ONU: 2017 deve ser um dos três anos mais quentes já registrados

Dohuk, Iraque. Foto: OCHA/Gwen McClure

Dohuk, Iraque. Foto: OCHA/Gwen McClure

É muito provável que 2017 seja um dos três anos mais quentes já registrados, com diversos episódios de efeitos devastadores, como furacões e inundações, ondas de calor e secas.

Os indicadores da mudança climática no longo prazo, como o aumento das concentrações de dióxido de carbono, o aumento do nível do mar e a acidificação dos oceanos, continuam sem dar trégua.

A cobertura de gelo marinho do Ártico permanece abaixo da média, e a extensão do gelo marinho da Antártida, que antes era estável, alcançou níveis mínimos jamais registrados até a data.

Em uma versão provisória de sua declaração sobre o estado do clima mundial, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirma que de janeiro a setembro deste ano registrou-se uma temperatura média global de aproximadamente 1,1° Celsius acima dos níveis pré-industriais.

Como consequência da intensa ocorrência do El Niño, é provável que o ano de 2016 continue sendo o mais quente já registrado, com 2017 e 2015 em segundo e terceiro lugar, respectivamente. O período de 2013 a 2017 será o quinquênio mais quente jamais registrado.

A declaração da OMM, que abarca o período compreendido entre janeiro e setembro, foi publicada no dia da abertura da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, que ocorre em Bonn, na Alemanha.

“Os últimos três anos estiveram entre os três mais quentes já registrados. É parte da tendência para o aquecimento de longo prazo”, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

“Fomos testemunhas de fenômenos meteorológicos extraordinários, temperaturas que chegaram a 50° Celsius na Ásia, furacões sem precedentes no Caribe e no Atlântico que alcançaram a Irlanda, devastadoras inundações que afetaram milhões de pessoas e uma seca implacável na África oriental”, completou.

Patrícia Espinosa, secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que acolhe a Conferência em Bonn, disse: “esses resultados colocam em evidência os crescentes riscos para as pessoas, as economias e o próprio tecido da vida na Terra se não conseguirmos alcançar os objetivos e ambições do Acordo de Paris”.

Temperaturas globais em 2017

A temperatura média global para o período compreendido entre janeiro e setembro de 2017 foi 0,47° Celsius mais quente que a média de 1981-2010 (estimada em 14,31° Celsius), o que representa um aumento de aproximadamente 1,1° desde o período pré-industrial.

Determinadas partes do sul da Europa, como Itália e Norte da África, algumas regiões do leste e do sul da África e a parte asiática da Rússia alcançaram temperaturas máximas sem precedentes, e na China as temperaturas se igualaram ao registro mais quente. O noroeste dos Estados Unidos e o oeste do Canadá tiveram temperaturas mais frias que a média de 1981-2010.

As temperaturas de 2016 e, em certa medida, de 2015, foram mais altas devido ao fenômeno El Niño excepcionalmente intenso. O ano de 2017 vai ser o mais quente jamais registrado sem a influência desse fenômeno.

Chuvas

Na zona meridional da América do Sul (especialmente na Argentina), no oeste da China e em algumas partes do sudeste da Ásia, o total de chuvas foi superior à média.

O período de janeiro a setembro foi o mais úmido jamais registrado nos territórios adjacentes dos Estados Unidos. As chuvas, em geral, alcançaram níveis próximos à média no Brasil e níveis perto da média ou superiores no noroeste da América do Sul e América Central, o que atenuou as secas associadas ao fenômeno El Niño de 2015-2016.

A estação chuvosa registrou chuvas superiores à média em muitas partes do Sahel, com inundações em algumas regiões (especialmente no Níger).

Ondas de calor intensas

Em janeiro, uma onda de calor extremo afetou algumas regiões da América do Sul. No Chile, foram registradas temperaturas máximas sem precedentes em diversos lugares, entre eles Santiago (37,4°C). Na Argentina, em 27 de janeiro se alcançou uma temperatura de 43,5°C em Puerto Madryn, que foi a mais alta já registrada tão ao Sul (43°S) no mundo.

Em grande parte do Leste da Austrália ocorreu um calor extremo em janeiro e fevereiro, que alcançou seus níveis máximos nos dias 11 e 12 de fevereiro, quando as temperaturas chegaram a 47°C.

No final de maio, um calor excepcional afetou algumas zonas do sudoeste da Ásia. Em 28 de maio, as temperaturas alcançaram os 54°C em Turbat, no extremo ocidental do Paquistão, perto da fronteira iraniana, e também superaram os 50°C no Irã e em Omã. Em 29 de junho, registrou-se 53,7°C em Ahwaz (Irã) e no Bahrein registrou-se o mês de agosto mais quente até a data.

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ONU caminhará junto ao Haiti rumo ao desenvolvimento sustentável, diz vice-chefe da organização

Vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed (à esquerda), e a enviada especial para o Haiti, Josette Sheeran (canto superior esquerdo), em encontro com famílias haitianas afetadas pela cólera. Foto: ONU Haiti

Vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed (à esquerda), e a enviada especial para o Haiti, Josette Sheeran (canto superior esquerdo), em encontro com famílias haitianas afetadas pela cólera. Foto: ONU Haiti

A vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, e a enviada especial do secretário-geral para o Haiti, Josette Sheeran, realizaram uma visita de três dias no Haiti que terminou no último domingo (5).

Elas se comprometeram com mais ajuda para superar o cólera, bem como mais assistência ao governo haitiano para alcançar os objetivos mais abrangentes da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.

“A ONU percorrerá este caminho junto ao Haiti”, disse Mohammed no Twitter, referindo-se ao trabalho que está sendo feito no país para torná-lo um país emergente até 2030, prazo estabelecido por todos os países para alcançar a agenda e seus 17 objetivos (conhecidos como ODS).

A delegação de alto nível foi enviada pelo secretário-geral, António Guterres, para reafirmar o compromisso das Nações Unidas com o povo haitiano num “novo espírito de parceria”.

Num artigo de opinião publicado semana passada no “Miami Herald”, o chefe da ONU disse que a parceria abrangerá todo o trabalho da organização na ilha – incluindo o contínuo esforço para superar a cólera e os “incidentes inaceitáveis” de exploração sexual e abuso por parte de funcionários da ONU –, visando ajudar o país a passar “de uma abordagem emergencial a soluções duradouras, de assistência a apoio ao investimento, de panfletos e comunicados a cooperação lado a lado, à democracia e dignidade para todos os haitianos”.

No sábado, a vice-secretária-geral reiterou o “novo espírito de parceria” mencionado por Guterres: “Viemos para tentar achar uma forma de fazer as coisas melhor, pois o que fizemos no passado não foi suficiente. Não conseguimos cumprir com o que planejamos”, disse Mohammed numa coletiva de imprensa junto ao presidente do Haiti, Jovenel Moise, em Porto Príncipe, capital do país.

A visita das duas representantes da ONU aconteceu pouco depois do anúncio de Susan Page, dos Estados Unidos, como representante especial do secretário-geral e chefe da Missão da ONU para o apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH). A nova missão sucedeu a Missão de Estabilização, conhecida como MINUSTAH, no dia 16 de outubro.

O papel da nova missão da ONU será assessorar e dar apoio ao governo haitiano para fortalecer as instituições do Estado de Direito, continuar desenvolvendo a capacitação da polícia nacional e promover os direitos humanos.

ONU reafirma compromisso para erradicar a cólera

Como parte fundamental da visita, as duas representantes da ONU se reuniram com famílias afetadas pela cólera e que estão lidando com a falta de acesso à água e saneamento.

Mohammed e Sheeran também copresidiram uma reunião do Comitê de Alto Nível para a Eliminação da Cólera (HLCC), junto ao primeiro-ministro do Haiti, Jack Guy Lafontant. O governo haitiano e as funcionárias da organização expressaram sua determinação para trabalhar em colaboração e zerar os casos de transmissão do cólera no país.

Também manifestaram o compromisso em alcançar os ODS, incluindo melhorar o acesso à água, saneamento e serviços de saúde.

Enquanto os casos de transmissão de cólera diminuíram significativamente – de 18 mil casos por semana no início da epidemia, em 2010, a 250 casos por semana este ano –, o sucesso do esforço precisará de mais financiamento para manter o trabalho altamente eficaz das equipes de resposta de emergência, e do compromisso de lutar contra a cólera no médio e no longo prazo, segundo as lideranças da reunião.

Num pedido da vice-secretária-geral aos países-membros da ONU, Mohammed enfatizou durante a reunião que atacar a raiz das causas da cólera no Haiti é fundamental para alcançar os ODS.

“Além disso, no prazo imediato, solicitamos urgentemente os fundos necessários para garantir a operação contínua e a rápida resposta das equipes. O fracasso em agir urgentemente colocaria em risco tudo o alcançado até agora”, disse Mohammed.

A vice-secretária-geral e a enviada especial também testemunharam os esforços de “muitos heróis” que estão trabalhando para erradicar a doença. A visita das duas representantes foi também uma oportunidade para aprender sobre os bem-sucedidos programas de controle da cólera, incluindo em comunidades que acabaram com a defecação a céu aberto e se mobilizaram para construir banheiros e aumentaram a conscientização sobre a importância do saneamento.

No Oriente Médio, fórum da ONU reúne mulheres para discutir melhores oportunidades nas empresas

Participantes do Fórum Mundial de Investimentos Empresariais discutem melhores oportunidades para mulheres. Foto: ONU News/Vibhu Mishra

Participantes do Fórum Mundial de Investimentos Empresariais discutem melhores oportunidades para mulheres. Foto: ONU News/Vibhu Mishra

Apesar dos grandes desafios que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho, “elas não estão indefesas”. Essa foi a mensagem central do painel ‘Mulheres na Indústria’, durante o Fórum Mundial de Investimentos Empresariais, organizado pelas Nações Unidas na última quarta (1) em Barein, no Oriente Médio.

Políticas, empresárias, funcionárias de instituições financeiras e de agências das Nações Unidas, além de jovens empreendedoras, reuniram-se na mesa-redonda para discutir os desafios enfrentados pelas mulheres empresárias e como superá-los.

“Essa é uma chance para todos, em todo o mundo – governantes, investidores, pesquisadores – perceberem que as mulheres não estão à espera de panfletos, estão à procura de oportunidades. Uma oportunidade não é um panfletos”, disse Adot Killmeyer-Oleche, representante da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO).

“É uma mensagem importante para todos nós – a ONU, ativistas de desenvolvimento e profissionais e agentes de mudança”, acrescentou.

O painel ressaltou que mulheres empresárias muitas vezes se encontram no final da cadeia de valor, não apenas em termos de emprego, mas também quando se trata de acesso ao conhecimento, à tecnologia e a recursos básicos – particularmente as finanças – para fazer negócios.

Além dessas barreiras, elas enfrentam um nível muito elevado de estigma – um problema universal – com seus projetos e ideias não recebendo o mesmo nível de atenção ou simplesmente ignorados pelo fato de serem mulheres.

A discriminação também é evidente na desigualdade salarial em muitos setores em todo o mundo.

Uma das principais formas de abordar esses desafios, segundo as discussões, consiste em reformar leis e políticas, integrando as dimensões de gênero. Outra área de foco é o treinamento e a educação para garantir que jovens – mulheres e homens – desenvolvam habilidades necessárias para se tornarem empresários e serem capazes de analisar cuidadosamente os riscos.

O uso de tecnologia e soluções inovadoras, como organizar feiras e financiamentos comunitários, pode ajudar a superar alguns desafios, em particular aqueles relacionados ao acesso a financiamento, disseram os participantes.

Mas, acima de tudo, foi enfatizada a mudança nas mentalidades em todo o mundo.

“As atitudes mudam, mas não do dia para a noite. Simplesmente não é aceitável discriminar as mulheres”, disse Ina Cronje, presidente da Junta de Comércio e Investimento, KwaZulu-Natal (África do Sul), participante do painel.

A sessão também designou a empresária Azza Fahmy, presidente e diretora criativa de uma joalheria do Egito, como Empreendedora Internacional Criativa da UNIDO.

O painel de discussão sobre as mulheres na indústria foi um evento realizado no segundo dia do Fórum Mundial de Investimentos Empresariais, organizado pela UNIDO em parceria com o Governo de Barein.

Mônica celebra 10 anos como embaixadora do UNICEF

Mônica. Crédito: Mauricio de Sousa

Mônica. Crédito: Mauricio de Sousa

Há dez anos, a personagem Mônica, do quadrinista Maurício de Sousa, era nomeada embaixadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Em 2017, para celebrar uma década de engajamento pelos direitos dos jovens, o autor abriu as portas de seu estúdio em São Paulo para oito meninas e meninos entre dez e 11 anos de idade.

As crianças assumiram a direção do escritório e, ao final do dia, produziram, junto com o desenhista, uma tirinha especial para a data.

A atividade nas instalações da Maurício de Sousa Produções foi organizada em parceria com o UNICEF como ação preparatória para lembrar o Dia Mundial das Crianças, celebrado no próximo 20 de novembro.

Em 2017, o tema para a data é “Crianças no Controle”.

Confira abaixo a tirinha preparada pelas crianças e o Maurício de Sousa:

Tirinha preparada por crianças e por Maurício de Sousa para comemorar os dez anos da nomeação da Mônica como embaixadora do UNICEF. Imagem: Maurício de Sousa Produções/UNICEF

Tirinha preparada por crianças e por Maurício de Sousa para comemorar os dez anos da nomeação da Mônica como embaixadora do UNICEF. Imagem: Maurício de Sousa Produções/UNICEF

A agência da ONU convida adultos em todo o mundo a deixarem meninos, meninas e adolescentes assumir o controle de papéis-chave na mídia, na política, nos negócios, no esporte e no entretenimento. O UNICEF visa estimular a participação dos jovens em áreas que os afetam diretamente, como educação, saúde e proteção contra a violência e o abuso.

O Dia Mundial da Criança foi estabelecido pela ONU em 1954 e é celebrado, a cada ano, em 20 de novembro. Vinte e cinco anos após a instituição da data, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a Convenção sobre os Direitos da Crianças – ratificada por 196 países. A participação das crianças e dos adolescentes nas decisões sobre temas que lhes são relevantes é um dos direitos fundamentais incluído no marco internacional.

O Brasil foi um dos primeiros países a assinar a Convenção e ratificou esse tratado de direitos humanos no dia 24 de setembro de 1990.

A Mônica e o UNICEF

Muito antes de temas e expressões como protagonismo infanto-juvenil e empoderamento feminino ganharem relevância na mídia e no mundo, a Mônica já era um exemplo da força e da liderança que as meninas podem ter. Há mais de cinco décadas, sua Turma ajuda a transmitir valores como amizade, justiça, respeito à diversidade, entre outros.

Mônica, personagem dos quadrinhos de Mauricio de Sousa, foi nomeada embaixadora do UNICEF no Brasil em 6 de novembro de 2007, mas a aliança entre a Mauricio de Sousa Produções e o Fundo das Nações Unidas vem de longa data.

Em 1993, a Turma da Mônica, com apoio da agencia, apresentou o Estatuto da Criança e do Adolescente de forma divertida, em quadrinhos, para tornar a lei mais fácil de ser compreendida pelas crianças. Desde abril de 2005, Mônica e outros personagens dos quadrinhos de Maurício de Sousa apoiam a divulgação de mensagens do UNICEF para as crianças em suas revistas. Entre as pautas abordadas, estão o direito a educação, ao aleitamento materno e à inclusão das crianças com deficiência, o combate ao racismo e a importância da prática de esportes.

Já como embaixadora do UNICEF, Mônica e seu criador, Mauricio de Sousa, participaram de campanhas nacionais e globais do UNICEF, tais como “Eu faço um mundo melhor para as crianças“, “Unidos pelas crianças e pelos adolescentes” e “Pequenas Histórias“, entre outras.

Real enfraquecido leva a queda dos preços do açúcar no mundo, aponta FAO

Plantação de cana-de-açúcar no Brasil. Foto: Agência Brasil/Elza Fiúza

Plantação de cana-de-açúcar no Brasil. Foto: Agência Brasil/Elza Fiúza

Os preços globais dos alimentos caíram em outubro deste ano, chegando a um índice 27% abaixo da máxima registrada para o mês, em 2011. O cálculo é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que atribui a queda de 1,3% na comparação com setembro a oscilações do setor de laticínios. A agência da ONU citou ainda o enfraquecimento do real brasileiro como uma das causas da queda no preço mundial do açúcar.

O índice de preços para os laticínios registrou uma redução de 4,2% em outubro na comparação com o mês anterior. Foi o primeiro decréscimo desde maio. De acordo com a FAO, as cotações internacionais da manteiga e do leite integral em pó tiveram queda porque os importadores retardaram suas compras à espera de novos insumos da Oceania. No caso do leite desnatado em pó, a demanda escassa e intervenções da União Europeia foram apontadas como causas da baixa no valor de mercado.

Já o preço do açúcar teve uma diminuição de 0,7% em relação a setembro devido ao enfraquecimento da moeda do Brasil no cenário internacional. A FAO lembra que o país é o maior exportador do produto. Outros fatores incluíram perspectivas de colheitas mais abundantes de beterraba na União Europeia — o legume é usado na produção de açúcar — e uma produção mais robusta na Rússia.

A média de preços do azeite vegetal também registrou diminuição — de 1,1% — em relação ao mês anterior. Isso porque as perspectivas para os óleos de palma e de soja indicam ganhos na produção, o que deverá reduzir o valor dos produtos.

Ainda segundo a FAO, em outubro, os preços da carne estiveram 0,9% menores do que em setembro. A queda é fruto do aumento da concorrência entre os exportadores de carne suína. Combinado a uma fraca demanda por importações, o fenômeno provocou uma baixa a nível mundial dos preços.

Já os cereais registraram alta — de 0,4%. O aumento foi motivado por elevações no valor do arroz, mesmo os preços do trigo tendo se mantido menores. Segundo a FAO, a produção de cereais em 2017 deverá atingir um novo recorde, mas o volume inédito será maior do que o produzido em 2016 apenas por uma pequena margem.

Quando considerados os cereais secundários, a produção no geral deverá ter um saldo menor que o de 2016, sobretudo devido a colheitas menos volumosas de trigo nos Estados Unidos.

Assembleia Geral da ONU pede fim do embargo dos EUA contra Cuba

Reunião da Assembleia Geral para considerar a necessidade de acabar com o embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba. Foto: ONU / Cia Pak

Reunião da Assembleia Geral para considerar a necessidade de acabar com o embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba. Foto: ONU / Cia Pak

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou na última quarta (1) mais uma resolução que ressalta a necessidade de acabar com o embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba.

Na resolução, a Assembleia reiterou o seu apelo a todos os Estados-membros da ONU para que se abstenham de promulgar e aplicar leis ou medidas que não estejam em conformidade com as obrigações estabelecidas pela Carta da ONU e pelo direito internacional, que por sua vez reafirmam a liberdade de comércio e navegação.

A Assembleia “pede novamente aos Estados que continuem aplicando leis e tomem as medidas necessárias para revogá-las ou invalidá-las o mais rápido possível”, acrescentou a resolução.

A resolução recebeu votos favoráveis de 191 dos 193 Estados-membros da ONU. Os Estados Unidos e Israel se opuseram ao texto.

No ano passado, esses dois países, pela primeira vez nos 25 anos de história da revisão anual da questão, se abstiveram na votação em vez de rejeitar o texto.

Fundo de População da ONU destaca casos de gravidez na adolescência em Timor-Leste

Segundo o UNFPA, quase 25% das timorenses dão à luz antes de completar 20 anos. Foto: OPAS/OMS

Segundo o UNFPA, quase 25% das timorenses dão à luz antes de completar 20 anos. Foto: OPAS/OMS

O Fundo de População das Nações Unidas, UNFPA, informou que o alto número de casos de gravidez na adolescência no Timor-Leste deve-se a alguns fatores – incluindo violência e desigualdade de gêneros e falta de educação sexual.

Uma das mães adolescentes entrevistadas pelo UNFPA em Aileu afirmou que ela não sabia como as crianças eram concebidas. Aos 19 anos, e mãe de um bebê de um ano, ela contou que não aprendeu sobre o tema na escola.

A situação ficou ainda mais grave quando o pai da criança a abandonou e ela teve que sair do colégio.

Segundo o UNFPA, quase 25% das timorenses dão à luz antes de completar 20 anos. A gravidez na adolescência é seguida por casamentos precoces no país; 19% das meninas casam-se aos 18 anos.

A agência da ONU cita também altos índices de violência a mulheres e barreiras ao cuidado reprodutivo como outras causas do problema.

A especialista em juventude do UNFPA Candie Cassabalian afirma que o índice de violência entre parceiros é de 60% no Timor-Leste. E, muitas vezes, métodos contraceptivos só podem ser acessados com a autorização dos maridos.

Cassabalian disse ainda que as mulheres casadas, independentemente da idade, têm muito pouco controle sobre seus corpos.

Para o UNFPA, apesar de a educação sexual fazer parte do currículo escolar, muitos professores não se sentem à vontade para discutir o tema.

(Por Monica Grayley, da ONU News em Nova Iorque)

Especialista da ONU: 263 milhões de crianças estão fora da escola

Parceria entre Brasil, Guiné-Bissau e ONU vai melhorar sistema de alimentação escolar do país africano. Foto: PMA/Ramin Rafirasme

Crianças em Guiné-Bissau. Foto: PMA/Ramin Rafirasme

Cerca de 263 milhões de crianças em todo o mundo não estão sendo educadas, levando a níveis enormes de analfabetismo e discriminação e aumentando as tensões na sociedade, alertou uma especialista em direitos humanos da ONU.

É imperativo que os governos alcancem todas as crianças e as coloquem nas escolas, disse a relatora especial das Nações Unidas sobre o direito à educação, Koumbou Boly Barry, à Assembleia Geral da ONU em Nova York.

“A discriminação e a exclusão mantêm milhões de crianças fora da escola e quase 750 milhões de adultos e jovens são analfabetos”, disse Boly Barry, apresentando um relatório sobre os obstáculos à educação para as 263 milhões de crianças em idade escolar atualmente sem acesso a este direito.

“As crianças fora da escola muitas vezes enfrentam discriminação devido a suas circunstâncias econômicas ou geográficas, ou por causa de sua origem cultural, linguística ou étnica”, disse a relatora especial. “Outras se tornaram migrantes ou refugiados, ou tiveram que fugir de suas casas, mas permanecerem dentro de seus próprios países.”

“Nenhuma criança deve ser excluída da escola por qualquer um desses motivos”, acrescentou. Acesse o documento aqui.

ONU e outras organizações estão em falta com políticas de liberdade de informação, diz especialista

Relator especial da ONU sobre o direito à liberdade de opinião e de expressão, David Kaye. Foto: ONU / Jean-Marc Ferré

Relator especial da ONU sobre o direito à liberdade de opinião e de expressão, David Kaye. Foto: ONU / Jean-Marc Ferré

O relator especial das Nações Unidas sobre liberdade de expressão, David Kaye, criticou a ONU e organizações internacionais por falharem em adotar políticas “firmes” no acesso a informação.

“A ONU e muitas outras organizações internacionais estão em falta com as políticas de informação que estão cada vez mais frequentes entre governos”, diz Kaye ao apresentar um novo relatório à Assembleia Geral da ONU no final de outubro.

“A falta de acesso à informação prejudica a prestação de contas e a capacidade da população de participar de questões globais.”

Ele acrescentou que “muitas organizações internacionais adotaram o acesso a políticas de informação, algumas delas efetivas e relativamente transparentes. Este é o caso em áreas específicas de política ambiental, instituições financeiras e de desenvolvimento.

“Além disso, as políticas de acesso – onde elas existem – muitas vezes fornecem muitas brechas para que as organizações neguem pedidos, muitas vezes sem razões claras.”

O relator especial disse que o acesso à informação requer uma forte proteção para denunciantes e ficou satisfeito com os primeiros passos para melhorar a política da ONU nesta área.

Mas acrescentou que ainda há um grande espaço para mudanças, especialmente na necessidade de sanções disciplinares com retaliações de funcionários contra denunciantes e por um maior compromisso institucional para promover a denúncia e a proteção das pessoas envolvidas.

“Particularmente em uma era de desinformação e propaganda, peço às Nações Unidas e outras organizações internacionais, bem como os governos e a sociedade civil, a aderir à causa da liberdade de informação”, conclui.

Especialistas em finanças reúnem-se no Haiti para discutir sustentabilidade da resposta ao HIV

Especialistas em finanças e HIV se reúnem no Haiti para o 3º fórum regional sobre sustentabilidade na resposta ao vírus. Foto: UNAIDS

Especialistas em finanças e HIV se reúnem no Haiti para o 3º fórum regional sobre sustentabilidade na resposta ao vírus. Foto: UNAIDS

Especialistas em finanças e HIV da América Latina e do Caribe reúnem-se a partir desta segunda-feira (6) no Haiti para fórum sobre sustentabilidade da resposta ao vírus. O evento é organizado por governo haitiano, Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), pessoas vivendo com HIV e parceiros.

O 3º Fórum Latino-Americano e Caribenho sobre Sustentabilidade da Resposta ao HIV “O Caminho para Acabar com a AIDS na América Latina e no Caribe: Rumo às Metas Regionais Sustentáveis de Aceleração da Resposta” acontece em Porto Príncipe até quarta-feira (8).

Pela “Declaração Política sobre HIV e AIDS: na Via Rápida para Acelerar a Resposta ao HIV e Acabar com a Epidemia de AIDS até 2030”, de 2016, o mundo se comprometeu, dentro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a acabar com a epidemia de AIDS como ameaça para a saúde pública até 2030.

Os países assumiram o compromisso de adotar uma abordagem “Fast-Track” (Aceleração da Resposta) até 2020 e reafirmaram, à luz da Agenda de Ação de Addis Abeba, políticas e ações concretas para fechar a lacuna global de recursos nesta área para financiar totalmente a resposta ao HIV com o objetivo de acabar com a epidemia de AIDS até 2030.

Em 2016, havia 2,1 milhões de pessoas vivendo com HIV na América Latina e no Caribe. A cobertura do tratamento entre as pessoas vivendo com HIV em 2016 foi de 54% na região em geral, 58% na América Latina e 52% no Caribe, respectivamente.

O aumento da cobertura do tratamento do HIV desempenhou um papel primordial na redução da mortalidade relacionada à AIDS: entre 2010 e 2016, o número de mortes relacionadas à AIDS na região caiu 19%; 12% na América Latina e 28% no Caribe. O número anual de novas infecções por HIV entre os adultos na América Latina e no Caribe manteve-se estável desde 2010: 120 mil novas infecções.

O objetivo deste terceiro fórum é desenvolver e implementar a rápida expansão de uma resposta eficiente, eficaz, integrada e sustentável do HIV alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o “Acesso universal à saúde e cobertura universal da saúde” e a agenda regional de Aceleração da Resposta da América Latina e do Caribe.

O fórum, que reúne especialistas em finanças e HIV da América Latina, do Caribe e de todo o mundo, proporcionará um espaço para o compartilhamento de informações sobre o progresso nacional e os resultados preliminares para o alcance das metas “90-90-90” acordadas e os objetivos de prevenção e zero discriminação, desafios e necessidades não atendidas no “Chamado para Ação do Rio” (Rio Call to Action) de 2015.

O encontro irá proporcionar também um espaço para o compartilhamento de novos dados científicos a fim de apoiar a implementação de intervenções eficientes e de boa relação custo-benefício em toda cascata de prevenção, cuidados e tratamento do HIV. Finalmente, a reunião tem como objetivo facilitar a discussão sobre estratégias e mecanismos para a transição rumo a respostas nacionais sustentáveis com o intuito de acabar com a AIDS como ameaça para a saúde pública na América Latina e no Caribe até 2030.

A organização desse fórum é fruto de um esforço colaborativo entre o governo haitiano, o Grupo de Cooperação Técnica Horizontal (GCTH), a Parceria Pan-Caribenha contra o HIV/AIDS (PANCAP), o Ministério da Saúde do Brasil, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), o Fundo Global contra a AIDS, Tuberculose e Malária, o Plano de Emergência do Presidente dos EUA para Alívio da AIDS (PEPFAR), AIDS Healthcare Foundation (AHF), a Rede Latino-Americana de Pessoas Vivendo com o HIV (REDLA+) e a Rede Caribenha de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS (CRN+).