Esforços para apoiar população síria em Raqqa continuam, diz OMS

Escombros de prédios destruídos na cidade de Tabqa, na província de Raqqa, Síria. Foto: UNICEF/Souleiman.

Escombros de prédios destruídos na cidade de Tabqa, na província de Raqqa, Síria. Foto: UNICEF/Souleiman.

Em comunicado publicado no fim de outubro (24), a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que está intensificando o envio de medicamentos e suprimentos médicos a milhares de pessoas em áreas recentemente acessíveis em Raqqa, na Síria, como parte dos esforços de recuperação da cidade após o violento conflito armado no início do ano.

“O objetivo imediato da OMS, junto com as autoridades locais de saúde e ONGs (organizações não governamentais), é ampliar os serviços de saúde para milhares de pessoas que têm sido privadas de acesso a esses cuidados essenciais”, disse Elizabeth Hoff, representante da OMS na Síria.

“Estamos assegurando a disponibilidade de vacinas de qualidades para as crianças”, disse Hoff.

A principal agência de saúde das Nações Unidas informou que o Hospital Nacional Al-Tabqa, o mais próximo de Raqqa, recebeu cinco toneladas de carregamento, que incluem medicamentos e suprimentos médicos para tratar 500 casos de trauma e realizar 37 mil tratamentos médicos.

Este foi o segundo envio de suprimentos realizado pela OMS ao hospital desde sua reabertura, em setembro deste ano. O hospital foi parcialmente danificado em fevereiro devido a intensos combates na região, porém, os departamentos de emergências, medicina interna e pediatria foram reabilitados.

Atualmente, mais de 13,5 mil pessoas moram em Raqqa, onde o acesso a serviços de saúde continua limitado.

Desde sua reabilitação, o hospital tem tratado mais de 3,4 mil pacientes, incluindo mais de 800 mulheres e 1,3 mil crianças.

Novo aplicativo visa aumentar adesão ao tratamento para pessoas que vivem com HIV

Novo aplicativo está disponível para celulares com sistema operacional Android e iOS. Foto: EBC

Novo aplicativo está disponível para celulares com sistema operacional Android e iOS. Foto: EBC

Um novo aplicativo de celular para pessoas vivendo com HIV, o Life4me+, está disponível gratuitamente em 156 países, entre eles o Brasil, e em seis idiomas: armênio, inglês, estoniano, alemão, russo e ucraniano.

O aplicativo foi criado por um ativista alemão-russo que vive com HIV e sua equipe, e visa simplificar a informação médica e o tratamento para as pessoas que vivem com o HIV na Europa Oriental, Ásia Central e redondezas.

O aplicativo foi desenvolvido com base na experiência de seus desenvolvedores e ativistas. Para pessoas vivendo com HIV, o aplicativo funciona como um cartão pessoal eletrônico do paciente.

Ele permite aos usuários ficarem em contato com médicos online, salvar e exibir resultados de testes, acompanhar um calendário com testes sanguíneos, um histórico de prescrições e alertas para relembrar quando tomar os medicamentos e lista de consultas.

Existem também funções como registrar o próprio peso, volume torácico, pressão sanguínea, histórico de doenças, resistência do HIV a drogas etc.

O aplicativo também possui um mapa interativo, que mostra a localização de centros médicos e organizações não governamentais que auxiliem pessoas vivendo com HIV, notícias diárias relacionadas ao HIV, novas informações e artigos científicos populares sobre o tema.

Um botão de “ajuda” contém links que redirecionam para linhas direta de tratamento e prevenção do HIV, apoio psicológico e legal para mulheres, adolescentes e usuários de drogas. Atualmente, os links estão disponíveis somente para pessoas vivendo em alguns países do Leste Europeu.

Com a permissão do paciente, médicos podem monitorar a ingestão de medicamentos bem como a aderência ao tratamento. O aplicativo tem mecanismos especiais para proteger o anonimato e a confidencialidade.

Todos os dados são despersonalizados, para que não haja risco da pessoa ser identificada como vivendo com HIV, mesmo que seu telefone ou computador seja utilizado por outra pessoa. Life4me+ pode ser baixado pelo Google Play e App Store.

Um nova versão do aplicativo será lançada em 1° de dezembro, e incluirá funções voltadas para a prevenção de novas infecções por HIV, hepatite C e infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis e gonorréia, com lembretes automáticos para fazer o teste dessas doenças.

Em encontro na Rússia, UNAIDS busca compromisso de jovens com o fim da AIDS até 2030

Encontro de jovens pelo fim da AIDS no Festival Mundial da Juventude em Sochi, na Rússia. Foto: UNAIDS

Encontro de jovens pelo fim da AIDS no Festival Mundial da Juventude em Sochi, na Rússia. Foto: UNAIDS

Mais de 25 mil jovens de 188 países reuniram-se em Sochi, na Rússia, em meados de outubro (14 a 21) para o 19º Festival Mundial de Jovens e Estudantes, cujo objetivo foi promover discussões sobre desafios globais, com foco nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Por meio da liderança da Coalizão Jovem contra o HIV (PACT, na sigla em inglês) e apoio do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e de parceiros, questões sobre fim da AIDS, saúde sexual, reprodutiva e de direitos estavam em alta na agenda do encontro.

Três painéis estiveram focados em educação extensiva sobre sexualidade, epidemias modernas e o papel dos jovens para o fim da AIDS até 2030. Embora tenha havido progresso no resposta ao HIV, ainda existem desafios que colocam jovens em risco, incluindo discriminação, exclusão, violência e falta de acesso a serviços.

Palestrantes enfatizaram que a falta de qualidade na educação extensiva sobre sexualidade continua sendo uma das maiores falhas em garantir que jovens saibam como se proteger do HIV.

Os participantes também apresentaram novos produtos e plataformas, entre eles vídeos com lições desenvolvidas para crianças em idade escolar no Leste Europeu e na Ásia Central, apresentados pela Embaixadora da Boa Vontade do UNAIDS, Vera Brezhneva, por meio do canal NauchPok.

A Coalizão Jovem PACT encontrou-se com a enviada do secretário-geral das Nações Unidas para a juventude, Jayathma Wickramanayake, que disse: “estou ansiosa para trabalhar com todos vocês através do UNAIDS e outros parceiros”.

“Meu objetivo é garantir que jovens tenham voz em todos os processos das Nações Unidas e auxiliá-los a levantar questões que sejam relevantes para eles e suas comunidades, incluindo questões que possam ser percebidas como sensíveis ou desafiadoras.”

Falta de informação sobre HIV leva a novas infecções e sustenta as causas primárias que colocam jovens em risco, incluindo desigualdade, discriminação, violência e exclusão. Dilyara Vagapova, do grupo russo de rock Murakami disse: “sem conversas abertas com os jovens sobre HIV, sexo e os danos causados por drogas, nós não vamos ter êxito em acabar com a epidemia de HIV no Leste Europeu e Ásia Central”.

Para garantir que as metas da Declaração Política das Nações Unidas para o Fim da AIDS 2016 sejam cumpridas, responsabilidade é fundamental. Jovens líderes da Bulgária, Índia, África do Sul, Tajiquistão e Reino Unido compartilharam melhores práticas em educação de pares e responsabilidade liderada pela juventude nos ODS e na resposta ao HIV.

Yana Mladenova, da Bulgária, disse: “uma política no papel não é a mesma que uma política na prática”. “Uma defesa bem sucedida resulta em ação, em prática”, disse.

Yana Valchuk, da rede adolescente “Teenergizer”, declarou: “para acabar com a epidemia, nós precisamos acabar com a discriminação, para que os adolescentes parem de viver com medo”.

Para o diretor regional do UNAIDS para o Leste Europeu e Ásia Central, Vinay P. Saldanha, “alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, incluindo acabar com a AIDS até 2030, não depende daqueles que os negociaram”. “Isso depende do comprometimento individual de cada jovem neste festival. Este é o seu mundo — estes são os seus objetivos”, disse.

Relatório de agência da ONU expõe discriminação contra minorias apátridas pelo mundo

Esta mãe apátrida chegou ao Quirguistão do Tajiquistão. Seus filhos também são apátridas. Sem documentos que reconheçam sua nacionalidade, ela não pode receber serviços sociais básicos. Foto:  ACNUR/ A. Zhorobaev

Esta mãe apátrida chegou ao Quirguistão do Tajiquistão. Seus filhos também são apátridas. Sem documentos que reconheçam sua nacionalidade, ela não pode receber serviços sociais básicos. Foto: ACNUR/ A. Zhorobaev

Um novo relatório lançado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) nesta sexta-feira (3) em Genebra alerta que a discriminação, a exclusão social e a perseguição fazem parte da realidade de muitas das minorias apátridas pelo mundo, e pede uma ação imediata para assegurar a igualdade do direito à nacionalidade de todas as pessoas.

Mais de 75% das populações conhecidas de apátridas pertencem a grupos minoritários, diz o relatório. Ao serem deixados de lado, sua marginalização prolongada pode gerar ressentimento, aumentar o medo e, em casos mais extremos, levar à instabilidade, insegurança e deslocamento.

Embora o relatório tenha se baseado em dados anteriores ao mês de agosto, quando centenas de milhares de rohingyas — a mais expressiva minoria apátrida do mundo — começaram a deixar Mianmar em direção a Bangladesh, essa situação exemplifica os problemas que anos de discriminação, exclusão prolongada e impacto no reconhecimento de cidadania podem ocasionar.

“Pessoas apátridas estão apenas buscando os mesmos direitos básicos que todos os cidadãos desfrutam. Mas as minorias apátridas, como a rohingya, muitas vezes sofrem de discriminação arraigada e rejeição sistemática de seus direitos”, disse o alto-comissário da ONU para refugiados, Filippo Grandi.

“Nos últimos anos, medidas importantes foram tomadas para enfrentar a apatridia em todo o mundo. No entanto, novos desafios, como o crescente deslocamento forçado e a privação arbitrária da nacionalidade, ameaçam esse progresso. Os Estados devem agir agora e devem agir de forma decisiva para acabar com a apatridia”, acrescentou Grandi.

O relatório “Esta é a nossa casa: as minorias apátridas e a busca pela cidadania” (tradução livre) é divulgado no marco do terceiro aniversário da campanha #IBelong do ACNUR para o fim da apatridia.

Os dados do relatório foram levantados entre maio e junho de 2017 junto aos membros de grupos de minorias apátridas ou em risco de se tornar apátridas em Madagascar, Macedônia e Quênia, que foram selecionados como exemplos para destacar os dilemas enfrentadas pelas minorias apátridas em todo o mundo.

Com base em discussões realizadas com mais de 120 indivíduos, o relatório mostra que, para muitos grupos minoritários, a causa da apatridia é o que os diferencia: suas histórias, aparências, línguas, sua fé.

Ao mesmo tempo, a apatridia frequentemente agrava a exclusão que os grupos minoritários enfrentam, afetando profundamente todos os aspectos de suas vidas – da liberdade de deslocamento às oportunidades de desenvolvimento, do acesso aos serviços públicos ao direito de votar.

Os depoimentos presentes no relatório mostram como a discriminação afeta negativamente as minorias apátridas e intensifica a necessidade de proteção e segurança. A discriminação também contribui para a pobreza e dificulta o acesso a documentação, educação e serviços de saúde.

Para assegurar a igualdade do direito à nacionalidade para as minorias apátridas, a campanha #IBelong do ACNUR pede que todos os Estados adotem as seguintes medidas:

• Facilitar a naturalização ou a confirmação de nacionalidade para grupos de minorias apátridas residentes no território, que tenham nascido ou residido no local antes de uma determinada data, ou tenham pais ou avós que preencham estes requisitos;
• Permitir que as crianças recebam a nacionalidade do país em que nasceram, caso esta situação as tornassem apátridas;
• Eliminar leis e práticas que rejeitam ou privam pessoas de obter uma nacionalidade com base em motivos discriminatórios como raça, etnia, religião ou minorias linguísticas;
• Assegurar o registro universal de nascimento para prevenir a apatridia;
• Eliminar obstáculos processuais e práticos à emissão da documentação de nacionalidade aos que têm direito a ela nos termos vigentes da lei.

Clique aqui para ler o relatório completo.

Sobre a Campanha #IBelong

Em 4 de novembro de 2014, o ACNUR lançou a campanha #IBelong pelo fim da apatridia. A apatridia é um problema de causa humana e relativamente fácil de se resolver e prevenir. Com vontade política e apoio público, milhões de pessoas no mundo todo podem adquirir uma nacionalidade e evitar que seus filhos nasçam apátridas.

A campanha #IBelong é apoiada por um Plano de Ação Global, que estabelece passos concretos para que os Estados busquem a resolver este problema. Ao adquirir uma nacionalidade, pessoas apátridas podem ter pleno acesso aos seus direitos humanos e desfrutar de um sentimento de pertencimento em suas comunidades.

No Brasil, a refugiada Maha Mamo é exemplo dos esforços de uma apátrida em ser reconhecida como uma cidadã de direitos.

Evento lançará plataforma e aplicativo para Agenda 2030

Imagem: Pixabay

Imagem: Pixabay

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais  e o Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Centro RIO+) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (PNUD) organizam encontro nos dias 6, 7 e 8 de novembro sobre Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) para implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas metas relacionadas à saúde. Evento terá lançamento de plataforma sobre o tema e aplicativo We App Heroes, que permitirá reunir e localizar usuários com iniciativas de desenvolvimento sustentável.

A saúde é parte integrante do Desenvolvimento Sustentável como um direito individual e coletivo. O esforço para alcançar o ODS 3  – garantir vidas saudáveis e promover o bem-estar para todos em todas as idades – se justifica por ser um pré-requisito e um indicador do progresso no desenvolvimento sustentável dos países. Articulando a inovação e a base produtiva é possível aumentar a equidade, a inclusão social e garantir os direitos humanos.

A saúde é a força por trás de mais de 30% da pesquisa mundial e é responsável por cerca de 10% do Produto Interno Bruto dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Com presença de mais de 50 especialistas, dentre participantes internacionais, de governos, do setor privado, organizações não governamentais e instituições de pesquisa, o evento estará dividido em duas fases.

Nos dias 6 e 7  ocorre a Consulta Internacional sobre Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) na implementação da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável e suas metas relacionadas à saúde, restrita para convidados. O objetivo é fortalecer a capacidade das partes interessadas do setor de Saúde em aproveitar iniciativas em CT&I para o alcance dos ODS e elaborar recomendações a serem enviadas para o Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação e o Fórum Político de Alto Nível no próximo ano. No dia 6, a sessão de abertura, das 9h às 9h45, é aberta à imprensa.

O último dia de encontro (8) é aberto ao público  no Museu da Vida da Fiocruz, em Manguinhos, Rio de Janeiro. Participam Nísia Trindade, presidente da Fiocruz; Shantanu Mukherjee, do Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais da ONU; Rômulo Paes de Sousa, do Centro RIO+ do PNUD; e Paulo Gadelha, coordenador da Estratégia Fiocruz para Agenda 2030.

Às 9h30 ocorre o lançamento de duas plataformas: o Ágora 2030, desenvolvido pela Fiocruz, como contribuição para as iniciativas globais de implementação dos ODS, e o aplicativo We App Heroes, que promove a ação local de cidadãos para o desenvolvimento sustentável, desenvolvido pelo Centro RIO+ e Sunscious Ltd.

We App Heroes é um aplicativo móvel que tem como objetivo inspirar pessoas comuns a agir sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável envolvendo-se com outros usuários nas proximidades. Ao reunir pessoas dispostas a oferecer ajuda voluntária, o We App Heroes cria base para uma economia circular e colaborativa, que reduz custos ambientais, sociais e econômicos de atos cotidianos, ao mesmo tempo em que aumenta a conscientização sobre como essas ações estão ligadas aos objetivos da Agenda 2030. Por meio de tecnologia georeferencial, a plataforma possibilita a interação de usuários tanto para proposição de atividades e quanto para participação em demandas práticas para sustentabilidade local.

Ágora 2030 é uma plataforma que faz parte das estratégias da Fiocruz para a Agenda 2030. Trata-se de um espaço virtual que oferece acesso a uma rede que promove a interação entre diferentes atores em torno de temas relacionados à saúde e inovações para os ODS, incluindo um banco de dados que permite aumentar a capacidade de gestão do conhecimento. O site permite não só estimular a reprodução e adaptação de soluções para um mundo sustentável para outras realidades, já que ainda traz notícias, eventos e o convite para iniciativas ligadas ao tema.

A partir das 10h, mesas de debate tratam de plataformas online e tecnologias sociais para o desenvolvimento sustentável e saúde.

Dentre as organizações convidadas estão: IBASE – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômica, IPC/PNUD, Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Fundação Banco do Brasil, Fórum de Comunidades Tradicionais – Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS) e o SEBRAE.

Serviço:
Data: 8/11, das 9h às 17h
Local: Av. Brasil, 4365 – Manguinhos, Rio de Janeiro –  Museu da Vida da Fiocruz
Mais detalhes do programa em https://agora2030.fiocruz.br

ONU apoia integração e inclusão laboral de indígenas venezuelanos em Roraima

A partir desta sexta-feira (3), o Centro de Atendimento ao Turista da Orla Taumanan em Boa Vista (RR) terá um espaço permanente para exposição e venda de artesanato do povo indígena Warao.

Colares, pulseiras, redes de fibra de buriti e cestarias feitas principalmente por mulheres desta etnia poderão ser vistos e comprados no prédio da Intendência da Orla, um dos pontos mais turísticos da capital de Roraima.

A inauguração do espaço será celebrada pela exposição “Warao – Gente da Água, Em Movimento”, que reúne fotografias, desenhos e grafismos, e ficará em exibição até 3 de dezembro. O lançamento acontece às 18h desta sexta-feira (3), com a presença das artesãs e artesãos Warao.

A iniciativa é uma parceria da Universidade Federal de Roraima (UFRR) — por meio da Rede Acolher e do Centro de Capoeira —, com Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), Organização Internacional para as Migrações (OIM), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), organização não governamental Fraternidade – Federação Humanitária Internacional e Prefeitura de Boa Vista.

Desde 2014, a instabilidade na Venezuela vem forçando o povo Warao a se deslocar para o Brasil, percorrendo pouco mais de 1 mil km até cruzar a fronteira e chegar ao estado de Roraima, por via terrestre e fluvial. Estima-se que cerca de 550 indígenas Waro estejam abrigados atualmente em Roraima, entre a cidade fronteiriça de Pacaraima e a capital, Boa Vista.

Em Boa Vista, a maioria vive no Centro de Referência ao Imigrante (CRI), no bairro Pintolândia. É lá que confeccionam o artesanato, sua principal fonte de renda. Matérias-primas como miçangas, tecido e fibra de buriti, são fornecidas às artesãs e artesãos pelo ACNUR e pela ONG Fraternidade.

“Com esta intervenção cultural, vamos conhecer um pouco mais da história do povo Warao, que chegou há pouco tempo e já faz parte do cotidiano do boa-vistense. Nossa cidade é formada pela mistura de várias culturas, e é essa diversidade que nos torna únicos”, explica a professora Julia Camargo, uma das coordenadoras da Rede Acolher, projeto de extensão da UFRR que apoia a população venezuelana em Boa Vista.

A OIM, por sua vez, promove oficinas de costura para os indígenas Warao, em parceria com a Cooperativa de Empreendimento Solidários de Boa Vista (COOFECS) e com a Igreja Metodista.

Na parte de comercialização e divulgação, mantém o mostruário no prédio da Intendência de Turismo de Boa Vista, em parceria com Superintendência de Turismo da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC), e uma barraca permanente na Expoarte no Parque Anauá, em parceria com a ONG Fraternidade.

Todas as iniciativas buscam a integração e inclusão laboral dos indígenas, com a valorização de sua cultura. Essa foi uma das formas encontradas entres as instituições parceiras e os próprios indígenas para proteger mulheres e crianças, tirando-as das ruas e dando oportunidade para desenvolver atividades tradicionais de sua cultura e garantir uma fonte de renda.

Além de artesanatos e roupas tradicionais, a exposição terá desenhos e grafismos feitos durante oficinas lúdicas da Rede Acolher com crianças e adultos Warao.

As fotografias, por sua vez, revelam o cotidiano deste povo em Boa Vista, a força de sua cultura e a inserção social no novo país por meio de projetos, como as aulas de capoeira para crianças, promovidas pelo Centro de Capoeira da UFRR.

A organização e curadoria da exposição contou com o apoio técnico do UNFPA.

‘Situação no Sahel desafia todos’, diz chefe da ONU ao Conselho de Segurança

O secretário-geral da ONU, António Guterres (ao centro), durante reunião do Conselho de Segurança sobre a Força Conjunta do Grupo dos Cinco para o Sahel. Foto: ONU/Rick Bajornas

O secretário-geral da ONU, António Guterres (ao centro), durante reunião do Conselho de Segurança sobre a Força Conjunta do Grupo dos Cinco para o Sahel. Foto: ONU/Rick Bajornas

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse ao Conselho de Segurança que a urgência da situação na região do Sahel requer ações inovadoras para apoiar os esforços da chamada Força G-5-Sahel em áreas como segurança, desenvolvimento e governança.

Na segunda-feira (30), o órgão realizou um debate dedicado à força internacional de combate ao extremismo, composto por Burkina Faso, Chade, Mali, Níger e Mauritânia.

Discursando em francês, Guterres declarou que está se esgotando o tempo da ação e que é preciso unir esforços para abordar as causas profundas da instabilidade na região africana. Para o chefe da ONU, a falta de ação poderia ter graves consequências para a região – e além dela. “A situação no Sahel desafia todos nós”, alertou.

António Guterres declarou que a criação da Força Conjunta expressa a vontade dos integrantes de cooperar e enfrentar a ameaça coletivamente. Ele disse haver oportunidade de apoiar estas nações para que revertam o curso dos eventos.

Outro pedido de Guterres ao Conselho é que haja mais ambição nas suas opções, tendo destacado que é crucial um forte apoio político, bem como apoio material e operacional ‘compatíveis’ para o G5 do Sahel.

O secretário-geral acrescentou que, embora a cooperação em segurança seja essencial, apenas uma resposta multidimensional irá pôr fim à instabilidade na região. Essa intervenção deve ser reforçada nas áreas de governança, desenvolvimento e resiliência.

(Com Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque)

UNESCO discute ensino de bioética em universidades

Foto: Pixabay

Foto: Pixabay

Termina nesta sexta-feira (3) em Brasília o III Seminário Regional de Educação Superior em Bioética, destinado a coordenadores de mestrado e doutorado em Bioética das universidades da América Latina e Caribe que estão em atividade.

O evento, fechado, é uma parceria do Programa para América Latina e Caribe de Bioética e Ética da Ciência da UNESCO (escritório de Montevidéu), da Cátedra UNESCO de Bioética e Programa de Pós-graduação em Bioética da Universidade de Brasília em conjunto com a Rede da América Latina e Caribe de Educação Superior em Bioética.

Na reunião, será dada continuidade às recomendações discutidas no II Seminário, realizado em Bogotá, Colômbia, e em seu documento resultante, a Carta de Bogotá. O encontro incentiva também a proposição de novos temas de debate que ampliem a agenda bioética no ensino superior.

O encontro conta com a presença de mais de 19 especialistas de nove países, e a participação de 16 universidades da região.

 

Secretário-geral da ONU pede justiça a casos de assassinatos de jornalistas no mundo

Jornalistas em serviço. Foto: EBC

Jornalistas em serviço. Foto: EBC

No Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas (2 de novembro), o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu justiça em memória de todos os profissionais assassinados, e em reconhecimento da importância de uma mídia livre e independente para avançar rumo ao desenvolvimento e à paz.

“Apenas nas últimas semanas, um renomado jornalista investigativo foi assassinado por uma bomba presa em seu carro; outro foi desmembrado durante a apuração de uma reportagem; e um fotógrafo foi encontrado morto após ser forçado a deixar sua casa”, disse Guterres em comunicado.

De 2006 a 2016, 930 jornalistas e trabalhadores da mídia foram mortos. Milhares de outros enfrentam de forma rotineira assédio sexual, intimidação, detenção e maus tratos, lembrou o secretário-geral da ONU.

“A impunidade desenfreada marca esses crimes. Em nove de dez casos, o perpetuador nunca é levado à Justiça”, declarou.

“Quando os jornalistas são o alvo, a sociedade como um todo paga o preço. O tipo de notícia que é silenciada — corrupção, conflitos de interesse, tráfico ilegal — é exatamente o tipo de informação que o público precisa saber”, completou.

A Assembleia Geral das Nações Unidas, o Conselho de Segurança e o Conselho de Direitos Humanos da ONU condenaram ataques contra jornalistas e pediram que sua segurança fosse garantida.

O Sistema ONU também endossou um Plano de Ação para a Segurança dos Jornalistas e a Questão da Impunidade.

“Estamos comprometidos em ajudar a criar o ambiente que os jornalistas precisam para desempenhar seu trabalho vital. Estou mobilizando uma rede de pontos focais por todo o Sistema ONU para promover passos específicos para intensificar nossos esforços de ampliar a segurança dos jornalistas e dos trabalhadores da mídia”, concluiu Guterres.

UNESCO

Em mensagem para a data, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, disse que a justiça é um dos pilares de uma sociedade livre.

“Ela desestimula aqueles que ameaçam a liberdade de expressão e encoraja aqueles que a defendem. É por isso que a injustiça contra jornalistas é tão onerosa para todas as sociedades”, disse.

“Isso diz respeito principalmente a locais – 93% dos jornalistas mortos nos últimos 11 anos eram jornalistas locais que cobriam histórias locais. Isso também diz respeito às ameaças enfrentadas pelas jornalistas, incluindo o alarmante aumento de casos de assédio online”, afirmou.

Segundo Irina, é necessário assegurar que a justiça seja feita para cada jornalista assassinado. “Isso é fundamental para a memória – é essencial para fortalecer o Estado de direito e a boa governança, assim como para fazer avançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 16, sobre paz, justiça e instituições fortes”, disse.