progresso alcançado em geral, a “desigualdade digital permanece um desafio que precisa ser abordado”.

Acesse o documento clicando aqui. A parte sobre o Brasil está na página 29 deste trecho do relatório.

(Com informações da ONU News em Nova Iorque)

Rússia veta pela 10ª vez medidas do Conselho de Segurança para a Síria desde início da guerra

Uma criança carrega uma bolsa com lenha que ela comprou para sua família em Ghouta, cidade sitiada na Síria. Foto: UNICEF / Al Shami

Uma criança carrega uma bolsa com lenha que ela comprou para sua família em Ghouta, cidade sitiada na Síria. Foto: UNICEF / Al Shami

Estados-membros do Conselho de Segurança rejeitaram duas propostas de resolução que buscavam levar adiante as investigações sobre o uso de armas químicas na Síria. Medidas renovariam por um ano o mandato do Mecanismo Investigativo Conjunto da ONU e da Organização para a Proibição de Armas Químicas. Operações da entidade se encerram nesta sexta-feira (17).

Na quinta-feira (16), os Estados Unidos apresentaram um texto vetado pela Rússia. A votação teve um voto negativo da Bolívia e abstenções da China e do Egito. Essa foi a décima vez em que a Rússia vetou ações do Conselho de Segurança para a Síria desde o início da guerra.

No mesmo dia, antes da votação desta proposta, foi a vez de a Bolívia defender uma resolução que estendia o mandato do mecanismo investigativo. A proposta foi primeiramente apresentada pelo governo russo, que depois se retirou das discussões. O texto recebeu quatro votos a favor — da Bolívia, China, Cazaquistão e Rússia — e sete contra — da França, Itália, Japão, Suécia, Ucrânia, Reino Unido e Estados Unidos —, além de quatro abstenções.

No final do mês passado, às vésperas da divulgação de um relatório final do mecanismo investigativo, a Rússia vetou uma proposta semelhante de renovação do mandato da iniciativa.

Em 26 de outubro, o mecanismo denunciou que o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL/Da’esh) foi o responsável pelo uso do agente mostarda de enxofre num ataque em Umm Hawsh, em setembro de 2016, e o governo sírio foi responsável pela liberação de gás sarin em Khan Shaykhun, em abril de 2017.

O chefe da entidade investigativa, Edmond Mulet, afirmou na ocasião que as averiguações haviam encontrado “evidências suficientes de natureza credível e confiável para chegarmos a tais conclusões”.

Fundo de População da ONU defende que serviços de saúde incluam perspectiva de direitos humanos

Serviços de saúde sexual forma tema de ciclo de formação na Bahia, com participação do UNFPA. Foto: UNAIDS

Serviços de saúde sexual forma tema de ciclo de formação na Bahia, com participação do UNFPA. Foto: UNAIDS

Em encontro na Bahia com mais de 200 gestores, assistentes sociais, enfermeiros e outros profissionais que trabalham na Fundação da Criança e do Adolescente (FUNDAC) — entidade responsável por jovens em cumprimento de medidas socioeducativas —, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) defendeu a promoção dos direitos sexuais e reprodutivos da juventude. Agência da ONU lembrou compromissos do Brasil para incluir perspectiva de direitos humanos nos serviços de saúde.

“Em 2013, os países aprovaram o chamado Consenso de Montevidéu sobre População e Desenvolvimento. Sobre o tema dos direitos sexuais e direitos reprodutivos, as nações se comprometeram a implementar programas de saúde sexual e saúde reprodutiva integrais, oportunos e de qualidade para adolescentes e jovens, que incluam serviços de saúde sexual e saúde reprodutiva amigáveis, com perspectiva de gênero, direitos humanos, intergeracional e intercultural”, afirmou Anna Cunha, oficial de programa do UNFPA, durante o primeiro dia do evento, na quinta-feira (16).

O encontro marcou o quarto ciclo de formação da iniciativa Sistema Socioeducativo e SUS: Garantindo Direitos e Fortalecendo o Cuidado. O tema desta edição foi “Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos de Adolescentes Privados de Liberdade: é preciso falar sobre isso”.

Atividades, encerradas nesta sexta-feira (17), discutiram temas como diversidade sexual e de gênero na juventude e estratégias para a proteção dos direitos dos jovens. A FUNDAC é uma entidade vinculada à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), sendo responsável pela gestão do sistema socioeducativo da Bahia. A entidade atende unidades de privação de liberdade em Salvador, Camaçari e Feira de Santana.

Anna Cunha alertou para os desafios enfrentados pela juventude brasileira, como restrições de acesso a informação, recursos, ações e serviços de qualidade em saúde, incluindo em saúde sexual e reprodutiva. Outros problemas incluem a violência e a falta de oportunidades de trabalho e de aprendizado de qualidade.

Países se mobilizam para combater resistência a antibióticos na alimentação e na agricultura

Mais países se mobilizam para combater a resistência antimicrobiana na alimentação e na agricultura. Foto: EBC

Mais países se mobilizam para combater a resistência antimicrobiana na alimentação e na agricultura. Foto: EBC

Os esforços para interromper a propagação de patógenos resistentes a antibióticos nas atividades agrícolas e nos sistemas alimentares ganharam impulso graças a um forte apoio dos governos e de técnicos que está potencializando a capacidade dos países de responder ao problema, disse a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) nesta sexta-feira (17).

Os antimicrobianos são muito utilizados nos setores pecuário, avícola e aquícola para tratar ou prevenir doenças. Seu uso excessivo e indevido impulsiona a aparição e propagação de patógenos causadores de doenças que são resistentes aos medicamentos e, por isso, cada vez mais difíceis de tratar.

O primeiro estudo anual da FAO, da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o progresso no estabelecimento de planos nacionais diante da resistência antimicrobiana — realizado em 2016 — concluiu que mais de 6,5 bilhões de pessoas, ou mais de 90% da população mundial, vivem hoje em países que já têm ou estão desenvolvendo um plano de ação nacional para abordar a questão. Quase todos eles abarcam a saúde animal e humana, em linha com o enfoque multissetorial do conceito de “uma só saúde”.

Desde a elaboração desse relatório, há mais países que avançaram rumo à finalização de seus planos ou os tornaram plenamente operacionais.

O último país a apresentar um plano de ação para fazer frente à propagação da resistência antimicrobiana utilizando o enfoque de “uma só saúde” foi o Quênia, que colocou em andamento esta semana sua política e seu plano de ação nacional frente aos antibióticos.

O Quênia é um dos 12 países africanos e asiáticos a participar de um projeto da FAO, financiado pelo Fundo Fleming do Reino Unido, com o objetivo de desenvolver sua capacidade nacional de acompanhamento e resposta frente aos riscos da resistência antimicrobiana na alimentação e na agricultura.

No entanto, apesar dos avanços, o impulso global frente à resistência antimicrobiana ainda está em sua etapa inicial, e há pontos fracos que devem ser reforçados, em especial nos setores alimentares e agrícolas nos países de renda baixa e média, onde se trava a batalha decisiva contra as “superbactérias” resistentes aos medicamentos convencionais, advertiu a FAO.

Particularmente, devem ser preenchidas importantes lacunas na informação sobre onde, como e em que medida os antibióticos são utilizados na agricultura, enquanto é necessário fortalecer os sistemas e instalações nacionais para rastrear a ocorrência da resistência a medicamentos nos sistemas alimentares e no meio ambiente, segundo a agência da ONU.

Trabalho da FAO

“Os países de baixa e média renda são especialmente vulneráveis aos efeitos devastadores da resistência antimicrobiana, um problema complexo que requer uma ação coordenada em várias frentes e em diversos setores, respaldada por uma sólida capacidade normativa, epidemiológica e de laboratório”, disse Ren Wang, diretor-geral adjunto da FAO, responsável pelo Departamento de Agricultura e Proteção do Consumidor.

Uma carga demasiada de doenças infecciosas e de carências em recursos, normas e legislação — além de conhecimentos técnicos e de capacidade — pode significar desafios adicionais aos países para abordar as doenças infecciosas que afetam a pecuária. E muitas vezes os tornam vulneráveis à resistência antimicrobiana.

“Aqui é onde a FAO, junto com nossos parceiros, aproveita nossos conhecimentos e experiência para ajudar os países em desenvolvimento”, disse Wang.

“O objetivo é ajudá-los a adquirir as ferramentas e a capacidade para implementar melhores práticas na produção pecuária e agrícola, reduzir a necessidade de antibióticos nos sistemas alimentares, desenvolver capacidade de vigilância para avaliar a amplitude da resistência antimicrobiana e de acompanhamento para controlá-la.”

Progressos feitos até o momento

Além de apoiar os países no desenvolvimento ou reforço de seus planos de ação, o trabalho da FAO — respaldado pelo Fundo Fleming — ajuda os países a melhorar suas capacidades técnicas para monitorar o uso de antibióticos e a propagação de organismos com resistência antimicrobiana nos sistemas alimentares.

Dentro desses esforços, a FAO desenvolveu uma ferramenta conhecida como ATLASS, que permite aos países realizar um “teste de resistência” de seus laboratórios e sistemas epidemiológicos nacionais.

Fazê-lo pode revelar onde existem carências que podem ser corrigidas graças ao investimento e outros tipos de apoio.

A ferramenta já foi implementada em seis dos países apoiados pelo projeto do Fundo Fleming e da FAO; e outras quatro avaliações nacionais do ATLASS terão início nos próximos meses.

Um trabalho similar liderado pela FAO — financiado pelos Estados Unidos — ocorre em Indonésia, Tailândia e Vietnã, e a organização utiliza também seus próprios recursos para trabalhar com os setores aquícolas em Bangladesh, China, Malásia e Filipinas.

Na América Latina e no Caribe, a FAO colabora com os governos de Bolívia, Cuba, República Dominicana, Equador, El Salvador e Honduras em matéria de resistência antimicrobiana na alimentação e na agricultura, enquanto a Ásia central acaba de lançar um projeto de três anos — financiado pela Rússia — sobre resistência a antibióticos nesses setores em seis países (Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Rússia).

Papa Francisco faz doação para ajudar 30 mil pessoas no Sudão do Sul

Crianças se banham em um lago formado por poços de escavação em Bentiu, Sudão do Sul. Em todo o país, apenas 41% das crianças têm acesso a água segura e limpa. Foto: UNICEF / Hatcher-Moore

Crianças se banham em um lago formado por poços de escavação em Bentiu, Sudão do Sul. Em todo o país, apenas 41% das crianças têm acesso a água segura e limpa. Foto: UNICEF / Hatcher-Moore

Cerca de 5 mil famílias vivendo no Sudão do Sul são as beneficiárias de uma doação de 25 mil euros feita neste mês pelo Papa Francisco. A verba foi doada para a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que usou o montante para fornecer sementes e outros insumos agrícolas para pequenos produtores da região de Yei, na província de Equatoria Central. Financiamento está melhorando a vida de 30 mil pessoas.

“Antes da guerra, vivíamos bem e podíamos nos alimentar o bastante. Agora, só (comemos) algo no café da manhã e na ceia. Meu filho chora toda hora porque tem fome”, conta Suzan Night, de 22 anos. A jovem está entre os sul-sudaneses que receberam assistência da FAO. “As cebolas e os tomates poderão ser vendidos no mercado, o que realmente me ajudará.”

As sementes fornecidas pela agência da ONU permitem o cultivo de sete variedades de hortaliças de crescimento rápido. O objetivo é garantir que a população de Yei tenha acesso a alimentos nutritivos no intervalo que separa as duas colheitas de cereais.

O Sudão do Sul é palco de uma guerra civil que eclodiu em dezembro de 2013. Conflitos armados devastaram zonas de cultivo, além de forçar 1,5 milhão de pessoas a deixarem o país. No início de 2017, 100 mil pessoas passavam fome na nação africana e outras 1 milhão corriam de risco de também ficar sem ter o que comer. A FAO estimava em fevereiro deste ano que 4,9 milhões de sul-sudaneses precisavam de assistência humanitária urgente de alimentos e de insumos para a agricultura.

Na província de Equatoria Central, 145 mil pessoas enfrentam níveis emergenciais de insegurança alimentar. “Não tenho dinheiro para comprar alimentos no mercado, por isso realmente preciso dessa ajuda. Tive de escapar da aldeia para salvar minha vida e agora estou aqui em Yei, mas tenho muita pouca terra. Com as sementes que me deram hoje, plantarei perto da minha casa”, explica Candiru Lily, de 30 anos.

O representante da FAO no Sudão do Sul, Serge Tissot, celebrou a doação do pontífice e afirmou que os insumos para a semeadura podem “fazer a diferença entre a vida e a morte para muitas pessoas” no país.

A agência da ONU trabalha ativamente na nação em guerra para contornar o problema da falta de alimentos. O organismo internacional já forneceu materiais para pesca, produção agrícola e plantio de hortaliças para 4,2 milhões de sul-sudaneses, além de vacinar mais de 4,8 animais, a fim de protegê-los de doenças e assegurar o sustento das famílias que deles dependem.