Conselho de Segurança estende mandato da força de segurança na Bósnia e Herzegovina

Conselho de Segurança da ONU em sessão. Foto: ONU / Devra Berkowitz

Conselho de Segurança da ONU em sessão. Foto: ONU / Devra Berkowitz

O Conselho de Segurança da ONU estendeu no início de novembro (7) por mais um ano a autorização da Força de Estabilização Multinacional, liderada pela União Europeia, na Bósnia e Herzegovina. A decisão foi tomada com base na análise feita por um enviado das Nações Unidas de que o ressurgimento do nacionalismo divisório ameaça causar retrocessos no país.

“A Bósnia e Herzegovina é um ambiente político e de segurança complexo, onde cenários negativos podem pôr em perigo o Acordo de Dayton e os progressos alcançados até o momento”, disse Valentin Inzko, alto representante para a Bósnia e Herzegovina, ao Conselho de Segurança.

“Por esta razão, estou firmemente convencido de que ainda existe a necessidade de manter a força militar da UE no terreno com mandato executivo”, afirmou.

Adotando por unanimidade uma resolução, o Conselho reconheceu o direito da Força da União Europeia (EUFOR ALTHEA) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de tomar todas as medidas necessárias para se defender de ataques ou ameaças. A resolução também autoriza Estados-membros a ajudar ambas as organizações no desempenho de suas missões.

O Conselho também incentivou todas as partes a intensificar a implementação de reformas abrangentes, de forma inclusiva, em benefício de todos os cidadãos e de acordo com a perspectiva europeia à qual o país se alinha, convidando-os a se abster de quaisquer ações e retóricas polarizantes.

Desde fim do conflito interno, em 1955, o país fez um progresso notável de várias maneiras, afirmou, ressaltando que as instituições estatais previstas no Acordo de Dayton foram estabelecidas e os três exércitos que lutaram entre si foram unidos em um.

No entanto, ele continuou: “[…] O progresso nas reformas econômicas e políticas diminuiu significativamente ao longo dos últimos dez anos, e o nacionalismo divisivo e os persistentes desafios ao Acordo de Dayton e aos arranjos institucionais previstos nesse acordo ameaçam levar o país a retroceder”.

Nos últimos meses, muitos atores políticos importantes na Bósnia e Herzegovina não asseguraram os compromissos necessários para adotar as reformas necessárias. E com as eleições gerais esperadas para o próximo ano, muitos líderes políticos já começaram a trocar retóricas divisórias enraizadas no passado, desacelerando o ritmo da reforma e afetando o clima político.

Em conclusão, Inzko delineou os principais desafios para os líderes e instituições políticas da Bósnia e Herzegovina. Estes incluem a conclusão das ações necessárias para alcançar os próximos passos na integração euro-atlântica, garantindo que as eleições de 2018 possam ser realizadas e seus resultados implementados sem problemas e respeitando as regras de Direito que regem os tribunais e o Acordo de Dayton.

Rio de Janeiro envia donativos para migrantes venezuelanos em Roraima

Diariamente, migrantes venezuelanos ingressam no Brasil pela fronteira com Roraima em busca de uma vida melhor. Foto: EBC

Diariamente, migrantes venezuelanos ingressam no Brasil pela fronteira com Roraima em busca de uma vida melhor. Foto: EBC

O governo de Roraima, por meio da Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social (SETRABES), receberá na sexta-feira (17) donativos vindos do Rio de Janeiro destinados aos migrantes venezuelanos que estão em Roraima. A ação será às 8h30, na Rede Cidadania Melhor Idade, localizada na Rua Cabo PM Lawrence de Melo, 259, Caranã.

Os donativos, arrecadados por meio de ação realizada pela Secretaria de Direitos Humanos e Política para Mulheres e Idosos do Rio de Janeiro em parceria com a comunidade venezuelana do estado, chegaram a Roraima em quatro lotes entre os dias 10 e 14 de novembro.

São duas toneladas de donativos, entre alimentos não perecíveis, produtos de higiene pessoal, roupas e medicamentos, que foram encaminhados para a Rede Cidadania Melhor Idade, onde serão separados e, de acordo com a necessidade, distribuídos entre três abrigos.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) apoiou a articulação logística das doações junto aos governos do Rio de Janeiro e de Roraima. A ação também contou com o apoio dos mórmons que vivem em Boa Vista.

Abrigos

Em Boa Vista, existem dois abrigos para venezuelanos: um no Ginásio do Pintolândia, com mais de 400 pessoas, e outro no Ginásio Tancredo Neves, onde estão 500 migrantes. Outro abrigo fica em Pacaraima, e atende cerca de 230 pessoas.

Serviço

Recebimento de donativos vindos do Rio de Janeiro para os imigrantes venezuelanos
Sexta-feira, 17, às 8h30
Rede Cidadania Melhor Idade (Rua Cabo PM Lawrence de Melo, 259, Caranã)

Países reunidos no Canadá comprometem-se a melhorar eficiência das missões de paz da ONU

Em Kidal, norte do Mali, soldado das forças de paz da ONU caminha em meio a campo da MINUSMA destruído por ataque em junho de 2017. Foto: ONU/Sylvain Liechti

Em Kidal, norte do Mali, soldado das forças de paz da ONU caminha em meio a campo da MINUSMA destruído por ataque em junho de 2017. Foto: ONU/Sylvain Liechti

A Conferência Ministerial da Defesa da Paz, realizada esta semana em Vancouver, no Canadá, estabeleceu 46 compromissos com o objetivo de tornar as missões de paz das Nações Unidas mais eficientes.

O evento reuniu cerca de 550 representantes de 79 Estados-membros para discutir os desafios cada vez mais complexos enfrentados pelas forças de paz e por agentes de campo nas 15 missões da ONU pelo mundo.

Em seu discurso no evento, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, ressaltou o “poder transformador” das missões e anunciou iniciativas do governo canadense para apoiar esses trabalhos.

As chamadas “promessas inteligentes” foram elaboradas para preencher lacunas e deficiências específicas, como falta de helicópteros e blindados para as missões de paz. Além disso, foi oficializado o objetivo de elevar a participação das mulheres nas forças de paz, com 26 países comprometendo-se a integrar as perspectivas de gênero nas missões.

O secretário-geral adjunto das Nações Unidas para Operações de Manutenção da Paz, Jean-Pierre Lacroix, disse na sessão de encerramento do evento que as promessas “demonstraram que existe um envolvimento coletivo, um compromisso coletivo para a manutenção da paz; para nos apoiar, para tornar nossa ação mais efetiva, com um objetivo fundamental, que é proteger os civis e ajudar a restaurar a paz”.

Em discurso sobre o futuro da manutenção da paz canadense, Trudeau anunciou as primeiras “promessas inteligentes” do dia, e revelou os novos Princípios de Vancouver — já acordados por 55 países — para tentar impedir que crianças soldados acabem em as zonas de conflito do mundo por meio de uma série de iniciativas e programas.

“Nós sabemos que não há um presente maior que possamos deixar para nossos filhos do que uma paz verdadeira e duradoura. Então, vamos ser ousados, vamos inovar — vamos tentar coisas novas”, disse ele aos ministros e responsáveis pela defesa de 79 países.

“Sejamos a mudança que precisamos, para construir um mundo mais pacífico juntos”, salientou.

Mais cedo, a atriz norte-americana Angelina Jolie, enviada especial da Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), fez um poderoso discurso de abertura, chamando a atenção para a violência baseada no gênero em conflitos, afirmando que nunca há desculpa para o abuso sexual.

Ela agradeceu ministros e militares por “promessas novas e muito importantes” feitas em Vancouver, esperando que “sejam apenas o começo”.

“Neste trabalho, não iremos apenas fortalecer nossas sociedades e melhorar a manutenção da paz, mas desempenhar um papel ao mostrar que nenhum agressor está acima da lei, e nenhum sobrevivente está abaixo dela”, disse a atriz norte-americana, acrescentando estar “determinada a fazer tudo o que puder e trabalhar junto de todos”.

MINUSMA

A conferência debateu ainda os desafios enfrentados pelas forças de paz com a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Mali (MINUSMA, sigla em francês), considerada a mais perigosa do mundo.

Dos 170 soldados da paz mortos enquanto servem em missões da ONU desde o início de 2013 até o final de setembro deste ano, 86 estavam com a MINUSMA.

Um acordo de paz de junho de 2015 foi assinado entre o governo do Mali e diversos grupos armados, com a expectativa de implementar um duradouro cessar-fogo para o país, cuja região norte foi controlada por militantes extremistas em 2012.

Durante a conferência, Lacroix ressaltou a falta de equipamentos como helicópteros e veículos blindados, apelando também para que outros países contribuintes de tropas se apresentassem para ajudar a MINUSMA.

“Precisamos fazer mais em termos de treinamento, (discutir) como a força é organizada e as modalidades de proteção da população e de nós mesmos contra as ameaças que enfrentam”, disse o secretário-geral adjunto.

O chefe de apoio de campo da ONU, Atul Khare, disse no evento que, apesar de os desafios permanecerem, a MINUSMA teve “conquistas significativas em termos de proteção e treinamento”.

O comandante da MINUSMA, o major Jean-Paul Deconinck, da Bélgica, fez uma franca avaliação das dificuldades e deficiências operacionais que enfrentou com a mobilização de capacetes-azuis e equipamentos, mas em entrevista à ONU News após a sessão de 90 minutos, ele disse que estava “confiante, mas realista” e que, se tiver as ferramentas necessárias, a missão “terá sucesso”.

Zimbábue: ONU pede que diferenças políticas sejam resolvidas de forma pacífica

Secretário-geral da ONU, António Guterres. Foto: ONU/Mark Garten

Secretário-geral da ONU, António Guterres. Foto: ONU/Mark Garten

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, está acompanhando de perto os desenvolvimentos no Zimbábue e pediu calma no país do sul da África, disse o porta-voz da ONU nessa quinta-feira (16).

“Ele ressalta a importância de resolver as diferenças políticas através de meios pacíficos, inclusive através do diálogo e de acordo com a Constituição do país”, disse Stéphane Dujarric.

Segundo os relatos de imprensa, as forças armadas do Zimbábue colocaram o presidente Robert Mugabe, que chefia o país desde 1980, sob prisão domiciliar.

O porta-voz da ONU disse que Guterres elogiou os esforços iniciados pela Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês) “para facilitar uma solução pacífica para a situação” e “permanece em contato com o presidente da Comissão da União Africana e líderes regionais em apoio a tais esforços”.

“O secretário-geral reitera o compromisso das Nações Unidas de continuar a apoiar os esforços nacionais do Zimbábue para consolidar a governança democrática”, concluiu o porta-voz.

ONU alerta para aumento do deslocamento forçado provocado por mudança climática

Os moradores da antiga vila de Vunidogoloa foram obrigados a se deslocar devido ao risco de inundações e erosão costeira. Foto: Nansen Initiative, via UNOCHA

Os moradores da antiga vila de Vunidogoloa, em Fiji, foram obrigados a se deslocar devido ao risco de inundações e erosão costeira. Foto: Nansen Initiative, via UNOCHA

À medida que o número de pessoas deslocadas em todo o mundo devido a eventos relacionados ao clima continua a crescer, as Nações Unidas e seus parceiros estão focados em abordagens regionais para responder à questão dos “refugiados do clima”.

A média anual de deslocados por mudanças climáticas entre 2008 e 2016 chegou a 25,3 milhões, de acordo com dados divulgados pelo Conselho Norueguês de Refugiados. Os cinco países que têm a maior proporção de sua população afetada pelos deslocamentos são todos Estados insulares: Cuba, Fiji, Filipinas, Tonga e Sri Lanka.

“Durante a temporada de furacões, por exemplo, vimos o deslocamento de 1,7 milhão de pessoas em Cuba — o equivalente a 15% da população”, disse Camila Minerva, gerente do programa humanitário da OXFAM na República Dominicana, durante coletiva de imprensa sobre “Mobilidade humana e mudança climática” na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP23), em Bonn, Alemanha, na semana passada (8).

“Aqueles em situação de pobreza e marginalização são cinco vezes mais propensos ao deslocamento e estão sujeitos a permanecerem mais tempo longe de casa do que as pessoas em países de maior renda. E esse número está aumentando com a mudança climática”, acrescentou.

Mariam Traore, especialista em migração, meio ambiente e mudança climática da Organização Internacional para Migrações (OIM), disse que o efeito inicialmente lento das mudanças climáticas faz as pessoas migrarem, às vezes de maneira forçada.

“Em um país como o Bangladesh, fizemos uma pesquisa no ano passado e 40% das famílias entrevistadas nos disseram que as mudanças climáticas contribuíram diretamente para a decisão de migrar”, explicou.

Nesse contexto, foi sugerida a criação de um status de “refugiado climático”, protegendo aqueles que foram forçados a abandonar seu país por causa dos impactos das mudanças climáticas.

“O status legal de refugiado é estabelecido pela Convenção de Refugiados de 1951, que é muito clara sobre o motivo pelo qual esse status é conferido, que é basicamente a perseguição”, disse Marine Franck, diretora do programa de mudança climática da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

“No contexto do deslocamento da mudança climática, pode haver casos em que haja perseguição envolvida onde este status de refugiado possa ser aplicado, mas na maioria dos casos, não”, acrescentou.

Franck ressaltou que a questão da ampliação do alcance da proteção aos refugiados “não é necessariamente desejável, porque existe o risco de minar os refugiados que fogem da perseguição e do conflito violento”. Além disso, ela explicou: “precisamos também renegociar a Convenção e não há interesse dos Estados, além de não ser a ferramenta de proteção mais efetiva”.

O ACNUR considera mais apropriado analisar o que existe no nível regional, e tentar uma abordagem de baixo para cima. Franck mencionou os vistos de proteção humanitária, proteção temporária e autorizações de moradia, bem como leis de migração que favoreçam uma proteção real.

“É muito mais eficaz, porque os Estados vão analisar o que seus vizinhos estão fazendo e podem adotar o mesmo tipo de procedimento, em vez de adotar uma convenção global ou uma nova categoria. Porém, a negociação pode não ser tão fácil, além de não termos garantias de que os Estados o implementariam adequadamente”, disse a diretora de programa do ACNUR.

Empoderamento das mulheres é requisito para o fim da fome, defende FAO

Mulher trabalha em plantação de chá no Sri Lanka. Foto: FIDA/G.M.B.Akash

Mulher trabalha em plantação de chá no Sri Lanka. Foto: FIDA/G.M.B.Akash

Sem igualdade de gênero e sem o empoderamento social, econômico e político das mulheres, o mundo não conseguirá eliminar a fome. A avaliação é do representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, Alan Bojanic. Dirigente lembrou que as mulheres são responsáveis pela produção de mais da metade dos alimentos consumidos no planeta. Seu protagonismo, porém, nem sempre se traduz em acesso justo a direitos.

De acordo com a agência da ONU, as agricultoras são proprietárias de apenas 30% das terras usadas na agropecuária. As mulheres do campo também dispõem de menos recursos para conduzir seus negócios — o público feminino teve acesso a apenas 10% do total de créditos investidos no setor agrícola e a apenas 5% de toda a assistência técnica, segundo estimativas da FAO.

“As mulheres rurais representam um importante papel na segurança alimentar mundial. Por isso é necessário que os governos adotem políticas públicas específicas, voltadas para o empoderamento das produtoras rurais com o objetivo de fortalecer a produção, o acesso aos mercados e o direito a assistência técnica”, defendeu Bojanic.

Segundo a recente publicação da FAO, O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2017, a fome também afeta mais as mulheres do que os homens — a diferença chega a 1,5% na África, 0,7% na América Latina e 0,6% na Ásia. No mundo, 7,3% dos homens vivem em situação de insegurança alimentar, ao passo que, entre as mulheres, o índice chega a 7,9%.

“A igualdade de gênero é um fundamento necessário para que tenhamos um mundo justo, pacífico, próspero e sustentável, mas também é, acima de tudo, um direito humano fundamental. O empoderamento das mulheres representa um importante multiplicador de bem-estar e um pré-requisito para o desenvolvimento sustentável”, acrescentou o representante da FAO no Brasil.

Segundo a FAO, dar às mulheres melhores oportunidades de produzir culturas para a comercialização, além de garantir o trabalho assalariado em uma agroindústria ou promover outras atividades remuneradas no setor rural, é essencial para aumentar o poder de barganha no lar e legitimar o controle sobre os recursos materiais básicos, como terra e crédito.

“Sem a igualdade de gênero e o empoderamento econômico, social e político das mulheres rurais, a segurança alimentar não será alcançada”, completou Bojanic.

Confira o boletim da ONU Brasil #246

Visualize o boletim também em www.nacoesunidas.org/boletim246

Boletim quinzenal da ONU

Taís Araújo: Você sabe o que é filtragem racial? É quando uma pessoa é escolhida como suspeita simplesmente por causa da cor. Isso é justo? A campanha #VidasNegras busca sensibilizar para o fim da violência contra a juventude negra no Brasil. Junte-se à ONU e compartilhe essa ideia!

#VidasNegras: Você sabe o que é filtragem racial?

Você sabe o que é filtragem racial? É quando uma pessoa é escolhida como suspeita simplesmente por causa da cor. Isso é justo?

A campanha #VidasNegras busca sensibilizar para o fim da violência contra a juventude negra no Brasil.

O coordenador-residente da ONU no Brasil, Niky Fabiancic, cobrou uma resposta da sociedade e do poder público à dura realidade enfrentada pela juventude afrodescendente. Foto: UNFPA/Agnes Sofia Guimarães

‘O racismo mata e não podemos ser indiferentes’, diz ONU Brasil em lançamento da campanha #VidasNegras

A ONU Brasil lançou na terça-feira (7) a campanha #VidasNegras, iniciativa de conscientização nacional pelo fim da violência contra a juventude afrodescendente. Em cerimônia que reuniu em Brasília cerca de cem autoridades públicas e representantes da sociedade civil e do corpo diplomático, dirigentes das Nações Unidas alertaram que cinco jovens negros morrem a cada duas horas no país. Por ano, o número chega a 23 mil.

O organismo internacional fez um apelo à sociedade brasileira e ao poder público por repostas ao racismo e à discriminação. Um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos no Brasil.

OMS sugere maior tributação de bebidas açucaradas. Foto: EBC

OMS sugere aumentar preço de bebidas adoçadas para melhorar alimentação dos brasileiros

Aumentar o preço de bebidas adoçadas é uma das medidas mais estratégicas para melhorar a alimentação da população brasileira, bem como reduzir a carga da obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis no país. A declaração foi feita pela representante adjunta da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil, María Dolores Pérez-Rosales, na abertura de um seminário organizado pelo organismo internacional, que busca reunir conhecimentos e experiências sobre modelos de tributação desses produtos e seus benefícios para a saúde pública.

Cerimônia de abertura do I JMPI. Foto: PNUD Brasil/Tiago Zenero

ONU e Brasil lançam publicação sobre competição mundial de esportes indígenas

Em 2015, o Brasil promoveu a primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), competição que reuniu em Palmas, no Tocantins, mais de 2 mil atletas de 30 nacionalidades e 24 etnias. A história do torneio virou livro, lançado neste mês pelo Ministério do Esporte, o Comitê Intertribal, o Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) e a UNESCO. Documento está disponível em meio online gratuitamente.

Semana da Diversidade da UFRJ reuniu ativistas, comunidade acadêmica e representantes de organismos internacionais. Foto: UNIC Rio/Pedro Andrade

ONU defende direitos da população negra e LGBTI em evento universitário sobre diversidade

Com participação das Nações Unidas, a Semana de Diversidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) reuniu alunos, ativistas e especialistas na última sexta-feira (10) para o debate “Questões de gênero e sexualidade na sociedade contemporânea”.

Atividade discutiu desafios enfrentados pelas mulheres e pelas pessoas LGBTI, sobretudo num contexto de acirramento da intolerância. Representante do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) divulgou iniciativas para combater a discriminação.

Profissionais do Programa Mais Médicos em Breves, no sudoeste da Ilha de Marajó. Foto: OPAS

ONU apresenta Mais Médicos em fórum global sobre saúde na Irlanda

O Mais Médicos permitiu preencher 18.240 vagas em 4.058 municípios brasileiros e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas. Dessas, 11.429 foram ocupadas por profissionais cubanos. Em dois anos, de janeiro de 2013 a janeiro de 2015, o número de consultas na Estratégia nacional de Saúde da Família aumentou 33% nos municípios que participaram do programa, fruto de uma parceria entre os governos de Brasil e Cuba e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Compositor lança música e campanha em prol dos refugiados venezuelanos em Roraima. Foto: Reprodução/YouTube

Compositor lança música e campanha em prol dos refugiados venezuelanos em Roraima

Numa demonstração de empatia aos venezuelanos forçados a deixar o seu país em busca de segurança e um recomeço no Brasil, o cantor e compositor roraimense Neuber Uchôa gravará o clipe de sua nova música “Somos Todos Hermanos” em Boa Vista, Roraima, na próxima quinta-feira (16) em show beneficente. O relato é da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Laís Abramo, diretora da Divisão de Desenvolvimento Social da CEPAL,. participou da reunião no Rio. Foto: UNIC Rio/Pedro Andrade

Nações Unidas discutem abordagem policial e racismo no Brasil

Jovens negros brasileiros são frequentemente vítimas de ações abusivas das forças policiais que, de maneira seletiva, prendem, fazem buscas pessoais e operações de vigilância que geram taxas desproporcionais de aprisionamento dessa população.

Pensando nesse problema, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) promoveu esta semana (8 e 9) no Rio de Janeiro uma reunião sobre o chamado “racial profiling”, ou “perfilamento racial”.

Foto: PNUD Angola

ONU Mulheres firma cooperação com países de língua portuguesa pela igualdade de gênero

A ONU Mulheres firmou acordo de cooperação com os países que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) — formada por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste — para a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres.

Desigualdade salarial no Brasil foi analisada por estudo do Banco Mundial. Foto: EBC

Banco Mundial destaca redução da desigualdade salarial na América Latina e no Caribe

Um relatório lançado pelo Banco Mundial nesta terça-feira (14) em Washington, nos Estados Unidos, destaca a redução da desigualdade salarial na América Latina e no Caribe a partir do início dos anos 2000.

Segundo o documento, mesmo a desaceleração econômica entre 2012 e 2016 não significou perda dos avanços na questão salarial da região latino-americana e caribenha.

Desperdício de alimentos preocupa a FAO e o governo brasileiro. Foto: EBC

FAO: 30% de toda a comida produzida no mundo vai parar no lixo

Em seminário online promovido na segunda-feira (13), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil alertou que, anualmente, 1,3 bilhão de toneladas de comida é desperdiçada ou se perde ao longo das cadeias produtivas de alimentos.

Comunidades rurais do semiárido baiano são foco do projeto Pró-Semiárido. Foto: Governo da Bahia

Fundo agrícola da ONU visita comunidades da Bahia para planejar investimentos na agricultura familiar

Uma equipe do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) está na Bahia para planejar a implementação do programa Pró-Semiárido, uma iniciativa do governo estadual para combater a miséria e fortalecer a agricultura familiar em 32 municípios. Realizada em parceria com o organismo da ONU, a iniciativa prevê uma injeção de 300 milhões de reais nas regiões contempladas até 2021. A missão da agência das Nações Unidas será concluída na última semana de novembro.

Jovens são 11% da população do Brasil. Foto: AGECOM/Carol Garcia.

Fundo de População da ONU destaca importância da juventude para conquista de objetivos globais

Os jovens devem estar engajados com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) para garantir que suas metas sejam cumpridas, disse a oficial de programa do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Anna Cunha, na sexta-feira (10), durante evento em Brasília (DF).

“Para isso, se faz necessário adotar medidas eficazes que contribuam para mudar a realidade dessa parcela da sociedade que em muitos casos se encontra em vulnerabilidade social e à margem de direitos humanos que são essenciais para uma vida digna”, ressaltou.

Imagem: UNAIDS/divulgação

UNAIDS lança campanha ‘Minha saúde, meu direito’ para o Dia Mundial contra a AIDS

Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) lançou nessa semana (6) sua campanha global para a mobilização da sociedade em torno do Dia Mundial contra a AIDS, celebrado em 1º de dezembro; “Minha saúde, meu direito” busca explorar os desafios que as pessoas em todo o mundo enfrentam no exercício de seus direitos.

Menino de 15 anos trabalha soldando quadro em Sanaa, no Iêmen. Foto: UNICEF/Al-Zikri

Conferência internacional sobre trabalho infantil tem início na terça-feira (14) em Buenos Aires

Dos dias 14 a 16 de novembro, a IV Conferência sobre a Erradicação Sustentável do Trabalho Infantil, realizada com o apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT), reunirá em Buenos Aires representantes de 193 países, incluindo de governos, associações de empregadores e trabalhadores. Objetivo do encontro é fortalecer o combate a essa violação de direitos, que tem de ser eliminada até 2025, tal como previsto pelos objetivos globais da ONU.

Vista de Florianópolis, Santa Catarina. Foto: EBC

Região metropolitana de Florianópolis ocupa 1º lugar em ranking de desenvolvimento humano

A Fundação João Pinheiro (FJP), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) acabam de lançar novos dados para o Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras.

Nesta nova fase, o site do Atlas (www.atlasbrasil.org.br) recebeu indicadores de quatro regiões metropolitanas: Florianópolis (SC), Grande Teresina (PI), Juazeiro-Petrolina (BA/PE) e Sorocaba (SP). As quatro novas regiões somam-se a outras 20 cujos indicadores foram divulgados entre 2014 e 2015.

Tirinha preparada por crianças e por Maurício de Sousa para comemorar os dez anos da nomeação da Mônica como embaixadora do UNICEF. Imagem: Maurício de Sousa Produções/UNICEF

Mônica celebra 10 anos como embaixadora do UNICEF

Há dez anos, a personagem Mônica, do quadrinista Maurício de Sousa, era nomeada embaixadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Em 2017, para celebrar uma década de engajamento pelos direitos dos jovens, o autor abriu as portas de seu estúdio em São Paulo para oito meninas e meninos entre 10 e 11 anos de idade. As crianças assumiram a direção do escritório e, ao final do dia, produziram, junto com o desenhista, uma tirinha especial para a data.

(Imagem: divulgação/Marinha do Brasil)

ONU e Marinha promovem evento no Rio sobre participação brasileira na MINUSTAH

A Marinha do Brasil, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) e outras instituições promovem nos dias 28 e 29 de novembro no Rio de Janeiro evento para analisar os 13 anos de participação brasileira na Missão da ONU para Estabilização do Haiti (MINUSTAH).

Entre os palestrantes, estarão presentes o ministro da Defesa, Raul Jungmann; o subsecretário-geral da ONU para Operações de Paz, Jean-Pierre Lacroix; e autoridades nacionais e internacionais.

Embalagem fictícia e meramente ilustrativa.

ONU recomenda que embalagens de alimentos no Brasil tenham advertência nutricional frontal

Em um painel técnico realizado na quinta-feira (9) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e pelo Ministério da Saúde, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reforçou suas recomendações para a adoção de ícones frontais de advertência nutricional na rotulagem de alimentos no Brasil.

Governo federal, pesquisadores, especialistas, organizações e indústria de alimentos, entre outros atores, participaram da discussão e apresentaram suas propostas de modelos para que o país possa avançar nesse processo regulatório.

Pesquisadores do PANAFTOSA trabalham em laboratório. Foto: PANAFTOSA

Laboratório da ONU recebe certificação de qualidade do INMETRO

O Laboratório de Referência do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA) recebeu nesta semana (6) uma certificação do INMETRO que garante a qualidade dos estudos e dados produzidos pela instituição de pesquisa. Para o organismo das Nações Unidas, reconhecimento fortalecerá sua atuação junto ao Brasil e outros países da América Latina.

Foto: Poppy/Flickr/CC

Com início de julgamento no STF, OMS volta a pedir proibição de cigarros com sabor

O Brasil foi o primeiro país no mundo a proibir, em 2012, o uso desses aditivos. Nos anos seguintes, pelo menos 33 outros países baniram produtos de tabaco com flavorizantes. “Retroceder nessa medida pode atrapalhar a bem-sucedida trajetória brasileira na redução do número de pessoas que fumam”, alertou a agência especializada da ONU.

O uso do tabaco é a principal causa evitável de mortes em todo o mundo, matando mais de 7 milhões de pessoas por ano. Os seus custos econômicos também são enormes, totalizando mais de US$ 1,4 trilhão – ou cerca de R$ 4,5 trilhões – em custos de saúde e perda de produtividade.

Seminário no Rio discutiu acúmulo de lixo nos mares e oceanos. Foto: EBC

No Rio, especialistas buscam soluções para problema sistêmico do lixo nos oceanos

A responsabilidade sobre as toneladas de lixo jogadas todos os anos nos oceanos do mundo é compartilhada. Trata-se de um problema sistêmico cuja solução poderá vir da ação de empresas e do poder público, mas também de indivíduos e da sociedade civil. A conclusão é de especialistas que participaram de seminário esta semana no Rio de Janeiro sobre o tema.

Organizado pela ONU Meio Ambiente e parceiros, o I Seminário Nacional sobre Combate ao Lixo no Mar foi concluído nesta quarta-feira (8) após debates, compartilhamento de dados e detalhamento de práticas bem-sucedidas.

Foto: J. Ripper/OIT

Brasil deve agir com urgência para evitar enfraquecimento da luta contra a escravidão moderna, alertam especialistas da ONU

Especialistas em direitos humanos das Nações Unidas pediram nesta quarta-feira (8) ao governo do Brasil que adote ações urgentes para pôr um fim a medidas que possam reduzir a proteção das pessoas contra a escravidão moderna e fragilizar os regulamentos corporativos. Em declaração conjunta, solicitaram que o governo reverta permanentemente a portaria ministerial 1129, criticada por limitar a definição de escravidão contemporânea.

Elkin Velásquez, diretor do Escritório Regional do ONU-Habitat para a América Latina e o Caribe. Foto: UNIC Rio/Ana Rosa Alves

No Rio, ONU-Habitat e parceiros marcam o Dia Mundial das Cidades

O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) promoveu um debate, com participação das prefeituras do Rio de Janeiro e de Niterói, para comemorar o Dia Mundial das Cidades (31 de outubro). O evento, realizado no Instituto Pereira Passos, encerrou o ‘Outubro Urbano’ – mês que lembra o engajamento dos cidadãos nas questões urbanas.

Jornalistas a trabalho no México. Foto: Flickr (CC)/Ester Vargas

América Latina precisa aumentar participação das mulheres na chefia de meios de comunicação

Em encontro com o setor privado, em Buenos Aires, a ONU Mulheres e a Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) anunciaram em finais de outubro (31) um pacto para que países da América Latina suprimam estereótipos de gênero na mídia e estimulem a participação feminina em meios de comunicação, sobretudo em posições de liderança. Desigualdades entre homens e mulheres no setor foram apontadas como uma das áreas com maior “tarefas pendentes” para o cumprimento de metas internacionais.

FacebookTwitterGoogle+Cadastro

Acesse aqui todas as oportunidades de estágio e trabalho: www.nacoesunidas.org/vagas/brasil e outras oportunidades e editais em www.nacoesunidas.org/tema/editais

Leia mais em www.onu.org.br e acesse nossas redes em www.nacoesunidas.org/redes

Para não receber mais, peça para remover. Para se inscrever, clique aqui. Para edições anteriores, clique aqui.

‘Unidade, solidariedade e colaboração’ podem derrotar terrorismo e reforçar direitos, diz Guterres

Observando que pelo menos 11 mil ataques terroristas ocorreram em mais de 100 países no ano passado, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ressaltou nesta quinta-feira (16) que “o terrorismo é fundamentalmente a negação e a destruição dos direitos humanos”.

“O terrorismo tem estado infelizmente conosco em várias formas, em todas as idades e continentes”, disse Guterres em uma palestra sobre antiterrorismo e direitos humanos na Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres.

“Mas o terrorismo moderno está sendo travado em uma escala inteiramente diferente, com notável alcance geográfico. Nenhum país pode achar que está imune”, acrescentou.

No ano passado, mais de 25 mil pessoas morreram e 33 mil ficaram feridas em pelo menos 11 mil ataques terroristas em mais de 100 países.

Em 2016, quase três quartos de todas as mortes causadas pelo terrorismo se deram em apenas cinco países: Iraque, Afeganistão, Síria, Nigéria e Somália. O impacto econômico global do terrorismo chegou à marca de 90 bilhões de dólares em 2015. Naquele ano, os custos do terrorismo representaram 17,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no Iraque e 16,8% no Afeganistão.

Recordando como a Magna Carta há 800 anos estabeleceu o princípio do Estado de Direito, o secretário-geral disse que, no seu núcleo, os direitos humanos são um verdadeiro reconhecimento da humanidade comum.

“Quando protegemos os direitos humanos, abordamos as causas profundas do terrorismo. Pois o poder dos direitos humanos parar criar vínculos é mais forte do que o poder do terrorismo para devastar”, afirmou.

Ações prioritárias em contraterrorismo

Guterres destacou cinco principais prioridades no combate ao terrorismo.

Primeiro, enfatizou a necessidade de uma cooperação internacional muito mais forte, anunciando que pretende convocar a primeira cúpula da ONU de chefias de agências de combate ao terrorismo no próximo ano para promover novas parcerias e construir relacionamentos de confiança.

O segundo é um foco sustentado na prevenção, que inclui abordar os fatores que promovem a radicalização entre os jovens e fazem do terrorismo uma opção real para eles.

Os terroristas estão perdendo terreno físico na Síria e no Iraque, mas ganham terreno virtual no ciberespaço. Facebook, Microsoft, Twitter e YouTube lançaram uma parceria antiterrorista, o Fórum Global da Internet para o Contraterrorismo, destinado a frustrar a disseminação de conteúdo extremista online.

“Este é um começo. Precisamos manter o ritmo”, disse ele.

O terceiro ponto é a defesa dos direitos humanos e do Estado de Direito.

Enfrentando ameaças de natureza sem precedentes, os Estados estão lutando para melhorar a eficiência de sua legislação antiterrorista. Sem uma base firme nos direitos humanos, as políticas antiterroristas podem ser mal utilizadas para, por exemplo, reprimir protestos pacíficos e movimentos de oposição legítimos.

Em quarto lugar, a batalha das ideias deve ser conquistada. “Nunca devemos recuar ao apontar o cinismo e os erros do terrorismo. No coração da escuridão, devemos construir uma nova era de iluminação”, disse Guterres.

“Quando os terroristas retratam a violência como a melhor forma de enfrentar a desigualdade ou injustiças, devemos responder com a não violência e a tomada de decisões inclusivas”, acrescentou.

A quinta prioridade do secretário-geral é ouvir as vítimas do terrorismo. Alguns dos melhores guias são as vítimas e os sobreviventes de ataques terroristas, que exigem consistência para a responsabilização e resultados – e não medidas gerais ou punições coletivas.

Ele convidou os jovens a se tornarem cidadãos esclarecidos.

CEPAL cita necessidade de novo modelo de desenvolvimento em fórum com Noam Chomsky

Alicia Bárcena e Noam Chomsky. Foto: CEPAL

Alicia Bárcena e Noam Chomsky. Foto: CEPAL

A América Latina e o Caribe precisam avançar rumo a um novo paradigma de desenvolvimento baseado na igualdade e na sustentabilidade ambiental como motor do crescimento. O atual modelo, o capitalismo, não funciona.

As declarações foram feitas na quarta-feira (15) pela secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alícia Bárcena, durante fórum realizado na Cidade do México.

Bárcena participou da abertura do colóquio internacional organizado por Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e Universidade de Guadalajara (UDG), no qual se debateu o projeto “Origens: mudança climática, consequências ambientais e sociais para o México e o mundo”, realizado pela Universidade do Estado do Arizona (ASU, na sigla em inglês), dos Estados Unidos.

Também estavam presentes nos debates personalidades como o linguista, filósofo, cientista cognitivo, historiador, crítico social e ativista, além de professor emérito do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), Noam Chomsky; e o professor da Escola de Exploração da Terra do Espaço da ASU e diretor do projeto Origens, Lawrence Krauss.

Outros presentes incluíram Richard Somerville, meteorologista e profesor emérito da Universidade da Califórnia; Dan Schrag, professor de Ciências Ambientais e Engenharia e diretor do Centro para o Meio Ambiente da Universidade de Harvard; e Mario Molina, químico mexicano, um dos vencedores do Prêmio Nobel de Química de 1995 e atual professor da Universidade da Califórnia em San Diego.

Durante o encontro, Bárcena afirmou que o multilateralismo é o único sistema que permite trabalhar para as pessoas. “Estamos em meio a uma mudança de época, com mudanças de natureza tectônica: a migração, a mudança climática, grandes movimentos geopolíticos no mundo, uma quarta revolução industrial baseada na tecnologia e não sabemos o que vai acontecer com o futuro do trabalho”, disse.

Ela afirmou ainda que existe a urgência de contar com um grande impulso ambiental que favoreça uma produção e consumo livres de carbono. “Não temos medo de irmos para um modelo com uma visão progressista, com acesso universal aos bens básicos, aos direitos sociais, à igualdade, porque a desigualdade conspira contra a democracia”, disse a alta funcionária das Nações Unidas.

Bárcena, que também é bióloga, lembrou as trágicas consequências da mudança climática para a região já que, além das perdas em biodiversidade e a poluição ambiental, os desastres naturais acumulam um custo de 300 bilhões de dólares no período 1970-2017.

Além de ressaltar que a mudança climática é “a grande falha de mercado de todos os tempos”, a oficial da ONU indicou que apesar de a globalização ter ajudado a tirar milhões de pessoas da extrema pobreza, a desigualdade aumentou de maneira alarmante.

“Atualmente, 1% (da população mundial) tem a metade da renda do restante da população do mundo. A riqueza está concentrada em poucas mãos”, disse. Citando recente estudo da OXFAM, afirmou que apenas oito indivíduos têm a riqueza equivalente a 3,6 bilhões de pessoas. Além disso, a evasão fiscal na América Latina e no Caribe alcança 340 bilhões de dólares (ou 6,7% do PIB). “Isso é uma amostra da cultura dos privilégios que devemos erradicar”, reiterou Bárcena.

“Quem vai liderar o mundo nos próximos anos”, perguntou a secretária-executiva ao público reunido na sede da UNAM. “A elite ou o povo? Vamos mudar o mundo com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, com a participação cidadã. Vocês, sobretudo os jovens, podem mudar o mundo”, disse.

Papa Francisco critica gastos com armas nucleares e pede mais investimentos para combate à pobreza

Papa Francisco discursa na 2ª Conferência Internacional sobre Nutrição (ICN2) na sede da FAO, em Roma. Foto: FAO / Giulio Napolitano

Papa Francisco durante conferência na sede da FAO, em Roma. Imagem de 2014. Foto: FAO/Giulio Napolitano

Investimentos em armas nucleares poderiam ser redirecionados para resolver os reais problemas do mundo, como a pobreza, a falta de educação e a proteção ambiental. A avaliação é do papa Francisco, que se pronunciou neste mês (10) contra o que chamou de “corrida armamentista”. Segundo o pontífice, armamentos atômicos “não podem constituir a base de uma coexistência pacífica” entre os povos.

“As armas de destruição massiva, particularmente as armas nucleares, não criam nada mais que uma falsa sensação de segurança (para os que as detêm)”, criticou Francisco durante o simpósio internacional Perspectivas para um mundo livre de armas nucleares e para o desarmamento integral. Evento em Roma contou com a participação de 11 vencedores do Nobel da Paz e representantes da ONU.

“Livrar o mundo da fome é essencial se quisermos construir uma paz duradoura”, afirmou o diretor de comunicação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Enrique Yeves.

Lembrando que o número de pessoas passando fome cresceu neste ano, chegando a 815 milhões de pessoas, o especialista alertou que o aumento – de 38 milhões de indivíduos em relação a 2016 – deveu-se sobretudo a conflitos e alterações dos padrões climáticos. Do contingente total de pessoas vivendo sem o necessário para se alimentar, 489 milhões vivem em países afetados por conflitos.

A escassez de alimentos, porém, não é apenas a consequência da guerra. A fome também pode estar na raiz da violência, uma vez que a falta de comida leva a disputas por recursos. Yeves acrescentou que a paz é um requisito prévio para que o mundo alcance a segurança alimentar e pôr fim ao que descreveu como um “ciclo vicioso”.