Evento da ONU em Nova Iorque visa ampliar espaço das mulheres em ciência e tecnologia

Professora Amivi Kafui Tete-Benissan (esquerda) ensina biologia celular e bioquímica na Universidade de Lomé, na capital do Togo. Foto: Banco Mundial/Stephan Gladieu

Professora Amivi Kafui Tete-Benissan (esquerda) ensina biologia celular e bioquímica na Universidade de Lomé, na capital do Togo. Foto: Banco Mundial/Stephan Gladieu

Um evento de três dias sobre formas de melhorar o envolvimento das mulheres no setor aeroespacial, assim como nos campos de ciência, tecnologia e matemática, ocorreu no início de outubro em Nova Iorque sob a liderança de dois escritórios das Nações Unidas.

O Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Sideral (UNOOSA) e a ONU Mulheres se uniram para o “Espaço para Mulheres, uma reunião de especialistas para compartilhar conhecimentos, ampliar parcerias e promover esforços para encorajar as mulheres e meninas a se envolverem com ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla em inglês), especialmente em países em desenvolvimento.

“O ‘Espaço para as Mulheres’ é um projeto de integração da perspectiva de gênero. Gostaríamos de trabalhá-lo com com os Estados-membros não só para difundir a educação STEM, mas também para ajudar as jovens formadas a encontrar seu lugar sociedade, sem precisar deixar seus próprios países”, disse Simonetta Di Pippo, diretora do UNOOSA.

O evento também aprofundará o papel da tecnologia espacial e da ciência para cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 5, sobre a igualdade de gênero. “E isso tem que ser feito com cada Estado-membro, e começaremos com um pequeno grupo de líderes — como gosto de chamá-las — portanto, países ‘piloto’ com os quais desenvolvemos esse projeto de médio e longo prazo”, disse.

Com a temática prioritária de construção de capacidades para o século 21, o evento discutiu abordagens inovadoras para atingir a Agenda 2030. Astronautas, diplomatas, autoridades e especialistas de todo o mundo participaram do evento para a criação do projeto.

Em consonância com a visão do UNOOSA de trazer os benefícios do conhecimento sobre o espaço para a humanidade, o foco do projeto é perceber que mulheres e meninas estão incluídas nesses benefícios e que desempenham um papel ativo e igual na ciência espacial, na tecnologia, na inovação e na pesquisa.

Secretário-geral da ONU condena fortemente ataque mortal a comboio da missão de paz no Mali

Integrantes da força da paz a bordo dos comboios da Missão da ONU no Mali. MINUSMA/Marco Dormino

Integrantes da força da paz a bordo dos comboios da Missão da ONU no Mali. MINUSMA/Marco Dormino

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou fortemente o ataque contra um comboio de logística da Missão Multidimensional Integrada de Estabilização no Mali (MINUSMA), na última quinta-feira (26), que acabou com as vidas de três integrantes das forças de paz chadianos e feriu outros dois.

Num depoimento emitido por um porta-voz do secretário-geral, Guterres manifestou suas sinceras condolências ao governo do Chade, bem como profunda compaixão com as famílias e entes queridos das vítimas. Também desejou uma rápida recuperação aos feridos.

De acordo com os relatos, o comboio viajava de Tessalit a Aguelhok, na região nortenha de Kidal.

“O secretário-geral reitera que ataques que tenham como alvo integrantes das forças da paz das Nações Unidas podem constituir crimes de guerra sob o direito internacional, e solicitou que os responsáveis pelo ataque sejam levados à justiça o mais rápido possível”, destacou Guterres no comunicado.

O chefe da ONU solicitou ao governo do Mali e aos grupos armados que acelerem a implementação do acordo de paz, e destacou que nenhum ataque afetará a determinação das Nações Unidas de apoiar o povo malinês na sua busca pela paz.

É necessário repensar as formas de se governar as cidades, diz chefe do ONU-Habitat

Vista do Cairo, no Egito, durante hora do rush. Foto: Banco Mundial/Dominic Chavez

Vista do Cairo, no Egito, durante hora do rush. Foto: Banco Mundial/Dominic Chavez

No Dia Mundial das Cidades, um oficial das Nações Unidas enfatizou na terça-feira (31) a necessidade de encontrar formas inovadoras de governar as cidades, enquanto mais da metade da população mundial vive em áreas urbanas.

“O escopo e a velocidade com as quais as pessoas acessam informações e interagem entre si não têm precedentes na história, e as instituições precisam reagir a essas novas formas de exercício da cidadania”, disse o chefe do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), Joan Clos, em mensagem para a data, cujo tema deste ano é “Governança Inovativa, Cidades Abertas”. “Não devemos temer a inovação”, enfatizou.

A adoção da Nova Agenda Urbana em 2016, durante a Conferência da ONU sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável, conhecida como Habitat III, criou visões sobre como construir, planejar e gerenciar as cidades de forma mais inclusiva, segura, resiliente e sustentável.

Clos disse que o uso da tecnologia, com ferramentas de crowd-sourcing (financiamento coletivo), podem ajudar a gerar ideias e criar abordagens novas para a governança e a tomada de decisões em políticas públicas.

“Se abrirmos nossas mentes para as possibilidades e oportunidades que o governo aberto apresenta, contribuiremos de forma significativa para gerar um mundo melhor para as pessoas, o planeta e a prosperidade”, disse.

CEPAL: cidades ainda são marcadas por acesso desigual a serviços públicos

O processo de urbanização na América Latina e no Caribe melhorou os indicadores de desenvolvimento, no entanto, as cidades ainda são espaços de desigualdades, segundo a CEPAL.  Foto: ONU-Habitat/Lucille Kanzawa

O processo de urbanização na América Latina e no Caribe melhorou os indicadores de desenvolvimento, no entanto, as cidades ainda são espaços de desigualdades, segundo a CEPAL. Foto: ONU-Habitat/Lucille Kanzawa

O processo de urbanização na América Latina e no Caribe melhorou os indicadores de desenvolvimento, no entanto, as cidades ainda são espaços de desigualdades, com um acesso díspar a serviços públicos de qualidade e altos níveis de segregação residencial socioeconômica, afirma nova publicação da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

O livro “Desenvolvimento sustentável, urbanização e desigualdade na América Latina e no Caribe — dinâmicas e desafios para a mudança estrutural”, analisa os sistemas urbanos e as dinâmicas socioeconômicas e ambientais das cidades da região, ao serem estas uma expressão das estruturas de produção, distribuição e consumo e de estruturas sociopolíticas específicas do estilo de desenvolvimento na região.

O documento afirma que o estilo de desenvolvimento latino-americano e caribenho caracteriza-se fundamentalmente por uma insuficiência dinâmica que produz e reproduz desigualdades em diferentes dimensões, com impactos negativos nas possibilidades de um desenvolvimento urbano inclusivo e sustentável.

O livro afirma ainda que a ampla desigualdade e a falta de inclusão urbana se relacionam com desafios fundamentais da América Latina e do Caribe, como a baixa produtividade e o emprego informal que têm efeitos negativos sobre a vulnerabilidade social e o desenvolvimento econômico sustentável.

“A segregação socioeconômica — a expressão da desigualdade — aprofunda e reproduz essa desigualdade e contribui para a fragmentação social e os altos níveis de violência que existem em muitas cidades na América Latina”, afirma Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL, no prólogo do documento.

O texto afirma que no marco dos processos de expansão urbana e segregação socioeconômica, é gerada também uma crescente desigualdade ambiental urbana, um aumento da vulnerabilidade nesse âmbito e um crescimento da pegada ecológica urbana.

A publicação busca melhorar o desenho e a implementação das políticas públicas no nível nacional e subnacional, para construir um futuro urbano sustentável na região no marco da Nova Agenda Urbana e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Paraty, Brasília e João Pessoa entram para a rede de cidades criativas da UNESCO

Cidade de Paraty, no Rio de Janeiro. Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

Cidade de Paraty, no Rio de Janeiro. Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

Três novas cidades brasileiras foram incluídas nesta semana (31) na Rede Internacional de Cidades Criativas da UNESCO, que busca promover o desenvolvimento urbano sustentável a partir do compromisso com a criatividade e a cultura. São elas Brasília (DF), Paraty (RJ) e João Pessoa (PB). Cada uma delas possui uma área temática: design; gastronomia; artesanato e artes folclóricas, respectivamente.

Com as novas integrantes, a Rede passa a ter um total de oito cidades brasileiras. Já faziam parte Belém (PA) e Florianópolis (SC), no campo da gastronomia, Curitiba (PR), na área de design, Salvador (BA), no segmento de música, e Santos (SP), no setor de cinema.

O objetivo do programa, lançado em 2004, é a cooperação internacional entre cidades que se comprometem a mobilizar indústrias criativas em prol do desenvolvimento sustentável, da inclusão social e da cultura. Na prática, as participantes assumem o compromisso de compartilhar experiências e conhecimento entre si e de firmar parcerias que fortaleçam atividades culturais, incluindo esses fatores nos planejamentos urbanos locais.

Cidades de todo o mundo podem solicitar participação em uma das sete áreas temáticas: artesanato e artes folclóricas, design, cinema, gastronomia, literatura, artes midiáticas e música. Com a entrada de 64 novas municipalidades nesta semana, a Rede soma atualmente 180 Cidades Criativas em 72 países. A próxima Reunião Anual da Rede de Cidades Criativas acontecerá em junho de 2018, nas cidades de Cracóvia e Katowice, na Polônia.

Missão da ONU no Haiti tem nova chefe

Susan D. Page, nomeada representante especial do secretário-geral e chefe da MINUJUSTH. Foto: ONU

Susan D. Page, nomeada representante especial do secretário-geral e chefe da MINUJUSTH. Foto: ONU

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, anunciou nesta quarta-feira (1) a nomeação de Susan D. Page, dos Estados Unidos, como representante especial e chefe da Missão das Nações Unidas para o Apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH).

O secretário-geral expressou sua gratidão ao vice-representante especial, Mamadou Diallo, da Guiné, que ofereceu uma excelente liderança desde a criação da nova Missão, no último 16 de outubro.

Guterres também agradeceu à ex-representante especial Sandra Honoré, que liderou a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH) por 4 anos, até seu encerramento em 15 de outubro de 2017.

Susan Page traz ao cargo vasta experiência de gestão e liderança em diplomacia, desenvolvimento internacional e Estado de Direito, tendo servido como vice-representante especial para o Estado de Direito na MINUSTAH desde janeiro de 2017.

Page ocupou o cargo de assessora sênior no Escritório do Enviado Especial dos Estados Unidos para o Sudão e Sudão do Sul e serviu como assistente adjunta da Secretaria de Estado dos Estados Unidos para assuntos africanos. Serviu, ainda, como embaixadora dos Estados Unidos no Sudão, na União Africana e na Comissão Econômica da ONU para a África.

A experiência nas Nações Unidas inclui cargos como diretora da Unidade de Assessoria para o Estado de Direito na Missão das Nações Unidas no Sudão (UNMIS) e assessora jurídica sênior do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Sudão e em Ruanda.

Page possui um diploma de ‘Juris Doctor’ da Faculdade de Direito de Harvard e um diploma em Inglês com alta distinção pela Universidade de Michigan.

ONU pede ambiente livre de violência para jornalistas

Nesta quinta-feira, 2 de novembro, é marcado o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas. Em 2016, o Brasil foi considerado o sexto país mais perigoso do mundo para jornalistas.

“As Nações Unidas pedem à sociedade civil e aos governos que favoreçam um ambiente onde os jornalistas possam trabalhar de forma independente, sem interferências”, disse o diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), Maurizio Giuliano. A mensagem foi enviada para um evento do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro e da OAB que discutiu o tema, no final de setembro.

Saiba mais sobre o Fórum “Violência Contra os Jornalistas – da época da repressão aos dias de hoje” em http://bit.ly/sjperj. Saiba mais sobre o tema em https://nacoesunidas.org/segurancadejornalistas.

Confira a mensagem na íntegra:

Agência da ONU leva assistência psicológica para refugiados rohingya em Bangladesh

Rashida Begum perdeu seu filho durante o naufrágio de uma embarcação que deixava Mianmar rumo a Bangladesh. Foto: ACNUR/Roger Arnold

Rashida Begum perdeu seu filho durante o naufrágio de uma embarcação que deixava Mianmar rumo a Bangladesh. Foto: ACNUR/Roger Arnold

Quando o barco de pesca abarrotado de pessoas parou de funcionar durante a tempestade, Nurus Salam foi arremessado ao mar segurando seu único filho. Ele o agarrou tão forte quanto podia, mas as ondas afrouxaram seus braços. De repente, Abdul, de dois anos, se foi. “Quando fecho os olhos, eu continuo ouvi-lo a chorar: ‘papai, papai'”, lamenta o sobrevivente, que deixou seu país de origem, Mianmar, devido à perseguição ao povo rohingya.

Nurus, de 22 anos, está entre os 27 sobreviventes de um naufrágio ocorrido próximo à costa de Bangladesh no dia 26 de setembro. O incidente deixou pelo menos 23 pessoas. O número de vítimas é provavelmente maior. Na tragédia, o jovem também perdeu sua esposa, Sanjida, de 18 anos. O rapaz está fazendo sessões de terapia no campo de refugiados de Kutupalong, com uma psicóloga da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Vinte dos sobreviventes se reúnem na sala da Escola Primária Peacock, que está funcionando como acomodação temporária. Sentada de pernas cruzadas no chão, outra refugiada, a jovem Rashida Begum, de 23 anos, conta à terapeuta, Mahmuda, como perdeu sua filha, de sete meses, na arrebentação.

As histórias de morte e sofrimento se repetem. Para esses refugiados, a assistência psicológica é uma necessidade urgente.

Mahmuda, psicóloga do ACNUR, conversa com Nurus Salam, de 22 anos, refugiado rohingya sobrevivente de um naufrágio perto de Cox's Bazar, Bangladesh. Foto: ACNUR/Roger Arnold

Mahmuda, psicóloga do ACNUR, conversa com Nurus Salam, de 22 anos, refugiado rohingya sobrevivente de um naufrágio perto de Cox’s Bazar, Bangladesh. Foto: ACNUR/Roger Arnold

Abder Rashid, de 16 anos, explica que seu pai foi morto a tiros em Mianmar. Sua mãe se afogou quando o barco saiu da praia e, como é o mais velho dos quatro irmãos que restaram, tornou-se o novo chefe da família. “Agora eu tenho que cuidar dessas crianças. Não há mais ninguém”, diz a Mahmuda. “Eu sinto o peso dessa responsabilidade quando tento dormir.”

Psicóloga educacional e terapeuta com cinco anos de treinamento, Mahmuda também estudou psicoterapia e tem especialização em transtorno de estresse pós-traumático. Ela é a única psicóloga que o ACNUR tem nos dois campos de refugiados oficiais do governo de Bangladesh — Kutupalong e Nayapara. A profissional também atua em regiões de moradias precárias, que se expandem sem controle por causa da chegada de novos rohingya vindos de Mianmar. Há outros cinco psicólogos trabalhando com organizações parceiras, mas não há psiquiatras.

Sessões de grupo

Mahmuda realizou uma sessão de grupo com todos os 27 sobreviventes do naufrágio e prestou atendimento individual com 14 dos homens, mulheres e crianças que chegaram à praia com vida.

“Todos os refugiados passaram por muitas experiências traumáticas”, avalia a psicóloga. “Eles caminharam por três ou quatro dias ou vieram de barco. Eles testemunharam massacres, tiroteios, torturas, estupros. Eles viram de tudo.”

Falando com calma e segurança, ela começa a segunda sessão de grupo com uma mensagem clara para os pacientes: “Você está vivo. Você está seguro. Você não está sozinho. Estamos com você”.

Estudos de saúde mental mostram que os refugiados são surpreendentemente resilientes. A maioria reage ao deslocamento e perdas com estresse agudo e reações de dor. Uma proporção menor — geralmente não mais do que um em cada cinco — apresenta formas leves ou moderadas de problemas de saúde mental, incluindo o transtorno de estresse pós-traumático. Um número menor desenvolve distúrbios graves, como transtorno bipolar ou psicose.

Mahmuda tem recursos e tempo extremamente limitados. O psiquiatra mais próximo está em Dhaka, e ela é capaz de oferecer apenas o básico aos médicos do campo — que tiveram um curso intensivo em saúde mental. A terapeuta tem poucas opções de encaminhamento para outras redes de saúde nos acampamentos.

Apesar das dificuldades, os refugiados já mostram sinais de melhoras. Rashida está começando a aceitar a perda de seu bebê. “Quando estávamos em Mianmar, minha filha poderia ter sido morta pelo exército ou qualquer outra pessoa. Estou me dando esse consolo. Eu a perdi, mas tenho que sobreviver.”

Abder diz que está assustado com a responsabilidade de cuidar dos irmãos, de oito, nove e 12 anos. Ele escuta avidamente quando Mahmuda lhe dá informações sobre o apoio disponível. A psicóloga lhe explicou que há um espaço para crianças no campo, onde seus irmãos podem desenhar, jogar bola, fazer brinquedos e recuperar um pouco da infância.

“Essas pessoas têm o direito de viver com dignidade e boa saúde mental, mas somos muito limitados em nossa capacidade.”

Perguntada sobre o que precisa para ajudar seu grupo de pacientes que cresceu 15 vezes em pouco mais de um mês, a terapeuta é objetiva: pelo menos um psiquiatra, dois psicólogos infantis e treinamento para a equipe médica nos campos, para que possam fornecer cuidados básicos de saúde mental para os refugiados rohingya.

“Se houver alguém que possa nos estender a mão, agradeceremos”, completa.

Grupo assessor da ONU lança glossário de termos sobre o combate à mudança climática

Combater as mudanças climáticas e seus impactos é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos para serem adotados em setembro. Foto: Flickr/Tobias Sieben (CC)

Combater as mudanças climáticas e seus impactos é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Foto: Flickr/Tobias Sieben (CC)

O que são fundo verde para o clima, gases de efeito estufa, resiliência e mobilização de recursos financeiros no contexto da mudança global do clima? São muitos os conceitos sobre o tema e nem sempre há consenso sobre eles.

Para apresentar as definições internacionalmente acordadas sobre mudança do clima, o Grupo Assessor do Sistema ONU no Brasil sobre a Agenda 2030 acaba de lançar o glossário de termos e definições, com base no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 13.

O documento também pretende orientar políticas públicas para o combate à mudança do clima e promover o debate, de forma neutra, entre instituições e indivíduos.

A fim de disseminar informações e fortalecer a discussão sobre o tema, o glossário traz ainda o texto em português do Acordo de Paris, aprovado em 2015 pelos países que fazem parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

O documento também apresenta informações sobre as principais instituições que compõem o regime multilateral da mudança do clima, como o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês), a UNFCCC e o Protocolo de Quioto.

Desde a entrada em vigor da Agenda 2030, o Grupo Assessor da ONU no Brasil já lançou três glossários: ODS 5 (Igualdade de gênero), ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura) e ODS 13 (Ação contra a mudança global do clima). Os glossários são elaborados com apoio das agências, fundos e programas da ONU no país, de acordo com os respectivos mandatos.

“As Nações Unidas no Brasil esperam que o exercício consubstanciado por esta publicação e pelos demais glossários da série sejam úteis para a construção de agendas propositivas e comprometidas com a implementação da Agenda 2030 no país”, disse o coordenador-residente do Sistema ONU no Brasil, Niky Fabiancic.

“Considerando o mesmo espírito de cooperação que pautou sua relação com o governo brasileiro desde o processo preparatório da Rio+20, o Sistema das Nações unidas no Brasil envida esforços para contribuir de forma substancial para o devido cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, completou.

Na avaliação do assessor sênior do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e copresidente do Grupo Assessor da ONU no Brasil para a Agenda 2030, Haroldo Machado Filho, apresentar a definição de termos específicos para cada ODS é ferramenta fundamental para a formulação de políticas públicas com enfoque no desenvolvimento sustentável.

“Esses glossários constituem, portanto, relevante ferramenta de apoio à compreensão integrada dos temas da Agenda 2030. Conhecer os conceitos por trás do compromisso firmado pelos países, com destaque para a participação do Brasil na Cúpula do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas em setembro de 2015, é fundamental para embasar a formulação de políticas, além de guiar sua implementação e acompanhamento ao longo dos próximos anos”, declarou.

Clique aqui para fazer o download do glossário do ODS 13.

VÍDEO: produção agrícola garante sustento de quilombolas na Paraíba

Mulheres do quilombo do Bonfim contam história do local. Imagem: Frame do vídeo do Centro de Excelência contra a Fome

Mulheres do quilombo do Bonfim contam história do local. Imagem: Frame do vídeo do Centro de Excelência contra a Fome

Na Paraíba, o Quilombo do Bonfim foi o primeiro a ter seu território reconhecido. São aproximadamente 120 hectares sob o domínio de 39 famílias quilombolas – das quais 28 são chefiadas por mulheres. A população vive da produção agrícola, que é escoada em parte para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A história do local virou tema de um vídeo, produzido pelo Centro de Excelência contra a Fome, do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA).

Na comunidade, as famílias cultivam mandioca, batata-doce, pimentão, hortaliças e frutas como banana, abacaxi, laranja, limão e tangerina. O vídeo traz o depoimento de uma das líderes da comunidade e de sua filha, que compartilham histórias comoventes da família antes de terem o território do quilombo do Bonfim formalizado.

Segundo o Centro de Excelência, a história do local coloca em evidência como a luta pela segurança alimentar em territórios rurais e, sobretudo em regiões quilombolas, está estritamente relacionada com a conquista da terra.

As imagens do vídeo foram feitas durante uma visita de estudos de uma delegação do Quênia à Paraíba. Os representantes do país africano vieram ao Brasil em 2016 para conhecer os programas brasileiros de desenvolvimento social. A produção agrícola do Bonfim é revendida também para o Programa brasileiro de Aquisição de alimentos.

Assista à produção audiovisual abaixo: